Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
39

Quem fez cada animal com o seu jeito de ser?

391“Você sabe o tempo em que

as cabras-monteses

têm os filhos

ou cuidou das corças

quando dão suas crias?

2Pode contar os meses

que cumprem?

Ou sabe o tempo do seu parto?

3Elas se encurvam

para terem seus filhos,

e lançam de si as suas dores.

4Seus filhos se tornam robustos,

crescem no campo aberto,

saem e nunca mais voltam

para elas.

5Quem pôs em liberdade

o jumento selvagem?

Quem soltou as suas cordas?

6Eu lhe dei o deserto por casa

e a terra salgada por morada.

7Ele se ri do tumulto da cidade,

não ouve os gritos do guia.

8Os montes são o lugar

do seu pasto,

e anda à procura

de tudo o que está verde.

9Será que o boi selvagem

aceitará trabalhar para você?

Será que ele passará a noite

junto da sua manjedoura?

10Por acaso você consegue

prendê-lo ao arado

com cordas?

Ou irá ele atrás de você

para desfazer os torrões

nos campos do vale?

11Você vai confiar nele,

por causa da grande força

que ele tem,

ou deixará o seu trabalho

por conta dele?

12Você acredita que ele trará

para casa o que você semeou

e o recolherá na sua eira?”

13“A avestruz bate alegre as asas,

como se tivesse asas

e plumagem de cegonha.

14Ela põe os seus ovos no chão

e deixa que sejam chocados

na areia,

15e se esquece de que algum pé

os pode esmagar

ou de que os animais do campo

podem pisá-los.

16Trata com dureza os seus filhos,

como se não fossem seus.

Embora seja em vão

o seu trabalho,

ela está tranquila,

17porque Deus lhe negou

sabedoria

e não lhe deu entendimento.

18Mas, quando de um salto

se levanta para correr,

ri do cavalo e do cavaleiro.”

19“Por acaso foi você quem deu

força ao cavalo

ou revestiu o seu pescoço

de crinas?

20É você quem o faz pular

como gafanhoto?

Terrível é o fogoso respirar

das suas ventas.

21Escarva no vale,

satisfeito com a sua força,

e sai ao encontro dos inimigos.

22Zomba do medo

e não se espanta;

não recua por causa da espada.

23Sobre ele balança a aljava,

cintila a lança e o dardo.

24Com ímpeto e fúria

vai engolindo as distâncias

e não se contém ao som do clarim.

25A cada toque do clarim ele diz:

‘Avante!’

Cheira de longe a batalha,

o grito dos comandantes

e o alarido de guerra.”

26“Será que é pela inteligência

que você tem que o falcão voa,

estendendo as suas asas

para o Sul?

27Ou é por uma ordem sua

que a águia sobe

e faz o seu ninho lá no alto?

28Ela mora no penhasco

onde faz a sua morada,

no alto do penhasco,

em lugar seguro.

29Dali, descobre a presa;

seus olhos a avistam de longe.

30Seus filhotes chupam sangue;

onde há mortos, ali ela está.”

40

401O Senhor disse mais a Jó:

2“Será que alguém

que usa de censuras

poderá discutir

com o Todo-Poderoso?

Que responda a isso

aquele que critica Deus!”

Primeira resposta de Jó a Deus

40.3-5

3Então Jó respondeu ao Senhor e disse:

4“Sou indigno.

Que te responderia eu?

Ponho a mão sobre a minha boca.

5Uma vez falei,

e não direi mais nada;

aliás, duas vezes,

porém não prosseguirei.”

40.5
Jó 9.3,15

Segunda e última resposta de Deus a Jó

40.6—41.34

Você tem um braço tão forte como o braço de Deus?

6Então o Senhor, do meio de um redemoinho, respondeu a Jó e disse:

7“Cinja os lombos como homem,

pois eu lhe farei perguntas,

e você me responderá.

40.7
Jó 38.3

8Será que você está querendo

anular a minha justiça?

Ou me condenará,

para se justificar?

9Você tem um braço tão forte

como o braço de Deus?

Você pode trovejar

com a voz como ele troveja?

10Adorne-se, então,

de excelência e grandeza,

e vista-se de majestade e glória.

11Derrame as torrentes da sua ira;

olhe para os orgulhosos

e humilhe-os.

12Sim, olhe para eles e humilhe-os;

esmague os ímpios

no lugar onde estiverem.

13Cubra-os todos no pó;

prenda todos eles no sepulcro.

14Então também eu confessarei

a seu respeito

que a sua mão direita

lhe dá vitória.”

Quem é capaz de apanhar o monstro Beemote?

15“Contemple agora

o Beemote,40.15 Lit., animal, talvez um hipopótamo que eu criei

junto com você,

e que come capim como o boi.

16A força dele está

nos seus lombos,

e o seu poder,

nos músculos do seu ventre.

17Ele endurece a sua cauda

como cedro;

os tendões das suas coxas

estão entretecidos.

18Os seus ossos

são como tubos de bronze;

as suas pernas

são como barras de ferro.

19Ele é obra-prima

dos feitos de Deus;

aquele que o fez

o proveu de espada.

20Na verdade,

os montes lhe produzem pasto,

onde todos os animais selvagens

se divertem.

21Deita-se debaixo

das árvores de lótus,

no esconderijo da lama,

no meio dos juncos.

22As árvores de lótus

o cobrem com sua sombra;

os salgueiros do ribeiro o rodeiam.

23Se um rio transborda,

ele não se apressa;

fica tranquilo mesmo que o Jordão

se levante até a sua boca.

24Será que alguém pode apanhá-lo

quando ele está olhando?

Ou lhe meter um laço pelo nariz?”

41

Quem é capaz de enfrentar o monstro Leviatã?

411“Você é capaz de pescar

o monstro Leviatã

41.1
Jó 3.8
Sl 74.14
104.26
Is 27.1

com um anzol

e prender a sua língua

com uma corda?

2Você consegue passar

uma vara de junco

pelo nariz dele?

Ou furar o queixo dele

com um gancho?

3Por acaso ele lhe fará

muitas súplicas?

Ou lhe falará palavras brandas?

4Será que ele fará

um acordo com você,

para que seja seu escravo

para sempre?

5Será que você vai brincar

com ele, como se fosse

um passarinho?

Irá prendê-lo com uma corda,

para dá-lo às suas meninas?

6Será que os seus sócios

o colocarão à venda?

Ou irão reparti-lo

entre os negociantes?

7Você consegue encher

de arpões a pele dele?

Ou cravar fisgas de pesca

na sua cabeça?

8Ponha a mão sobre ele;

você se lembrará da luta

e nunca mais repetirá o gesto.”

9“Eis que a gente se engana

na esperança que tem;

não é fato que alguém cairá

por terra só em vê-lo?

10Ninguém é tão ousado,

que se atreva a despertá-lo.”

“Quem então será capaz

de se erguer diante de mim?

11Quem primeiro deu algo

a mim,

41.11
Rm 11.35
para que eu tenha

de retribuir-lhe?

Pois o que está debaixo

de todos os céus é meu.”

12“Não me calarei a respeito

das pernas do Leviatã,

nem da sua grande força,

nem da graça

da sua compostura.

13Quem poderá tirar

a capa do seu dorso?

Ou lhe penetrará a dupla couraça?

14Quem abriria as portas

de sua boca?

Pois em roda dos seus dentes

está o terror.

15As fileiras de suas escamas

são o seu orgulho,

cada uma bem-encostada

como por um selo

que as ajusta.

16A tal ponto uma se junta à outra,

que entre elas não passa nem o ar.

17Elas se ligam umas às outras,

aderem entre si

e não podem ser separadas.

18Cada um dos seus espirros

faz resplandecer a luz,

e os seus olhos são como

os raios do amanhecer.

19Da sua boca saem tochas;

faíscas de fogo saltam dela.

20Das suas narinas

procede fumaça,

como de uma panela fervente

sobre juncos em chama.

21O sopro dele acende o carvão;

da sua boca saem chamas.

22No seu pescoço reside a força;

e diante dele salta o desespero.

23Suas partes carnudas

são bem-pegadas entre si;

todas fundidas nele e imóveis.

24O coração dele

é duro como uma pedra,

firme como a pedra inferior

de um moinho.

25Quando ele se levanta,

os valentes tremem;

quando ele irrompe,

ficam como que fora de si.

26Se o golpe de espada o alcança,

isso não tem efeito algum,

e o mesmo vale para a lança,

o dardo ou a flecha.

27Para ele, o ferro é como palha,

e o cobre, como pau podre.

28As flechas não o fazem fugir;

para ele, as pedras das fundas

se transformam em palha.

29Os porretes são para ele

como talos de capim;

quando agitam a lança,

ele dá risada.

30Debaixo do ventre

ele tem escamas pontiagudas;

arrasta-se sobre a lama,

como um instrumento

de debulhar.

31Leva as profundezas a ferver

como panela;

torna o mar

como caldeira de unguento.

32Deixa atrás de si

um sulco luminoso,

como se o abismo

tivesse uma cabeleira branca.

33Na terra, não há ninguém

como ele,

pois foi feito para nunca ter medo.

34O Leviatã olha com desprezo

tudo o que é alto;

é rei sobre todos os orgulhosos.”