Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
4

Primeira fala de Elifaz

Caps.4—5

Chegou a sua vez de sofrer

41Então Elifaz, o temanita, tomou a palavra e disse:

2“Se alguém tentar falar,

você terá paciência para ouvir?

Mas quem poderá conter

as palavras?

3Veja bem! Você ensinou a muitos

e fortaleceu mãos cansadas.

4As suas palavras sustentaram

os que tropeçavam,

e você fortaleceu

joelhos vacilantes.

5Mas agora,

quando chega a sua vez,

você perde a paciência;

ao ser atingido,

você fica apavorado.

6Você não tem confiança

no seu temor a Deus?

Não tem esperança na integridade

4.6
Jó 1.1
2.3

dos seus caminhos?

7Pense bem: será que algum

inocente já chegou a perecer?

E onde os retos foram destruídos?

8Segundo eu tenho visto,

os que lavram a iniquidade

e semeiam o mal,

isso mesmo eles colhem.

9Com o hálito de Deus perecem;

e com o sopro da sua ira

são consumidos.

10Cessa o bramido do leão

e a voz do leão feroz,

e os dentes dos leõezinhos

são quebrados.

11O leão morre,

porque não há presa,

e os filhos da leoa

andam dispersos.”

Pode um mortal ser justo diante de Deus?

12“Uma palavra me foi trazida

em segredo,

e os meus ouvidos perceberam

um sussurro dela.

13Entre pensamentos

de visões noturnas,

quando o sono profundo

cai sobre as pessoas,

14sobrevieram-me

o espanto e o tremor,

e todos os meus ossos

estremeceram.

15Então um espírito passou

por diante de mim;

e se arrepiaram os cabelos

do meu corpo.

16Ele parou, mas não reconheci

a sua aparência.

Um vulto estava

diante dos meus olhos;

houve silêncio, e ouvi uma voz:

17‘Pode um mortal ser justo

diante de Deus?

Pode alguém ser puro

diante do seu Criador?

18Eis que Deus não confia

nos seus servos

e aos seus anjos

atribui imperfeições;

19quanto mais àqueles

que habitam em casas de barro,

cujo fundamento está no pó,

e que são esmagados

como a traça!

20Nascem de manhã

e à tarde são destruídos;

perecem para sempre,

sem que ninguém

se importe com isso.

21Se o fio da vida lhes é cortado,

morrem e não alcançam

a sabedoria.’”

5

O ser humano nasce para o sofrimento

51“Grite agora, para ver

se há quem responda!

E para qual dos santos anjos

você se voltará?

2Porque a ira mata o insensato,

e a inveja destrói o tolo.

3Eu mesmo vi o insensato

lançar raízes,

mas logo declarei maldita

a sua habitação.

4Os filhos dele estão longe

do socorro;

são oprimidos nos tribunais,5.4 Lit., às portas, em referência ao lugar onde eram tratadas questões judiciais

e não há quem os livre.

5A sua colheita,

o faminto a devora,

arrebatando até o que se encontra

no meio de espinhos;

e o sedento suga os seus bens.

6Porque a aflição não vem do pó,

e o sofrimento não brota do chão.

7Mas o ser humano nasce

para o sofrimento,

como as faíscas das brasas

voam para cima.”

Há esperança para os pobres

8“Quanto a mim,

eu buscaria a Deus

e a ele entregaria a minha causa.

9Deus faz coisas grandes

e insondáveis,

maravilhas que não se podem

enumerar.

10Faz chover sobre a terra

e envia águas sobre os campos.

11Põe os abatidos num lugar alto

e conduz os enlutados

a um lugar seguro.

12Deus frustra os planos

dos astutos,

para que não possam realizar

seus projetos.

13Ele apanha os sábios

na própria astúcia deles,

5.13
1Co 3.19

e o conselho dos que tramam

não chega a vingar.

14De dia eles encontram as trevas,

e ao meio-dia andam tateando

como se fosse noite.

15Porém Deus salva da espada

que lhes sai da boca,

salva os necessitados

das mãos dos poderosos.

16Assim, há esperança

para os pobres,

e a iniquidade tapa

a sua própria boca.”

As mãos de Deus curam

17“Bem-aventurado é aquele

a quem Deus disciplina!

Portanto, não despreze a disciplina

do Todo-Poderoso.

5.17
Pv 3.11-12
Hb 12.5-6

18Porque ele faz a ferida

e ele mesmo a faz sarar;

ele fere, e as suas mãos curam.

19De seis angústias ele o livrará,

e na sétima o mal

não tocará em você.

20Na fome ele livrará você

da morte;

na guerra, do poder da espada.

21Você estará abrigado

do açoite da língua

e, quando vier a destruição,

não ficará com medo.

22Da destruição e da fome

você dará risada

e dos animais da terra

não terá medo.

23Porque com as pedras do campo

você fará aliança,

e os animais selvagens viverão

em paz com você.

24Saberá que a sua tenda

está em paz;

percorrerá as suas posses

e não achará falta de nada.

25Saberá que a sua descendência

se multiplicará,

e que a sua posteridade será

como a erva da terra.

26Em robusta velhice

você descerá à sepultura,

como se recolhe o feixe de trigo

no tempo certo.

27Veja bem!

Isto é o que investigamos,

e assim é.

Ouça e medite nisso

para o seu bem.”

6

Resposta de Jó

Caps.6—7

Por que prolongar a vida, se o fim é certo?

61Então Jó respondeu:

2“Ah! Se a minha queixa, de fato,

pudesse ser pesada,

e contra ela, numa balança,

se pusesse a minha miséria,

3esta, na verdade, pesaria mais

que a areia dos mares.

Por isso é que as minhas palavras

foram precipitadas.

4Porque as flechas

do Todo-Poderoso

estão cravadas em mim,

e o meu espírito sorve

o veneno delas;

os terrores de Deus

se armam contra mim.

5Será que o jumento selvagem

zurra quando está junto à relva?

Ou será que o boi berra

junto ao seu pasto?

6Pode-se comer sem sal

o que é insípido?

Ou haverá sabor na clara do ovo?

7Aquilo que a minha alma

recusava tocar,

isso é agora a minha comida

repugnante.”

8“Quem dera que se cumprisse

o meu pedido,

e que Deus me concedesse

o que desejo!

9Que fosse do agrado de Deus

esmagar-me,

que soltasse a sua mão

e acabasse comigo!

10Isto ainda seria

a minha consolação,

e eu saltaria de contente

na minha dor, que é implacável;

porque não tenho negado

as palavras do Santo.

11Por que esperar,

se já não tenho forças?

Por que prolongar a vida,

se o meu fim é certo?

12Por acaso a minha força

é a força da pedra?

Ou é de bronze a minha carne?

13Não encontro socorro

em mim mesmo;

foram afastados de mim

os meus recursos.”

Meus amigos me enganaram

14“Ao aflito deve o amigo

mostrar compaixão,

mesmo ao que abandonou

o temor do Todo-Poderoso.

15Meus irmãos me enganaram;

são como um ribeiro,

como a torrente

que transborda no vale,

16turvada com o gelo e com a neve

que nela se esconde,

17torrente que seca

quando o tempo aquece,

e que no calor desaparece

do seu lugar.

18As caravanas se desviam

dos seus caminhos,

sobem para lugares desolados

e perecem.

19As caravanas de Temá procuram

essa torrente,

os viajantes de Sabá

por ela suspiram.

20Ficam envergonhados

por terem confiado;

quando chegam ali,

ficam decepcionados.

21Assim também vocês

não me ajudaram em nada;

veem os meus males

e ficam com medo.

22Por acaso pedi

que me dessem recompensa?

Ou que da riqueza de vocês

me trouxessem algum presente?

23Será que pedi que me livrassem

do poder do opressor?

Ou que me resgatassem

das mãos dos tiranos?”

Vejam que não estou mentindo

24“Ensinem-me, e eu me calarei;

mostrem-me em que tenho errado.

25Como são persuasivas

as palavras retas!

Mas o que é que a repreensão

de vocês repreende?

26Por acaso vocês pensam

em reprovar

as minhas palavras,

ditas por um desesperado

ao vento?

27Até sobre um órfão

vocês lançariam sortes

e seriam capazes

de vender um amigo!

28Agora, pois, tenham a bondade

de olhar para mim

e vejam que não estou mentindo

na cara de vocês.

29Por favor, mudem de parecer,

e que não haja injustiça;

mudem de parecer,

e a justiça da minha causa

triunfará.

30Há iniquidade em meus lábios?

Será que a minha

boca não consegue

discernir coisas perniciosas?”