Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
7

A vida é uma luta sem fim

71“Não é verdade que a vida

do ser humano neste mundo

é uma luta sem fim?

Não são os seus dias como

os de um trabalhador diarista?

2Como o escravo

que suspira pela sombra

e como o trabalhador

que espera pelo seu salário,

3assim me deram por herança

meses de desengano

e me proporcionaram

noites de aflição.

4Ao deitar-me, pergunto:

quando me levantarei?

Mas a noite é longa,

e estou farto de me virar na cama,

até o amanhecer.

5O meu corpo está

vestido de vermes

e de crostas terrosas;

a minha pele racha

e de novo forma pus.

6Os meus dias são mais velozes

do que a lançadeira do tecelão

e se findam sem esperança.

7Lembra-te, ó Deus, de que

a minha vida é um sopro;

os meus olhos não tornarão

a ver a felicidade.

8Os olhos de quem agora me vê

não me verão mais;

os teus olhos me procurarão,

mas já terei desaparecido.”

Deixa-me em paz

9“Assim como a nuvem

se desfaz e passa,

aquele que desce à sepultura

jamais voltará a subir.

10Nunca mais voltará

para a sua casa,

e o lugar onde mora

nunca mais o conhecerá.

11Por isso, não reprimirei

a minha boca.

Na angústia do meu espírito,

falarei;

na amargura da minha alma,

eu me queixarei.

12Será que eu sou o mar

ou algum monstro marinho,

para que me ponhas sob guarda?

13Quando digo:

‘O meu leito me consolará,

a minha cama

aliviará a minha queixa’,

14então me assustas com sonhos

e me atemorizas com visões.

15Por isso, prefiro

ser estrangulado;

antes a morte do que esta tortura.

16Estou farto da minha vida;

não quero viver para sempre.

Deixa-me em paz,

porque os meus dias

são um sopro.”

Que é o homem?

17“Que é o homem,

7.17
Sl 8.4
144.3

para que tu lhe dês

tanta importância,

para que dês a ele atenção,

18para que a cada manhã o visites,

e que a cada momento

o ponhas à prova?

19Até quando não desviarás

de mim o teu olhar?

Até quando não me darás tempo

de engolir a minha saliva?

20Se pequei, que mal fiz a ti,

ó Espreitador da humanidade?

Por que fizeste de mim o teu alvo,

tornando-me um peso

para mim mesmo?

21Por que não perdoas

a minha transgressão

e não tiras a minha iniquidade?

Pois agora me deitarei no pó;

e, se me procuras,

já terei desaparecido.”

8

Primeira fala de Bildade

Cap. 8

Busque a Deus

81Então Bildade, o suíta, tomou a palavra e disse:

2“Até quando você falará

estas coisas?

E até quando as palavras

da sua boca serão

como um vento impetuoso?

3Será que Deus

perverteria o direito?

Será que o Todo-Poderoso

perverteria a justiça?

4Se os seus filhos

pecaram contra ele,

também ele os entregou ao poder

da transgressão que cometeram.

5Mas, se você buscar a Deus

e pedir misericórdia

ao Todo-Poderoso,

6se você for puro e reto,

ele, sem demora,

despertará para ajudá-lo

e restaurará a justiça

da sua morada.

7O seu primeiro estado

parecerá pequeno

comparado com a grandeza

do seu último estado.”

A esperança dos ímpios perecerá

8“Por favor, pergunte agora

aos que são

de gerações passadas

e atente para a experiência

dos pais deles.

9Porque nós somos de ontem

e nada sabemos;

pois os nossos dias sobre a terra

são como a sombra.

10Será que os pais

não o ensinarão,

falando com você?

Será que do próprio entendimento

não proferirão estas palavras?

11‘Pode o papiro crescer

fora do pântano?

Ou cresce o junco sem água?

12Quando estão verdes,

e ainda não foram colhidos,

secam antes de qualquer

outra erva.

13São assim as veredas de todos

os que se esquecem de Deus;

e a esperança dos ímpios perecerá.

14A sua firmeza será frustrada,

e a sua confiança é teia de aranha.

15Ele se encosta em sua casa,

mas ela não resiste;

agarra-se a ela,

mas ela não fica em pé.’”

16“Ele é viçoso diante do sol,

e os seus renovos

se espalham pelo jardim;

17as suas raízes se entrelaçam

num montão de pedras

e penetram até as muralhas.

18Mas, se o arrancam do seu lugar,

este o negará, dizendo:

‘Eu nunca vi você.’

19Eis no que deu a sua vida!

E do pó brotarão outros.”

20“Eis que Deus não

rejeita o íntegro,

nem toma os malfeitores pela mão.

21Ele encherá a sua boca de riso

8.21
Sl 126.2

e os seus lábios de alegria.

22Os que o odeiam

se cobrirão de vergonha,

e a tenda dos ímpios

não subsistirá.”

9

Resposta de Jó

Caps.9—10

Quem ousa desafiar a Deus?

91Então Jó respondeu:

2“Na verdade, sei que assim é;

porque, como pode o mortal

ser justo diante de Deus?

9.2
Jó 4.17

3Se quiser discutir com ele,

nem a uma de mil coisas

lhe poderá responder.

4Ele é sábio de coração

e grande em poder;

quem ousou desafiá-lo

e sobreviveu?

5Ele é quem remove os montes,

sem que saibam

que na sua ira ele os transtorna.

6Deus remove a terra do seu lugar,

e faz as suas colunas estremecerem.

7Ele dá uma ordem ao sol,

e este não sai,

e sela as estrelas.

8Sozinho ele estende os céus

e anda sobre as costas do mar.

9Ele fez a Ursa Maior, o Órion,

o Sete-estrelo

9.9
Jó 38.31
Am 5.8

e as constelações do Sul.

10Deus faz coisas grandes

e insondáveis,

e maravilhas

que não se podem enumerar.

9.10
Jó 5.9

11Eis que ele passa por mim,

e não o vejo;

segue diante de mim,

e não o percebo.

12Eis que arrebata a presa!

Quem o pode impedir?

Quem lhe dirá:

‘O que estás fazendo?’

13Deus não revogará

a sua própria ira;

debaixo dele se curvam

os ajudantes

do monstro Raabe.”

Sou justo e íntegro

14“Como então poderei

eu responder a ele?

Como escolher as minhas palavras,

para argumentar com ele?

15Ainda que eu fosse justo,

não lhe responderia;

pelo contrário, pediria misericórdia

ao meu Juiz.

16Ainda que eu o chamasse

e ele me respondesse,

nem por isso eu creria

que ele deu ouvidos

à minha voz.

17Porque me esmaga

com uma tempestade

e sem motivo multiplica

as minhas feridas.

18Não me permite respirar,

porque me enche de amargura.

19Se é uma questão de força,

ele é o forte;

se é uma questão de justiça, ele dirá:

‘Quem pode me intimar?’

20Ainda que eu seja justo,

a minha boca me condenará;

embora eu seja íntegro,

ela me declarará culpado.

21Eu sou íntegro,

mas não me importo comigo,

não faço caso da minha vida.

22Para mim, é tudo a mesma coisa;

por isso, digo:

ele destrói tanto os íntegros

como os perversos.

23Se um flagelo mata de repente,

ele rirá do desespero

dos inocentes.

24A terra está entregue

nas mãos dos ímpios,

e Deus ainda cobre o rosto

dos juízes.

Se ele não é o causador disso,

quem seria?”

Deus não me considerará inocente

25“Os meus dias são mais velozes

do que um corredor;

fogem sem ter visto a felicidade.

26Passam como barcos de junco,

como a águia que se lança

sobre a presa.

27Se eu disser: ‘Vou esquecer

a minha queixa,

deixarei o meu ar triste

e ficarei contente’;

28ainda assim

todas as minhas dores

me apavoram,

porque bem sei que

não me considerarás inocente.

29Eu serei condenado;

por que, pois, trabalho em vão?

30Ainda que me lave

com água de neve

e purifique as minhas mãos

com sabão,

31mesmo assim me submergirás

no lodo,

e as minhas próprias roupas

terão nojo de mim.

32Porque ele não é ser humano,

como eu,

a quem eu responda,

se formos juntos ao tribunal.

33Não há entre nós árbitro

que ponha a mão sobre nós dois.

34Que ele tire a sua vara

de cima de mim,

e que o seu terror

não me amedronte!

35Então falarei sem o temer;

do contrário,

eu não estaria em mim.”