Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
3

O homem da mão ressequida

Mt 12.9-14; Lc 6.6-11

31De novo, Jesus entrou na sinagoga. E estava ali um homem que tinha uma das mãos ressequida. 2E estavam observando Jesus para ver se curaria aquele homem no sábado, a fim de o acusarem. 3Jesus disse ao homem da mão ressequida:

— Venha aqui para o meio!

4Então lhes perguntou:

— É lícito nos sábados fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixar morrer?

Mas eles ficaram em silêncio. 5Então Jesus, olhando em volta, indignado e entristecido com a dureza de coração daquelas pessoas, disse ao homem:

— Estenda a mão.

O homem estendeu a mão, e ela lhe foi restaurada. 6Os fariseus saíram dali e, com os herodianos, logo começaram a conspirar contra Jesus, procurando ver como o matariam.

3.6
Mc 11.18

Jesus cura muitos à beira-mar

7Jesus se retirou com os seus discípulos para o mar. Uma grande multidão o seguia. Eram pessoas que tinham vindo da Galileia, da Judeia, 8de Jerusalém, da Idumeia, do outro lado do Jordão e dos arredores de Tiro e de Sidom, porque ouviam falar das coisas que Jesus fazia. 9Então recomendou aos seus discípulos que sempre lhe tivessem pronto um barquinho, por causa da multidão, a fim de não o apertarem. 10Pois curava muitas pessoas, de modo que todos os que tinham alguma enfermidade se esforçavam para chegar perto, a fim de poderem tocar nele.

3.9-10
Mc 4.1
Lc 5.1-3
11Também os espíritos imundos, quando o viam, prostravam-se diante dele e gritavam:

— Você é o Filho de Deus!

12Mas Jesus lhes advertia severamente que não o expusessem à publicidade.

Os doze apóstolos

Mt 10.1-4; Lc 6.12-16

13Depois, Jesus subiu ao monte e chamou os que ele quis, e vieram para junto dele. 14Então designou doze, aos quais chamou de apóstolos, para estarem com ele e para os enviar a pregar 15e a exercer a autoridade de expulsar demônios. 16Eis os doze que designou: Simão, a quem acrescentou o nome de Pedro; 17Tiago, filho de Zebedeu, e João, irmão de Tiago, aos quais deu o nome de Boanerges, que quer dizer “filhos do trovão”; 18André, Filipe, Bartolomeu, Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu; Tadeu; Simão, o Zelote; 19e Judas Iscariotes, que foi quem o traiu.

3.19
Mc 14.10

Jesus e Belzebu

Mt 12.22-32; Lc 11.14-23; 12.10

20Então Jesus foi para casa. E outra vez se ajuntou uma multidão, de tal modo que nem podiam comer.

3.20
Mc 6.31
21E, quando os parentes de Jesus ouviram isto, saíram para prendê-lo, porque diziam:

— Está fora de si.

3.21
Jo 10.20

22Os escribas, que tinham vindo de Jerusalém, diziam:

— Ele está possuído de Belzebu.

3.22
Mt 9.34
10.25
Ele expulsa os demônios pelo poder do maioral dos demônios.

23Então, convocando-os, Jesus lhes disse, por meio de parábolas:

— Como pode Satanás expulsar Satanás? 24Se um reino estiver dividido contra si mesmo, tal reino não pode subsistir. 25Se uma casa estiver dividida contra si mesma, tal casa não poderá subsistir. 26Se Satanás se levantou contra si mesmo e está dividido, não pode subsistir; é o seu fim. 27Ninguém pode entrar na casa do valente para roubar-lhe os bens, sem primeiro amarrá-lo; e só então saqueará a casa dele. 28Em verdade lhes digo que tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e as blasfêmias que proferirem. 29Mas aquele que blasfemar

3.29
Mt 12.32
Lc 12.10
contra o Espírito Santo nunca terá perdão, visto que é réu de pecado eterno.

30Jesus disse isto porque diziam: “Está possuído de um espírito imundo.”

A mãe e os irmãos de Jesus

Mt 12.46-50; Lc 8.19-21

31Nisto, chegaram a mãe e os irmãos de Jesus e, tendo ficado do lado de fora, mandaram chamá-lo. 32Muita gente estava sentada ao redor de Jesus, e alguns lhe disseram:

— Olhe, a sua mãe, os seus irmãos e as suas irmãs estão lá fora, procurando o senhor.

33Então Jesus perguntou:

— Quem é a minha mãe e quem são os meus irmãos?

34E, olhando em volta para os que estavam sentados ao seu redor, disse:

— Eis minha mãe e meus irmãos. 35Portanto, aquele que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.

4

A parábola do semeador

Mt 13.1-9; Lc 8.4-8

41Jesus começou a ensinar outra vez à beira-mar. E uma numerosa multidão se reuniu em volta dele, de modo que entrou num barco,

4.1
Lc 5.1-3
onde se assentou, afastando-se da praia. E todo o povo estava à beira-mar, na praia. 2Assim, ensinava-lhes muitas coisas por parábolas e, durante o seu ensino, dizia:

3— Escutem! Eis que o semeador saiu a semear. 4E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho, e vieram as aves e a comeram. 5Outra parte caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra. 6Saindo, porém, o sol, a queimou; e, porque não tinha raiz, secou-se. 7Outra parte caiu entre os espinhos; e os espinhos cresceram e a sufocaram, e não deu fruto. 8Outra, enfim, caiu em boa terra e deu fruto; a semente brotou, cresceu e produziu a trinta, a sessenta e a cem por um.

4.8
Is 55.11

9E Jesus acrescentou:

— Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

Por que Jesus usava parábolas

Mt 13.10-17; Lc 8.9-10

10Quando Jesus ficou só, os que estavam junto dele com os doze começaram a lhe fazer perguntas a respeito das parábolas. 11Jesus disse a eles:

— A vocês é dado conhecer o mistério do Reino de Deus, mas aos de fora tudo se ensina por meio de parábolas, 12para que, vendo, vejam

4.12
Is 6.9-10
e não percebam; e, ouvindo, ouçam e não entendam; para que não venham a converter-se e sejam perdoados.

A explicação da parábola

Mt 13.18-23; Lc 8.11-15

13Então Jesus lhes perguntou:

— Se vocês não entendem esta parábola, como compreenderão todas as outras? 14O semeador semeia a palavra. 15Estes são os da beira do caminho, onde a palavra é semeada: quando a ouvem, logo Satanás vem e tira a palavra semeada neles. 16E estes são os semeados em solo rochoso, os quais, ouvindo a palavra, logo a recebem com alegria. 17Mas eles não têm raiz em si mesmos, sendo de pouca duração. Quando chega a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandalizam. 18Os outros, os semeados entre os espinhos, são os que ouvem a palavra, 19mas as preocupações deste mundo, a fascinação da riqueza e outras ambições aparecem e sufocam a palavra, e ela fica infrutífera. 20Os que foram semeados em boa terra são aqueles que ouvem a palavra e a recebem, frutificando a trinta, a sessenta e a cem por um.

A luz

Lc 8.16-18

21Jesus também lhes disse:

— Será que alguém traz uma lamparina para que seja colocada debaixo de um cesto ou da cama? Por acaso não a coloca num lugar em que ilumine bem?

4.21
Mt 5.15
Lc 11.33
22Porque não há nada oculto,
4.22
Mt 10.26
Lc 12.2
senão para ser manifesto; e nada escondido, senão para ser revelado. 23Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça.

24Então lhes disse:

— Prestem bem atenção no que vocês ouvem. Com a medida com que tiverem medido

4.24
Mt 7.2
Lc 6.38
vocês serão medidos, e mais ainda lhes será acrescentado. 25Pois ao que tem,
4.25
Mt 13.12
25.29
Lc 19.26
mais será dado; e, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.

A parábola da semente

26Jesus disse ainda:

— O Reino de Deus é como um homem que lança a semente na terra. 27Ele dorme e acorda, de noite e de dia, e a semente germina e cresce, sem que ele saiba como.

4.27
Ec 11.5
28A terra por si mesma frutifica: primeiro aparece a planta, depois, a espiga, e, por fim, o grão cheio na espiga. 29E, quando o fruto já está maduro, logo manda cortar com a foice, porque chegou a colheita.
4.29
Jl 3.13
Ap 14.15

A parábola do grão de mostarda

Mt 13.31-32; Lc 13.18-19

30Disse mais:

— Com que poderemos comparar o Reino de Deus? Ou com que parábola o apresentaremos? 31Ele é como um grão de mostarda, que, quando semeado, é a menor de todas as sementes sobre a terra; 32mas, uma vez semeada, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças; cria ramos tão grandes, que as aves do céu podem se aninhar à sua sombra.

4.32
Ez 17.23

O uso das parábolas

Mt 13.34-35

33E com muitas parábolas semelhantes Jesus lhes expunha a palavra, conforme podiam compreendê-la.

4.33
Jo 16.12
34E sem parábolas não lhes falava; tudo, porém, explicava em particular aos seus próprios discípulos.

Jesus acalma uma tempestade

Mt 8.23-27; Lc 8.22-25

35Naquele dia, sendo já tarde, Jesus disse aos discípulos:

— Vamos passar para a outra margem.

36E eles, despedindo a multidão, o levaram assim como estava, no barco; e outros barcos o seguiam. 37Ora, levantou-se grande temporal de vento, e as ondas se arremessavam contra o barco, de modo que o mesmo já estava se enchendo de água. 38E Jesus estava na popa, dormindo sobre o travesseiro. Os discípulos o acordaram e lhe disseram:

— Mestre, o senhor não se importa que pereçamos?

39E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar:

— Acalme-se! Fique quieto!

O vento se aquietou, e tudo ficou bem calmo.

4.39
Sl 65.7
89.9
40Então Jesus lhes perguntou:

— Por que vocês são tão medrosos? Como é que ainda não têm fé?

41E eles, possuídos de grande temor, diziam uns aos outros:

— Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?

5

A cura do endemoniado geraseno

Mt 8.28-34; Lc 8.26-39

51Jesus e os discípulos chegaram à outra margem do mar, à terra dos gerasenos. 2Ao desembarcar, logo um homem possuído de espírito imundo veio dos túmulos ao encontro de Jesus. 3Esse homem vivia nos túmulos, e ninguém podia prendê-lo, nem mesmo com correntes. 4Porque, tendo sido muitas vezes preso com correntes e cadeias, as cadeias foram quebradas por ele, e as correntes foram despedaçadas. E ninguém conseguia dominá-lo. 5Andava sempre, de noite e de dia, gritando por entre os túmulos e pelos montes, ferindo-se com pedras. 6Quando, de longe, viu Jesus, correu e prostrou-se diante dele, 7gritando em alta voz:

— O que você quer comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Por Deus, peço-lhe que não me atormente!

8Ele disse isto, porque Jesus tinha dito a ele: “Espírito imundo, saia desse homem!”

9Então Jesus lhe perguntou:

— Qual é o seu nome?

Ele respondeu:

— Legião é o meu nome, porque somos muitos.

10E pediu-lhe com insistência que não os mandasse para fora do país.

11Ora, uma grande manada de porcos estava pastando ali pelo monte. 12E os espíritos imundos pediram a Jesus:

— Mande-nos para os porcos, para que entremos neles.

13E Jesus o permitiu. Então, saindo os espíritos imundos, entraram nos porcos. E a manada, que era cerca de dois mil, precipitou-se despenhadeiro abaixo, para dentro do mar, onde se afogaram. 14Os que tratavam dos porcos fugiram e foram anunciá-lo na cidade e pelos campos.

Então o povo saiu para ver o que tinha acontecido. 15Aproximando-se de Jesus, viram o endemoniado, o que antes estava dominado pela legião, assentado, vestido, em perfeito juízo; e temeram. 16Os que haviam presenciado os fatos contaram-lhes o que tinha acontecido ao endemoniado e também falaram a respeito dos porcos. 17E começaram a pedir com insistência que Jesus se retirasse da terra deles.

18Quando Jesus estava entrando no barco, aquele que antes estava possuído pelos demônios pediu com insistência que Jesus o deixasse ficar com ele. 19Jesus, porém, não o permitiu; ao contrário, ordenou-lhe:

— Vá para a sua casa, para os seus parentes, e conte-lhes tudo o que o Senhor fez por você e como teve compaixão de você.

20Então ele foi e começou a proclamar em Decápolis tudo o que Jesus lhe tinha feito; e todos se admiravam.

O pedido de Jairo

Mt 9.18-19; Lc 8.40-42a

21Tendo Jesus voltado de barco para o outro lado, reuniu-se em volta dele uma grande multidão; e ele estava junto do mar. 22Então chegou um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo, e, vendo-o, prostrou-se aos pés de Jesus 23e lhe pediu com insistência:

— Minha filhinha está morrendo; venha impor as mãos sobre ela, para que seja salva e viva.

24Jesus foi com ele.

A cura de uma mulher enferma

Mt 9.20-22; Lc 8.42b-48

Uma grande multidão seguia Jesus, apertando-o de todos os lados.

25Estava ali certa mulher, que, havia doze anos, vinha sofrendo de uma hemorragia.

5.25
Lv 15.25
26Ela havia padecido muito nas mãos de vários médicos e gastado tudo o que tinha, sem, contudo, melhorar de saúde; pelo contrário, piorava cada vez mais. 27Tendo ouvido a fama de Jesus, a mulher chegou por trás, no meio da multidão, e tocou na capa dele. 28Porque dizia: “Se eu apenas tocar na roupa dele, ficarei curada.” 29E logo a hemorragia estancou, e ela sentiu no corpo que estava curada daquele mal. 30Jesus, reconhecendo imediatamente que dele havia saído poder, virando-se no meio da multidão, perguntou:

— Quem tocou na minha roupa?

31Os discípulos responderam:

— O senhor está vendo que a multidão o aperta e ainda pergunta: “Quem me tocou?”

32Ele, porém, olhava ao redor para ver quem tinha feito aquilo. 33Então a mulher, amedrontada e trêmula, ciente do que lhe havia acontecido, veio, prostrou-se diante de Jesus e declarou-lhe toda a verdade. 34Então Jesus lhe disse:

— Filha, a sua fé salvou você. Vá em paz e fique livre desse mal.

A ressurreição da filha de Jairo

Mt 9.23-26; Lc 8.49-56

35Enquanto Jesus ainda falava, chegaram alguns da casa do chefe da sinagoga, dizendo:

— A sua filha já morreu; por que você ainda incomoda o Mestre?

36Mas Jesus, sem levar em conta tais palavras, disse ao chefe da sinagoga:

— Não tenha medo; apenas creia!

37Jesus não permitiu que ninguém o acompanhasse, a não ser Pedro e os irmãos Tiago e João. 38Chegando à casa do chefe da sinagoga, Jesus viu o alvoroço, os que choravam e os que pranteavam muito. 39Ao entrar, disse:

— Por que vocês estão alvoroçados e chorando? A criança não está morta, mas dorme.

40E riam-se dele. Mas Jesus, mandando que todos saíssem, levou consigo o pai e a mãe da criança e os que vieram com ele e entrou onde ela estava. 41Tomando a criança pela mão, disse:

— Talitá cumi! — que quer dizer: “Menina, eu digo a você: Levante-se!”

42Imediatamente a menina, que tinha doze anos, se levantou e começou a andar. Então todos ficaram muito admirados. 43Mas Jesus ordenou-lhes expressamente que ninguém o soubesse. E mandou que dessem de comer à menina.