Nova Tradução na Linguagem de Hoje (2000) (NTLH)
1

Davi recebe a notícia da morte de Saul

11Depois que Saul morreu, Davi voltou da sua vitória sobre os amalequitas e ficou dois dias na cidade de Ziclague. 2No dia seguinte chegou um moço que vinha do acampamento de Saul. Para mostrar a sua tristeza, ele havia rasgado as suas roupas e posto terra na cabeça. O moço foi até o lugar onde Davi estava, ajoelhou-se e encostou o rosto no chão em sinal de respeito. 3Davi lhe perguntou:

— De onde você está vindo?

— Eu fugi do acampamento israelita! — respondeu ele.

4— Conte o que foi que aconteceu! — disse Davi.

— O nosso exército fugiu da batalha, e muitos dos nossos homens foram mortos! — disse o moço. — Saul e o seu filho Jônatas também morreram.

5— Como é que você sabe que Saul e Jônatas estão mortos? — perguntou Davi.

6E o moço respondeu assim:

— Acontece que eu cheguei, por acaso, ao monte Gilboa e vi Saul apoiado na sua lança. Os carros e os cavaleiros inimigos chegavam cada vez mais perto dele. 7Então ele se virou, me viu e me chamou. E eu respondi: “Aqui estou, senhor!” 8Saul perguntou quem eu era, e eu respondi que era amalequita. 9Aí ele disse: “Fui ferido gravemente e estou morrendo. Venha aqui e me mate.” 10Então eu subi até o lugar onde ele estava e o matei porque eu sabia que, logo que caísse no chão, ele morreria. Aí tirei a coroa da cabeça dele e a pulseira do seu braço e trouxe para o senhor.

1.6-10
1Sm 31.1-6
1Cr 10.1-6

11Então Davi rasgou as suas roupas em sinal de tristeza, e todos os seus soldados fizeram o mesmo. 12Choraram, se lamentaram e jejuaram até a tarde por Saul, por Jônatas e por Israel, o povo de Deus, o Senhor, pois muitos deles tinham sido mortos na batalha.

13Aí Davi perguntou ao moço que tinha trazido as notícias:

— De onde você é?

— Eu sou amalequita, mas estou morando aqui na sua terra! — respondeu ele.

14— Como é que você se atreveu a matar o rei escolhido por Deus, o Senhor? — perguntou Davi.

15Então chamou um dos seus homens e ordenou:

— Mate-o!

O homem atacou o amalequita e o matou. 16E Davi disse ao amalequita:

— O culpado disso foi você mesmo. Você se condenou quando confessou que havia matado o rei escolhido pelo Senhor.

Davi chora por Saul e por Jônatas

17Davi cantou esta lamentação por Saul e por seu filho Jônatas 18e ordenou que fosse ensinada ao povo de Judá. (Esta lamentação está escrita no Livro do Justo.)

1.18
Js 10.13

19Os nossos líderes estão mortos nos montes de Israel!

Caíram os nossos soldados mais valentes!

20Não contem isso na cidade de Gate

nem nas ruas de Asquelom,

para que as mulheres filisteias não se alegrem,

nem pulem de contentamento as filhas dos pagãos.

21Não caia chuva nem orvalho nos montes de Gilboa,

e que os seus campos não produzam mais nada.

Pois ali os escudos dos guerreiros valentes estão cobertos de pó,

e o escudo de Saul perdeu o seu brilho.

22O arco de Jônatas era mortal,

e a espada de Saul nunca falhava

para derrubar os poderosos e matar os inimigos.

23Saul e Jônatas, tão queridos e maravilhosos;

juntos na vida, juntos na morte!

Eram mais rápidos do que as águias

e mais fortes do que os leões!

24Mulheres de Israel, chorem por Saul!

Ele vestia vocês com vestidos de fina lã vermelha

e as enfeitava com joias de ouro.

25Os soldados mais valentes caíram

e foram mortos na batalha.

Jônatas está morto nas montanhas.

26Eu choro por você, meu irmão Jônatas;

como eu o estimava!

Como era maravilhoso o seu amor para mim,

melhor ainda do que o amor das mulheres.

27Os soldados mais valentes caíram,

e as suas armas não têm mais utilidade.

2

Davi é feito rei de Judá

21Depois disso Davi perguntou a Deus, o Senhor:

— Devo ir e governar alguma das cidades de Judá?

— Sim! — o Senhor respondeu.

— Qual delas? — perguntou ele.

— Hebrom! — foi a resposta.

2Então Davi foi para Hebrom, levando consigo as suas duas esposas. Uma era Ainoã, da cidade de Jezreel, e a outra era Abigail, viúva de Nabal, da cidade de Carmelo.

2.2
1Sm 25.42-43
3Davi também levou os seus soldados com as suas famílias, e eles ficaram morando nas cidades vizinhas de Hebrom. 4Aí os homens de Judá foram a Hebrom e ungiram Davi como rei de Judá.

Quando Davi soube que os moradores da cidade de Jabes, da região de Gileade, tinham sepultado Saul,

2.4
1Sm 31.11-13
5mandou que alguns homens fossem lá com a seguinte mensagem:

— Que o Senhor abençoe vocês por terem feito a caridade de sepultar o nosso rei! 6Que o Senhor seja bom e fiel para vocês! Por causa do que fizeram, eu também os tratarei bem. 7Sejam fortes e valentes! Saul, o rei de vocês, morreu, e o povo de Judá me ungiu como rei deles.

8O comandante do exército de Saul, Abner, filho de Ner, havia fugido com Isbosete, filho de Saul, para Maanaim, no outro lado do rio Jordão. 9Lá, Abner fez Isbosete rei das terras de Gileade, Aser, Jezreel, Efraim e Benjamim; na verdade, ele o fez rei de todo o povo de Israel. 10Isbosete tinha quarenta anos de idade quando começou a reinar em Israel e reinou dois anos. Mas a tribo de Judá ficou fiel a Davi, 11e ele a governou em Hebrom sete anos e meio.

Guerra entre o povo de Israel e o de Judá

12Abner e os oficiais de Isbosete foram de Maanaim para a cidade de Gibeão. 13Joabe, cuja mãe era Zeruia, e os oficiais de Davi foram encontrá-los perto da represa de Gibeão. Lá todos eles se sentaram, um grupo de um lado da represa e o outro do outro lado. 14Então Abner disse a Joabe:

— Deixe que alguns dos nossos moços enfrentem alguns dos seus, em uma luta armada.

— Está bem! — respondeu Joabe.

15Aí doze soldados, representando Isbosete e a tribo de Benjamim, lutaram contra doze soldados de Davi. 16Cada um pegou o seu adversário pela cabeça e enfiou a espada no lado dele. E assim todos eles caíram mortos juntos. É por isso que aquele lugar perto da cidade de Gibeão é chamado de “Campo das Espadas”.

17Em seguida houve ali uma violenta batalha, e Abner e os israelitas foram derrotados pelos soldados de Davi. 18Joabe, Abisai e Asael, os três filhos de Zeruia, estavam lá. Asael, que era tão ligeiro como uma gazela selvagem, 19começou a perseguir Abner, correndo atrás dele. 20Abner olhou para trás e perguntou:

— Asael, é você?

— Sim, sou eu! — respondeu ele.

21— Pare de me perseguir! — disse Abner. — Corra atrás de um dos soldados e pegue para você as coisas dele.

Porém Asael continuou a persegui-lo. 22Mais uma vez Abner disse:

— Pare de me perseguir! Você está me forçando a matá-lo! Como é que eu poderia, depois, olhar o seu irmão Joabe nos olhos?

23Porém Asael não parou de persegui-lo. Então Abner deu um golpe para trás com a sua lança. Ela entrou na barriga de Asael e saiu pelas costas. Ele caiu morto no chão, e todos os que chegavam paravam no lugar onde ele estava caído.

24Mas Joabe e Abisai continuaram a perseguir Abner e, quando o sol estava se pondo, chegaram ao monte de Amá, a leste da cidade de Giá, na estrada que vai para o deserto de Gibeão. 25Os soldados da tribo de Benjamim se reuniram novamente em volta de Abner e ficaram no alto de um morro. 26Então Abner gritou para Joabe:

— Será que vamos ter de continuar lutando para sempre? Você não vê que, no fim, não vai sobrar nada, a não ser amargura? Nós somos seus irmãos! Até quando você vai esperar para mandar que os seus soldados parem de nos perseguir?

27Joabe respondeu:

— Juro pelo Deus vivo que, se você não tivesse falado, os meus soldados continuariam a perseguir vocês até amanhã cedo.

28Então Joabe tocou a corneta. Todos os seus soldados pararam de perseguir os israelitas, e a luta acabou.

29Durante toda aquela noite, Abner e os seus soldados marcharam pelo vale do Jordão. Atravessaram o rio Jordão e, depois de marcharem toda a manhã do dia seguinte, chegaram à cidade de Maanaim. 30Quando Joabe parou a perseguição, reuniu todos os seus soldados e viu que estavam faltando dezenove, além de Asael. 31Porém os soldados de Davi haviam matado trezentos e sessenta soldados de Abner, todos eles da tribo de Benjamim. 32Aí Joabe e os seus soldados pegaram o corpo de Asael e o sepultaram no túmulo da sua família, em Belém. Então marcharam durante a noite inteira e, ao amanhecer, chegaram a Hebrom.

3

31Durou muito tempo a guerra entre os que apoiavam a família de Saul e os que apoiavam Davi. Davi ia ficando cada vez mais forte, e a gente de Saul, cada vez mais fraca.

Os filhos de Davi

2Os filhos de Davi que nasceram na cidade de Hebrom são estes: o primeiro foi Amnom, filho de Ainoã, da cidade de Jezreel. 3O segundo foi Quileabe, filho de Abigail, viúva de Nabal, da cidade de Carmelo. O terceiro foi Absalão, filho de Maacá, que era filha de Talmai, rei de Gesur. 4O quarto foi Adonias, filho de Hagite. O quinto foi Sefatias, filho de Abital. 5O sexto foi Itreão, filho de Eglá, esposa de Davi. Todos esses filhos de Davi nasceram em Hebrom.

Abner faz um acordo com Davi

6Enquanto continuava a luta entre os que apoiavam a família de Saul e os que seguiam Davi, Abner ficava cada vez mais poderoso entre a gente de Saul.

7Um dia Isbosete, filho de Saul, acusou Abner de ter tido relações com uma concubina de Saul chamada Rispa, filha de Aías. 8Abner ficou furioso com isso e disse:

— Você pensa que eu sou traidor? Pensa que passei para o lado da tribo de Judá?

E continuou:

— Desde o começo tenho sido fiel à causa de Saul, o seu pai, aos seus irmãos e aos seus amigos e tenho evitado que você seja derrotado por Davi. No entanto, hoje você me acusa de ser culpado no caso dessa mulher! 9-10O Senhor Deus prometeu a Davi que tiraria o reino de Saul e dos seus descendentes e que tornaria Davi rei tanto de Israel como de Judá, para governar o país inteiro. Que Deus me mate se eu não fizer que isso aconteça!

3.9-10
1Sm 15.28

11Isbosete tinha medo de Abner; por isso, não disse nada.

12Naquela época Davi estava na cidade de Hebrom, e Abner lhe mandou mensageiros com o seguinte recado:

— Quem vai governar esta terra? Faça um acordo comigo, e eu o ajudarei a levar todo o povo de Israel para o seu lado.

13Davi respondeu:

— Muito bem. Eu farei um acordo com você, porém com uma condição: quando vier falar comigo, você vai me trazer Mical, filha de Saul.

14Então Davi mandou alguns mensageiros dizerem a Isbosete:

— Entregue-me a minha esposa Mical. Eu paguei cem prepúcios de filisteus para ter o direito de casar com ela.

3.14
1Sm 18.27

15Então Isbosete mandou tirá-la do seu marido Paltiel, filho de Laís. 16Paltiel seguiu-a chorando pelo caminho, até chegarem à cidade de Baurim. Aí Abner lhe ordenou:

— Volte para casa.

E ele voltou.

17Então Abner foi falar com os líderes de Israel. Ele disse:

— Há muito tempo que vocês queriam que Davi fosse rei de Israel. 18Esta é a hora de agir. Lembrem que o Senhor disse: “Eu usarei o meu servo Davi para salvar Israel, o meu povo, tanto dos filisteus como de todos os outros inimigos.”

19Abner falou também com o povo da tribo de Benjamim e depois foi a Hebrom para contar a Davi o que o povo de Benjamim e o povo de Israel tinham resolvido.

20Abner, com vinte homens, foi a Hebrom para se encontrar com Davi, e este lhe ofereceu uma festa. 21Abner disse a Davi:

— Eu irei agora e conquistarei todo o povo de Israel para o senhor. E eles o aceitarão como rei. Aí o senhor terá o que desejava e governará o país inteiro.

Então Davi deixou Abner ir embora em paz.

Abner é assassinado

22Pouco tempo depois, Joabe e os outros oficiais de Davi voltaram de um ataque rápido, trazendo muitas coisas que haviam tomado dos inimigos. Mas Abner não estava mais em Hebrom com Davi porque este já o havia deixado ir embora em paz. 23Quando Joabe chegou com os seus soldados, contaram-lhe que Abner havia ido falar com o rei Davi e que este o havia deixado ir embora em paz. 24Então Joabe foi falar com o rei. Ele disse:

— O que foi que o senhor fez? Abner veio aqui, e o senhor deixou que ele fosse embora sem mais nem menos? 25Ele veio para enganá-lo, para ficar conhecendo todos os lugares aonde o senhor vai e tudo o que faz. E o senhor sabe disso!

26Logo que saiu de perto de Davi, Joabe mandou mensageiros atrás de Abner. Eles o alcançaram no poço de Sira e o trouxeram de volta. Mas Davi não ficou sabendo disso. 27Quando Abner chegou a Hebrom, Joabe o levou para o lado do portão, como se quisesse falar com ele em particular, e enfiou um punhal na barriga dele. Assim Abner, filho de Ner, foi assassinado por ter matado Asael, irmão de Joabe. 28Quando soube disso, Davi disse:

— O Senhor Deus sabe que eu e os meus seguidores não temos nenhuma culpa no assassinato de Abner. 29Que o castigo por esse crime caia sobre Joabe e toda a sua família! Que nunca faltem na sua família homens que tenham gonorreia ou doença contagiosa de pele, ou que sejam capazes de fazer somente trabalho de mulher, ou que sejam mortos em batalha, ou que não tenham o que comer!

30Assim Joabe e o seu irmão Abisai assassinaram Abner porque ele havia matado Asael, o irmão deles, na batalha de Gibeão.

31Então Davi mandou que Joabe e os seus soldados chorassem por Abner e que, em sinal de tristeza, rasgassem as suas roupas e vestissem roupas de luto. E no sepultamento o próprio rei Davi ia caminhando atrás do caixão. 32Abner foi sepultado em Hebrom, e o rei chorou alto perto do seu túmulo. E todo o povo fez o mesmo.

33E Davi fez esta lamentação para Abner:

“Por que teria Abner de morrer como se fosse um louco?

34As suas mãos não estavam amarradas,

nem estavam atados os seus pés;

ele morreu como alguém que é morto por criminosos!”

Então o povo chorou novamente por Abner.

35O povo tentou convencer Davi a comer alguma coisa antes que o dia terminasse, mas ele fez este juramento:

— Que Deus me mate se eu comer alguma coisa antes que o dia acabe!

36O povo ouviu isso e gostou. De fato, o povo gostava de tudo o que o rei fazia. 37Assim todos os seguidores do rei Davi e todo o povo de Israel entenderam que ele não tinha tomado parte no assassinato de Abner. 38E ele disse aos seus oficiais:

— Fiquem sabendo que hoje morreu um grande líder de Israel. 39Embora eu seja o rei escolhido por Deus, hoje me sinto fraco. Os filhos de Zeruia são homens violentos demais para mim! Que o Senhor castigue esses criminosos como eles merecem!