Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
3

Primeiro diálogo

Caps.3—14

A queixa de Jó

Cap. 3

Jó amaldiçoa o seu nascimento

31Depois disto, Jó passou a falar e amaldiçoou o dia do seu nascimento. 2Jó disse:

3“Pereça o dia em que nasci

e a noite em que se disse:

‘Foi concebido um homem!’

4Que aquele dia

se transforme em trevas,

e Deus, lá de cima,

não se importe com ele,

nem resplandeça sobre ele a luz.

5Que as trevas

e a sombra da morte

se apoderem desse dia;

que uma nuvem habite sobre ele;

que tudo o que pode

escurecer o dia o espante.

6Aquela noite,

que dela se apoderem

densas trevas;

que ela não se alegre

entre os dias do ano,

nem entre na conta dos meses.

7Sim, que seja estéril aquela noite,

e dela sejam banidos

os gritos de alegria.

8Amaldiçoem-na

aqueles que sabem

amaldiçoar o dia

e sabem instigar o Leviatã.3.8 Para os povos antigos, o monstro Leviatã representava as forças do mal. Jó faz uso dessa imagem, expressando o desejo de que esse mostro imaginário devore a noite em que ele nasceu (veja Jó 26.13; Is 27.1)

9Escureçam-se as estrelas

do seu alvorecer;

que a noite espere a luz,

e a luz não venha;

que não veja

o despontar da alvorada,

10pois não fechou as portas

do ventre da minha mãe,

nem escondeu dos meus olhos

o sofrimento.”

Por que não morri ao nascer?

11“Por que não morri ao nascer?

Por que não expirei

ao sair do ventre

de minha mãe?

12Por que houve um colo

que me acolhesse,

e seios, para que eu mamasse?

13Porque agora

eu repousaria tranquilo;

dormiria, e então haveria

para mim descanso,

14com os reis e conselheiros

da terra

que construíram para si

mausoléus;

15ou com os príncipes

que tinham ouro

e encheram as suas casas de prata;

16ou, como aborto oculto,

eu não existiria,

como crianças

que nunca viram a luz.

17Ali os maus cessam de perturbar,

e ali repousam os cansados.

18Ali os presos juntamente

repousam

e não ouvem a voz do capataz.

19Ali está tanto o pequeno

como o grande,

e o servo fica livre de seu senhor.”

3.1-19
Jr 20.14-18

Por que o miserável continua vivendo?

20“Por que se concede

luz ao miserável

e vida aos de coração amargurado,

21que esperam a morte,

e ela não vem,

3.21
Ap 9.6

que cavam em procura dela

mais do que

tesouros ocultos,

22que se alegrariam

por um túmulo

e exultariam se achassem

a sepultura?

23Por que se concede

luz ao homem

cujo caminho é oculto,

e a quem Deus cercou

de todos os lados?”

24“Porque em vez do meu pão

me vêm gemidos,

e os meus lamentos

se derramam como água.

25Aquilo que temo me sobrevém,

e o que receio me acontece.

26Não tenho descanso,

não tenho sossego,

não tenho repouso;

só tenho inquietação.”

4

Primeira fala de Elifaz

Caps.4—5

Chegou a sua vez de sofrer

41Então Elifaz, o temanita, tomou a palavra e disse:

2“Se alguém tentar falar,

você terá paciência para ouvir?

Mas quem poderá conter

as palavras?

3Veja bem! Você ensinou a muitos

e fortaleceu mãos cansadas.

4As suas palavras sustentaram

os que tropeçavam,

e você fortaleceu

joelhos vacilantes.

5Mas agora,

quando chega a sua vez,

você perde a paciência;

ao ser atingido,

você fica apavorado.

6Você não tem confiança

no seu temor a Deus?

Não tem esperança na integridade

4.6
Jó 1.1
2.3

dos seus caminhos?

7Pense bem: será que algum

inocente já chegou a perecer?

E onde os retos foram destruídos?

8Segundo eu tenho visto,

os que lavram a iniquidade

e semeiam o mal,

isso mesmo eles colhem.

9Com o hálito de Deus perecem;

e com o sopro da sua ira

são consumidos.

10Cessa o bramido do leão

e a voz do leão feroz,

e os dentes dos leõezinhos

são quebrados.

11O leão morre,

porque não há presa,

e os filhos da leoa

andam dispersos.”

Pode um mortal ser justo diante de Deus?

12“Uma palavra me foi trazida

em segredo,

e os meus ouvidos perceberam

um sussurro dela.

13Entre pensamentos

de visões noturnas,

quando o sono profundo

cai sobre as pessoas,

14sobrevieram-me

o espanto e o tremor,

e todos os meus ossos

estremeceram.

15Então um espírito passou

por diante de mim;

e se arrepiaram os cabelos

do meu corpo.

16Ele parou, mas não reconheci

a sua aparência.

Um vulto estava

diante dos meus olhos;

houve silêncio, e ouvi uma voz:

17‘Pode um mortal ser justo

diante de Deus?

Pode alguém ser puro

diante do seu Criador?

18Eis que Deus não confia

nos seus servos

e aos seus anjos

atribui imperfeições;

19quanto mais àqueles

que habitam em casas de barro,

cujo fundamento está no pó,

e que são esmagados

como a traça!

20Nascem de manhã

e à tarde são destruídos;

perecem para sempre,

sem que ninguém

se importe com isso.

21Se o fio da vida lhes é cortado,

morrem e não alcançam

a sabedoria.’”

O ser humano nasce para o sofrimento

51“Grite agora, para ver

se há quem responda!

E para qual dos santos anjos

você se voltará?

2Porque a ira mata o insensato,

e a inveja destrói o tolo.

3Eu mesmo vi o insensato

lançar raízes,

mas logo declarei maldita

a sua habitação.

4Os filhos dele estão longe

do socorro;

são oprimidos nos tribunais,5.4 Lit., às portas, em referência ao lugar onde eram tratadas questões judiciais

e não há quem os livre.

5A sua colheita,

o faminto a devora,

arrebatando até o que se encontra

no meio de espinhos;

e o sedento suga os seus bens.

6Porque a aflição não vem do pó,

e o sofrimento não brota do chão.

7Mas o ser humano nasce

para o sofrimento,

como as faíscas das brasas

voam para cima.”

Há esperança para os pobres

8“Quanto a mim,

eu buscaria a Deus

e a ele entregaria a minha causa.

9Deus faz coisas grandes

e insondáveis,

maravilhas que não se podem

enumerar.

10Faz chover sobre a terra

e envia águas sobre os campos.

11Põe os abatidos num lugar alto

e conduz os enlutados

a um lugar seguro.

12Deus frustra os planos

dos astutos,

para que não possam realizar

seus projetos.

13Ele apanha os sábios

na própria astúcia deles,

5.13
1Co 3.19

e o conselho dos que tramam

não chega a vingar.

14De dia eles encontram as trevas,

e ao meio-dia andam tateando

como se fosse noite.

15Porém Deus salva da espada

que lhes sai da boca,

salva os necessitados

das mãos dos poderosos.

16Assim, há esperança

para os pobres,

e a iniquidade tapa

a sua própria boca.”

As mãos de Deus curam

17“Bem-aventurado é aquele

a quem Deus disciplina!

Portanto, não despreze a disciplina

do Todo-Poderoso.

5.17
Pv 3.11-12
Hb 12.5-6

18Porque ele faz a ferida

e ele mesmo a faz sarar;

ele fere, e as suas mãos curam.

19De seis angústias ele o livrará,

e na sétima o mal

não tocará em você.

20Na fome ele livrará você

da morte;

na guerra, do poder da espada.

21Você estará abrigado

do açoite da língua

e, quando vier a destruição,

não ficará com medo.

22Da destruição e da fome

você dará risada

e dos animais da terra

não terá medo.

23Porque com as pedras do campo

você fará aliança,

e os animais selvagens viverão

em paz com você.

24Saberá que a sua tenda

está em paz;

percorrerá as suas posses

e não achará falta de nada.

25Saberá que a sua descendência

se multiplicará,

e que a sua posteridade será

como a erva da terra.

26Em robusta velhice

você descerá à sepultura,

como se recolhe o feixe de trigo

no tempo certo.

27Veja bem!

Isto é o que investigamos,

e assim é.

Ouça e medite nisso

para o seu bem.”