Nova Tradução na Linguagem de Hoje (2000) (NTLH)
23

231Então Paulo olhou firmemente para os membros do Conselho e disse:

— Meus irmãos, tenho vivido até hoje com a consciência limpa diante de Deus.

2Mas Ananias, o Grande Sacerdote, mandou que os homens que estavam perto de Paulo dessem um tapa na boca dele. 3Aí Paulo disse a Ananias:

— Hipócrita, Deus o castigará por isso! Você está sentado aí para me julgar de acordo com a Lei, não é? Então como é que mandou bater em mim? Isso é contra a Lei!

4Os homens que estavam perto de Paulo perguntaram:

— Você está insultando o Grande Sacerdote, o servo de Deus?

5Paulo respondeu:

— Meus irmãos, eu não sabia que ele é o Grande Sacerdote. Pois as Escrituras Sagradas dizem: “Não fale mal de nenhuma das autoridades do seu povo.”

23.5
Êx 22.28

6Quando Paulo percebeu que alguns do Conselho eram do partido dos saduceus e outros do partido dos fariseus, disse bem alto:

— Meus irmãos, eu sou fariseu e filho de fariseus. Estou aqui sendo julgado porque creio que os mortos vão ressuscitar.

23.6
At 26.5
Fp 3.5

7Assim que ele disse isso, os fariseus e os saduceus começaram a discutir, e o Conselho se dividiu. 8É que os saduceus não creem que os mortos vão ressuscitar, nem que existem anjos ou espíritos; mas os fariseus creem nessas coisas.

23.8
Mt 22.23
Mc 12.18
Lc 20.27
9E assim a gritaria aumentou ainda mais. Então alguns mestres da Lei que pertenciam ao partido dos fariseus se levantaram e protestaram. Eles disseram:

— Não vemos nenhum mal neste homem. Pode ser mesmo que um anjo ou um espírito tenha falado com ele.

10A briga chegou a tal ponto, que o comandante ficou com medo de que Paulo fosse despedaçado por eles. Por isso mandou os guardas descerem para tirar Paulo do meio deles e o levar de volta para a fortaleza.

11Na noite seguinte o Senhor Jesus apareceu a Paulo e disse:

— Tenha coragem, Paulo! Você falou a meu respeito aqui em Jerusalém e vai falar também em Roma.

O plano para matar Paulo

12Na manhã seguinte alguns judeus se ajuntaram e juraram que não iam comer nem beber nada enquanto não matassem Paulo. 13Os homens que combinaram fazer isso eram mais de quarenta. 14Eles foram falar com os chefes dos sacerdotes e com os líderes do povo e disseram:

— Nós fizemos o seguinte juramento: “Que Deus nos amaldiçoe se comermos ou bebermos qualquer coisa enquanto não matarmos Paulo.” 15Agora vocês e o Conselho Superior, mandem pedir ao comandante que traga Paulo aqui. Digam que estão querendo examinar melhor o caso dele. Então, antes que ele chegue, nós estaremos prontos para matá-lo.

16Mas o filho da irmã de Paulo ficou sabendo do plano; ele entrou na fortaleza e contou tudo a Paulo. 17Então Paulo chamou um dos oficiais e disse:

— Leve este moço ao comandante. Ele tem uma coisa para contar a ele.

18O oficial levou o moço ao comandante e disse:

— Aquele preso que se chama Paulo mandou me chamar e pediu que eu trouxesse este moço porque ele tem uma informação para o senhor.

19O comandante pegou o moço pela mão, levou-o para um lado e perguntou:

— O que é que você tem para me contar?

20Ele respondeu:

— Alguns judeus combinaram pedir ao senhor que leve Paulo amanhã ao Conselho Superior, com a desculpa de quererem examinar melhor o caso dele. 21Mas não acredite nisso, pois mais de quarenta deles vão ficar escondidos esperando Paulo para o matar. Todos eles fizeram este juramento: “Que Deus nos amaldiçoe se comermos ou bebermos qualquer coisa antes de termos matado Paulo.” Eles estão prontos para cumprir o juramento e esperam apenas saber o que o senhor vai resolver.

22Então o comandante respondeu:

— Não diga a ninguém que você me contou isso.

E mandou que o moço fosse embora.

Paulo é mandado para o governador Félix

23Então o comandante chamou dois oficiais e disse:

— Arranjem duzentos soldados, e mais setenta cavaleiros, e duzentos lanceiros para ir até a cidade de Cesareia. Estejam prontos para sair daqui às nove horas da noite. 24Preparem também cavalos para Paulo montar e o levem com toda a segurança para o governador Félix.

25Depois o comandante escreveu uma carta que dizia o seguinte:

26“Excelentíssimo Governador Félix,

“Saudações.

27“Alguns judeus agarraram este homem e quase o mataram. Quando soube que ele era cidadão romano, eu fui com os meus soldados e não deixei que ele fosse morto. 28Eu queria saber por que o estavam acusando e por isso resolvi levá-lo diante do Conselho Superior dos judeus. 29Então descobri que ele não tinha feito nada para merecer a prisão ou a morte. A acusação contra ele era a respeito da própria lei deles. 30Quando fui informado de que havia um plano para matá-lo, resolvi mandá-lo ao senhor. E disse para aqueles judeus que fizessem as acusações na sua presença.

“Saúde.

“Cláudio Lísias.”

31Então os soldados cumpriram as ordens. Pegaram Paulo e o levaram durante a noite até a cidade de Antipátride. 32No dia seguinte os soldados voltaram para a fortaleza, deixando que os cavaleiros continuassem a viagem com Paulo. 33Eles o levaram para a cidade de Cesareia, deram a carta ao Governador e lhe entregaram Paulo. 34O Governador leu a carta e perguntou a Paulo de onde ele era. Quando soube que era da região da Cilícia, 35disse:

— Quando os seus acusadores chegarem, eu ouvirei o que você tem para dizer.

Em seguida mandou que ele ficasse preso no palácio do Governador23.35 Construído por Herodes, o Grande, e usado pelo Governador romano..

24

Paulo é acusado

241Cinco dias depois o Grande Sacerdote Ananias foi até Cesareia com alguns líderes do povo e com um advogado chamado Tértulo. Eles se apresentaram ao governador Félix para fazer acusações contra Paulo. 2Depois que Paulo foi chamado, Tértulo começou a acusação, dizendo:

— Excelentíssimo Senhor Governador, o seu governo nos tem trazido um longo tempo de paz, e graças à sua sábia administração muitas reformas necessárias estão sendo feitas para o bem deste povo. 3Somos muito agradecidos por tudo aquilo que temos recebido em todas as ocasiões e em todos os lugares. 4Mas não quero tomar muito do seu tempo e por isso peço que tenha a bondade de nos escutar apenas um pouco mais. 5Nós achamos, de fato, que este homem é uma peste. Ele provoca desordens entre os judeus do mundo inteiro e é também o líder do partido dos nazarenos. 6Além disso tentou profanar o Templo, e então nós o prendemos. Nós íamos julgá-lo de acordo com a nossa Lei, 7mas o comandante Lísias veio e o tirou de nós à força. 8Aí o próprio Lísias mandou que os acusadores viessem até aqui e fizessem a acusação diante do senhor. Se o senhor fizer perguntas a este homem, ele mesmo confirmará todas as acusações que estamos fazendo contra ele.

9Então os judeus concordaram, dizendo que tudo era verdade.

Paulo se defende diante de Félix

10O Governador fez sinal para que Paulo falasse. Então ele disse:

— Eu sei que há muitos anos o senhor é juiz do povo judeu e por isso eu me sinto à vontade para fazer a minha defesa na sua presença. 11Como o senhor mesmo pode comprovar, faz apenas doze dias que fui a Jerusalém para adorar a Deus. 12Os judeus não me viram discutindo com ninguém nos pátios do Templo, nem agitando o povo nas suas sinagogas ou em qualquer outro lugar da cidade. 13E eles não podem provar nenhuma das acusações que agora estão fazendo contra mim. 14Porém uma coisa confesso ao senhor: eu sigo o Caminho que os judeus dizem ser falso; mas é desse modo que sirvo ao Deus dos nossos antepassados. Creio em tudo o que está escrito na Lei de Moisés e nos livros dos Profetas. 15Eu e os meus acusadores temos esta mesma esperança em Deus: todos vão ressuscitar, tanto os bons como os maus. 16Por isso faço tudo para sempre ter a consciência limpa diante de Deus e das pessoas.

17E Paulo continuou:

— Depois de ter ficado fora de Jerusalém durante alguns anos, voltei para lá a fim de levar algum dinheiro para o meu próprio povo e para oferecer sacrifícios. 18Quando estava fazendo isso, depois de eu ter acabado a cerimônia de purificação, alguns judeus me encontraram na área do Templo24.18 Ver At 21.26, nota.. Não havia muita gente comigo nem desordem.

24.17-18
At 21.17-28
19Porém alguns judeus da província da Ásia estavam lá. São eles que devem se apresentar diante do senhor e fazer as acusações, se é que têm alguma coisa contra mim. 20Ou então que estes homens que estão aqui digam se, quando eu estive diante do Conselho Superior, eles me acharam culpado de qualquer crime. 21Quando estava de pé diante deles, eu apenas disse em voz alta: “Hoje estou sendo julgado por vocês porque creio que os mortos vão ressuscitar.”
24.21
At 23.6

22Então Félix, que estava bem-informado a respeito do Caminho, deixou a questão para depois, dizendo a eles:

— Quando o comandante Lísias chegar, eu resolverei o caso de vocês.

23Ele mandou que o oficial pusesse um guarda para tomar conta de Paulo e ordenou que lhe dessem alguma liberdade e licença para receber ajuda dos amigos.

Paulo diante de Félix e Drusila

24Alguns dias mais tarde Félix veio com Drusila, a sua esposa, que era judia. Mandou chamar Paulo e o ouviu falar a respeito da fé em Cristo Jesus. 25Mas, quando Paulo começou a falar sobre uma vida correta, o domínio próprio e o Dia do Juízo Final, Félix ficou com medo e disse:

— Agora pode ir. Quando eu puder, chamarei você de novo.

26Além disso Félix esperava que Paulo lhe desse algum dinheiro. Por isso o chamava muitas vezes e conversava com ele.

27Dois anos depois24.27 No ano 59 ou 60 depois de Cristo. Pórcio Festo ficou no lugar de Félix como governador. Félix queria agradar os judeus; por isso, ao sair, deixou Paulo na prisão.

25

Paulo apela para o Imperador

251Três dias depois de chegar àquela província, Festo saiu da cidade de Cesareia e foi até Jerusalém. 2Os chefes dos sacerdotes e os líderes judeus apresentaram lá as suas acusações contra Paulo e pediram a Festo 3o favor de mandar trazer Paulo para Jerusalém. É que eles tinham combinado matar Paulo no caminho. 4Mas Festo respondeu:

— Paulo está preso em Cesareia, e eu logo voltarei para lá. 5Que os líderes de vocês me acompanhem até lá e o acusem, se é que ele fez algum mal.

6Festo passou oito ou dez dias entre eles e depois voltou para Cesareia. No dia seguinte sentou-se no tribunal e mandou que trouxessem Paulo. 7Quando Paulo chegou, os judeus que tinham vindo de Jerusalém ficaram em volta dele e começaram a fazer muitas acusações graves, mas não conseguiram provar nada. 8Então Paulo se defendeu, dizendo:

— Eu não fiz nada contra a lei dos judeus, nem contra o Templo, nem contra o Imperador.

9Festo, querendo agradar os judeus, perguntou a Paulo:

— Você não quer ir a Jerusalém e ser julgado lá por mim a respeito destas coisas?

10Paulo respondeu:

— Estou diante do tribunal do Imperador romano, e é aqui que devo ser julgado. Não fiz mal nenhum aos judeus, como o senhor sabe muito bem. 11Se não respeitei a lei ou se fiz alguma coisa que mereça a pena de morte, estou pronto para morrer. Mas, se o que dizem contra mim não é verdade, ninguém pode me entregar a eles. Portanto, apelo para o Imperador.

12Então Festo, depois de conversar com os seus conselheiros, disse:

— Já que você apelou para o Imperador, então irá para o Imperador.

Paulo diante de Agripa e Berenice

13Alguns dias depois o rei Agripa e Berenice, sua irmã, chegaram a Cesareia para cumprimentar Festo. 14Quando já fazia alguns dias que eles estavam lá, Festo contou ao rei o caso de Paulo. Ele disse:

— Está aqui um homem que Félix deixou como prisioneiro. 15Quando fui a Jerusalém, os chefes dos sacerdotes e os líderes dos judeus fizeram acusações contra ele e me pediram que o condenasse. 16Mas eu lhes disse que os romanos não costumam condenar ninguém sem primeiro colocar os acusadores diante do acusado, dando a este a oportunidade de se defender. 17Por isso, quando eles vieram até aqui, não perdi tempo, e, logo no dia seguinte, sentei no tribunal, e mandei que trouxessem o homem. 18Os seus inimigos chegaram, mas não o acusaram de nenhum crime grave como pensei que iam fazer. 19A única acusação que tinham contra ele era a respeito da própria religião deles e também sobre um homem que já morreu, chamado Jesus. Paulo afirma que esse homem está vivo. 20Eu não sabia como conseguir informações sobre esse assunto. Por isso perguntei a Paulo se queria ir a Jerusalém para ser julgado lá a respeito dessas acusações. 21Mas Paulo apelou para o Imperador e pediu para ficar preso até que o Imperador resolvesse o seu caso. Então mandei os guardas tomarem conta dele até que eu pudesse mandá-lo para o Imperador.

22Aí Agripa disse a Festo:

— Eu gostaria de ouvir esse homem.

— Amanhã o senhor vai ouvi-lo! — respondeu Festo.

23No dia seguinte Agripa e Berenice chegaram com grande cerimônia e pompa. Entraram na sala de audiências com os chefes militares e os homens mais importantes da cidade. Festo mandou que trouxessem Paulo 24e disse:

— Rei Agripa e todos os que estão aqui, vejam este homem! É contra ele que todos os judeus, tanto daqui como de Jerusalém, estão fazendo acusações diante de mim. Eles insistem em dizer que este homem deve morrer, 25mas eu acho que ele não fez nada para ser condenado à morte. Como ele mesmo pediu para ser julgado pelo Imperador, resolvi atendê-lo. 26Porém até agora não sei bem o que escrever a respeito dele ao Imperador. Então eu o trouxe aqui, diante dos senhores — e especialmente do senhor, rei Agripa — a fim de lhe fazer perguntas. Assim terei alguma coisa para escrever. 27Pois acho absurdo mandar um prisioneiro sem explicar claramente as acusações que existem contra ele.