Nova Tradução na Linguagem de Hoje (2000) (NTLH)
6

Eliseu faz um machado boiar

61Eliseu dirigia um grupo de profetas. Um dia eles lhe pediram:

— O lugar onde moramos com você é muito pequeno. 2Dê licença para irmos até o rio Jordão a fim de cortar algumas árvores. Com elas construiremos uma casa para a gente morar.

— Podem ir! — respondeu Eliseu.

3Um dos profetas insistiu que Eliseu fosse com eles. Eliseu aceitou, 4e eles saíram juntos. Quando chegaram ao Jordão, começaram a trabalhar. 5Um deles estava cortando uma árvore, quando, de repente, o ferro do seu machado escapou do cabo e caiu na água.

— O que vou fazer, senhor? — gritou ele para Eliseu. — O machado era emprestado!

6— Onde foi que ele caiu? — perguntou Eliseu.

O homem mostrou o lugar. Então Eliseu cortou um pedaço de pau, jogou na água e fez o machado boiar.

7— Pegue-o! — mandou ele.

E o homem esticou o braço e o pegou.

O exército dos sírios é derrotado

8O rei da Síria estava em guerra contra Israel. Ele pediu conselho aos seus oficiais e escolheu um lugar para armar o seu acampamento. 9Mas o profeta Eliseu mandou um recado ao rei de Israel, avisando-lhe que não fosse para perto daquele lugar, pois os sírios estavam ali esperando escondidos para atacá-lo. 10Então o rei de Israel avisou os homens que moravam naquele lugar, e eles ficaram alerta.

Isso aconteceu várias vezes. 11O rei da Síria ficou muito aborrecido; então chamou os seus oficiais e lhes perguntou:

— Qual de vocês está do lado do rei de Israel?

12Um deles respondeu:

— Nenhum de nós, ó rei. O profeta Eliseu é quem conta ao rei de Israel tudo o que o senhor fala até mesmo dentro do seu próprio quarto.

13Então o rei ordenou:

— Descubram onde ele está, que eu o prenderei.

Contaram-lhe que Eliseu estava em Dotã, 14e ele mandou para lá uma grande tropa de soldados com cavalos e carros de guerra. Eles chegaram de noite à cidade e a cercaram. 15No dia seguinte cedinho, o empregado de Eliseu levantou-se e saiu de casa. Aí viu as tropas sírias com os seus cavalos e carros de guerra, cercando a cidade. Então entrou em casa e disse a Eliseu:

— Senhor, nós estamos perdidos! O que vamos fazer?

16Eliseu disse:

— Não tenha medo, pois aqueles que estão conosco são mais numerosos do que os que estão com eles.

17Então orou assim:

— Ó Senhor Deus, abre os olhos do meu empregado e deixa que ele veja!

Deus respondeu à oração dele. Aí o empregado de Eliseu olhou para cima e viu que ao redor de Eliseu o morro estava coberto de cavalos e carros de fogo.

18Quando os sírios atacaram, Eliseu orou assim:

— Ó Senhor Deus, faze com que esses homens fiquem cegos!

Deus respondeu à oração de Eliseu e fez com que os sírios ficassem cegos. 19Então Eliseu foi falar com eles e disse:

— Vocês estão no caminho errado; esta cidade não é a que estão procurando. Venham comigo, que eu vou levar vocês até o homem que estão procurando.

E os guiou até a cidade de Samaria.

20Logo que eles entraram na cidade, Eliseu orou assim:

— Ó Senhor Deus, abre os olhos deles e deixa que eles vejam.

Então Deus fez com que os sírios enxergassem de novo, e eles viram que estavam dentro da cidade de Samaria.

21Quando o rei de Israel viu os sírios, perguntou a Eliseu:

— Devo matá-los, senhor? Devo matá-los?

22— Não! De jeito nenhum! — respondeu ele. — Por acaso, o senhor mata os soldados que são feitos prisioneiros na guerra? Dê de comer e de beber a estes aqui e deixe que voltem para o rei deles.

23Então o rei de Israel mandou fazer uma grande festa para aqueles sírios. E, depois que comeram e beberam, ele os mandou de volta para o rei da Síria. Daí em diante os sírios pararam de atacar a terra de Israel.

Eliseu e a fome em Samaria

24Algum tempo depois, o rei Ben-Hadade, da Síria, levou todo o seu exército para lutar contra Israel e cercou a cidade de Samaria. 25Por causa disso, a falta de alimentos naquela cidade foi tão grande, que uma cabeça de jumento custava oitenta barras de prata, e duzentos gramas de esterco de pomba6.25 Provavelmente o nome que davam a um tipo de verdura. custavam cinco barras de prata.

26Certo dia o rei de Israel estava passando por cima da muralha da cidade, quando uma mulher gritou para ele:

— Ó rei, meu senhor, me ajude!

27Ele respondeu:

— Se o Senhor Deus não ajudar você, como é que eu posso ajudá-la? Você pensa que eu tenho trigo ou vinho? 28Mas diga qual é o seu problema.

Ela respondeu:

— Outro dia esta mulher me disse: “Vamos comer o seu filho hoje e amanhã comeremos o meu.” 29Então nós cozinhamos o meu filho e o comemos. No dia seguinte eu disse que era a vez de comermos o filho dela, mas ela o escondeu!

6.29
Dt 28.57
Lm 4.10

30Ao ouvir isso, o rei rasgou as suas roupas em sinal de desgosto, e as pessoas que estavam perto da muralha viram que por baixo das suas roupas ele estava vestido com roupa de pano grosseiro.

31E o rei gritou:

— Que Deus me mate se, antes que o dia acabe, eu não mandar cortar a cabeça de Eliseu, filho da Safate!

32E mandou que um mensageiro fosse buscá-lo.

Enquanto isso, Eliseu estava em casa com alguns líderes do povo que haviam ido visitá-lo. Antes que o mensageiro do rei chegasse, Eliseu disse aos líderes:

— Aquele assassino está mandando alguém para me matar. Por isso, quando ele chegar, fechem a porta e não deixem que entre. O próprio rei virá logo depois dele.

33Eliseu ainda estava falando com eles, quando o rei chegou e disse:

— Foi o Senhor Deus quem fez cair toda esta desgraça sobre nós. Por que iria eu ficar mais tempo esperando que ele fizesse alguma coisa?

7

71Eliseu respondeu:

— Escute o que o Senhor diz: “Amanhã a esta hora, você poderá comprar em Samaria três quilos e meio do melhor trigo ou sete quilos de cevada por uma barra de prata.”

2O ajudante pessoal do rei disse a Eliseu:

— Mesmo que o Senhor Deus abrisse janelas no céu e fizesse cair trigo e cevada, isso nunca poderia acontecer!

Eliseu respondeu:

— Com os seus próprios olhos você vai ver isso acontecer, mas não vai comer.

O exército dos sírios foge

3Quatro homens que sofriam de uma doença contagiosa da pele estavam do lado de fora dos portões da cidade de Samaria. Eles disseram uns aos outros:

— Por que ficamos aqui sentados esperando a morte? 4Não vale a pena entrar na cidade porque lá iríamos morrer de fome; mas, se ficarmos aqui, também morreremos. Vamos então para o acampamento dos sírios. Se eles nos deixarem viver, ficaremos vivos; se nos matarem, bem, nós vamos morrer de qualquer jeito mesmo.

5E assim, quando começou a escurecer, eles foram até o acampamento dos sírios. Porém, quando chegaram, não havia ninguém lá. 6Deus havia feito com que os sírios ouvissem um barulho que parecia o de um grande exército, com cavalos e carros de guerra. Então eles pensaram que o rei de Israel havia pago os reis dos heteus e dos egípcios e os seus exércitos para os atacarem. 7Por isso, ao anoitecer, os sírios haviam fugido para salvar a sua vida, abandonando as barracas, os cavalos e jumentos e deixando o acampamento como estava.

8Quando os quatro homens chegaram ao acampamento, entraram numa barraca, comeram e beberam do que havia ali e pegaram a prata, o ouro e as roupas que acharam. Depois saíram e esconderam tudo. Aí voltaram, entraram em outra barraca e fizeram a mesma coisa. 9Mas então disseram:

— Nós não estamos agindo bem! Temos boas notícias e não devíamos ficar calados. Se esperarmos até amanhã para contar, certamente seremos castigados. Vamos agora mesmo contar isso lá no palácio.

10Então saíram do acampamento dos sírios, voltaram para Samaria e gritaram para os guardas que estavam nos portões:

— Nós fomos até o acampamento dos sírios e não vimos, nem ouvimos ninguém. Os cavalos e os jumentos estão lá amarrados, e as barracas estão do mesmo jeito que os sírios deixaram!

11Os guardas anunciaram a notícia, e ela foi contada no palácio. 12Ainda era de noite, mas o rei se levantou e disse aos seus oficiais:

— Vou dizer a vocês o que foi que os sírios planejaram. Eles sabem que nós não temos nenhuma comida e por isso saíram do acampamento e foram se esconder no campo. Eles pensam que nós vamos sair da cidade para procurar comida e aí nos pegarão vivos e conquistarão a cidade.

13Um dos oficiais disse:

— Os que ficaram aqui na cidade vão morrer de qualquer jeito, como alguns já morreram. Portanto, deixe que nós mandemos alguns homens com cinco dos cavalos que restaram, para assim podermos descobrir o que foi que aconteceu.

14Eles escolheram alguns homens, e o rei os mandou em dois carros de guerra com ordem para descobrirem o que havia acontecido com o exército dos sírios. 15Os homens foram até o rio Jordão e viram por toda a estrada as roupas e as armas que os sírios tinham abandonado enquanto fugiam. Então voltaram e contaram ao rei. 16O povo de Samaria saiu e avançou nas coisas que tinha no acampamento dos sírios. E, conforme o Senhor tinha dito, três quilos e meio do melhor trigo ou sete quilos de cevada foram vendidos por uma barra de prata.

17Acontece que o rei de Israel tinha colocado o seu ajudante pessoal como encarregado do portão da cidade. Esse oficial foi atropelado pelo povo e morreu, como Eliseu tinha dito quando o rei tinha ido falar com ele. 18Eliseu tinha dito ao rei que no dia seguinte, naquela hora, três quilos e meio do melhor trigo ou sete quilos de cevada seriam vendidos em Samaria por uma barra de prata, 19e o oficial havia respondido: “Mesmo que o Senhor Deus abrisse janelas no céu e fizesse cair trigo e cevada, isso nunca poderia acontecer!” E Eliseu havia respondido: “Com os seus próprios olhos você vai ver isso acontecer, mas não vai comer.” 20E foi exatamente isso o que aconteceu com ele: morreu pisado pelo povo no portão da cidade.

8

A mulher de Suném volta para a sua terra

81Eliseu tinha dito à mulher que morava em Suném, a mãe do menino que ele tinha ressuscitado, que o Senhor Deus tinha avisado que ia haver uma grande falta de alimentos. Disse também que a fome ia durar sete anos naquela terra e, por isso, ela devia sair de lá com a sua família e ir morar em outro lugar.

8.1
2Rs 4.8-37
2Ela havia seguido o conselho do profeta e tinha ido com a sua família morar na terra dos filisteus, onde ficou sete anos.

3Quando passaram os sete anos, ela voltou para Israel e foi falar com o rei a fim de pedir que devolvessem a sua casa e as suas terras. 4O rei estava falando com Geazi, o empregado de Eliseu, pois queria saber dos milagres que Eliseu havia feito. 5Geazi estava contando ao rei como Eliseu havia feito um morto viver de novo. Nesse momento a mulher chegou para fazer o seu pedido ao rei. Então Geazi disse:

— Ó rei, aqui está a mulher, e aqui está o filho dela que Eliseu ressuscitou.

6O rei fez perguntas à mulher, e ela confirmou a história de Geazi. Então o rei chamou um oficial e lhe disse que devolvesse à mulher tudo o que era dela e também o valor de todas as colheitas que as suas terras haviam produzido durante os sete anos em que ela havia estado fora.

Eliseu e o rei da Síria

7Eliseu foi até a cidade de Damasco numa época em que o rei Ben-Hadade, da Síria, estava doente. Quando o rei soube que Eliseu estava lá, 8disse a Hazael, um dos seus oficiais:

— Leve um presente para o profeta e peça a ele que consulte a Deus, o Senhor, para saber se vou ficar bom.

9Então Hazael carregou quarenta camelos com todos os tipos dos mais finos produtos de Damasco e foi falar com Eliseu. Quando se encontrou com ele, disse:

— O rei Ben-Hadade, que é como se fosse seu filho, mandou perguntar ao senhor se ele vai ficar bom da sua doença.

10Eliseu disse:

— O Senhor Deus me disse que o rei vai morrer; mas diga a ele que ele vai ficar bom.

11E ficou olhando firmemente para Hazael durante tanto tempo, que ele ficou sem jeito. De repente, Eliseu começou a chorar, 12e Hazael perguntou:

— Por que é que o senhor está chorando?

Eliseu respondeu:

— Porque sei das coisas terríveis que você vai fazer contra o povo de Israel.

E continuou:

— Você vai pôr fogo nas fortalezas de Israel, vai matar os moços, esmagar as crianças e rasgar a barriga das mulheres grávidas.

13— Como poderia eu chegar a ser tão poderoso? — perguntou Hazael. — Eu não sou ninguém!

— O Senhor Deus me mostrou que você vai ser o rei da Síria! — respondeu Eliseu.

8.13
1Rs 19.15

14Hazael voltou até o lugar onde estava o rei Ben-Hadade, e este lhe perguntou:

— O que foi que Eliseu disse?

— Ele disse que o senhor vai ficar bom, com certeza! — respondeu Hazael.

15Mas no dia seguinte Hazael pegou um cobertor, molhou-o bem e com ele sufocou o rei.

E Hazael ficou no lugar de Ben-Hadade como rei da Síria.

O reinado de Jeorão, de Judá

2Crônicas 21.2-20

16No quinto ano do reinado de Jorão, filho de Acabe, como rei de Israel, Jeorão, filho de Josafá, se tornou rei de Judá. 17Quando isso aconteceu, Jeorão tinha trinta e dois anos de idade. Ele governou oito anos em Jerusalém. 18A mulher dele era filha do rei Acabe, de Israel, e Jeorão seguiu os maus caminhos de Acabe e dos outros reis de Israel, como a família de Acabe havia feito. Jeorão pecou contra Deus, o Senhor, 19mas o Senhor não quis destruir Judá, pois havia feito uma aliança com o seu servo Davi, prometendo que os seus descendentes sempre seriam reis.

8.19
1Rs 11.36

20Durante o reinado de Jeorão, o país de Edom se revoltou contra Judá e se tornou independente.

8.20
Gn 27.40
21Por isso, Jeorão saiu com todos os seus carros de guerra e foi até Zair; ali eles foram cercados pelos edomitas. Para escapar, Jeorão e os comandantes dos seus carros de guerra atacaram os edomitas durante a noite, e os soldados de Jeorão fugiram para as suas casas.

22Desse tempo em diante, Edom ficou independente de Judá. Nessa mesma época a cidade de Libna também se revoltou.

23Todas as outras coisas que Jeorão fez estão escritas na História dos Reis de Judá. 24Jeorão morreu e foi sepultado nos túmulos dos reis, na Cidade de Davi, e o seu filho Acazias ficou no lugar dele como rei.

O reinado de Acazias, de Judá

2Crônicas 22.1-6

25No ano doze do reinado de Jorão, filho de Acabe, como rei de Israel, Acazias, filho de Jeorão, se tornou rei de Judá. 26Quando isso aconteceu, Acazias tinha vinte e dois anos de idade. Ele governou um ano em Jerusalém. A mãe dele se chamava Atalia8.26 Atalia Era filha do rei Acabe (v. 18) e neta do rei Onri. e era filha do rei Onri, de Israel.

27Por ser aparentado com o rei Acabe pelo casamento, Acazias seguiu o exemplo da família de Acabe e pecou contra Deus, o Senhor.

28O rei Acazias se juntou com o rei Jorão, de Israel, a fim de guerrear contra o rei Hazael, da Síria. Os exércitos deles lutaram em Ramote-Gileade, e Jorão foi ferido na batalha. 29Então ele voltou para a cidade de Jezreel a fim de tratar dos ferimentos, e Acazias foi até lá para visitá-lo.