Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
2

A segunda prova de Jó

21Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se diante do Senhor, veio também Satanás entre eles apresentar-se diante do Senhor. 2Então o Senhor perguntou a Satanás:

— De onde você vem?

Satanás respondeu ao Senhor:

— De rodear a terra e passear por ela.

3E o Senhor disse a Satanás:

— Você reparou no meu servo Jó? Não há ninguém como ele na terra. Ele é um homem íntegro e reto, que teme a Deus e se desvia do mal. Ele ainda conserva a sua integridade, embora você me incitasse contra ele, para destruí-lo sem motivo.

4Então Satanás respondeu ao Senhor:

— Pele por pele! Um homem é capaz de dar tudo o que tem pela sua vida. 5Mas estende a tua mão e toca nos ossos e na carne dele, para ver se ele não blasfema contra ti na tua face.

6Então o Senhor disse a Satanás:

— Você pode fazer com ele o que quiser; mas poupe-lhe a vida.

7Então Satanás saiu da presença do Senhor e feriu Jó com tumores malignos, desde a planta do pé até o alto da cabeça.

2.7
Dt 28.35

8Jó, sentado em cinza, pegou um caco de barro para com ele raspar as feridas. 9Então a mulher dele disse:

— Você ainda conserva a sua integridade? Amaldiçoe a Deus e morra!

10Mas Jó respondeu:

— Você fala como uma doida. Temos recebido de Deus o bem; por que não receberíamos também o mal?

Em tudo isto Jó não pecou com os seus lábios.

A visita dos amigos

11Quando três amigos de Jó ouviram que todo este mal havia caído sobre ele, vieram, cada um do seu lugar: Elifaz, o temanita, Bildade, o suíta, e Zofar, o naamatita. Tinham combinado ir juntos condoer-se dele e consolá-lo. 12De longe eles levantaram os olhos e não o reconheceram. Então ergueram a voz e choraram. E cada um, rasgando o seu manto, lançava pó ao ar sobre a cabeça. 13Sentaram-se com ele no chão durante sete dias e sete noites. E ninguém lhe disse uma só palavra, pois viam que a dor era muito grande.

3

Primeiro diálogo

Caps.3—14

A queixa de Jó

Cap. 3

Jó amaldiçoa o seu nascimento

31Depois disto, Jó passou a falar e amaldiçoou o dia do seu nascimento. 2Jó disse:

3“Pereça o dia em que nasci

e a noite em que se disse:

‘Foi concebido um homem!’

4Que aquele dia

se transforme em trevas,

e Deus, lá de cima,

não se importe com ele,

nem resplandeça sobre ele a luz.

5Que as trevas

e a sombra da morte

se apoderem desse dia;

que uma nuvem habite sobre ele;

que tudo o que pode

escurecer o dia o espante.

6Aquela noite,

que dela se apoderem

densas trevas;

que ela não se alegre

entre os dias do ano,

nem entre na conta dos meses.

7Sim, que seja estéril aquela noite,

e dela sejam banidos

os gritos de alegria.

8Amaldiçoem-na

aqueles que sabem

amaldiçoar o dia

e sabem instigar o Leviatã.3.8 Para os povos antigos, o monstro Leviatã representava as forças do mal. Jó faz uso dessa imagem, expressando o desejo de que esse mostro imaginário devore a noite em que ele nasceu (veja Jó 26.13; Is 27.1)

9Escureçam-se as estrelas

do seu alvorecer;

que a noite espere a luz,

e a luz não venha;

que não veja

o despontar da alvorada,

10pois não fechou as portas

do ventre da minha mãe,

nem escondeu dos meus olhos

o sofrimento.”

Por que não morri ao nascer?

11“Por que não morri ao nascer?

Por que não expirei

ao sair do ventre

de minha mãe?

12Por que houve um colo

que me acolhesse,

e seios, para que eu mamasse?

13Porque agora

eu repousaria tranquilo;

dormiria, e então haveria

para mim descanso,

14com os reis e conselheiros

da terra

que construíram para si

mausoléus;

15ou com os príncipes

que tinham ouro

e encheram as suas casas de prata;

16ou, como aborto oculto,

eu não existiria,

como crianças

que nunca viram a luz.

17Ali os maus cessam de perturbar,

e ali repousam os cansados.

18Ali os presos juntamente

repousam

e não ouvem a voz do capataz.

19Ali está tanto o pequeno

como o grande,

e o servo fica livre de seu senhor.”

3.1-19
Jr 20.14-18

Por que o miserável continua vivendo?

20“Por que se concede

luz ao miserável

e vida aos de coração amargurado,

21que esperam a morte,

e ela não vem,

3.21
Ap 9.6

que cavam em procura dela

mais do que

tesouros ocultos,

22que se alegrariam

por um túmulo

e exultariam se achassem

a sepultura?

23Por que se concede

luz ao homem

cujo caminho é oculto,

e a quem Deus cercou

de todos os lados?”

24“Porque em vez do meu pão

me vêm gemidos,

e os meus lamentos

se derramam como água.

25Aquilo que temo me sobrevém,

e o que receio me acontece.

26Não tenho descanso,

não tenho sossego,

não tenho repouso;

só tenho inquietação.”

4

Primeira fala de Elifaz

Caps.4—5

Chegou a sua vez de sofrer

41Então Elifaz, o temanita, tomou a palavra e disse:

2“Se alguém tentar falar,

você terá paciência para ouvir?

Mas quem poderá conter

as palavras?

3Veja bem! Você ensinou a muitos

e fortaleceu mãos cansadas.

4As suas palavras sustentaram

os que tropeçavam,

e você fortaleceu

joelhos vacilantes.

5Mas agora,

quando chega a sua vez,

você perde a paciência;

ao ser atingido,

você fica apavorado.

6Você não tem confiança

no seu temor a Deus?

Não tem esperança na integridade

4.6
Jó 1.1
2.3

dos seus caminhos?

7Pense bem: será que algum

inocente já chegou a perecer?

E onde os retos foram destruídos?

8Segundo eu tenho visto,

os que lavram a iniquidade

e semeiam o mal,

isso mesmo eles colhem.

9Com o hálito de Deus perecem;

e com o sopro da sua ira

são consumidos.

10Cessa o bramido do leão

e a voz do leão feroz,

e os dentes dos leõezinhos

são quebrados.

11O leão morre,

porque não há presa,

e os filhos da leoa

andam dispersos.”

Pode um mortal ser justo diante de Deus?

12“Uma palavra me foi trazida

em segredo,

e os meus ouvidos perceberam

um sussurro dela.

13Entre pensamentos

de visões noturnas,

quando o sono profundo

cai sobre as pessoas,

14sobrevieram-me

o espanto e o tremor,

e todos os meus ossos

estremeceram.

15Então um espírito passou

por diante de mim;

e se arrepiaram os cabelos

do meu corpo.

16Ele parou, mas não reconheci

a sua aparência.

Um vulto estava

diante dos meus olhos;

houve silêncio, e ouvi uma voz:

17‘Pode um mortal ser justo

diante de Deus?

Pode alguém ser puro

diante do seu Criador?

18Eis que Deus não confia

nos seus servos

e aos seus anjos

atribui imperfeições;

19quanto mais àqueles

que habitam em casas de barro,

cujo fundamento está no pó,

e que são esmagados

como a traça!

20Nascem de manhã

e à tarde são destruídos;

perecem para sempre,

sem que ninguém

se importe com isso.

21Se o fio da vida lhes é cortado,

morrem e não alcançam

a sabedoria.’”