Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
13

A parábola do semeador

Mc 4.1-9; Lc 8.4-8

131Naquele mesmo dia, Jesus saiu de casa e se assentou à beira-mar. 2E grandes multidões se reuniram em volta dele, de modo que entrou num barco e se assentou. E toda a multidão estava em pé na praia.

13.1-2
Lc 5.1-3
3E de muitas coisas lhes falou por parábolas, dizendo:

— Eis que o semeador saiu a semear. 4E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho, e, vindo as aves, a comeram. 5Outra parte caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra. 6Saindo, porém, o sol, a queimou; e, porque não tinha raiz, secou-se. 7Outra parte caiu entre os espinhos; e os espinhos cresceram e a sufocaram. 8Outra, enfim, caiu em boa terra e deu fruto: a cem, a sessenta e a trinta por um.

13.8
Is 55.11
9Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

Por que Jesus usava parábolas

Mc 4.10-12; Lc 8.9-10

10Então os discípulos se aproximaram de Jesus e lhe perguntaram:

— Por que o senhor fala com eles por meio de parábolas?

11Ao que Jesus respondeu:

— Porque a vocês é dado conhecer os mistérios do Reino dos Céus, mas àqueles isso não é concedido. 12Pois ao que tem,

13.12
Mt 25.29
Mc 4.25
Lc 8.18
19.26
mais será dado, e terá em abundância; mas, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. 13Por isso, falo com eles por meio de parábolas: porque, vendo, não veem; e, ouvindo, não ouvem, nem entendem. 14Assim, neles se cumpre a profecia de Isaías:

“Ouvindo, vocês ouvirão

e de modo nenhum

entenderão;

vendo, vocês verão

e de modo nenhum

perceberão.

15Porque o coração deste povo

está endurecido;

ouviram com os ouvidos tapados

e fecharam os olhos;

para não acontecer que

vejam com os olhos,

ouçam com os ouvidos,

entendam com o coração,

se convertam

e sejam por mim curados.”

13.14-15
Is 6.9-10
At 28.26-27

16— Bem-aventurados, porém, são os olhos de vocês, porque veem; e bem-aventurados são os ouvidos de vocês, porque ouvem. 17Pois em verdade lhes digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vocês estão vendo, mas não viram;

13.17
Jo 8.56
Hb 11.13
1Pe 1.10
e quiseram ouvir o que vocês estão ouvindo, mas não ouviram.
13.16-17
Lc 10.23-24

A explicação da parábola

Mc 4.13-20; Lc 8.11-15

18— Ouçam, portanto, o que significa a parábola do semeador. 19A todos os que ouvem a palavra do Reino e não a compreendem, vem o Maligno e arrebata o que lhes foi semeado no coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho. 20O que foi semeado em solo rochoso, esse é o que ouve a palavra e logo a recebe com alegria. 21Mas ele não tem raiz em si mesmo, sendo de pouca duração. Quando chega a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza. 22O que foi semeado entre os espinhos é o que ouve a palavra, porém as preocupações deste mundo e a fascinação das riquezas sufocam a palavra, e ela fica infrutífera. 23Mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende; este frutifica e produz a cem, a sessenta e a trinta por um.

A parábola do joio

24Jesus lhes propôs outra parábola, dizendo:

— O Reino dos Céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo. 25Mas, enquanto todos estavam dormindo, veio o inimigo dele, semeou o joio no meio do trigo e foi embora. 26E, quando as plantas cresceram e produziram fruto, apareceu também o joio. 27Então os servos do dono da casa chegaram e disseram: “Patrão, o senhor não semeou boa semente no seu campo? De onde, então, vem o joio?” 28Ele, porém, lhes respondeu: “Um inimigo fez isso.” Mas os servos lhe perguntaram: “O senhor quer que a gente vá e arranque o joio?” 29O dono da casa respondeu: “Não! Porque, ao separar o joio, vocês poderão arrancar também com ele o trigo. 30Deixem que cresçam juntos até a colheita. E, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros:13.30 Pessoa que trabalha na colheita ‘Ajuntem primeiro o joio e amarrem-no em feixes para ser queimado; mas recolham o trigo no meu celeiro.’”

A parábola do grão de mostarda

Mc 4.30-32; Lc 13.18-19

31Jesus lhes propôs outra parábola, dizendo:

— O Reino dos Céus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem pegou e plantou no seu campo. 32Esse grão é, na verdade, a menor de todas as sementes, mas, quando cresce, é maior do que as hortaliças, e chega a ser uma árvore, de modo que as aves do céu vêm se aninhar nos seus ramos.

13.32
Ez 17.23

A parábola do fermento

Lc 13.20-21

33Jesus lhes contou ainda outra parábola:

— O Reino dos Céus é semelhante ao fermento que uma mulher pegou e misturou em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado.

O uso das parábolas

Mc 4.33-34

34Jesus disse todas estas coisas às multidões por parábolas e sem parábolas nada lhes dizia. 35Isso aconteceu para se cumprir o que foi dito por meio do profeta:

“Abrirei a minha boca

em parábolas;

publicarei coisas ocultas

desde a criação do mundo.”

13.35
Sl 78.2

A explicação da parábola do joio

36Então, despedindo as multidões, Jesus foi para casa. E, aproximando-se dele os seus discípulos, disseram:

— Explique-nos a parábola do joio do campo.

37E Jesus respondeu:

— O que semeia a boa semente é o Filho do Homem. 38O campo é o mundo. A boa semente são os filhos do Reino; o joio são os filhos do Maligno. 39O inimigo que o semeou é o diabo. A colheita é o fim dos tempos, e os ceifeiros são os anjos. 40Pois, assim como o joio é colhido e jogado no fogo, assim será no fim dos tempos. 41O Filho do Homem mandará os seus anjos, que ajuntarão do seu Reino todos os que servem de pedra de tropeço e os que praticam o mal 42e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes. 43Então os justos resplandecerão como o sol,

13.43
Dn 12.3
no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

A parábola do tesouro escondido

44— O Reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido no campo, que um homem achou e escondeu. Então, transbordante de alegria, vai, vende tudo o que tem e compra aquele campo.

A parábola da pérola

45— O Reino dos Céus é também semelhante a um homem que negocia e procura boas pérolas. 46Quando encontrou uma pérola de grande valor, ele foi, vendeu tudo o que tinha e comprou a pérola.

A parábola da rede

47— O Reino dos Céus é ainda semelhante a uma rede que foi lançada ao mar e apanhou peixes de toda espécie. 48E, quando já estava cheia, os pescadores a arrastaram para a praia e, assentados, escolheram os bons para os cestos e jogaram fora os ruins. 49Assim será no fim dos tempos: os anjos sairão, separarão os maus dentre os justos 50e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes.

Coisas novas e velhas

51Então Jesus perguntou:

— Vocês entenderam todas estas coisas?

Eles responderam:

— Sim!

52Então Jesus lhes disse:

— Por isso, todo escriba instruído no Reino dos Céus é semelhante a um pai de família que tira do seu depósito coisas novas e coisas velhas.

Jesus é rejeitado em Nazaré

Mc 6.1-6; Lc 4.16-30

53Quando Jesus acabou de contar essas parábolas,

13.53
Mt 7.28
11.1
retirou-se dali. 54E, chegando à sua terra, ensinava-os na sinagoga, de modo que se maravilhavam e diziam:

— De onde lhe vêm esta sabedoria e estes poderes miraculosos? 55Não é este o filho do carpinteiro? A sua mãe não se chama Maria, e seus irmãos não são Tiago, José, Simão e Judas? 56Todas as suas irmãs não vivem entre nós? Então, de onde lhe vem tudo isto?

57E escandalizavam-se por causa dele. Jesus, porém, lhes disse:

— Nenhum profeta é desprezado, a não ser na sua terra

13.57
Jo 4.44
e na sua casa.

58E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles.

14

A morte de João Batista

Mc 6.14-29; Lc 9.7-9

141Por aquele tempo, o tetrarca14.1 Um rei que governava a quarta parte de um reino Herodes soube da fama de Jesus 2e disse aos que o serviam:

— Este é João Batista. Ele ressuscitou dos mortos, e, por isso, forças miraculosas operam nele.

3Porque Herodes, havendo prendido João,

14.3-4
Lc 3.19-20
o amarrou e pôs na prisão, por causa de Herodias, mulher do seu irmão Filipe. 4Pois João lhe dizia: “Você não tem o direito de viver com ela.”
14.4
Lv 18.16
20.21
5Embora Herodes quisesse matá-lo, tinha medo do povo, porque consideravam João como profeta.

6Mas, quando chegou o dia do aniversário de Herodes, a filha de Herodias dançou diante de todos e agradou a Herodes. 7Este prometeu, com juramento, dar-lhe o que ela pedisse. 8Então ela, instigada por sua mãe, disse:

— Dê-me, aqui, num prato, a cabeça de João Batista.

9O rei ficou triste, mas, por causa do juramento e dos que estavam com ele à mesa, ordenou que o pedido fosse atendido. 10Assim, deu ordens para que João fosse decapitado na prisão. 11A cabeça foi trazida num prato e dada à jovem, que a levou à sua mãe. 12Então vieram os discípulos de João, levaram o corpo e o sepultaram; depois, foram e anunciaram isso a Jesus.

A primeira multiplicação de pães e peixes

Mc 6.30-44; Lc 9.10-17; Jo 6.1-14

13Jesus, ouvindo isto, retirou-se dali num barco para um lugar deserto, à parte. Ao saberem disso, as multidões vieram das cidades seguindo-o por terra. 14Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão, compadeceu-se dela e curou os seus enfermos.

15Ao cair da tarde, os discípulos se aproximaram de Jesus e disseram:

— Este lugar é deserto, e já é tarde. Mande as multidões embora, para que, indo pelas aldeias, comprem para si o que comer.

16Jesus, porém, lhes disse:

— Não precisam ir embora; deem vocês mesmos de comer a eles.

17Mas eles responderam:

— Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes.

18Então Jesus disse:

— Tragam esses pães e peixes aqui para mim.

19E, tendo mandado que a multidão se assentasse sobre a relva, pegando os cinco pães e os dois peixes, erguendo os olhos para o céu, os abençoou. Depois, tendo partido os pães, deu-os aos discípulos, e estes deram às multidões. 20Todos comeram e se fartaram, e ainda recolheram doze cestos cheios dos pedaços que sobraram. 21E os que comeram eram cerca de cinco mil homens, além de mulheres e crianças.

Jesus anda sobre o mar

Mc 6.45-52; Jo 6.15-21

22Logo a seguir, Jesus fez com que os discípulos entrassem no barco e fossem adiante dele para o outro lado, enquanto ele despedia as multidões. 23E, tendo despedido as multidões, ele subiu ao monte, a fim de orar sozinho.

14.23
Mc 6.46
Lc 6.12
Ao cair da tarde, lá estava ele, só. 24Entretanto, o barco já estava longe, a uma boa distância da terra, açoitado pelas ondas; porque o vento era contrário. 25De madrugada, Jesus foi até onde eles estavam, andando sobre o mar. 26Os discípulos, porém, vendo-o andar sobre o mar, ficaram apavorados e disseram:

— É um fantasma!

E, tomados de medo, gritaram. 27Mas Jesus imediatamente lhes disse:

— Coragem! Sou eu. Não tenham medo!

28Então Pedro disse:

— Se é o Senhor mesmo, mande que eu vá até aí, andando sobre as águas.

29Jesus disse:

— Venha!

E Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas e foi até Jesus. 30Reparando, porém, na força do vento, teve medo; e, começando a afundar, gritou:

— Salve-me, Senhor!

31E, prontamente, Jesus, estendendo a mão, o segurou e disse:

— Homem de pequena fé, por que você duvidou?

32Subindo ambos para o barco, o vento cessou. 33E os que estavam no barco o adoraram, dizendo:

— Verdadeiramente o senhor é o Filho de Deus!

Jesus cura em Genesaré

Mc 6.53-56

34Estando já no outro lado, chegaram à terra de Genesaré. 35Quando as pessoas daquela terra o reconheceram, mandaram avisar em todos aqueles arredores e lhe trouxeram todos os enfermos. 36E pediam-lhe que ao menos pudessem tocar na borda da sua roupa. E todos os que tocavam nela ficaram curados.

15

Jesus e a tradição dos anciãos

Mc 7.1-23

151Então alguns fariseus e escribas vieram de Jerusalém até Jesus e perguntaram:

2— Por que os seus discípulos transgridem a tradição dos anciãos? Pois não lavam as mãos, quando comem.

3Jesus, porém, lhes respondeu:

— Por que também vocês transgridem o mandamento de Deus, por causa da tradição de vocês? 4Porque Deus disse: “Honre o seu pai e a sua mãe.”

15.4
Êx 20.12
E: “Quem maldisser o seu pai ou a sua mãe seja punido de morte.”
15.4
Êx 21.17
Lv 20.9
5Vocês, porém, dizem que, se alguém disser ao seu pai ou à sua mãe: “A ajuda que você poderia receber de mim é oferta ao Senhor”, 6esse não precisará mais honrar os seus pais. E, assim, vocês invalidam a palavra de Deus, por causa da tradição de vocês. 7Hipócritas! Bem profetizou Isaías a respeito de vocês, dizendo:

8“Este povo me honra

com os lábios,

mas o seu coração

está longe de mim.

9E em vão me adoram,

ensinando doutrinas

que são preceitos humanos.”

15.8-9
Is 29.13

10E, convocando a multidão, Jesus disse:

— Escutem e entendam: 11o que contamina a pessoa não é o que entra pela boca, mas o que sai da boca; isto, sim, contamina a pessoa.

12Então, aproximando-se dele os discípulos, disseram:

— Sabia que os fariseus, ouvindo o que o senhor disse, ficaram escandalizados?

13Mas ele respondeu:

— Toda planta que meu Pai celeste não plantou será arrancada. 14Esqueçam os fariseus; são cegos, guias de cegos.

15.14
Lc 6.39
Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão num buraco.

15Então Pedro disse a Jesus:

— Explique-nos esta parábola.

16Jesus, porém, disse:

— Também vocês ainda não entenderam? 17Não compreendem que tudo o que entra pela boca desce para o estômago e depois é eliminado? 18Mas o que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina a pessoa. 19Porque do coração procedem maus pensamentos, homicídios, adultérios, imoralidade sexual, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias.

15.19
Gl 5.19-21
20São estas as coisas que contaminam a pessoa; mas o comer sem lavar as mãos não a contamina.

A mulher cananeia

Mc 7.24-30

21Saindo dali, Jesus foi para a região de Tiro e Sidom. 22E eis que uma mulher cananeia, que tinha vindo daqueles lados, clamava:

— Senhor, Filho de Davi,

15.22
Mt 9.27
tenha compaixão de mim! Minha filha está horrivelmente endemoniada.

23Jesus, porém, não lhe respondeu palavra. Então os seus discípulos, aproximando-se, disseram:

— Mande-a embora, pois vem gritando atrás de nós.

24Mas Jesus respondeu:

— Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.

15.24
Mt 10.6

25Ela, porém, veio e o adorou, dizendo:

— Senhor, me ajude!

26Jesus respondeu:

— Não é correto pegar o pão dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos.

27A mulher disse:

— É verdade, Senhor, pois os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos.

28Então Jesus exclamou:

— Mulher, que grande fé você tem! Que seja feito como você quer.

E, desde aquele momento, a filha dela ficou curada.

Jesus cura muitos enfermos

29Saindo dali, Jesus foi para junto do mar da Galileia; e, subindo ao monte, assentou-se ali. 30E vieram a ele muitas multidões trazendo consigo coxos, cegos, aleijados, mudos e muitos outros e os deixaram junto aos pés de Jesus; e ele os curou. 31O povo ficou maravilhado ao ver que os mudos falavam, os aleijados recuperavam a saúde, os coxos andavam e os cegos viam. E glorificavam o Deus de Israel.

A segunda multiplicação de pães e peixes

Mc 8.1-10

32Então Jesus chamou os seus discípulos e disse:

— Tenho compaixão desta gente, porque já faz três dias que eles estão comigo e não têm o que comer. E não quero mandá-los para casa em jejum, para que não desfaleçam pelo caminho.

33Mas os discípulos lhe disseram:

— Onde haverá neste deserto pão suficiente para saciar tão grande multidão?

34Jesus perguntou:

— Quantos pães vocês têm?

Eles responderam:

— Sete pães e alguns peixinhos.

35Então, tendo mandado o povo assentar-se no chão, 36pegou os sete pães e os peixes e, tendo dado graças, os partiu e deu aos discípulos, e estes distribuíram ao povo. 37Todos comeram e se fartaram; e, dos pedaços que sobraram, recolheram sete cestos cheios. 38Ora, os que comeram eram quatro mil homens, além de mulheres e crianças. 39E, tendo despedido as multidões, Jesus entrou no barco e foi para o território de Magadã.