Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
5

A cura do endemoniado geraseno

Mt 8.28-34; Lc 8.26-39

51Jesus e os discípulos chegaram à outra margem do mar, à terra dos gerasenos. 2Ao desembarcar, logo um homem possuído de espírito imundo veio dos túmulos ao encontro de Jesus. 3Esse homem vivia nos túmulos, e ninguém podia prendê-lo, nem mesmo com correntes. 4Porque, tendo sido muitas vezes preso com correntes e cadeias, as cadeias foram quebradas por ele, e as correntes foram despedaçadas. E ninguém conseguia dominá-lo. 5Andava sempre, de noite e de dia, gritando por entre os túmulos e pelos montes, ferindo-se com pedras. 6Quando, de longe, viu Jesus, correu e prostrou-se diante dele, 7gritando em alta voz:

— O que você quer comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Por Deus, peço-lhe que não me atormente!

8Ele disse isto, porque Jesus tinha dito a ele: “Espírito imundo, saia desse homem!”

9Então Jesus lhe perguntou:

— Qual é o seu nome?

Ele respondeu:

— Legião é o meu nome, porque somos muitos.

10E pediu-lhe com insistência que não os mandasse para fora do país.

11Ora, uma grande manada de porcos estava pastando ali pelo monte. 12E os espíritos imundos pediram a Jesus:

— Mande-nos para os porcos, para que entremos neles.

13E Jesus o permitiu. Então, saindo os espíritos imundos, entraram nos porcos. E a manada, que era cerca de dois mil, precipitou-se despenhadeiro abaixo, para dentro do mar, onde se afogaram. 14Os que tratavam dos porcos fugiram e foram anunciá-lo na cidade e pelos campos.

Então o povo saiu para ver o que tinha acontecido. 15Aproximando-se de Jesus, viram o endemoniado, o que antes estava dominado pela legião, assentado, vestido, em perfeito juízo; e temeram. 16Os que haviam presenciado os fatos contaram-lhes o que tinha acontecido ao endemoniado e também falaram a respeito dos porcos. 17E começaram a pedir com insistência que Jesus se retirasse da terra deles.

18Quando Jesus estava entrando no barco, aquele que antes estava possuído pelos demônios pediu com insistência que Jesus o deixasse ficar com ele. 19Jesus, porém, não o permitiu; ao contrário, ordenou-lhe:

— Vá para a sua casa, para os seus parentes, e conte-lhes tudo o que o Senhor fez por você e como teve compaixão de você.

20Então ele foi e começou a proclamar em Decápolis tudo o que Jesus lhe tinha feito; e todos se admiravam.

O pedido de Jairo

Mt 9.18-19; Lc 8.40-42a

21Tendo Jesus voltado de barco para o outro lado, reuniu-se em volta dele uma grande multidão; e ele estava junto do mar. 22Então chegou um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo, e, vendo-o, prostrou-se aos pés de Jesus 23e lhe pediu com insistência:

— Minha filhinha está morrendo; venha impor as mãos sobre ela, para que seja salva e viva.

24Jesus foi com ele.

A cura de uma mulher enferma

Mt 9.20-22; Lc 8.42b-48

Uma grande multidão seguia Jesus, apertando-o de todos os lados.

25Estava ali certa mulher, que, havia doze anos, vinha sofrendo de uma hemorragia.

5.25
Lv 15.25
26Ela havia padecido muito nas mãos de vários médicos e gastado tudo o que tinha, sem, contudo, melhorar de saúde; pelo contrário, piorava cada vez mais. 27Tendo ouvido a fama de Jesus, a mulher chegou por trás, no meio da multidão, e tocou na capa dele. 28Porque dizia: “Se eu apenas tocar na roupa dele, ficarei curada.” 29E logo a hemorragia estancou, e ela sentiu no corpo que estava curada daquele mal. 30Jesus, reconhecendo imediatamente que dele havia saído poder, virando-se no meio da multidão, perguntou:

— Quem tocou na minha roupa?

31Os discípulos responderam:

— O senhor está vendo que a multidão o aperta e ainda pergunta: “Quem me tocou?”

32Ele, porém, olhava ao redor para ver quem tinha feito aquilo. 33Então a mulher, amedrontada e trêmula, ciente do que lhe havia acontecido, veio, prostrou-se diante de Jesus e declarou-lhe toda a verdade. 34Então Jesus lhe disse:

— Filha, a sua fé salvou você. Vá em paz e fique livre desse mal.

A ressurreição da filha de Jairo

Mt 9.23-26; Lc 8.49-56

35Enquanto Jesus ainda falava, chegaram alguns da casa do chefe da sinagoga, dizendo:

— A sua filha já morreu; por que você ainda incomoda o Mestre?

36Mas Jesus, sem levar em conta tais palavras, disse ao chefe da sinagoga:

— Não tenha medo; apenas creia!

37Jesus não permitiu que ninguém o acompanhasse, a não ser Pedro e os irmãos Tiago e João. 38Chegando à casa do chefe da sinagoga, Jesus viu o alvoroço, os que choravam e os que pranteavam muito. 39Ao entrar, disse:

— Por que vocês estão alvoroçados e chorando? A criança não está morta, mas dorme.

40E riam-se dele. Mas Jesus, mandando que todos saíssem, levou consigo o pai e a mãe da criança e os que vieram com ele e entrou onde ela estava. 41Tomando a criança pela mão, disse:

— Talitá cumi! — que quer dizer: “Menina, eu digo a você: Levante-se!”

42Imediatamente a menina, que tinha doze anos, se levantou e começou a andar. Então todos ficaram muito admirados. 43Mas Jesus ordenou-lhes expressamente que ninguém o soubesse. E mandou que dessem de comer à menina.

6

Jesus é rejeitado em Nazaré

Mt 13.53-58; Lc 4.16-30

61Tendo saído dali, Jesus foi para a sua terra, e os seus discípulos o acompanharam. 2Chegando o sábado, começou a ensinar na sinagoga, e muitos, ouvindo-o, se maravilhavam, dizendo:

— De onde lhe vem tudo isso? Que sabedoria é esta que lhe foi dada? E como se fazem tais maravilhas por suas mãos?

6.2
Mc 1.21-22
3Não é este o carpinteiro, o filho de Maria e irmão de Tiago, José, Judas e Simão? As suas irmãs não vivem aqui entre nós?

E escandalizavam-se por causa dele. 4Jesus, porém, lhes disse:

— Nenhum profeta é desprezado, a não ser na sua terra,

6.4
Jo 4.44
entre os seus parentes e na sua casa.

5Não pôde fazer ali nenhum milagre, a não ser curar uns poucos doentes, impondo-lhes as mãos. 6E admirava-se da incredulidade deles.

As instruções para os doze

Mt 10.1,5-15; Lc 9.1-6

Jesus percorria as aldeias vizinhas, ensinando. 7Chamou os doze e passou a enviá-los de dois em dois, dando-lhes autoridade sobre os espíritos imundos. 8Ordenou-lhes que não levassem nada para o caminho, exceto um bordão; nem pão, nem sacola, nem dinheiro; 9e que fossem calçados de sandálias e não usassem duas túnicas. 10E recomendou-lhes:

— Quando vocês entrarem numa casa, fiquem ali até saírem daquele lugar. 11Se em algum lugar não quiserem recebê-los nem ouvi-los, ao saírem dali sacudam o pó dos pés, em testemunho contra eles.

12Então, saindo eles, pregavam ao povo que se arrependesse. 13Expulsavam muitos demônios e curavam numerosos enfermos, ungindo-os

6.13
Tg 5.14
com óleo.
6.7-13
Lc 10.1-12

A morte de João Batista

Mt 14.1-12; Lc 9.7-9

14Isto chegou aos ouvidos do rei Herodes, porque o nome de Jesus havia se tornado conhecido. E alguns diziam: “João Batista ressuscitou dentre os mortos e, por isso, forças miraculosas operam nele.” 15Outros diziam: “É Elias.” Ainda outros diziam: “É profeta como um dos antigos profetas.”

6.14-15
Mt 16.14
Mc 8.28
Lc 9.19

16Herodes, porém, ouvindo isto, disse:

— É João, a quem eu mandei decapitar, que ressuscitou.

17Porque o próprio Herodes havia mandado prender João e amarrá-lo na prisão, por causa de Herodias, mulher do seu irmão Filipe, com a qual Herodes havia casado. 18Pois João lhe dizia: “Você não tem o direito de viver com a mulher do seu irmão.”

6.18
Lv 18.16
20.21

19Herodias odiava João Batista e queria matá-lo, mas não conseguia fazer isso. 20Porque Herodes temia João, sabendo que era homem justo e santo, e o mantinha em segurança. E, quando o ouvia, ficava perplexo, embora gostasse de escutá-lo.

21Chegando uma ocasião favorável, em que Herodes, no dia do seu aniversário, deu um banquete às autoridades, aos oficiais militares e às pessoas importantes da Galileia, 22a filha de Herodias entrou no salão e, dançando, agradou a Herodes e aos seus convidados. Então o rei disse à jovem:

— Peça o que quiser, e eu lhe darei.

23E fez este juramento:

— O que você me pedir eu lhe darei, mesmo que seja a metade do meu reino.

6.23
Et 5.3,6
7.2

24Ela saiu e foi perguntar à mãe:

— O que pedirei?

A mãe respondeu:

— A cabeça de João Batista.

25No mesmo instante, voltando apressadamente para junto do rei, disse:

— Quero que, sem demora, o senhor me dê num prato a cabeça de João Batista.

26O rei ficou muito triste, mas, por causa do juramento e dos que estavam com ele à mesa, não quis negar o pedido da jovem. 27E, enviando logo o executor, mandou que lhe trouxessem a cabeça de João. Ele foi e o decapitou na prisão, 28e, trazendo a cabeça num prato, a entregou à jovem, e esta, por sua vez, a entregou à sua mãe. 29Os discípulos de João, logo que souberam disto, vieram, levaram o corpo dele e o colocaram num túmulo.

A primeira multiplicação de pães e peixes

Mt 14.13-21; Lc 9.10-17; Jo 6.1-14

30Os apóstolos voltaram à presença de Jesus e lhe relataram tudo o que tinham feito e ensinado. 31E ele lhes disse:

— Venham repousar um pouco, à parte, num lugar deserto.

Isto porque eles não tinham tempo nem para comer, visto serem muitos os que iam e vinham. 32Então foram de barco para um lugar deserto, à parte. 33Muitos, porém, os viram sair e, reconhecendo-os, correram para lá, a pé, de todas as cidades, e chegaram antes deles. 34Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-se dela, porque eram como ovelhas que não têm pastor.

6.34
Nm 27.17
1Rs 22.17
2Cr 18.16
Mt 9.36
E começou a ensinar-lhes muitas coisas.

35Como já era bastante tarde, os discípulos se aproximaram de Jesus e disseram:

— Este lugar é deserto, e já é bastante tarde. 36Mande essas pessoas embora, para que, indo pelos campos ao redor e pelas aldeias, comprem para si o que comer.

37Jesus, porém, lhes disse:

— Deem vocês mesmos de comer a eles.

Mas eles disseram:

— Iremos comprar duzentos denários6.37 Moeda romana de prata, que era o pagamento por um dia de trabalho de pão para lhes dar de comer?

38E Jesus lhes disse:

— Quantos pães vocês têm? Tratem de descobrir!

Eles foram se informar e responderam:

— Cinco pães e dois peixes.

39Então Jesus lhes ordenou que todos se assentassem, em grupos, sobre a relva verde. 40E eles o fizeram, repartindo-se em grupos de cem e de cinquenta. 41Jesus, pegando os cinco pães e os dois peixes, erguendo os olhos para o céu, os abençoou. Depois partiu os pães e os deu aos seus discípulos para que os distribuíssem. E também repartiu os dois peixes entre todos. 42Todos comeram e se fartaram, 43e ainda recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e de peixe. 44Os que comeram os pães eram cinco mil homens.

Jesus anda sobre o mar

Mt 14.22-33; Jo 6.15-21

45Logo a seguir, Jesus fez com que os seus discípulos entrassem no barco e fossem adiante dele para o outro lado, para Betsaida, enquanto ele despedia a multidão. 46E, tendo-os despedido, ele subiu ao monte para orar. 47Ao cair da tarde, o barco estava no meio do mar, e Jesus estava sozinho em terra. 48De madrugada, vendo que os discípulos remavam com dificuldade, porque o vento lhes era contrário, Jesus foi até onde eles estavam, andando sobre o mar; e queria passar adiante deles. 49Eles, porém, vendo-o andar sobre o mar, pensaram tratar-se de um fantasma e gritaram. 50Pois todos viram Jesus e ficaram apavorados. Mas Jesus imediatamente falou com eles e disse:

— Coragem! Sou eu. Não tenham medo!

51Então subiu no barco para estar com eles, e o vento cessou. Ficaram totalmente perplexos, 52porque não haviam compreendido o milagre dos pães, pois o coração deles estava endurecido.

Jesus cura em Genesaré

Mt 14.34-36

53Estando já no outro lado, chegaram à terra de Genesaré, onde atracaram. 54Saindo eles do barco, o povo logo reconheceu Jesus. 55E eles, percorrendo toda aquela região, começaram a trazer em leitos os enfermos e os levavam para onde ouviam que ele estava. 56Onde quer que ele entrasse, nas aldeias, cidades ou campos, punham os enfermos nas praças, pedindo-lhe que os deixasse tocar ao menos na borda da sua roupa. E todos os que tocavam nela ficavam curados.

7

Jesus e a tradição dos anciãos

Mt 15.1-20

71Os fariseus e alguns escribas, vindos de Jerusalém, reuniram-se em volta de Jesus. 2Eles viram que alguns dos discípulos de Jesus comiam pão com as mãos impuras, isto é, sem lavar. 3Porque os fariseus e todos os judeus, observando a tradição dos anciãos, não comem sem lavar cuidadosamente as mãos. 4Quando voltam da praça, não comem sem se lavar. E há muitas outras coisas que receberam para observar, como a lavagem de copos, jarros e vasos de metal e camas. 5Os fariseus e os escribas perguntaram a Jesus:

— Por que os seus discípulos não vivem conforme a tradição dos anciãos, mas comem com as mãos impuras?

6Jesus respondeu:

— Bem profetizou Isaías a respeito de vocês, hipócritas, como está escrito:

“Este povo me honra

com os lábios,

mas o seu coração

está longe de mim.

7E em vão me adoram,

ensinando doutrinas

que são preceitos humanos.”

7.6-7
Is 29.13

8— Rejeitando o mandamento de Deus, vocês guardam a tradição humana.

9E disse-lhes ainda:

— Vocês sempre encontram uma maneira de rejeitar o mandamento de Deus para guardarem a própria tradição. 10Pois Moisés disse: “Honre o seu pai e a sua mãe.”

7.10
Êx 20.12
Dt 5.16
E: “Quem maldisser o seu pai ou a sua mãe seja punido de morte.”
7.10
Êx 21.17
Lv 20.9
11Vocês, porém, dizem que, se alguém disser ao seu pai ou à sua mãe: “A ajuda que você poderia receber de mim é Corbã, isto é, oferta ao Senhor”, 12então vocês o dispensam de fazer qualquer coisa em favor do seu pai ou da sua mãe, 13invalidando a palavra de Deus por meio da tradição que vocês mesmos passam de pai para filho. E fazem muitas outras coisas semelhantes.

14E, convocando outra vez a multidão, Jesus disse:

— Escutem todos e entendam: 15Não existe nada fora da pessoa que, entrando nela, possa contaminá-la; mas o que sai da pessoa é o que a contamina. 16[Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça.]7.16 O texto entre colchetes se encontra apenas em manuscritos mais recentes

17Quando entrou em casa, deixando a multidão, os seus discípulos o interrogaram a respeito da parábola. 18Jesus lhes disse:

— Então vocês também não entendem? Não compreendem que tudo o que está fora da pessoa, entrando nela, não a pode contaminar, 19porque não entra no coração dela, mas no estômago, e depois é eliminado?

E, assim, Jesus considerou puros todos os alimentos. 20E dizia:

— O que sai da pessoa, isso é o que a contamina. 21Porque de dentro, do coração das pessoas, é que procedem os maus pensamentos, as imoralidades sexuais, os furtos, os homicídios, 22os adultérios, a avareza, as maldades, o engano, a libertinagem, a inveja, a blasfêmia, o orgulho, a falta de juízo.

7.22
Gl 5.19-21
23Todos estes males vêm de dentro e contaminam a pessoa.

A mulher siro-fenícia

Mt 15.21-28

24Levantando-se Jesus, saiu dali e foi para as terras de Tiro e Sidom. Tendo entrado numa casa, não queria que ninguém soubesse onde ele estava. No entanto, não pôde ocultar-se, 25porque uma mulher, cuja filhinha estava possuída de espírito imundo, logo ouviu falar a respeito de Jesus. Ela veio e se ajoelhou aos pés dele. 26Essa mulher era estrangeira, de origem siro-fenícia, e pedia a Jesus que expulsasse o demônio da sua filha. 27Mas Jesus lhe disse:

— Deixe primeiro que os filhos se fartem, porque não é correto pegar o pão dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos.

28A mulher respondeu a ele:

— Senhor, os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem das migalhas das crianças.

29Então Jesus disse à mulher:

— Por causa desta palavra, você pode ir; o demônio já saiu da sua filha.

30Quando a mulher voltou para casa, achou a menina sobre a cama, pois o demônio tinha saído dela.

A cura de um surdo e gago

31De novo, Jesus se retirou das terras de Tiro e foi por Sidom até o mar da Galileia, através do território de Decápolis. 32Então lhe trouxeram um surdo e gago e lhe suplicaram que impusesse as mãos sobre ele. 33Jesus, tirando-o da multidão, à parte, pôs os dedos nos ouvidos dele; depois, cuspindo, aplicou saliva na língua do homem. 34Então, erguendo os olhos ao céu, suspirou e disse:

— Efatá! — que quer dizer: “Abra-se!”

35E logo os ouvidos do homem se abriram, e o empecilho da língua se soltou, e ele falava sem dificuldade. 36Jesus lhes ordenou que não contassem isso a ninguém; porém, quanto mais recomendava, tanto mais eles o divulgavam. 37Ficavam muito admirados, dizendo:

— Tudo ele tem feito muito bem; faz até os surdos ouvirem e os mudos falarem.