Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
7

Jesus e a tradição dos anciãos

Mt 15.1-20

71Os fariseus e alguns escribas, vindos de Jerusalém, reuniram-se em volta de Jesus. 2Eles viram que alguns dos discípulos de Jesus comiam pão com as mãos impuras, isto é, sem lavar. 3Porque os fariseus e todos os judeus, observando a tradição dos anciãos, não comem sem lavar cuidadosamente as mãos. 4Quando voltam da praça, não comem sem se lavar. E há muitas outras coisas que receberam para observar, como a lavagem de copos, jarros e vasos de metal e camas. 5Os fariseus e os escribas perguntaram a Jesus:

— Por que os seus discípulos não vivem conforme a tradição dos anciãos, mas comem com as mãos impuras?

6Jesus respondeu:

— Bem profetizou Isaías a respeito de vocês, hipócritas, como está escrito:

“Este povo me honra

com os lábios,

mas o seu coração

está longe de mim.

7E em vão me adoram,

ensinando doutrinas

que são preceitos humanos.”

7.6-7
Is 29.13

8— Rejeitando o mandamento de Deus, vocês guardam a tradição humana.

9E disse-lhes ainda:

— Vocês sempre encontram uma maneira de rejeitar o mandamento de Deus para guardarem a própria tradição. 10Pois Moisés disse: “Honre o seu pai e a sua mãe.”

7.10
Êx 20.12
Dt 5.16
E: “Quem maldisser o seu pai ou a sua mãe seja punido de morte.”
7.10
Êx 21.17
Lv 20.9
11Vocês, porém, dizem que, se alguém disser ao seu pai ou à sua mãe: “A ajuda que você poderia receber de mim é Corbã, isto é, oferta ao Senhor”, 12então vocês o dispensam de fazer qualquer coisa em favor do seu pai ou da sua mãe, 13invalidando a palavra de Deus por meio da tradição que vocês mesmos passam de pai para filho. E fazem muitas outras coisas semelhantes.

14E, convocando outra vez a multidão, Jesus disse:

— Escutem todos e entendam: 15Não existe nada fora da pessoa que, entrando nela, possa contaminá-la; mas o que sai da pessoa é o que a contamina. 16[Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça.]7.16 O texto entre colchetes se encontra apenas em manuscritos mais recentes

17Quando entrou em casa, deixando a multidão, os seus discípulos o interrogaram a respeito da parábola. 18Jesus lhes disse:

— Então vocês também não entendem? Não compreendem que tudo o que está fora da pessoa, entrando nela, não a pode contaminar, 19porque não entra no coração dela, mas no estômago, e depois é eliminado?

E, assim, Jesus considerou puros todos os alimentos. 20E dizia:

— O que sai da pessoa, isso é o que a contamina. 21Porque de dentro, do coração das pessoas, é que procedem os maus pensamentos, as imoralidades sexuais, os furtos, os homicídios, 22os adultérios, a avareza, as maldades, o engano, a libertinagem, a inveja, a blasfêmia, o orgulho, a falta de juízo.

7.22
Gl 5.19-21
23Todos estes males vêm de dentro e contaminam a pessoa.

A mulher siro-fenícia

Mt 15.21-28

24Levantando-se Jesus, saiu dali e foi para as terras de Tiro e Sidom. Tendo entrado numa casa, não queria que ninguém soubesse onde ele estava. No entanto, não pôde ocultar-se, 25porque uma mulher, cuja filhinha estava possuída de espírito imundo, logo ouviu falar a respeito de Jesus. Ela veio e se ajoelhou aos pés dele. 26Essa mulher era estrangeira, de origem siro-fenícia, e pedia a Jesus que expulsasse o demônio da sua filha. 27Mas Jesus lhe disse:

— Deixe primeiro que os filhos se fartem, porque não é correto pegar o pão dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos.

28A mulher respondeu a ele:

— Senhor, os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem das migalhas das crianças.

29Então Jesus disse à mulher:

— Por causa desta palavra, você pode ir; o demônio já saiu da sua filha.

30Quando a mulher voltou para casa, achou a menina sobre a cama, pois o demônio tinha saído dela.

A cura de um surdo e gago

31De novo, Jesus se retirou das terras de Tiro e foi por Sidom até o mar da Galileia, através do território de Decápolis. 32Então lhe trouxeram um surdo e gago e lhe suplicaram que impusesse as mãos sobre ele. 33Jesus, tirando-o da multidão, à parte, pôs os dedos nos ouvidos dele; depois, cuspindo, aplicou saliva na língua do homem. 34Então, erguendo os olhos ao céu, suspirou e disse:

— Efatá! — que quer dizer: “Abra-se!”

35E logo os ouvidos do homem se abriram, e o empecilho da língua se soltou, e ele falava sem dificuldade. 36Jesus lhes ordenou que não contassem isso a ninguém; porém, quanto mais recomendava, tanto mais eles o divulgavam. 37Ficavam muito admirados, dizendo:

— Tudo ele tem feito muito bem; faz até os surdos ouvirem e os mudos falarem.

8

A segunda multiplicação de pães e peixes

Mt 15.32-39

81Naqueles dias, quando outra vez se reuniu grande multidão, e não tendo o que comer, Jesus chamou os discípulos e lhes disse:

2— Tenho compaixão desta gente, porque já faz três dias que eles estão comigo e não têm o que comer. 3Se eu os mandar para casa em jejum, desfalecerão pelo caminho; e alguns deles vieram de longe.

4Mas os discípulos lhe responderam:

— Como poderá alguém saciá-los de pão neste deserto?

5Então Jesus perguntou:

— Quantos pães vocês têm?

Eles responderam:

— Sete.

6Então mandou o povo assentar-se no chão. E, pegando os sete pães, partiu-os, após ter dado graças, e os deu aos seus discípulos, para que estes os distribuíssem, repartindo entre o povo. 7Tinham também alguns peixinhos. E, abençoando-os, mandou que estes igualmente fossem distribuídos. 8Comeram e se fartaram; e dos pedaços restantes recolheram sete cestos. 9Eram cerca de quatro mil homens. Então Jesus os despediu. 10Logo a seguir, tendo entrado no barco juntamente com os seus discípulos, foi para a região de Dalmanuta.

O pedido por um sinal

Mt 16.1-4

11Os fariseus chegaram e começaram a discutir com Jesus. E, tentando-o, pediram-lhe um sinal vindo do céu.

8.11
Jo 4.48
1Co 1.22
12Jesus, porém, arrancou do íntimo do seu espírito um gemido e disse:

— Por que esta geração pede um sinal? Em verdade lhes digo que nenhum sinal será dado a esta geração.

13E, deixando-os, tornou a embarcar e foi para o outro lado.

8.11-13
Mt 12.38-42
Lc 11.29-32

O fermento dos fariseus e o fermento de Herodes

Mt 16.5-12

14Ora, os discípulos se esqueceram de levar pão e, no barco, não tinham consigo senão um só. 15Jesus os preveniu, dizendo:

— Fiquem atentos e tomem cuidado com o fermento dos fariseus

8.15
Lc 12.1
e com o fermento de Herodes.

16E eles começaram a discutir entre si, dizendo:

— Ele diz isso porque não temos pão.

17Jesus percebeu isso e perguntou:

— Por que vocês estão discutindo sobre o fato de não terem pão? Vocês ainda não percebem nem compreendem? Têm o coração endurecido? 18Tendo olhos,

8.18
Jr 5.21
não veem? E, tendo ouvidos, não ouvem? Não se lembram 19de quando parti os cinco pães para os cinco mil, quantos cestos cheios de pedaços vocês recolheram?

Eles responderam:

— Doze!

20— E de quando parti os sete pães para os quatro mil, quantos cestos cheios de pedaços vocês recolheram?

Responderam:

— Sete!

21Ao que Jesus lhes disse:

— Vocês ainda não compreendem?

A cura de um cego em Betsaida

22Então chegaram a Betsaida. E lhe trouxeram um cego e pediram a Jesus que tocasse nele. 23Jesus, tomando o cego pela mão, levou-o para fora da aldeia. Então cuspiu nos olhos do homem e, impondo-lhe as mãos, perguntou:

— Você vê alguma coisa?

24O homem, recuperando a visão, respondeu:

— Vejo pessoas, mas elas parecem árvores que andam.

25Então Jesus novamente pôs as mãos sobre os olhos dele. E o homem, passando a ver claramente, ficou restabelecido; e distinguia tudo de modo perfeito. 26E Jesus o mandou para casa, recomendando-lhe:

— Não entre na aldeia.

A confissão de Pedro

Mt 16.13-20; Lc 9.18-21

27Então Jesus e os seus discípulos foram para as aldeias de Cesareia de Filipe. No caminho, perguntou-lhes:

— Quem os outros dizem que eu sou?

28Os discípulos responderam:

8.28
Mc 6.14-15
Lc 9.7-8

— Uns dizem que é João Batista; outros dizem que é Elias; e ainda outros dizem que é um dos profetas.

29Então Jesus perguntou:

— E vocês, quem dizem que eu sou?

Respondendo, Pedro

8.29
Jo 6.68-69
lhe disse:

— O senhor é o Cristo.

30Então Jesus os advertiu de que a ninguém dissessem tal coisa a seu respeito.

Jesus prediz a sua morte e ressurreição

Mt 16.21-23; Lc 9.22

31Então Jesus começou a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do Homem sofresse muitas coisas, fosse rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas, fosse morto e que, depois de três dias, ressuscitasse. 32E isto ele expunha claramente. Então Pedro, chamando-o à parte, começou a repreendê-lo. 33Mas Jesus, voltando-se e vendo os seus discípulos, repreendeu Pedro e disse:

— Saia da minha frente, Satanás! Porque você não leva em consideração as coisas de Deus, e sim as dos homens.

Tome a sua cruz

Mt 16.24-28; Lc 9.23-27

34Então, convocando a multidão e juntamente os seus discípulos, Jesus lhes disse:

— Se alguém quer vir após mim, negue a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.

8.34
Mt 10.38
Lc 14.27
35Pois quem quiser salvar a sua vida
8.35
Mt 10.39
Lc 17.33
Jo 12.25
a perderá; e quem perder a vida por minha causa e por causa do evangelho, esse a salvará. 36De que adianta uma pessoa ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? 37Que daria uma pessoa em troca de sua alma? 38Pois quem, nesta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória do seu Pai com os santos anjos.

9

91Dizia-lhes ainda:

— Em verdade lhes digo que, dos que aqui se encontram, existem alguns que não passarão pela morte até que vejam ter chegado com poder o Reino de Deus.

A transfiguração de Jesus

Mt 17.1-8; Lc 9.28-36

2Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e os levou, em particular, a sós, a um alto monte. E Jesus foi transfigurado diante deles. 3As suas roupas se tornaram resplandecentes, de um branco muito intenso, como nenhum lavandeiro no mundo as poderia alvejar. 4E lhes apareceu Elias com Moisés, e estavam falando com Jesus. 5Então Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus:

— Mestre, bom é estarmos aqui. Façamos três tendas: uma para o senhor, outra para Moisés e outra para Elias.

6Pois não sabia o que dizer, por estarem eles apavorados. 7A seguir, veio uma nuvem que os envolveu; e dela veio uma voz que dizia:

— Este é o meu Filho amado;

9.7
Mt 3.17
Mc 1.11
Lc 3.22
escutem o que ele diz!

8E, de repente, olhando ao redor, não viram mais ninguém com eles, a não ser Jesus.

9.2-8
2Pe 1.17-18

A vinda de Elias

Mt 17.9-13

9Ao descerem do monte, Jesus lhes ordenou que não divulgassem as coisas que tinham visto, até o dia em que o Filho do Homem ressuscitasse dentre os mortos. 10Eles guardaram a recomendação, perguntando uns aos outros o que seria esse ressuscitar dentre os mortos. 11Então perguntaram a Jesus:

— Por que os escribas dizem ser necessário que Elias venha primeiro?

12Jesus respondeu:

— Elias, vindo primeiro, restaurará todas as coisas. Como, então, está escrito sobre o Filho do Homem que sofrerá muito e será desprezado? 13Eu, porém, lhes digo que Elias já veio, e fizeram com ele tudo o que quiseram, como está escrito a respeito dele.

9.11-13
Ml 4.5
Mt 11.14

A cura de um menino

Mt 17.14-21; Lc 9.37-43a

14Quando eles se aproximaram dos outros discípulos, viram numerosa multidão ao redor deles e os escribas discutindo com eles. 15E logo toda a multidão, ao ver Jesus, ficou surpresa e, correndo até ele, o saudava. 16Então Jesus perguntou:

— O que é que vocês estão discutindo com eles?

17E um, do meio da multidão, respondeu:

— Mestre, eu trouxe até o senhor o meu filho, que está possuído de um espírito mudo; 18e este, sempre que se apossa dele, lança-o por terra, e ele espuma, range os dentes e vai definhando. Pedi aos seus discípulos que o expulsassem, mas eles não puderam.

19Então Jesus exclamou:

— Ó geração incrédula, até quando estarei com vocês? Até quando terei de suportá-los? Tragam o menino até aqui.

20E eles o trouxeram. Quando ele viu Jesus, o espírito imediatamente agitou o menino com violência, e, caindo ele por terra, revolvia-se espumando. 21Jesus perguntou ao pai do menino:

— Há quanto tempo isso está acontecendo com ele?

O pai respondeu:

— Desde a infância; 22e muitas vezes o tem lançado no fogo e na água, para o matar. Mas, se o senhor pode fazer alguma coisa, tenha compaixão de nós e ajude-nos.

23Ao que Jesus respondeu:

— “Se o senhor pode”? Tudo é possível ao que crê.

24E imediatamente o pai do menino exclamou:

— Eu creio! Ajude-me na minha falta de fé!

25Vendo Jesus que muita gente estava se reunindo, repreendeu o espírito imundo, dizendo-lhe:

— Espírito mudo e surdo, eu ordeno a você: Saia deste menino e nunca mais entre nele.

26E ele, gritando e agitando-o muito, saiu, deixando-o como se estivesse morto, a ponto de muitos dizerem:

— Morreu.

27Mas Jesus, tomando-o pela mão, o ergueu, e ele se levantou.

28Quando Jesus entrou em casa, os seus discípulos lhe perguntaram em particular:

— Por que nós não pudemos expulsá-lo?

29Jesus respondeu:

— Esse tipo de espírito só pode ser expulso por meio de oração.

De novo Jesus prediz a sua morte e ressurreição

Mt 17.22-23; Lc 9.43b-45

30E, tendo saído dali, passavam pela Galileia, e Jesus não queria que ninguém o soubesse, 31porque ensinava os seus discípulos e lhes dizia:

— O Filho do Homem será entregue nas mãos dos homens, e estes o matarão; mas, três dias depois da sua morte, ressuscitará.

32Eles, porém, não compreendiam isto e tinham medo de perguntar.

O maior no Reino dos Céus

Mt 18.1-5; Lc 9.46-48

33Chegaram, então, a Cafarnaum. Estando em casa, Jesus perguntou aos discípulos:

— Sobre o que vocês estavam discutindo no caminho?

34Mas eles se calaram, porque, no caminho, tinham discutido

9.34
Lc 22.24
entre si sobre quem era o maior. 35E Jesus, assentando-se, chamou os doze e lhes disse:

— Se alguém quer ser o primeiro, será o último e servo de todos.

9.35
Mt 20.26-27
23.11
Mc 10.43-44
Lc 22.26

36Trazendo uma criança, colocou-a no meio deles e, tomando-a nos braços, disse-lhes:

37— Quem receber uma criança, tal como esta, em meu nome, recebe a mim; e quem receber a mim,

9.37
Mt 10.40
Lc 10.16
Jo 13.20
não é a mim que recebe, mas aquele que me enviou.

Quem não é contra nós é por nós

Lc 9.49-50

38João disse a Jesus:

— Mestre, vimos um homem que expulsava demônios em seu nome, mas nós o proibimos de fazer isso, porque não nos seguia.

39Mas Jesus respondeu:

— Não o proíbam, porque não há ninguém que faça milagre em meu nome e, logo a seguir, possa falar mal de mim. 40Pois quem não é contra nós

9.40
Mt 12.30
Lc 11.23
é a favor de nós. 41Pois aquele que lhes der
9.41
Mt 10.42
de beber um copo de água, em meu nome, porque vocês são de Cristo, em verdade lhes digo que de modo nenhum perderá a sua recompensa.

Os tropeços

Mt 18.6-9; Lc 17.1-2

42— E, se alguém fizer tropeçar um destes pequeninos que creem em mim, seria melhor para esse que uma grande pedra de moinho fosse pendurada ao seu pescoço e fosse jogado no mar. 43E, se a sua mão

9.43
Mt 5.30
leva você a tropeçar, corte-a; pois é melhor você entrar aleijado na vida do que, tendo as duas mãos, ir para o inferno, para o fogo que nunca se apaga 44[onde não lhes morre o verme,
9.44
Is 66.24
nem o fogo se apaga].9.44 O texto entre colchetes se encontra apenas em manuscritos mais recentes 45E, se o seu pé leva você a tropeçar, corte-o; pois é melhor você entrar na vida aleijado do que, tendo os dois pés, ser lançado no inferno 46[onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga].9.46 O texto entre colchetes se encontra apenas em manuscritos mais recentes 47E, se um dos seus olhos
9.47
Mt 5.29
leva você a tropeçar, arranque-o; pois é melhor você entrar no Reino de Deus com um olho só do que, tendo os dois, ser lançado no inferno, 48onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga.

49— Porque cada um será salgado com fogo. 50O sal é bom; mas, se o sal vier a se tornar insípido,

9.50
Mt 5.13
Lc 14.34-35
como lhe restaurar o sabor? Tenham sal em vocês mesmos e paz uns com os outros.

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