Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)

Todos zombam de mim

301“Mas agora zombam de mim

os que têm menos idade

do que eu,

cujos pais eu não teria aceito

nem para colocar ao lado

dos cães do meu rebanho.

2De que também me serviria

a força de suas mãos,

se eles são homens

cujo vigor já desapareceu?

3Enfraqueceram de tanto

passar fome e necessidade;

roem a terra seca,

desde muito em ruínas

e desolada.

4Apanham malvas

e folhas de arbustos

e se alimentam

de raízes de zimbro.

5São expulsos

do meio das pessoas;

grita-se contra eles,

como se grita

atrás de um ladrão.

6Têm de morar

nos desfiladeiros sombrios,

nas cavernas da terra

e das rochas.

7Uivam entre os arbustos

e se ajuntam

debaixo dos espinheiros.

8São filhos de doidos,

gente sem nome,

e são escorraçados da terra.”

9“Mas agora sou

a canção de deboche

dessa gente;

sirvo de provérbio

no meio deles.

10Eles me detestam,

fogem para longe de mim

e não têm receio de me cuspir

no rosto.

11Deus afrouxou a corda

do meu arco e me oprimiu;

por isso, sacudiram de si

o freio diante de mim.

12À minha direita se levanta

um bando e me empurra,

e contra mim prepara

o seu caminho de destruição.

13Arruínam o meu caminho;

promovem a minha destruição

sem a ajuda de ninguém.

14Vêm contra mim

como por uma grande brecha

e se revolvem avante

no meio das ruínas.

15Sobrevieram-me pavores;

a minha honra é como que varrida

pelo vento;

como nuvem passou

a minha felicidade.”

Tu foste cruel comigo

16“Agora a minha alma

se derrama dentro de mim;

os dias da aflição

se apoderam de mim.

17A noite perfura os meus ossos,

e o mal que me corrói

não descansa.

18Pela grande violência

do meu mal está desfigurada

a minha roupa;

este mal me envolve

como a gola da minha túnica.

19Deus me lançou na lama,

e me tornei semelhante

ao pó e à cinza.”

20“Clamo a ti, ó Deus,

e não me respondes;

estou em pé,

mas apenas olhas para mim.

21Tu foste cruel comigo;

e, com a força da tua mão,

me atacas.

30.21
Jó 19.6

22Tu me levantas sobre o vento

e me fazes cavalgá-lo;

no estrondo da tempestade

me jogas de um lado

para outro.

23Pois eu sei que me levarás

à morte

e à casa destinada

a todos os vivos.”

24“Não é fato que

de um montão de ruínas

um homem estenderá

a sua mão?

E, na sua desventura,

não levantará

um grito por socorro?

25Por acaso, não chorei

por aquele que atravessava

dias difíceis?

Não se angustiou a minha alma

pelo necessitado?

26Quando eu esperava o bem,

eis que me veio o mal;

esperava a luz,

e veio a escuridão.”

Eu clamo por socorro

27“O meu íntimo se agita

sem cessar;

e dias de aflição me sobrevêm.

28Tenho a pele queimada,

mas não pelo sol;

levanto-me na congregação

e clamo por socorro.

29Sou irmão dos chacais

e companheiro de avestruzes.

30.29
Mq 1.8

30A minha pele escurece e cai;

30.30
Jó 2.7

os meus ossos queimam de febre.

31Por isso, a minha harpa é usada

para fazer lamentações,

e a minha flauta, para acompanhar

os que choram.”