Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
28

Elogio da sabedoria

Cap. 28

Os seus olhos veem o que há de precioso

281“Na verdade, a prata

tem as suas minas,

e o ouro, que se refina,

tem o seu lugar.

2O ferro é tirado da terra,

e da pedra se funde o cobre.

3Os homens põem termo

à escuridão

e até os últimos confins procuram

as pedras ocultas nas trevas

e na densa escuridão.

4Abrem entrada para minas

longe da habitação

dos homens;

são esquecidos

pelos que passam por cima;

e, assim, longe de todos,

dependurados em cordas,

balançam de um lado

para outro.

5Da terra procede o alimento,

mas embaixo ela é revolvida

como que pelo fogo.

6Nas suas pedras

se encontra safira,

e há pó que contém ouro.

7Essa vereda,

a ave de rapina a ignora,

e os olhos do falcão nunca a viram.

8Feras majestosas nunca pisaram

essa vereda,

e nenhum leão passou por ali.

9O homem estende a sua mão

contra o rochedo

e revolve os montes

desde as suas raízes.

10Abre canais nas pedras,

e os seus olhos veem tudo

o que há de mais precioso.

11Tapa os veios de água,

e nem uma gota sai deles;

e traz à luz

o que estava escondido.”

O valor da sabedoria

12“Mas onde se achará

a sabedoria?

E em que lugar estará

o entendimento?

13O ser humano não conhece

o valor da sabedoria,

e ela não se encontra

na terra dos viventes.

14O abismo diz:

‘Ela não está em mim.’

E o mar diz: ‘Não está comigo.’

15Não se compra a sabedoria

com ouro fino;

ela também não pode

ser paga com prata.

16O seu valor

não pode ser avaliado

pelo ouro de Ofir,

nem pelo precioso ônix,

nem pela safira.

17O ouro não se iguala a ela,

nem o cristal;

não se pode trocá-la

por joias de ouro fino.

18Ela faz esquecer o coral

e o cristal;

o preço da sabedoria

é maior que o das pérolas.

19O topázio da Etiópia

não se compara com ela;

não se compra a sabedoria

nem com ouro puro.”

O temor do Senhor é a sabedoria

20“Mas de onde vem a sabedoria?

E em que lugar

estará o entendimento?

21Está encoberta aos olhos

de todos os seres vivos,

e oculta às aves do céu.

22O abismo e a morte dizem:

‘Ouvimos com os nossos ouvidos

a sua fama.’”

23“Deus lhe entende o caminho,

e ele é quem sabe o seu lugar.

24Porque o seu olhar

alcança as extremidades

da terra;

ele vê tudo o que há

debaixo dos céus.

25Quando Deus regulou

o peso do vento

e fixou a medida das águas;

26quando determinou leis

para a chuva

e caminho para o relâmpago

dos trovões,

27então ele viu a sabedoria

e a manifestou;

estabeleceu-a

e também a examinou.

28E disse ao ser humano:

‘Eis que o temor do Senhor

é a sabedoria,

28.28
Sl 111.10
Pv 9.10

e afastar-se do mal

é o entendimento.’”

29

Defesa final de Jó

Caps.29—31

Deus cuidava de mim

291Jó continuou em sua fala, dizendo:

2“Ah! Quem me dera ser

como fui nos meses passados,

como nos dias em que Deus

cuidava de mim!

3Quando Deus fazia resplandecer

a sua lâmpada

sobre a minha cabeça,

quando eu, guiado por sua luz,

caminhava na escuridão.

4Quem me dera ser como fui

nos dias do meu vigor,

quando a amizade de Deus

estava sobre a minha tenda,

5quando o Todo-Poderoso

ainda estava comigo,

e os meus filhos

estavam ao meu redor,

6quando eu lavava

os meus pés em leite,

e da rocha me corriam

rios de azeite.

7Quando eu me dirigia

até o portão da cidade

e mandava preparar

o meu assento na praça,

8os moços me viam

e se retiravam,

e os idosos se levantavam

e ficavam em pé.

9Os príncipes reprimiam

as suas palavras

e punham a mão sobre a boca.

10A voz dos nobres emudecia,

e a língua deles se apegava

ao céu da boca.”

Eu era pai dos necessitados

11“O ouvido que me ouvia

dizia que eu era feliz;

o olho que me via

dava testemunho de mim,

12porque eu livrava os pobres

que pediam ajuda

e também o órfão que não tinha

quem o socorresse.

13A bênção do que estava

prestes a perecer

vinha sobre mim,

e eu fazia o coração da viúva

cantar de alegria.

14Eu me cobria de retidão,

e ela me servia de roupa;

a minha justiça era como

um manto e um turbante.

15Eu era os olhos do cego

e os pés do aleijado.

16Era pai dos necessitados

e até as causas dos desconhecidos

eu examinava.

17Eu quebrava os queixos

dos iníquos

e arrancava as vítimas

dos dentes deles.”

Todos esperavam o meu conselho

18“Eu dizia: ‘Vou morrer

no meu ninho,

e multiplicarei os meus dias

como a areia.

19As minhas raízes se estenderão

até as águas,

e o orvalho ficará durante a noite

sobre os meus ramos.

20A minha honra

se renovará em mim,

e o meu arco se reforçará

na minha mão.’”

21“Os que me ouviam

esperavam o meu conselho

e guardavam silêncio para ouvi-lo.

22Depois que eu falava,

não diziam nada;

as minhas palavras caíam

sobre eles como orvalho.

23Esperavam-me

como se espera a chuva,

abriam a boca como para absorver

a chuva fora de época.

24Quando eu sorria para eles,

nem acreditavam;

e a luz do meu rosto

eles não desprezavam.

25Eu escolhia o caminho para eles,

assentava-me como chefe

e vivia como rei

entre as suas tropas;

eu era como quem consola

os que pranteiam.”

30

Todos zombam de mim

301“Mas agora zombam de mim

os que têm menos idade

do que eu,

cujos pais eu não teria aceito

nem para colocar ao lado

dos cães do meu rebanho.

2De que também me serviria

a força de suas mãos,

se eles são homens

cujo vigor já desapareceu?

3Enfraqueceram de tanto

passar fome e necessidade;

roem a terra seca,

desde muito em ruínas

e desolada.

4Apanham malvas

e folhas de arbustos

e se alimentam

de raízes de zimbro.

5São expulsos

do meio das pessoas;

grita-se contra eles,

como se grita

atrás de um ladrão.

6Têm de morar

nos desfiladeiros sombrios,

nas cavernas da terra

e das rochas.

7Uivam entre os arbustos

e se ajuntam

debaixo dos espinheiros.

8São filhos de doidos,

gente sem nome,

e são escorraçados da terra.”

9“Mas agora sou

a canção de deboche

dessa gente;

sirvo de provérbio

no meio deles.

10Eles me detestam,

fogem para longe de mim

e não têm receio de me cuspir

no rosto.

11Deus afrouxou a corda

do meu arco e me oprimiu;

por isso, sacudiram de si

o freio diante de mim.

12À minha direita se levanta

um bando e me empurra,

e contra mim prepara

o seu caminho de destruição.

13Arruínam o meu caminho;

promovem a minha destruição

sem a ajuda de ninguém.

14Vêm contra mim

como por uma grande brecha

e se revolvem avante

no meio das ruínas.

15Sobrevieram-me pavores;

a minha honra é como que varrida

pelo vento;

como nuvem passou

a minha felicidade.”

Tu foste cruel comigo

16“Agora a minha alma

se derrama dentro de mim;

os dias da aflição

se apoderam de mim.

17A noite perfura os meus ossos,

e o mal que me corrói

não descansa.

18Pela grande violência

do meu mal está desfigurada

a minha roupa;

este mal me envolve

como a gola da minha túnica.

19Deus me lançou na lama,

e me tornei semelhante

ao pó e à cinza.”

20“Clamo a ti, ó Deus,

e não me respondes;

estou em pé,

mas apenas olhas para mim.

21Tu foste cruel comigo;

e, com a força da tua mão,

me atacas.

30.21
Jó 19.6

22Tu me levantas sobre o vento

e me fazes cavalgá-lo;

no estrondo da tempestade

me jogas de um lado

para outro.

23Pois eu sei que me levarás

à morte

e à casa destinada

a todos os vivos.”

24“Não é fato que

de um montão de ruínas

um homem estenderá

a sua mão?

E, na sua desventura,

não levantará

um grito por socorro?

25Por acaso, não chorei

por aquele que atravessava

dias difíceis?

Não se angustiou a minha alma

pelo necessitado?

26Quando eu esperava o bem,

eis que me veio o mal;

esperava a luz,

e veio a escuridão.”

Eu clamo por socorro

27“O meu íntimo se agita

sem cessar;

e dias de aflição me sobrevêm.

28Tenho a pele queimada,

mas não pelo sol;

levanto-me na congregação

e clamo por socorro.

29Sou irmão dos chacais

e companheiro de avestruzes.

30.29
Mq 1.8

30A minha pele escurece e cai;

30.30
Jó 2.7

os meus ossos queimam de febre.

31Por isso, a minha harpa é usada

para fazer lamentações,

e a minha flauta, para acompanhar

os que choram.”