Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
14

A cura de um hidrópico

141Num sábado, ao entrar Jesus na casa de um dos principais fariseus para tomar uma refeição, eles o estavam observando. 2E eis que diante dele se achava um homem hidrópico. 3Então Jesus, dirigindo-se aos intérpretes da Lei e aos fariseus, perguntou:

— É ou não é lícito curar no sábado?

14.3
Lc 6.9
13.14

4Eles, porém, não disseram nada. Então Jesus pegou na mão daquele homem, curou-o e o mandou embora. 5A seguir, Jesus lhes perguntou:

— Quem de vocês, se o filho ou o boi cair num poço, não irá tirá-lo imediatamente, mesmo em dia de sábado?

14.5
Mt 12.11

6A isto nada puderam responder.

Os primeiros lugares

7Reparando como os convidados escolhiam os primeiros lugares, Jesus contou-lhes uma parábola:

8— Quando alguém convidá-lo para um casamento, não sente no lugar de honra, pois pode haver um convidado mais importante do que você. 9Então aquele que convidou os dois dirá a você: “Dê o lugar a este aqui.” Então você irá, envergonhado, ocupar o último lugar. 10Pelo contrário, quando alguém convidá-lo, vá sentar no último lugar, para que, quando vier aquele que o convidou, diga a você: “Amigo, venha sentar num lugar melhor.” Isso será uma honra para você diante de todos os demais convidados.

14.8-10
Pv 25.6-7
11Porque todo o que se exalta será humilhado;
14.11
Mt 23.12
Lc 18.14
e o que se humilha será exaltado.

12Depois Jesus disse ao que o havia convidado:

— Quando você der um jantar ou uma ceia, não convide os seus amigos, nem os seus irmãos, nem os seus parentes, nem os vizinhos ricos; para não acontecer que eles retribuam o convite e você seja recompensado. 13Pelo contrário, ao dar um banquete, convide os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos, 14e você será bem-aventurado, pelo fato de não terem eles com que recompensá-lo.

14.14
Lc 6.32
A sua recompensa você receberá na ressurreição dos justos.

A parábola da grande ceia

Mt 22.1-10

15Ao ouvir tais palavras, um dos que estavam à mesa com Jesus lhe disse:

— Bem-aventurado aquele que participar do banquete no Reino de Deus.

16Jesus, porém, respondeu:

— Certo homem deu uma grande ceia e convidou muitos. 17À hora da ceia, enviou o seu servo para avisar aos convidados: “Venham, porque tudo já está preparado.” 18Mas todos eles, um por um, começaram a apresentar desculpas. O primeiro disse: “Comprei um campo e preciso ir vê-lo; peço que me desculpe.” 19Outro disse: “Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las; peço que me desculpe.” 20E outro disse: “Casei-me e, por isso, não posso ir.”

14.20
Dt 24.5

21— O servo voltou e contou tudo ao seu senhor. Então, irado, o dono da casa disse ao seu servo: “Saia depressa para as ruas e becos da cidade e traga para cá os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos.” 22Mais tarde, o servo lhe disse: “Patrão, já fiz o que o senhor mandou, e ainda há lugar.” 23Então o senhor disse ao servo: “Saia pelos caminhos e atalhos e obrigue todos a entrar, para que a minha casa fique cheia. 24Porque digo a vocês que nenhum daqueles homens que foram convidados provará a minha ceia.”

As condições para ser seguidor de Jesus

Mt 10.37-38

25Grandes multidões acompanhavam Jesus, e ele, voltando-se, lhes disse:

26— Se alguém vem a mim e não me ama mais do que ama o seu pai, a sua mãe,

14.26
Mt 10.37
a sua mulher, os seus filhos, os seus irmãos, as suas irmãs e até a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. 27E quem não tomar a sua cruz
14.27
Mt 10.38
16.24
Mc 8.34
Lc 9.23
e vier após mim não pode ser meu discípulo. 28Pois qual de vocês, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir? 29Para não acontecer que, tendo lançado os alicerces e não podendo terminar a construção, todos os que a virem zombem dele, 30dizendo: “Este homem começou a construir e não pôde acabar.” 31Ou qual é o rei que, indo para combater outro rei, não se assenta primeiro para calcular se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil?
14.31
Pv 20.18
24.6
32Caso contrário, estando o outro ainda longe, envia-lhe uma embaixada, pedindo condições de paz. 33Assim, pois, qualquer um de vocês que não renuncia a tudo o que tem não pode ser meu discípulo.

Sal insípido

Mt 5.13; Mc 9.50

34— O sal é certamente bom; mas, se o sal se tornar insípido, como lhe restaurar o sabor? 35Não presta mais nem para a terra nem para o monte de estrume; lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

15

A parábola da ovelha perdida

Mt 18.12-14

151Aproximavam-se de Jesus todos os publicanos e pecadores para o ouvir. 2Os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo:

— Este recebe pecadores e come com eles.

15.1-2
Lc 5.29-30

3Então Jesus lhes contou esta parábola:

4— Qual de vocês é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la? 5E, quando a encontra, põe-na sobre os ombros, cheio de alegria. 6E, indo para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: “Alegrem-se comigo, porque já achei a minha ovelha perdida.” 7Digo a vocês que, assim, haverá mais alegria no céu por um pecador que se arrepende

15.7
Lc 5.32
do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.

A parábola da dracma perdida

8— Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas,15.8 Moeda grega de prata, que era o pagamento por um dia de trabalho se perder uma delas, não acende a lamparina, varre a casa e a procura com muito empenho até encontrá-la? 9E, quando a encontra, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: “Alegrem-se comigo, porque achei a dracma que eu tinha perdido.” 10Eu afirmo a vocês que a mesma alegria existe diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende.

A parábola do filho perdido

11Jesus continuou:

— Certo homem tinha dois filhos.

15.11
Mt 21.28
12O mais moço deles disse ao pai: “Pai, quero que o senhor me dê a parte dos bens que me cabe.” E o pai repartiu os bens entre eles.

13— Passados não muitos dias, o filho mais moço, ajuntando tudo o que era seu, partiu para uma terra distante e lá desperdiçou todos os seus bens, vivendo de forma desenfreada.

14— Depois de ter consumido tudo, sobreveio àquele país uma grande fome, e ele começou a passar necessidade. 15Então foi pedir trabalho a um dos cidadãos daquela terra, e este o mandou para os seus campos a fim de cuidar dos porcos.

15.15
Lv 11.7
16Ali, ele desejava alimentar-se das alfarrobas15.16 Vagem de uma árvore que os porcos comiam, mas ninguém lhe dava nada. 17Então, caindo em si, disse: “Quantos trabalhadores de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui estou morrendo de fome! 18Vou me arrumar, voltar para o meu pai e lhe dizer: ‘Pai, pequei contra Deus e diante do senhor; 19já não sou digno de ser chamado de seu filho; trate-me como um dos seus trabalhadores.’” 20E, arrumando-se, foi para o seu pai.

— Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou e, compadecido dele, correndo, o abraçou e beijou. 21E o filho lhe disse: “Pai, pequei contra Deus e diante do senhor; já não sou digno de ser chamado de seu filho.” 22O pai, porém, disse aos servos: “Tragam depressa a melhor roupa e vistam nele. Ponham um anel no dedo dele e sandálias nos pés. 23Tragam e matem o bezerro gordo. Vamos comer e festejar, 24porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado.” E começaram a festejar.

25— Ora, o filho mais velho estava no campo. Quando voltava, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. 26Chamou um dos empregados e perguntou o que era aquilo. 27E ele informou: “O seu irmão voltou e, por tê-lo recuperado com saúde, o seu pai mandou matar o bezerro gordo.”

28— O filho mais velho se indignou e não queria entrar. Saindo, porém, o pai, procurava convencê-lo a entrar. 29Mas ele respondeu ao seu pai: “Faz tantos anos que sirvo o senhor e nunca transgredi um mandamento seu. Mas o senhor nunca me deu um cabrito sequer para fazer uma festa com os meus amigos. 30Mas, quando veio esse seu filho, que sumiu com os bens do senhor, gastando tudo com prostitutas, o senhor mandou matar o bezerro gordo para ele!”

31— Então o pai respondeu: “Meu filho, você está sempre comigo; tudo o que eu tenho é seu. 32Mas era preciso festejar e alegrar-se, porque este seu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado.”

16

A parábola do administrador infiel

161Jesus disse também aos seus discípulos:

— Certo homem rico tinha um administrador. Um dia, ele recebeu uma denúncia de que esse administrador estava desperdiçando os bens dele.

16.1
Lc 15.13
2Então, chamando-o, lhe disse: “Que é isto que ouço a seu respeito? Preste contas da sua administração, porque você não pode mais ser o meu administrador.”

3— O administrador, então, se pôs a pensar: “Que farei,

16.3
Lc 12.17
agora que estou sendo demitido pelo meu patrão? Trabalhar na terra, não posso. De mendigar, tenho vergonha. 4Já sei o que vou fazer, para que, quando for demitido, as pessoas me recebam em suas casas.”

5— Tendo chamado cada um dos devedores do seu patrão, perguntou ao primeiro: “Quanto você deve ao meu patrão?” 6Ele respondeu: “Cem barris de azeite.” Então o administrador disse: “Pegue a sua conta, sente-se depressa e escreva cinquenta.” 7Depois, perguntou a outro: “E você, quanto deve?” Ele respondeu: “Cem sacos de trigo.” O administrador lhe disse: “Pegue a sua conta e escreva oitenta.” 8E o patrão elogiou o administrador infiel por sua esperteza. Porque os filhos do mundo são mais espertos na sua própria geração do que os filhos da luz.

9— E eu recomendo a vocês: usem a riqueza injusta para fazer amigos, para que, quando a riqueza faltar, vocês sejam recebidos nos tabernáculos eternos.

10— Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco também é injusto no muito. 11Portanto, se vocês não forem fiéis na aplicação da riqueza injusta, quem lhes confiará a verdadeira riqueza? 12Se vocês não são fiéis na aplicação do que é dos outros, quem lhes dará o que é de vocês? 13Nenhum servo pode servir

16.13
Mt 6.24
a dois senhores; porque irá odiar um e amar o outro ou irá se dedicar a um e desprezar o outro. Vocês não podem servir a Deus e à riqueza.

A Lei e o Reino de Deus

Mt 11.12-13

14Os fariseus, que eram avarentos, ouviam tudo isto e zombavam de Jesus. 15Mas Jesus lhes disse:

— Vocês são os que se justificam diante dos homens, mas Deus conhece o coração de vocês;

16.15
1Sm 16.7
Pv 21.2
pois aquilo que é elevado entre homens é abominação diante de Deus.

16— A Lei e os Profetas duraram até João; desde esse tempo o evangelho do Reino de Deus vem sendo anunciado, e todos se esforçam para entrar nele. 17E é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til sequer da Lei.

16.17
Mt 5.18

A respeito do divórcio

Mt 5.31-32; 19.9; Mc 10.10-12

18— Quem repudiar a sua mulher

16.18
Mt 5.32
1Co 7.10-11
e casar com outra comete adultério; e aquele que casa com a mulher repudiada pelo marido também comete adultério.

O rico e o mendigo

19— Ora, havia certo homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo e que se alegrava todos os dias com grande ostentação. 20Havia também certo mendigo, chamado Lázaro, coberto de feridas, que ficava deitado à porta da casa do rico. 21Ele desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico,

16.21
Mt 15.27
e até os cães vinham lamber-lhe as feridas. 22E aconteceu que o mendigo morreu e foi levado pelos anjos para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado.

23— No inferno, estando em tormentos, o rico levantou os olhos e viu ao longe Abraão, e Lázaro junto dele. 24Então, gritando, disse: “Pai Abraão, tenha misericórdia de mim! E mande que Lázaro molhe a ponta do dedo em água e me refresque a língua, porque estou atormentado neste fogo.”

16.24
Mt 25.41
25Mas Abraão disse: “Filho, lembre-se de que você recebeu os seus bens durante a sua vida,
16.25
Lc 6.24
enquanto Lázaro só teve males. Agora, porém, ele está consolado aqui, enquanto você está em tormentos. 26E, além de tudo, há um grande abismo entre nós e vocês, de modo que os que querem passar daqui até vocês não podem, nem os de lá passar para cá.” 27Então o rico disse: “Pai, eu peço que mande Lázaro à minha casa paterna, 28porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham também para este lugar de tormento.” 29Abraão respondeu: “Eles têm Moisés e os Profetas;
16.29
Lc 16.16
ouçam-nos.” 30Mas ele insistiu: “Não, pai Abraão; se alguém dentre os mortos for até lá, eles irão se arrepender.” 31Abraão, porém, lhe respondeu: “Se não ouvem Moisés e os Profetas, também não se deixarão convencer, mesmo que ressuscite alguém dentre os mortos.”