Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
31

Que Deus me pese numa balança justa

311“Fiz uma aliança

com os meus olhos:

de não olhar para uma virgem.

2Do contrário, qual seria

a minha porção

do Deus lá de cima,

e que herança receberia

do Todo-Poderoso

desde as alturas?

3Por acaso, não é a perdição

para o ímpio,

e a desgraça para os que praticam

a maldade?

4Será que Deus não vê

os meus caminhos

e não conta todos os meus passos?

5Se andei com falsidade

ou se o meu pé se apressou

para o engano

6— que Deus me pese

numa balança justa

e conhecerá a minha integridade!”

Nunca cobicei, nem adulterei

7“Se os meus passos se desviaram

do caminho,

se o meu coração

segue os meus olhos,

e se alguma mancha

se apegou às minhas mãos,

8então que outros comam

o que eu semeei,

e que seja arrancado

o que se produz no meu campo.

9Se o meu coração se deixou

seduzir por uma mulher,

se fiquei rondando

a porta do meu próximo,

10então que a minha mulher

moa os cereais

para outro homem,

e que outros se deitem com ela.

11Pois eu teria cometido

um crime hediondo,

um delito a ser punido pelos juízes.

12Isso seria fogo que consome

até a destruição

e arrancaria toda a minha colheita

pela raiz.”

Sempre fui justo e caridoso

13“Se não reconheci

o direito do meu servo

ou da minha serva

quando eles reclamavam

contra mim,

14então que faria eu

quando Deus se levantasse

no tribunal?

E, se ele me interrogasse,

que lhe responderia eu?

15Aquele que me formou

no ventre de minha mãe

não os fez também a eles?

Ou não é o mesmo Deus

que nos formou

no ventre materno?”

16“Se retive o que os pobres

desejavam

ou deixei que os olhos das viúvas

esperassem em vão;

17ou, se sozinho

comi o meu bocado,

sem reparti-lo com os órfãos

18— porque

desde a minha mocidade

eu os criei como se fosse

pai deles,

durante toda a minha vida

fui o guia das viúvas —;

19se vi alguém perecer

por falta de roupa

ou notava que o necessitado

não tinha com que se cobrir;

31.19
Jó 22.6

20se ele não me agradeceu

do fundo do coração,

quando se aquecia

com a lã dos meus cordeiros;

21se eu levantei a mão

contra o órfão,

31.21
Jó 22.9
29.12

sabendo que eu tinha

o apoio dos juízes,

22então que a omoplata caia

do meu ombro,

e que o meu braço

seja arrancado da articulação.

23Porque o castigo de Deus

seria para mim um assombro,

e eu não poderia enfrentar

a sua majestade.”

Nunca neguei a Deus

24“Se no ouro pus

a minha esperança

ou se eu disse ao ouro fino:

‘Você é a minha garantia’;

25se me alegrei por ser grande

a minha riqueza

e por ter a minha mão

alcançado muito;

26se olhei para o sol,

quando resplandecia,

ou para a lua, que caminhava

em seu esplendor,

27e o meu coração se deixou

seduzir em segredo,

e eu lhes atirei beijos com a mão,

31.27
Dt 4.19

28também isto seria um delito

a ser punido pelos juízes,

pois eu teria negado a Deus,

que está lá em cima.”

Nunca me alegrei com o mal

29“Se me alegrei com a desgraça

do que me odeia

e se exultei quando o mal o atingiu

30— eu que não deixei

a minha boca pecar,

rogando praga

para que morresse —;

31se as pessoas que moram

na minha tenda não disseram:

‘Quem nos dera encontrar

alguém que não se saciou

da carne provida por ele’

32— pois o estrangeiro

não pernoitava na rua;

as minhas portas estavam

sempre abertas

para os viajantes! —;

33se, como Adão,

31.33
Gn 3.8
encobri

as minhas transgressões,

ocultando a minha iniquidade

em meu íntimo,

34porque eu tinha medo

da grande multidão,

e o desprezo das famílias

me apavorava,

fazendo com que eu me calasse

e não saísse da porta…”

Eis aqui a minha defesa

35“Quem dera que eu tivesse

quem me ouvisse!

Eis aqui a minha defesa assinada!

Que o Todo-Poderoso

me responda!

Que o meu adversário escreva

a sua acusação!

36Por certo que a levaria

sobre o meu ombro,

e a poria sobre mim

como se fosse uma coroa.

37Eu lhe mostraria

o número dos meus passos;

como príncipe

eu me aproximaria dele.”

38“Se a minha terra clamar

contra mim,

e se os seus sulcos

juntamente chorarem;

39se comi os seus frutos

sem pagar

ou se causei a morte

aos seus donos,

40que ela produza espinhos

em vez de trigo,

e joio em lugar de cevada.”

Fim das palavras de Jó.

32

As falas de Eliú

Caps.32—37

321Aqueles três homens pararam de responder a Jó, porque ele se considerava justo. 2Então se acendeu a ira de Eliú, filho de Baraquel, o buzita, da família de Rão. Ele ficou indignado contra Jó, porque este pretendia ser mais justo do que Deus. 3Eliú também ficou irado com os três amigos de Jó, porque, mesmo não tendo o que responder, eles o condenavam. 4Eliú, porém, havia esperado para falar a Jó, pois os outros eram mais velhos do que ele. 5Quando Eliú viu que aqueles três homens já não tinham o que responder, ficou irado.

Primeira fala de Eliú

Caps.32—33

O sopro de Deus dá entendimento

6Então Eliú, filho de Baraquel, o buzita, tomou a palavra e disse:

“Eu sou de menos idade,

e vocês são idosos.

Por isso, tive receio

e fiquei com medo

de dar a minha opinião.

7Pensei assim: ‘Que falem

os que têm mais idade,

e que a multidão dos anos

ensine a sabedoria.’

8Na verdade,

há um espírito no homem,

e o sopro do Todo-Poderoso

lhe dá entendimento.

9Os de mais idade

não são os sábios,

nem são os velhos

os que entendem o que é reto.

32.9
Jó 12.12

10Por isso digo:

Escutem o que vou dizer,

e também eu

darei a minha opinião.”

Deus pode vencê-lo, e não o homem

11“Eis que esperei

que vocês falassem

e dei ouvidos

às suas considerações,

enquanto, quem sabe,

buscavam o que dizer.

12Dei atenção ao que diziam,

mas nenhum de vocês

conseguiu refutar Jó,

nem responder

aos seus argumentos.

13Portanto, não me venham

com a seguinte desculpa:

‘Descobrimos a sabedoria!

Deus pode vencê-lo,

e não o homem.’

14Ora, ele não me dirigiu

palavra alguma,

e eu não lhe responderei

com as palavras

que vocês usaram.”

Darei a minha opinião

15“Jó, os três estão pasmados,

já não respondem,

faltam-lhes as palavras.

16Será que devo esperar,

pois não falam,

estão parados

e nada mais respondem?

17Também eu de minha parte

vou responder

e darei a minha opinião.

18Porque tenho muito que falar,

e o meu espírito me constrange.

19Eis que dentro de mim

sou como o vinho,

sem respiradouro,

como odres novos,

prestes a arrebentar.

20Permitam, pois, que eu fale

para poder desabafar;

abrirei os lábios e responderei.

21Não tratarei nenhum de vocês

com parcialidade

e não vou lisonjear ninguém.

22Porque não sei lisonjear;

se assim fizesse, em breve

me levaria o meu Criador.”

33

Os meus lábios proferem o puro saber

331“E agora, Jó, escute

os meus argumentos

e dê ouvidos

a todas as minhas palavras.

2Passo agora a falar;

em minha boca fala a língua.

3Os meus argumentos provam

a sinceridade do meu coração,

e os meus lábios

proferem o puro saber.

4O Espírito de Deus me fez,

e o sopro do Todo-Poderoso

me dá vida.”

5“Responda-me, se for capaz;

prepare os seus argumentos

e apresente-se diante de mim.

6Eis que diante de Deus

sou igual a você;

também eu fui formado do barro.

7Por isso, não tenha medo

de mim;

a minha mão não será pesada

sobre você.”

Você disse que não tem iniquidade

8“Na verdade, você falou

diante de mim;

eu ouvi o som das suas palavras,

dizendo:

9‘Estou limpo, sem transgressão;

sou puro e não tenho iniquidade.

33.9
Jó 10.7
16.17

10Eis que Deus procura

pretextos contra mim

e me considera seu inimigo.

11Prendeu os meus pés

com correntes

33.11
Jó 13.27

e observa

todas as minhas veredas.’”

Deus é maior do que o homem

12“Devo lhe dizer que nisto

você não tem razão;

porque Deus é maior

do que o homem.

13Por que você discute com ele,

afirmando que ele

não presta contas

de nenhum dos seus atos?

14Pelo contrário, Deus fala

de um modo,

sim, de dois modos,

mas o homem

não atenta para isso.

15Em sonho ou em visão de noite,

quando o sono profundo cai

sobre as pessoas,

quando adormecem na cama,

16então lhes abre os ouvidos

e lhes sela a sua instrução,

17para afastar o ser humano

dos seus planos

e livrá-lo do orgulho;

18para guardar a sua alma da cova

e a sua vida de passar

pela espada.”

Deus lhe restitui a sua justiça

19“Também no seu leito

é castigado com dores,

com incessante conflito

em seus ossos;

20de modo que abomina o pão,

e detesta até

a comida mais saborosa.

21A sua carne, que se via,

agora desaparece,

e os seus ossos, que não se viam,

agora aparecem.

22A sua alma está perto da morte,

e a sua vida se aproxima

dos que trazem a morte.”

23“Se com ele houver

um anjo intercessor,

um dos milhares,

para declarar ao homem

o que é certo,

24então Deus

terá misericórdia dele

e dirá ao anjo:

‘Livre-o, para que

não desça à cova;

já achei um resgate para ele.’

33.24
Sl 49.7-9,15

25Então a sua carne recupera

o vigor da infância,

e ele volta aos dias da juventude.

26Ele ora a Deus,

que se agrada dele;

com alegria vê a face de Deus,

e Deus lhe restitui a sua justiça.

27Depois, cantará

diante de todos e dirá:

‘Pequei, perverti o direito

e não fui punido como merecia.

28Deus livrou a minha alma

de ir para a cova,

e a minha vida verá a luz.’”

29“Eis que Deus faz tudo isto

duas e três vezes no seu trato

com o ser humano,

30para reconduzir da cova

a sua alma

e iluminá-lo

com a luz dos viventes.”

31“Agora, Jó, preste atenção

e escute o que vou dizer;

fique calado, porque vou falar.

32Se você tem alguma coisa

a dizer, diga;

fale, porque gostaria

de lhe dar razão.

33Se não, escute o que vou dizer;

fique calado, e eu lhe ensinarei

a sabedoria.”