Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
23

Resposta de Jó

Caps.23—24

Quem dera eu soubesse onde encontrar Deus!

231Então Jó respondeu:

2“Ainda hoje a minha queixa

é de um revoltado,

apesar de a minha mão

reprimir o meu gemido.

3Quem dera eu soubesse

onde encontrá-lo!

Então me chegaria ao seu tribunal.

4Exporia diante dele

a minha causa,

encheria a minha boca

de argumentos.

5Saberia com que palavras

ele me responderia

e entenderia

o que ele fosse me dizer.

6Será que ele discutiria comigo,

segundo a grandeza

do seu poder?

Não! Ele me atenderia.

7Ali, o homem reto apresentaria

a sua causa diante dele,

e eu me livraria para sempre

do meu juiz.”

Deus sabe o meu caminho

8“Se me adianto, Deus não está ali;

se volto para trás, não o percebo.

9Se ele age à minha esquerda,

não o vejo;

se ele se esconde à minha direita,

não o enxergo.

10Mas ele sabe o meu caminho;

se ele me provasse,

eu sairia como o ouro.

11Os meus pés seguiram

as suas pisadas;

guardei o seu caminho

e não me desviei dele.

12Do mandamento dos seus lábios

nunca me afastei;

escondi no meu íntimo

as palavras da sua boca.”

Deus cumprirá o que está ordenado a meu respeito

13“Mas, se Deus resolveu

alguma coisa,

quem o pode convencer

a mudar de ideia?

O que ele quer, isso fará.

23.13
Jó 9.12
12.14
Sl 115.3

14Pois ele cumprirá

o que está ordenado

a meu respeito

e muitas coisas como estas

ainda tem planejado.

15Por isso, fico apavorado

na sua presença;

e, quando penso nisso,

tenho medo dele.

16Deus é quem fez

o meu coração esmorecer;

o Todo-Poderoso

me encheu de pavor.

17Porque não estou desfalecido

por causa das trevas,

nem porque a escuridão

cobre o meu rosto.”

Os maus roubam

241“Por que o Todo-Poderoso

não designa

tempos de julgamento?

E por que os que o conhecem

não veem tais dias?

2Há os que removem

os marcos de divisa,

roubam os rebanhos

e os apascentam.

3Levam o jumento

que pertence ao órfão,

e, como penhor,

ficam com o boi da viúva.

4Desviam do caminho

os necessitados,

e os pobres da terra

todos têm de se esconder.”

Os pobres são explorados pelos maus

5“Como jumentos selvagens

no deserto,

os pobres saem

para o seu trabalho,

à procura de alimento;

em campo aberto

encontram comida

para eles e para os seus filhos.

6Cortam o seu pasto no campo,

e apanham as uvas que ficaram

nas vinhas dos ímpios.

24.6
Dt 24.21

7Passam a noite nus

por falta de roupa

e não têm cobertas contra o frio.

8São encharcados

pelas chuvas das montanhas

e, por falta de abrigo,

abraçam-se às rochas.

9Orfãozinhos são arrancados

do peito,

e dos pobres se toma penhor.

10Os pobres andam nus,

sem roupa,

e, famintos, carregam os feixes.

11Entre os muros desses perversos

espremem o azeite;

pisam as uvas no lagar,

enquanto padecem sede.

12Desde as cidades gemem

os que estão para morrer,

e a alma dos feridos pede socorro,

mas Deus não considera isso

anormal.”

Perversos, assassinos, adúlteros, ladrões

13“Os perversos são

inimigos da luz,

não conhecem os seus caminhos,

nem permanecem

nas suas veredas.

14O assassino se levanta

de madrugada,

mata o pobre e o necessitado,

e de noite se torna ladrão.

15O olho do adúltero

aguarda o crepúsculo,

dizendo: ‘Ninguém me verá’;

e cobre o rosto.

16Nas trevas,

ladrões invadem as casas,

mas de dia ficam escondidos;

não querem nada com a luz.

17Pois a manhã é para todos eles

como sombra de morte,

mas os terrores da noite

lhes são familiares.”

Deus atenta ao perverso

18“Os perversos são levados

rapidamente

na superfície das águas;

a porção deles na terra é maldita,

e por isso já não andam

pelo caminho das vinhas.

19A seca e o calor

desfazem as águas da neve;

a sepultura faz o mesmo

com os que pecaram.

20A mãe se esquecerá deles,

os vermes os comerão com gosto;

nunca mais haverá

lembrança deles.

A injustiça será quebrada

como uma árvore.

21Maltratam as estéreis,

que não têm filhos,

e não fazem o bem às viúvas.

22Mas Deus, por sua força,

prolonga os dias dos valentes;

eles se veem em pé

quando desesperavam da vida.

23Ele lhes dá descanso,

e nisso se apoiam;

mas os olhos de Deus

estão atentos

aos caminhos deles.

24São exaltados por breve tempo;

depois, passam, colhidos

como todos os demais;

são cortados

como as espigas do trigo.

25Se não é assim,

quem me desmentirá

e anulará as minhas palavras?”

Terceira fala de Bildade

Cap. 25

Pode o homem ser justo diante de Deus?

251Então Bildade, o suíta, tomou a palavra e disse:

2“A Deus pertence o domínio

e o poder;

ele faz reinar a paz

nas alturas celestes.

3Será que é possível contar

os seus exércitos?

E sobre quem não se levanta

a sua luz?

4Como pode o mortal ser justo

diante de Deus?

E como pode ser puro

aquele que nasce de mulher?

25.4
Jó 4.17
9.2
15.14

5Eis que até a lua não tem brilho,

e as estrelas não são puras

aos olhos dele.

6Quanto menos o homem,

que é larva,

e o filho do homem, que é verme!”