Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
6

Jesus é senhor do sábado

Mt 12.1-8; Mc 2.23-28

61Aconteceu que, num sábado, Jesus passava pelas searas,6.1 Plantações de cereais e os seus discípulos colhiam e comiam espigas,

6.1
Dt 23.25
debulhando-as com as mãos. 2E alguns dos fariseus lhes disseram:

— Por que vocês fazem o que não é lícito aos sábados?

3Jesus tomou a palavra e disse:

— Vocês nem ao menos leram o que Davi fez

6.3
1Sm 21.1-6
quando teve fome, ele e os seus companheiros? 4Como entrou na casa de Deus e, pegando os pães da proposição, comeu e deu também aos que estavam com ele, pães que não lhes era lícito comer, mas exclusivamente aos sacerdotes?
6.4
Lv 24.9

5Então Jesus lhes disse:

— O Filho do Homem é senhor do sábado.

O homem da mão ressequida

Mt 12.9-14; Mc 3.1-6

6Aconteceu que, em outro sábado, Jesus entrou na sinagoga e começou a ensinar. Estava ali um homem que tinha a mão direita ressequida. 7Os escribas e os fariseus observavam Jesus, procurando ver se ele faria uma cura no sábado, a fim de acharem de que o acusar. 8Mas Jesus, conhecendo os pensamentos deles,

6.8
Lc 5.22
disse ao homem da mão ressequida:

— Levante-se e venha para o meio.

E ele, levantando-se, ficou em pé. 9Então Jesus disse a eles:

— Vou fazer uma pergunta a vocês: é lícito no sábado fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixar que se perca?

10Então Jesus, olhando para todos que estavam ao seu redor, disse ao homem:

— Estenda a mão!

Ele assim o fez, e a mão lhe foi restaurada. 11Mas eles se encheram de furor e discutiam entre si quanto ao que fariam contra Jesus.

Os doze apóstolos

Mt 10.1-4; Mc 3.13-19

12Naqueles dias, Jesus se retirou para o monte, a fim de orar, e passou a noite orando a Deus.

6.12
Lc 3.21
5.16
9.18
13E, quando amanheceu, chamou a si os seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu também o nome de apóstolos:
6.13
At 1.13
14Simão, a quem acrescentou o nome de Pedro, e André, seu irmão; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu; 15Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelote; 16Judas, filho de Tiago, e Judas Iscariotes, que se tornou traidor.

Jesus ensina e cura muitas pessoas

Mt 4.23-25

17E, descendo com eles do monte, Jesus parou num lugar plano onde se encontravam muitos discípulos seus e grande multidão do povo, de toda a Judeia, de Jerusalém e do litoral de Tiro e de Sidom, 18que vieram para o ouvir e para ser curados de suas doenças. Também os atormentados por espíritos imundos eram curados. 19E todos da multidão procuravam tocar em Jesus, porque dele saía poder; e curava todos.

As bem-aventuranças e os ais

Mt 5.1-12

20Então, olhando para os seus discípulos, Jesus lhes disse:

— Bem-aventurados são vocês,

os pobres,

porque o Reino de Deus

é de vocês.

6.20
Lc 12.32

21— Bem-aventurados são vocês

que agora têm fome,

porque serão saciados.

— Bem-aventurados são vocês

que agora choram,

porque vocês hão de rir.

22— Bem-aventurados

6.22
1Pe 4.14
são vocês quando as pessoas os odiarem, expulsarem da sua companhia, insultarem e rejeitarem o nome de vocês como indigno, por causa do Filho do Homem. 23Alegrem-se naquele dia e exultem, porque grande é a recompensa de vocês no céu; porque os pais dessas pessoas fizeram o mesmo com os profetas.
6.23
2Cr 36.16
At 7.52

24— Mas ai de vocês, os ricos,

6.24
Tg 5.1

porque vocês já receberam

a consolação!

25— Ai de vocês

que agora estão fartos,

porque vocês vão passar fome!

— Ai de vocês

que agora estão rindo,

porque vocês vão lamentar

e chorar!

6.25
Tg 4.9

26— Ai de vocês, quando todos os elogiarem, porque os pais dessas pessoas fizeram o mesmo com os falsos profetas!

6.26
Jr 5.31

O amor aos inimigos

Mt 5.38-48

27— Digo, porém, a vocês que me ouvem: amem os seus inimigos, façam o bem aos que odeiam vocês. 28Abençoem aqueles que os amaldiçoam, orem pelos que maltratam vocês. 29Ao que lhe bate numa face, ofereça também a outra; e, ao que lhe tirar a capa, deixe que leve também a túnica.6.29 Peça de roupa, parecida com uma camisola, que se usava por cima da pele e por baixo da capa 30Dê a todo o que lhe pedir alguma coisa; e, se alguém levar o que é seu, não exija que seja devolvido. 31Façam aos outros o mesmo que vocês querem

6.31
Mt 7.12
que eles façam a vocês.

32— Se vocês amam aqueles que os amam, que recompensa terão? Porque até os pecadores amam aqueles que os amam. 33Se fizerem o bem aos que lhes fazem o bem, que recompensa terão? Até os pecadores fazem isso. 34E, se emprestam àqueles de quem esperam receber, que recompensa terão? Também os pecadores emprestam aos pecadores, para receberem outro tanto. 35Vocês, porém, amem os seus inimigos, façam o bem e emprestem, sem esperar nada em troca; vocês terão uma grande recompensa e serão filhos do Altíssimo. Pois ele é bondoso até para os ingratos e maus. 36Sejam misericordiosos, como também é misericordioso o Pai de vocês.

O hábito de julgar os outros

Mt 7.1-5

37— Não julguem e vocês não serão julgados; não condenem e vocês não serão condenados; perdoem e serão perdoados; 38deem e lhes será dado; boa medida, prensada, sacudida e transbordante será dada a vocês; porque com a medida com que tiverem medido vocês serão medidos também.

39Jesus lhes contou também uma parábola:

— Será que um cego pode guiar outro cego? Não é fato que ambos cairão num buraco?

6.39
Mt 15.14

40— O discípulo

6.40
Mt 10.24
Jo 13.16
15.20
não está acima do seu mestre; todo aquele, porém, que for bem-instruído será como o seu mestre.

41— Por que você vê o cisco no olho do seu irmão, mas não repara na trave que está no seu próprio olho? 42Como você poderá dizer a seu irmão: “Deixe, irmão, que eu tire o cisco que está no seu olho”, se você não repara na trave que está no seu próprio olho? Hipócrita! Tire primeiro a trave do seu olho e então você verá claramente para tirar o cisco que está no olho do seu irmão.

6.41-42
Mt 7.3-5

As árvores e os seus frutos

Mt 7.17-20; 12.33-35

43— Não há árvore boa que dê mau fruto, nem árvore má que dê bom fruto. 44Porque cada árvore é conhecida pelos frutos que produz. Porque não se colhem figos de ervas daninhas, nem se apanham uvas dos espinheiros. 45A pessoa boa tira o bem do bom tesouro do coração, e a pessoa má tira o mal do mau tesouro; porque a boca fala do que está cheio o coração.

6.45
Pv 4.23
Ef 4.29

Os dois fundamentos

Mt 7.24-27

46— Por que vocês me chamam “Senhor, Senhor!”, e não fazem o que eu mando? 47Eu vou mostrar a vocês a quem é semelhante todo aquele que vem a mim, ouve as minhas palavras e as pratica.

6.47
Tg 1.22
48Esse é semelhante a um homem que, ao construir uma casa, cavou, abriu profunda vala e lançou o alicerce sobre a rocha. Quando veio a enchente, as águas bateram contra aquela casa e não a puderam abalar, por ter sido bem-construída. 49Mas o que ouve e não pratica é semelhante a um homem que construiu uma casa sobre a terra, sem alicerces, e, quando as águas bateram contra ela, logo desabou; e aconteceu que foi grande a ruína daquela casa.

7

A cura do servo de um centurião

Mt 8.5-13

71Tendo Jesus concluído todas as suas palavras dirigidas ao povo, entrou em Cafarnaum. 2E o servo de um centurião, a quem este muito estimava, estava doente, quase à morte. 3Quando o centurião ouviu falar a respeito de Jesus, enviou-lhe alguns anciãos dos judeus, pedindo-lhe que viesse curar o seu servo. 4Estes, aproximando-se de Jesus, lhe pediram com insistência:

— Ele merece a sua ajuda, 5porque é amigo do nosso povo, e ele mesmo construiu a nossa sinagoga.

6Então Jesus foi com eles. Quando Jesus já estava perto da casa, o centurião enviou-lhe alguns amigos, dizendo:

— Senhor, não se incomode, porque não sou digno de recebê-lo em minha casa. 7Por isso, não me julguei digno de ir falar pessoalmente com o senhor; porém diga uma palavra, e o meu servo será curado. 8Porque também eu sou homem sujeito à autoridade, tenho soldados às minhas ordens e digo a este: “Vá”, e ele vai; e a outro: “Venha”, e ele vem; e ao meu servo: “Faça isto”, e ele o faz.

9Ao ouvir estas palavras, Jesus ficou admirado com aquele homem e, voltando-se para o povo que o acompanhava, disse:

— Eu lhes digo que nem mesmo em Israel encontrei fé como esta.

10E, quando os que tinham sido enviados voltaram para casa, encontraram o servo curado.

7.1-10
Jo 4.43-54

A ressurreição do filho de uma viúva

11Pouco depois, Jesus foi para uma cidade chamada Naim, e os seus discípulos e numerosa multidão iam com ele. 12Ao aproximar-se do portão da cidade, eis que saía o enterro do filho único de uma viúva; e grande multidão da cidade ia com ela. 13Ao vê-la, o Senhor se compadeceu dela e lhe disse:

— Não chore!

14Chegando-se, tocou no caixão e os que o estavam carregando pararam. Então Jesus disse:

— Jovem, eu ordeno a você: levante-se!

15O que estava morto sentou-se e passou a falar; e Jesus o restituiu à sua mãe.

7.15
1Rs 17.23
16Todos ficaram possuídos de temor e glorificavam a Deus, dizendo:

— Grande profeta se levantou entre nós. Deus visitou o seu povo.

7.16
Lc 1.68

17Esta notícia a respeito de Jesus se espalhou por toda a Judeia e por toda aquela região.

Os mensageiros de João Batista

Mt 11.2-19

18Todas estas coisas foram relatadas a João pelos seus discípulos. E João, chamando dois deles, 19enviou-os ao Senhor para perguntar:

— Você é aquele que estava para vir ou devemos esperar outro?

20Quando os homens chegaram a Jesus, disseram:

— João Batista nos enviou para perguntar: O senhor é aquele que estava para vir ou devemos esperar outro?

21Naquela mesma hora, Jesus curou muitas pessoas de doenças, de sofrimentos e de espíritos malignos; e deu vista a muitos cegos. 22Então Jesus lhes respondeu:

— Voltem e anunciem a João o que vocês viram e ouviram: os cegos veem,

7.22
Is 35.5-6
os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados e aos pobres
7.22
Is 61.1
está sendo pregado o evangelho. 23E bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço.

24Quando os mensageiros de João se retiraram, Jesus começou a dizer ao povo a respeito de João:

— O que vocês foram ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? 25O que vocês foram ver? Um homem vestido de roupas finas? Os que se vestem bem e vivem no luxo moram nos palácios reais. 26Sim, o que foram ver? Um profeta?

7.26
Lc 1.76
Sim, eu lhes digo, e muito mais do que um profeta. 27Este é aquele de quem está escrito: “Eis que envio adiante de você o meu mensageiro, o qual preparará o caminho diante de você.”
7.27
Ml 3.1

28— E eu lhes digo: entre os nascidos de mulher, ninguém é maior do que João;

7.28
Lc 1.15
mas o menor no Reino de Deus é maior do que ele.

29Todo o povo que o ouviu e até os publicanos reconheceram a justiça de Deus, tendo sido batizados com o batismo de João; 30mas os fariseus e os intérpretes da Lei rejeitaram, quanto a si mesmos, o plano de Deus, não tendo sido batizados por ele.

7.29-30
Mt 21.32
Lc 3.12

31E Jesus continuou:

— A que, pois, compararei as pessoas desta geração? A que são semelhantes? 32São semelhantes a meninos que, sentados na praça, gritam uns para os outros:

“Nós tocamos flauta,

mas vocês não dançaram;

entoamos lamentações,

mas vocês não choraram.”

33— Pois veio João Batista, não comendo pão nem bebendo vinho,

7.33
Mt 3.4
e vocês dizem: “Ele tem demônio!” 34Veio o Filho do Homem, comendo e bebendo, e vocês dizem: “Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores!” 35Mas a sabedoria é justificada por todos os seus filhos.

A pecadora que ungiu os pés de Jesus

36Um dos fariseus convidou Jesus para que fosse jantar com ele. Jesus, entrando na casa do fariseu, tomou lugar à mesa. 37E eis que uma mulher da cidade, pecadora, sabendo que ele estava jantando na casa do fariseu, foi até lá com um frasco feito de alabastro cheio de perfume. 38E, estando por detrás, aos pés de Jesus, chorando, molhava-os com as suas lágrimas e os enxugava com os próprios cabelos. Ela beijava os pés de Jesus e os ungia com o perfume. 39Ao ver isto, o fariseu que o havia convidado disse consigo mesmo:

— Se este fosse profeta, bem saberia quem e que tipo de mulher é esta que está tocando nele, porque é uma pecadora.

40Jesus se dirigiu ao fariseu e lhe disse:

— Simão, tenho uma coisa para lhe dizer.

Ele respondeu:

— Diga, Mestre.

41Jesus continuou:

— Certo credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentos denários,7.41 Moeda romana de prata, que era o pagamento por um dia de trabalho e o outro devia cinquenta. 42E, como eles não tinham com que pagar, o credor perdoou a dívida de ambos. Qual deles, portanto, o amará mais?

43Simão respondeu:

— Penso que é aquele a quem mais perdoou.

Jesus disse:

— Você julgou bem.

44E, voltando-se para a mulher, Jesus disse a Simão:

— Você está vendo esta mulher? Quando entrei aqui em sua casa, você não me ofereceu água para lavar os pés; esta, porém, molhou os meus pés com lágrimas e os enxugou com os seus cabelos. 45Você não me recebeu com um beijo na face; ela, porém, desde que entrei, não deixou de me beijar os pés. 46Você não ungiu a minha cabeça com óleo, mas esta, com perfume, ungiu os meus pés. 47Por isso, afirmo a você que os muitos pecados dela foram perdoados, porque ela muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama.

48Então Jesus disse à mulher:

— Os seus pecados estão perdoados.

49Os que estavam com ele à mesa começaram a dizer entre si:

— Quem é este que até perdoa pecados?

7.49
Lc 5.21

50Mas Jesus disse à mulher:

— A sua fé salvou você; vá em paz.

8

As mulheres que seguiam Jesus

81Aconteceu, depois disso, que Jesus andava de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do Reino de Deus. Iam com ele os doze discípulos, 2e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios; 3Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes; Suzana e muitas outras, as quais, com os seus bens, ajudavam Jesus e os seus discípulos.

A parábola do semeador

Mt 13.1-9; Mc 4.1-9

4Quando uma grande multidão se reuniu e pessoas de todas as cidades vieram até Jesus, ele disse por parábola:

5— Um semeador saiu a semear. E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho, foi pisada, e as aves do céu a comeram. 6Outra parte caiu sobre a pedra e, tendo crescido, secou por falta de umidade. 7Outra caiu no meio dos espinhos; e os espinhos, ao crescerem com ela, a sufocaram. 8Outra, enfim, caiu em boa terra; cresceu e produziu a cem por um.

8.8
Is 55.11

Dizendo isto, Jesus clamou:

— Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

Por que Jesus usava parábolas

Mt 13.10-17; Mc 4.10-12

9Então os discípulos de Jesus lhe perguntaram o que significava essa parábola. 10Jesus respondeu:

— A vocês é dado conhecer os mistérios do Reino de Deus, mas aos demais fala-se por parábolas, para que, vendo, não vejam

8.10
Is 6.9-10
e, ouvindo, não entendam.

A explicação da parábola

Mt 13.18-23; Mc 4.13-20

11— Este é o significado da parábola: a semente é a palavra de Deus. 12Os que estão à beira do caminho são os que a ouviram; depois vem o diabo e tira-lhes a palavra do coração, para não acontecer que, crendo, sejam salvos. 13Os que estão sobre a pedra são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria. Estes não têm raiz, creem apenas por algum tempo e, na hora da provação, se desviam. 14A parte que caiu entre espinhos, estes são os que ouviram e, no decorrer dos dias, foram sufocados com as preocupações, as riquezas e os prazeres desta vida; os seus frutos não chegam a amadurecer. 15A parte que caiu na terra boa, estes são os que, tendo ouvido de bom e reto coração, retêm a palavra; estes frutificam com perseverança.

A luz

Mc 4.21-25

16— Ninguém, depois de acender

8.16
Mt 5.15
Lc 11.33
uma lamparina, a cobre com um vaso ou a põe debaixo de uma cama; pelo contrário, coloca-a num lugar em que ilumina bem, a fim de que os que entram vejam a luz. 17Não há nada oculto
8.17
Mt 10.26
Lc 12.2
que não venha a ser manifesto, nem escondido que não venha a ser conhecido e revelado. 18Portanto, vejam como vocês ouvem. Porque ao que tiver, mais será dado;
8.18
Mt 25.29
Lc 19.26
e ao que não tiver, até aquilo que julga ter lhe será tirado.

A mãe e os irmãos de Jesus

Mt 12.46-50; Mc 3.31-35

19A mãe e os irmãos de Jesus chegaram até onde ele estava, mas não podiam aproximar-se por causa da multidão. 20E lhe comunicaram:

— A sua mãe e os seus irmãos estão lá fora e querem vê-lo.

21Jesus, porém, lhes respondeu:

— Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a praticam.

Jesus acalma uma tempestade

Mt 8.23-27; Mc 4.35-41

22Aconteceu que, num daqueles dias, Jesus entrou num barco em companhia dos seus discípulos e lhes disse:

— Vamos passar para a outra margem do lago.

E partiram. 23Enquanto navegavam, ele adormeceu. E sobreveio uma tempestade de vento no lago, e eles corriam perigo. 24Chegando-se a Jesus, os discípulos o despertaram, dizendo:

— Mestre, Mestre, estamos perecendo!

Levantando-se, Jesus repreendeu o vento e a fúria da água. Tudo cessou e ficou bem calmo.

8.24
Sl 65.7
89.9
25Então Jesus lhes perguntou:

— Vocês não têm fé?

Eles, possuídos de temor e admiração, diziam uns aos outros:

— Quem é este que até manda nos ventos e nas ondas, e lhe obedecem?

A cura do endemoniado geraseno

Mt 8.28-34; Mc 5.1-20

26Então rumaram para a terra dos gerasenos, que fica de frente para a Galileia. 27Logo que Jesus desembarcou, veio da cidade ao seu encontro um homem possuído de demônios que, havia muito, não se vestia, nem habitava em casa alguma, porém vivia nos túmulos. 28Quando ele viu Jesus, prostrou-se diante dele, dizendo com voz forte:

— O que você quer comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Peço-lhe que não me atormente.

29Porque Jesus havia ordenado ao espírito imundo que saísse do homem, pois muitas vezes se havia apoderado dele. E, embora procurassem conservá-lo preso com cadeias e correntes, despedaçava tudo e era impelido pelo demônio para o deserto. 30Jesus perguntou a ele:

— Qual é o seu nome?

Ele respondeu:

— Legião.

Isto porque muitos demônios tinham entrado nele. 31Estes pediram a Jesus que não os mandasse para o abismo. 32Ora, uma grande manada de porcos estava pastando ali no monte. E os demônios pediram a Jesus que os deixasse entrar naqueles porcos. E Jesus o permitiu. 33Tendo os demônios saído do homem, entraram nos porcos, e a manada precipitou-se despenhadeiro abaixo, para dentro do lago, e se afogou. 34Vendo o que tinha acontecido, os que tratavam dos porcos fugiram e foram anunciá-lo na cidade e pelos campos.

35Então o povo saiu para ver o que tinha acontecido. Aproximando-se de Jesus, encontraram o homem de quem tinham saído os demônios, vestido, em perfeito juízo, sentado aos pés de Jesus; e temeram. 36E algumas pessoas que tinham presenciado os fatos contaram-lhes também como o endemoniado tinha sido salvo. 37Todo o povo da terra dos gerasenos pediu a Jesus que se retirasse, pois ficaram com muito medo. E Jesus, entrando de novo no barco, voltou. 38O homem de quem tinham saído os demônios lhe pediu que o deixasse estar com ele. Jesus, porém, o despediu, dizendo:

39— Volte para a sua casa e conte tudo o que Deus fez por você.

Então ele foi, proclamando por toda a cidade o que Jesus lhe tinha feito.

O pedido de Jairo

Mt 9.18-19; Mc 5.21-24a

40Quando Jesus voltou, a multidão o recebeu com alegria, porque todos o estavam esperando. 41Eis que veio um homem chamado Jairo, que era chefe da sinagoga, e, prostrando-se aos pés de Jesus, suplicou-lhe que fosse até a sua casa. 42Pois tinha uma filha única de uns doze anos, que estava morrendo.

A cura de uma mulher enferma

Mt 9.20-22; Mc 5.24b-34

Enquanto Jesus caminhava, as multidões o apertavam. 43Certa mulher que, havia doze anos, vinha sofrendo de uma hemorragia

8.43
Lv 15.25
e que havia gastado todos os seus bens com os médicos, sem que ninguém a pudesse curar, 44veio por trás de Jesus e tocou na borda da capa dele. E logo a hemorragia dela estancou. 45Mas Jesus perguntou:

— Quem me tocou?

Como todos negassem, Pedro disse:

— Mestre, é a multidão que o rodeia e aperta!

46Mas Jesus insistiu:

— Alguém me tocou, porque senti que de mim saiu poder.

8.46
Lc 6.19

47A mulher, vendo que não podia passar despercebida, aproximou-se trêmula e, prostrando-se diante de Jesus, declarou, à vista de todo o povo, o motivo por que havia tocado nele e como imediatamente tinha sido curada. 48Então Jesus lhe disse:

— Filha, a sua fé salvou você. Vá em paz.

A ressurreição da filha de Jairo

Mt 9.23-26; Mc 5.35-43

49Enquanto Jesus ainda falava, veio uma pessoa da casa do chefe da sinagoga, dizendo:

— A sua filha já morreu; não incomode mais o Mestre.

50Mas Jesus, ouvindo isto, lhe disse:

— Não tenha medo; apenas creia, e ela será salva.

51Tendo chegado à casa, Jesus não permitiu que ninguém entrasse com ele, a não ser Pedro, João e Tiago, além do pai e da mãe da menina. 52E todos choravam e a pranteavam. Mas Jesus disse:

— Não chorem; ela não está morta, mas dorme.

53E riam-se dele, porque sabiam que ela estava morta. 54Mas Jesus, tomando-a pela mão, disse em voz alta:

— Menina, levante-se!

8.54
Lc 7.14

55Voltou-lhe o espírito, ela imediatamente se levantou, e Jesus mandou que lhe dessem de comer. 56Seus pais ficaram maravilhados, mas ele lhes advertiu que a ninguém contassem o que havia acontecido.