Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
2

A cura de um paralítico em Cafarnaum

Mt 9.1-8; Lc 5.17-26

21Dias depois, Jesus entrou de novo em Cafarnaum, e logo se ouviu dizer que ele estava em casa. 2Muitos se reuniram ali, a ponto de não haver lugar nem mesmo junto à porta. E Jesus anunciava-lhes a palavra. 3Trouxeram-lhe, então, um paralítico, carregado por quatro homens. 4E, não podendo aproximar-se de Jesus, por causa da multidão, removeram o telhado no ponto correspondente ao lugar onde Jesus se encontrava e, pela abertura, desceram o leito em que o paralítico estava deitado. 5Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico:

— Filho, os seus pecados estão perdoados.

6Alguns escribas estavam sentados ali e pensavam em seu coração:

7— Como ele se atreve a falar assim? Isto é blasfêmia! Quem pode perdoar pecados, a não ser um, que é Deus?

8E Jesus, percebendo imediatamente em seu espírito que eles assim pensavam, disse-lhes:

— Por que vocês estão pensando essas coisas em seu coração? 9O que é mais fácil? Dizer ao paralítico: “Os seus pecados estão perdoados”, ou dizer: “Levante-se, tome o seu leito e ande”? 10Mas isto é para que vocês saibam que o Filho do Homem tem autoridade sobre a terra para perdoar pecados.

E disse ao paralítico:

11— Eu digo a você: Levante-se, pegue o seu leito e vá para casa.

12Ele se levantou e, no mesmo instante, pegando o leito, retirou-se à vista de todos, a ponto de todos se admirarem e darem glória a Deus, dizendo:

— Jamais vimos coisa assim!

O chamado de Levi

Mt 9.9-13; Lc 5.27-32

13De novo, Jesus foi para junto do mar, e toda a multidão vinha ao encontro dele, e ele os ensinava. 14Quando ia passando, viu Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria e lhe disse:

— Siga-me!

Ele se levantou e o seguiu.

15Achando-se Jesus à mesa, na casa de Levi, estavam junto com ele e com os seus discípulos muitos publicanos e pecadores; porque estes eram muitos e também o seguiam. 16Os escribas dos fariseus, vendo Jesus comer em companhia dos pecadores e publicanos, perguntavam aos discípulos dele:

— Por que ele come e bebe com os publicanos e pecadores?

17Tendo ouvido isto, Jesus lhes respondeu:

— Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes; eu não vim chamar justos, e sim pecadores.

2.17
1Tm 1.15

A questão do jejum

Mt 9.14-17; Lc 5.33-39

18Ora, os discípulos de João e os fariseus estavam jejuando. Algumas pessoas foram perguntar a Jesus:

— Por que os discípulos de João e os discípulos dos fariseus jejuam, mas os seus discípulos não jejuam?

19Jesus respondeu:

— Como podem os convidados para o casamento jejuar enquanto o noivo está com eles? Durante o tempo em que o noivo estiver presente, não podem jejuar. 20No entanto, virão dias em que o noivo lhes será tirado, e então, naquele dia, eles vão jejuar. 21Ninguém costura um remendo de pano novo em roupa velha; porque o remendo novo tira um pedaço da roupa velha, e o buraco fica ainda maior. 22E ninguém põe vinho novo em odres2.22 Vasilha de couro para transportar líquidos velhos, porque, se fizer isso, o vinho romperá os odres e se perdem tanto o vinho como os odres. Mas põe-se vinho novo em odres novos.

Jesus é senhor do sábado

Mt 12.1-8; Lc 6.1-5

23Aconteceu que, num sábado, Jesus atravessava as searas,2.23 Plantações de cereais e os seus discípulos, ao passar, começaram a colher espigas.

2.23
Dt 23.25
24Então os fariseus disseram a Jesus:

— Olhe! Por que eles estão fazendo o que não é lícito aos sábados?

25Ele lhes respondeu:

— Vocês nunca leram o que Davi fez quando se viu em necessidade e teve fome, ele e os seus companheiros? 26Como entrou na Casa de Deus, no tempo do sumo sacerdote Abiatar, e comeu os pães da proposição, os quais só aos sacerdotes era lícito comer,

2.26
Lv 24.9
e ainda deu esses pães aos seus companheiros?
2.25-26
1Sm 21.1-6

27E Jesus acrescentou:

— O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado. 28Assim, o Filho do Homem é senhor também do sábado.

3

O homem da mão ressequida

Mt 12.9-14; Lc 6.6-11

31De novo, Jesus entrou na sinagoga. E estava ali um homem que tinha uma das mãos ressequida. 2E estavam observando Jesus para ver se curaria aquele homem no sábado, a fim de o acusarem. 3Jesus disse ao homem da mão ressequida:

— Venha aqui para o meio!

4Então lhes perguntou:

— É lícito nos sábados fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixar morrer?

Mas eles ficaram em silêncio. 5Então Jesus, olhando em volta, indignado e entristecido com a dureza de coração daquelas pessoas, disse ao homem:

— Estenda a mão.

O homem estendeu a mão, e ela lhe foi restaurada. 6Os fariseus saíram dali e, com os herodianos, logo começaram a conspirar contra Jesus, procurando ver como o matariam.

3.6
Mc 11.18

Jesus cura muitos à beira-mar

7Jesus se retirou com os seus discípulos para o mar. Uma grande multidão o seguia. Eram pessoas que tinham vindo da Galileia, da Judeia, 8de Jerusalém, da Idumeia, do outro lado do Jordão e dos arredores de Tiro e de Sidom, porque ouviam falar das coisas que Jesus fazia. 9Então recomendou aos seus discípulos que sempre lhe tivessem pronto um barquinho, por causa da multidão, a fim de não o apertarem. 10Pois curava muitas pessoas, de modo que todos os que tinham alguma enfermidade se esforçavam para chegar perto, a fim de poderem tocar nele.

3.9-10
Mc 4.1
Lc 5.1-3
11Também os espíritos imundos, quando o viam, prostravam-se diante dele e gritavam:

— Você é o Filho de Deus!

12Mas Jesus lhes advertia severamente que não o expusessem à publicidade.

Os doze apóstolos

Mt 10.1-4; Lc 6.12-16

13Depois, Jesus subiu ao monte e chamou os que ele quis, e vieram para junto dele. 14Então designou doze, aos quais chamou de apóstolos, para estarem com ele e para os enviar a pregar 15e a exercer a autoridade de expulsar demônios. 16Eis os doze que designou: Simão, a quem acrescentou o nome de Pedro; 17Tiago, filho de Zebedeu, e João, irmão de Tiago, aos quais deu o nome de Boanerges, que quer dizer “filhos do trovão”; 18André, Filipe, Bartolomeu, Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu; Tadeu; Simão, o Zelote; 19e Judas Iscariotes, que foi quem o traiu.

3.19
Mc 14.10

Jesus e Belzebu

Mt 12.22-32; Lc 11.14-23; 12.10

20Então Jesus foi para casa. E outra vez se ajuntou uma multidão, de tal modo que nem podiam comer.

3.20
Mc 6.31
21E, quando os parentes de Jesus ouviram isto, saíram para prendê-lo, porque diziam:

— Está fora de si.

3.21
Jo 10.20

22Os escribas, que tinham vindo de Jerusalém, diziam:

— Ele está possuído de Belzebu.

3.22
Mt 9.34
10.25
Ele expulsa os demônios pelo poder do maioral dos demônios.

23Então, convocando-os, Jesus lhes disse, por meio de parábolas:

— Como pode Satanás expulsar Satanás? 24Se um reino estiver dividido contra si mesmo, tal reino não pode subsistir. 25Se uma casa estiver dividida contra si mesma, tal casa não poderá subsistir. 26Se Satanás se levantou contra si mesmo e está dividido, não pode subsistir; é o seu fim. 27Ninguém pode entrar na casa do valente para roubar-lhe os bens, sem primeiro amarrá-lo; e só então saqueará a casa dele. 28Em verdade lhes digo que tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e as blasfêmias que proferirem. 29Mas aquele que blasfemar

3.29
Mt 12.32
Lc 12.10
contra o Espírito Santo nunca terá perdão, visto que é réu de pecado eterno.

30Jesus disse isto porque diziam: “Está possuído de um espírito imundo.”

A mãe e os irmãos de Jesus

Mt 12.46-50; Lc 8.19-21

31Nisto, chegaram a mãe e os irmãos de Jesus e, tendo ficado do lado de fora, mandaram chamá-lo. 32Muita gente estava sentada ao redor de Jesus, e alguns lhe disseram:

— Olhe, a sua mãe, os seus irmãos e as suas irmãs estão lá fora, procurando o senhor.

33Então Jesus perguntou:

— Quem é a minha mãe e quem são os meus irmãos?

34E, olhando em volta para os que estavam sentados ao seu redor, disse:

— Eis minha mãe e meus irmãos. 35Portanto, aquele que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.

4

A parábola do semeador

Mt 13.1-9; Lc 8.4-8

41Jesus começou a ensinar outra vez à beira-mar. E uma numerosa multidão se reuniu em volta dele, de modo que entrou num barco,

4.1
Lc 5.1-3
onde se assentou, afastando-se da praia. E todo o povo estava à beira-mar, na praia. 2Assim, ensinava-lhes muitas coisas por parábolas e, durante o seu ensino, dizia:

3— Escutem! Eis que o semeador saiu a semear. 4E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho, e vieram as aves e a comeram. 5Outra parte caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra. 6Saindo, porém, o sol, a queimou; e, porque não tinha raiz, secou-se. 7Outra parte caiu entre os espinhos; e os espinhos cresceram e a sufocaram, e não deu fruto. 8Outra, enfim, caiu em boa terra e deu fruto; a semente brotou, cresceu e produziu a trinta, a sessenta e a cem por um.

4.8
Is 55.11

9E Jesus acrescentou:

— Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

Por que Jesus usava parábolas

Mt 13.10-17; Lc 8.9-10

10Quando Jesus ficou só, os que estavam junto dele com os doze começaram a lhe fazer perguntas a respeito das parábolas. 11Jesus disse a eles:

— A vocês é dado conhecer o mistério do Reino de Deus, mas aos de fora tudo se ensina por meio de parábolas, 12para que, vendo, vejam

4.12
Is 6.9-10
e não percebam; e, ouvindo, ouçam e não entendam; para que não venham a converter-se e sejam perdoados.

A explicação da parábola

Mt 13.18-23; Lc 8.11-15

13Então Jesus lhes perguntou:

— Se vocês não entendem esta parábola, como compreenderão todas as outras? 14O semeador semeia a palavra. 15Estes são os da beira do caminho, onde a palavra é semeada: quando a ouvem, logo Satanás vem e tira a palavra semeada neles. 16E estes são os semeados em solo rochoso, os quais, ouvindo a palavra, logo a recebem com alegria. 17Mas eles não têm raiz em si mesmos, sendo de pouca duração. Quando chega a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandalizam. 18Os outros, os semeados entre os espinhos, são os que ouvem a palavra, 19mas as preocupações deste mundo, a fascinação da riqueza e outras ambições aparecem e sufocam a palavra, e ela fica infrutífera. 20Os que foram semeados em boa terra são aqueles que ouvem a palavra e a recebem, frutificando a trinta, a sessenta e a cem por um.

A luz

Lc 8.16-18

21Jesus também lhes disse:

— Será que alguém traz uma lamparina para que seja colocada debaixo de um cesto ou da cama? Por acaso não a coloca num lugar em que ilumine bem?

4.21
Mt 5.15
Lc 11.33
22Porque não há nada oculto,
4.22
Mt 10.26
Lc 12.2
senão para ser manifesto; e nada escondido, senão para ser revelado. 23Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça.

24Então lhes disse:

— Prestem bem atenção no que vocês ouvem. Com a medida com que tiverem medido

4.24
Mt 7.2
Lc 6.38
vocês serão medidos, e mais ainda lhes será acrescentado. 25Pois ao que tem,
4.25
Mt 13.12
25.29
Lc 19.26
mais será dado; e, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.

A parábola da semente

26Jesus disse ainda:

— O Reino de Deus é como um homem que lança a semente na terra. 27Ele dorme e acorda, de noite e de dia, e a semente germina e cresce, sem que ele saiba como.

4.27
Ec 11.5
28A terra por si mesma frutifica: primeiro aparece a planta, depois, a espiga, e, por fim, o grão cheio na espiga. 29E, quando o fruto já está maduro, logo manda cortar com a foice, porque chegou a colheita.
4.29
Jl 3.13
Ap 14.15

A parábola do grão de mostarda

Mt 13.31-32; Lc 13.18-19

30Disse mais:

— Com que poderemos comparar o Reino de Deus? Ou com que parábola o apresentaremos? 31Ele é como um grão de mostarda, que, quando semeado, é a menor de todas as sementes sobre a terra; 32mas, uma vez semeada, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças; cria ramos tão grandes, que as aves do céu podem se aninhar à sua sombra.

4.32
Ez 17.23

O uso das parábolas

Mt 13.34-35

33E com muitas parábolas semelhantes Jesus lhes expunha a palavra, conforme podiam compreendê-la.

4.33
Jo 16.12
34E sem parábolas não lhes falava; tudo, porém, explicava em particular aos seus próprios discípulos.

Jesus acalma uma tempestade

Mt 8.23-27; Lc 8.22-25

35Naquele dia, sendo já tarde, Jesus disse aos discípulos:

— Vamos passar para a outra margem.

36E eles, despedindo a multidão, o levaram assim como estava, no barco; e outros barcos o seguiam. 37Ora, levantou-se grande temporal de vento, e as ondas se arremessavam contra o barco, de modo que o mesmo já estava se enchendo de água. 38E Jesus estava na popa, dormindo sobre o travesseiro. Os discípulos o acordaram e lhe disseram:

— Mestre, o senhor não se importa que pereçamos?

39E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar:

— Acalme-se! Fique quieto!

O vento se aquietou, e tudo ficou bem calmo.

4.39
Sl 65.7
89.9
40Então Jesus lhes perguntou:

— Por que vocês são tão medrosos? Como é que ainda não têm fé?

41E eles, possuídos de grande temor, diziam uns aos outros:

— Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?