Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
6

Resposta de Jó

Caps.6—7

Por que prolongar a vida, se o fim é certo?

61Então Jó respondeu:

2“Ah! Se a minha queixa, de fato,

pudesse ser pesada,

e contra ela, numa balança,

se pusesse a minha miséria,

3esta, na verdade, pesaria mais

que a areia dos mares.

Por isso é que as minhas palavras

foram precipitadas.

4Porque as flechas

do Todo-Poderoso

estão cravadas em mim,

e o meu espírito sorve

o veneno delas;

os terrores de Deus

se armam contra mim.

5Será que o jumento selvagem

zurra quando está junto à relva?

Ou será que o boi berra

junto ao seu pasto?

6Pode-se comer sem sal

o que é insípido?

Ou haverá sabor na clara do ovo?

7Aquilo que a minha alma

recusava tocar,

isso é agora a minha comida

repugnante.”

8“Quem dera que se cumprisse

o meu pedido,

e que Deus me concedesse

o que desejo!

9Que fosse do agrado de Deus

esmagar-me,

que soltasse a sua mão

e acabasse comigo!

10Isto ainda seria

a minha consolação,

e eu saltaria de contente

na minha dor, que é implacável;

porque não tenho negado

as palavras do Santo.

11Por que esperar,

se já não tenho forças?

Por que prolongar a vida,

se o meu fim é certo?

12Por acaso a minha força

é a força da pedra?

Ou é de bronze a minha carne?

13Não encontro socorro

em mim mesmo;

foram afastados de mim

os meus recursos.”

Meus amigos me enganaram

14“Ao aflito deve o amigo

mostrar compaixão,

mesmo ao que abandonou

o temor do Todo-Poderoso.

15Meus irmãos me enganaram;

são como um ribeiro,

como a torrente

que transborda no vale,

16turvada com o gelo e com a neve

que nela se esconde,

17torrente que seca

quando o tempo aquece,

e que no calor desaparece

do seu lugar.

18As caravanas se desviam

dos seus caminhos,

sobem para lugares desolados

e perecem.

19As caravanas de Temá procuram

essa torrente,

os viajantes de Sabá

por ela suspiram.

20Ficam envergonhados

por terem confiado;

quando chegam ali,

ficam decepcionados.

21Assim também vocês

não me ajudaram em nada;

veem os meus males

e ficam com medo.

22Por acaso pedi

que me dessem recompensa?

Ou que da riqueza de vocês

me trouxessem algum presente?

23Será que pedi que me livrassem

do poder do opressor?

Ou que me resgatassem

das mãos dos tiranos?”

Vejam que não estou mentindo

24“Ensinem-me, e eu me calarei;

mostrem-me em que tenho errado.

25Como são persuasivas

as palavras retas!

Mas o que é que a repreensão

de vocês repreende?

26Por acaso vocês pensam

em reprovar

as minhas palavras,

ditas por um desesperado

ao vento?

27Até sobre um órfão

vocês lançariam sortes

e seriam capazes

de vender um amigo!

28Agora, pois, tenham a bondade

de olhar para mim

e vejam que não estou mentindo

na cara de vocês.

29Por favor, mudem de parecer,

e que não haja injustiça;

mudem de parecer,

e a justiça da minha causa

triunfará.

30Há iniquidade em meus lábios?

Será que a minha

boca não consegue

discernir coisas perniciosas?”

7

A vida é uma luta sem fim

71“Não é verdade que a vida

do ser humano neste mundo

é uma luta sem fim?

Não são os seus dias como

os de um trabalhador diarista?

2Como o escravo

que suspira pela sombra

e como o trabalhador

que espera pelo seu salário,

3assim me deram por herança

meses de desengano

e me proporcionaram

noites de aflição.

4Ao deitar-me, pergunto:

quando me levantarei?

Mas a noite é longa,

e estou farto de me virar na cama,

até o amanhecer.

5O meu corpo está

vestido de vermes

e de crostas terrosas;

a minha pele racha

e de novo forma pus.

6Os meus dias são mais velozes

do que a lançadeira do tecelão

e se findam sem esperança.

7Lembra-te, ó Deus, de que

a minha vida é um sopro;

os meus olhos não tornarão

a ver a felicidade.

8Os olhos de quem agora me vê

não me verão mais;

os teus olhos me procurarão,

mas já terei desaparecido.”

Deixa-me em paz

9“Assim como a nuvem

se desfaz e passa,

aquele que desce à sepultura

jamais voltará a subir.

10Nunca mais voltará

para a sua casa,

e o lugar onde mora

nunca mais o conhecerá.

11Por isso, não reprimirei

a minha boca.

Na angústia do meu espírito,

falarei;

na amargura da minha alma,

eu me queixarei.

12Será que eu sou o mar

ou algum monstro marinho,

para que me ponhas sob guarda?

13Quando digo:

‘O meu leito me consolará,

a minha cama

aliviará a minha queixa’,

14então me assustas com sonhos

e me atemorizas com visões.

15Por isso, prefiro

ser estrangulado;

antes a morte do que esta tortura.

16Estou farto da minha vida;

não quero viver para sempre.

Deixa-me em paz,

porque os meus dias

são um sopro.”

Que é o homem?

17“Que é o homem,

7.17
Sl 8.4
144.3

para que tu lhe dês

tanta importância,

para que dês a ele atenção,

18para que a cada manhã o visites,

e que a cada momento

o ponhas à prova?

19Até quando não desviarás

de mim o teu olhar?

Até quando não me darás tempo

de engolir a minha saliva?

20Se pequei, que mal fiz a ti,

ó Espreitador da humanidade?

Por que fizeste de mim o teu alvo,

tornando-me um peso

para mim mesmo?

21Por que não perdoas

a minha transgressão

e não tiras a minha iniquidade?

Pois agora me deitarei no pó;

e, se me procuras,

já terei desaparecido.”

8

Primeira fala de Bildade

Cap. 8

Busque a Deus

81Então Bildade, o suíta, tomou a palavra e disse:

2“Até quando você falará

estas coisas?

E até quando as palavras

da sua boca serão

como um vento impetuoso?

3Será que Deus

perverteria o direito?

Será que o Todo-Poderoso

perverteria a justiça?

4Se os seus filhos

pecaram contra ele,

também ele os entregou ao poder

da transgressão que cometeram.

5Mas, se você buscar a Deus

e pedir misericórdia

ao Todo-Poderoso,

6se você for puro e reto,

ele, sem demora,

despertará para ajudá-lo

e restaurará a justiça

da sua morada.

7O seu primeiro estado

parecerá pequeno

comparado com a grandeza

do seu último estado.”

A esperança dos ímpios perecerá

8“Por favor, pergunte agora

aos que são

de gerações passadas

e atente para a experiência

dos pais deles.

9Porque nós somos de ontem

e nada sabemos;

pois os nossos dias sobre a terra

são como a sombra.

10Será que os pais

não o ensinarão,

falando com você?

Será que do próprio entendimento

não proferirão estas palavras?

11‘Pode o papiro crescer

fora do pântano?

Ou cresce o junco sem água?

12Quando estão verdes,

e ainda não foram colhidos,

secam antes de qualquer

outra erva.

13São assim as veredas de todos

os que se esquecem de Deus;

e a esperança dos ímpios perecerá.

14A sua firmeza será frustrada,

e a sua confiança é teia de aranha.

15Ele se encosta em sua casa,

mas ela não resiste;

agarra-se a ela,

mas ela não fica em pé.’”

16“Ele é viçoso diante do sol,

e os seus renovos

se espalham pelo jardim;

17as suas raízes se entrelaçam

num montão de pedras

e penetram até as muralhas.

18Mas, se o arrancam do seu lugar,

este o negará, dizendo:

‘Eu nunca vi você.’

19Eis no que deu a sua vida!

E do pó brotarão outros.”

20“Eis que Deus não

rejeita o íntegro,

nem toma os malfeitores pela mão.

21Ele encherá a sua boca de riso

8.21
Sl 126.2

e os seus lábios de alegria.

22Os que o odeiam

se cobrirão de vergonha,

e a tenda dos ímpios

não subsistirá.”

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