Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
27

Resposta de Jó

Cap. 27

Nunca abrirei mão da minha integridade

271Jó continuou em sua fala, dizendo:

2“Tão certo como vive Deus,

que me tirou o direito,

o Todo-Poderoso,

que amargurou a minha alma,

3enquanto eu puder respirar

e o sopro de Deus estiver

nas minhas narinas,

4nunca os meus lábios

falarão injustiça,

nem a minha língua

pronunciará engano.

5Longe de mim

que eu dê razão a vocês!

Até morrer, nunca abrirei mão

da minha integridade.

27.5
Jó 2.9

6À minha justiça me apegarei

e não a largarei;

a minha consciência

não me acusará

em toda a minha vida.”

Que o meu inimigo seja castigado

7“Que o meu inimigo seja como o perverso,

e o que se levantar contra mim, como o injusto.

8Porque qual será a esperança do ímpio,

quando lhe for tirada a vida,

quando Deus lhe arrancar a alma?

9Será que Deus ouvirá o seu clamor,

quando lhe sobrevier a angústia?

10Será que o ímpio encontrará prazer

no Todo-Poderoso

e invocará a Deus a todo o momento?”

11“Vou ensinar a vocês

a respeito do poder de Deus

e não lhes ocultarei o que está na mente

do Todo-Poderoso.

12Eis que todos vocês já viram isso.

Por que, então, ficam repetindo palavras

que não fazem sentido?”

A porção que Deus dará ao perverso

13“Esta é a porção que Deus dará ao perverso,

a herança que os opressores receberão

do Todo-Poderoso:

14Se os filhos deles se multiplicarem,

será para que sejam mortos à espada;

e os seus descendentes passarão fome.

15Os que sobreviverem, a peste os sepultará,

e as suas viúvas não chorarão por eles.”

16“Se o perverso amontoar prata como pó

e acumular roupas como barro,

17poderá até acumular tudo isso,

mas o justo é que vestirá as roupas,

e o inocente ficará com a prata.

18A casa que ele edifica é como a da traça,

como a cabana que o vigia constrói.

19Rico, ele se deita com a sua riqueza,

mas, quando abre os olhos, ela já se foi.

20Pavores se apoderam dele como inundação,

de noite a tempestade o arrebata.

21O vento leste o leva, e ele se vai;

varre-o com ímpeto do seu lugar.

22Deus lança isto sobre ele e não o poupa,

a ele que procura fugir às pressas da sua mão.

23Diante de sua queda,

as pessoas batem palmas;

ao vê-lo ir embora o vaiam com assobios.”

28

Elogio da sabedoria

Cap. 28

Os seus olhos veem o que há de precioso

281“Na verdade, a prata

tem as suas minas,

e o ouro, que se refina,

tem o seu lugar.

2O ferro é tirado da terra,

e da pedra se funde o cobre.

3Os homens põem termo

à escuridão

e até os últimos confins procuram

as pedras ocultas nas trevas

e na densa escuridão.

4Abrem entrada para minas

longe da habitação

dos homens;

são esquecidos

pelos que passam por cima;

e, assim, longe de todos,

dependurados em cordas,

balançam de um lado

para outro.

5Da terra procede o alimento,

mas embaixo ela é revolvida

como que pelo fogo.

6Nas suas pedras

se encontra safira,

e há pó que contém ouro.

7Essa vereda,

a ave de rapina a ignora,

e os olhos do falcão nunca a viram.

8Feras majestosas nunca pisaram

essa vereda,

e nenhum leão passou por ali.

9O homem estende a sua mão

contra o rochedo

e revolve os montes

desde as suas raízes.

10Abre canais nas pedras,

e os seus olhos veem tudo

o que há de mais precioso.

11Tapa os veios de água,

e nem uma gota sai deles;

e traz à luz

o que estava escondido.”

O valor da sabedoria

12“Mas onde se achará

a sabedoria?

E em que lugar estará

o entendimento?

13O ser humano não conhece

o valor da sabedoria,

e ela não se encontra

na terra dos viventes.

14O abismo diz:

‘Ela não está em mim.’

E o mar diz: ‘Não está comigo.’

15Não se compra a sabedoria

com ouro fino;

ela também não pode

ser paga com prata.

16O seu valor

não pode ser avaliado

pelo ouro de Ofir,

nem pelo precioso ônix,

nem pela safira.

17O ouro não se iguala a ela,

nem o cristal;

não se pode trocá-la

por joias de ouro fino.

18Ela faz esquecer o coral

e o cristal;

o preço da sabedoria

é maior que o das pérolas.

19O topázio da Etiópia

não se compara com ela;

não se compra a sabedoria

nem com ouro puro.”

O temor do Senhor é a sabedoria

20“Mas de onde vem a sabedoria?

E em que lugar

estará o entendimento?

21Está encoberta aos olhos

de todos os seres vivos,

e oculta às aves do céu.

22O abismo e a morte dizem:

‘Ouvimos com os nossos ouvidos

a sua fama.’”

23“Deus lhe entende o caminho,

e ele é quem sabe o seu lugar.

24Porque o seu olhar

alcança as extremidades

da terra;

ele vê tudo o que há

debaixo dos céus.

25Quando Deus regulou

o peso do vento

e fixou a medida das águas;

26quando determinou leis

para a chuva

e caminho para o relâmpago

dos trovões,

27então ele viu a sabedoria

e a manifestou;

estabeleceu-a

e também a examinou.

28E disse ao ser humano:

‘Eis que o temor do Senhor

é a sabedoria,

28.28
Sl 111.10
Pv 9.10

e afastar-se do mal

é o entendimento.’”

29

Defesa final de Jó

Caps.29—31

Deus cuidava de mim

291Jó continuou em sua fala, dizendo:

2“Ah! Quem me dera ser

como fui nos meses passados,

como nos dias em que Deus

cuidava de mim!

3Quando Deus fazia resplandecer

a sua lâmpada

sobre a minha cabeça,

quando eu, guiado por sua luz,

caminhava na escuridão.

4Quem me dera ser como fui

nos dias do meu vigor,

quando a amizade de Deus

estava sobre a minha tenda,

5quando o Todo-Poderoso

ainda estava comigo,

e os meus filhos

estavam ao meu redor,

6quando eu lavava

os meus pés em leite,

e da rocha me corriam

rios de azeite.

7Quando eu me dirigia

até o portão da cidade

e mandava preparar

o meu assento na praça,

8os moços me viam

e se retiravam,

e os idosos se levantavam

e ficavam em pé.

9Os príncipes reprimiam

as suas palavras

e punham a mão sobre a boca.

10A voz dos nobres emudecia,

e a língua deles se apegava

ao céu da boca.”

Eu era pai dos necessitados

11“O ouvido que me ouvia

dizia que eu era feliz;

o olho que me via

dava testemunho de mim,

12porque eu livrava os pobres

que pediam ajuda

e também o órfão que não tinha

quem o socorresse.

13A bênção do que estava

prestes a perecer

vinha sobre mim,

e eu fazia o coração da viúva

cantar de alegria.

14Eu me cobria de retidão,

e ela me servia de roupa;

a minha justiça era como

um manto e um turbante.

15Eu era os olhos do cego

e os pés do aleijado.

16Era pai dos necessitados

e até as causas dos desconhecidos

eu examinava.

17Eu quebrava os queixos

dos iníquos

e arrancava as vítimas

dos dentes deles.”

Todos esperavam o meu conselho

18“Eu dizia: ‘Vou morrer

no meu ninho,

e multiplicarei os meus dias

como a areia.

19As minhas raízes se estenderão

até as águas,

e o orvalho ficará durante a noite

sobre os meus ramos.

20A minha honra

se renovará em mim,

e o meu arco se reforçará

na minha mão.’”

21“Os que me ouviam

esperavam o meu conselho

e guardavam silêncio para ouvi-lo.

22Depois que eu falava,

não diziam nada;

as minhas palavras caíam

sobre eles como orvalho.

23Esperavam-me

como se espera a chuva,

abriam a boca como para absorver

a chuva fora de época.

24Quando eu sorria para eles,

nem acreditavam;

e a luz do meu rosto

eles não desprezavam.

25Eu escolhia o caminho para eles,

assentava-me como chefe

e vivia como rei

entre as suas tropas;

eu era como quem consola

os que pranteiam.”

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