Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
19

Resposta de Jó

Cap. 19

Vocês me insultaram

191Então Jó respondeu:

2“Até quando vocês vão

me atormentar

e me esmagar

com as suas palavras?

3Já dez vezes vocês

me insultaram

e não se envergonham

de me injuriar.

4Se eu tivesse realmente

cometido algum erro,

isso interessaria somente a mim.

5Se vocês querem se engrandecer

contra mim

e usam a minha vergonha

como argumento contra mim,

6então saibam que Deus

foi injusto

19.6
Jó 8.3
27.2
comigo

e me cercou com a sua rede.”

Deus me arruinou

7“Eis que clamo: ‘Violência!’,

mas não sou ouvido;

grito: ‘Socorro!’,

porém não há justiça.

8Deus fechou o meu caminho,

e não consigo passar;

e nas minhas veredas pôs trevas.

9Despojou-me da minha honra

e tirou a coroa da minha cabeça.

10Arruinou-me de todos os lados,

e eu me vou;

tirou-me a esperança,

como se arranca uma árvore.

11Acendeu contra mim a sua ira

e me trata como um

dos seus adversários.

12Juntas vieram as suas tropas;

prepararam contra mim

o seu caminho

e acamparam

ao redor da minha tenda.”

Todos me abandonaram

13“Deus levou os meus irmãos

para longe de mim,

e os que me conhecem,

como estranhos,

se afastaram de mim.

14Os meus parentes

me abandonaram,

e os meus conhecidos

se esqueceram de mim.

15Os que se abrigam

na minha casa

e as minhas servas me consideram

como um estranho;

vim a ser um estrangeiro

aos olhos deles.

16Chamo o meu servo,

e ele não me responde;

tenho de suplicar-lhe, eu mesmo.

17O meu hálito é intolerável

à minha mulher,

e pelo mau cheiro sou repugnante

aos meus irmãos.

18Até as crianças me desprezam,

e, quando tento me levantar,

zombam de mim.

19Todos os meus amigos íntimos

me detestam,

e até os que eu amava

se voltaram contra mim.

20Os meus ossos se apegam

à minha pele e à minha carne;

19.20
Sl 102.5

escapei só com a pele

dos meus dentes.

21Tenham pena de mim,

meus amigos,

tenham pena de mim,

porque a mão de Deus

me atingiu.

22Por que vocês me perseguem

como Deus me persegue

e não cessam de devorar

a minha carne?”

Eu sei que o meu Redentor vive

23“Quem dera fossem agora

escritas as minhas palavras!

Quem dera fossem gravadas

em livro!

24Que, com pena de ferro

e com chumbo,

para sempre fossem esculpidas

na rocha!

25Porque eu sei

que o meu Redentor vive

e por fim se levantará

sobre a terra.

19.25
Jó 16.19

26Depois, revestido

este meu corpo

da minha pele,

em minha carne verei a Deus.

27Eu o verei por mim mesmo,

os meus olhos o verão,

e não outros;

de saudade o meu coração

desfalece dentro de mim.”

28“Se vocês disserem:

‘Como o perseguiremos?’

E: ‘A causa deste mal

se acha nele mesmo’,

29então tenham medo da espada,

porque tais acusações

merecem o seu furor,

para que vocês saibam

que há um juízo.”

20

Segunda fala de Zofar

Cap. 20

201Então Zofar, o naamatita, tomou a palavra e disse:

2“Visto que os meus pensamentos

me impõem resposta,

eu me apresso.

3Eu ouvi a repreensão,

que me envergonha,

mas o meu espírito

me obriga a responder

segundo o meu entendimento.”

O júbilo dos ímpios é breve

4“Será que você não sabe

que desde todos os tempos,

desde que o ser humano

foi posto sobre a terra,

5o júbilo dos ímpios é breve,

e a alegria dos maus

é momentânea?

6Ainda que a sua presunção

chegue aos céus,

e a sua cabeça atinja as nuvens,

7como o seu próprio esterco,

ele apodrecerá para sempre,

e os que o conheceram

perguntarão: ‘Onde está ele?’

8Voará como um sonho

e não será encontrado;

será afugentado

como uma visão da noite.

9Os olhos que o viram

não o verão mais,

e o lugar onde ele estava

não o verá outra vez.

20.9
Jó 7.10

10Os seus filhos procurarão

aplacar os pobres,

e com as suas mãos

ele lhes devolverá os seus bens.

11Ainda que os seus ossos

estejam cheios do vigor

da sua juventude,

esse vigor se deitará

com ele no pó.”

O mal é veneno

12“Ainda que o mal seja doce

na sua boca,

e ele o esconda debaixo da língua,

13e o saboreie,

e não o queira largar,

mas o retenha em sua boca,

14o fato é que a sua comida

se transformará

no seu estômago;

será veneno de cobra

no seu interior.

15Engoliu riquezas,

mas terá de vomitá-las;

Deus o obrigará a lançá-las

de seu ventre.

16Sugou veneno de cobra;

a mordedura da víbora o matará.

17Não se deliciará

com a vista dos ribeiros

e dos rios transbordantes de mel

e de leite.

18Devolverá o fruto

do seu trabalho

e não o engolirá;

do lucro dos seus negócios

não tirará prazer nenhum.

19Porque oprimiu

e desamparou os pobres,

roubou casas que não construiu.

20Por não haver limites

à sua cobiça,

não chegará a salvar

as coisas por ele desejadas.

21Nada escapou

à sua cobiça insaciável;

por isso a sua prosperidade

não durará.

22Na plenitude da sua riqueza,

ficará angustiado;

toda a força da miséria

virá sobre ele.”

A ira de Deus sobre o ímpio

23“Para encher-lhe a barriga,

Deus mandará sobre ele

o furor da sua ira,

que, por alimento,

mandará chover sobre ele.

24Se fugir das armas de ferro,

uma flecha de bronze

o atravessará.

20.24
Am 5.19

25Ele arranca a flecha

das suas costas,

e esta vem brilhando com o seu fel;

e o pavor tomará conta dele.

26Todas as calamidades

serão reservadas

contra os seus tesouros;

um fogo não aceso

por mãos humanas o consumirá

e devorará o que ficar

na sua tenda.”

27“Os céus manifestarão

a sua iniquidade;

e a terra se levantará contra ele.

28As riquezas de sua casa

serão levadas embora;

como água serão derramadas

no dia da ira de Deus.

29Esta é, da parte de Deus,

a sorte do ímpio;

esta é a herança

decretada por Deus.”

21

Resposta de Jó

Cap. 21

Será que é do homem que eu me queixo?

211Então Jó respondeu:

2“Ouçam com atenção

as minhas palavras;

seja esta a consolação

que vocês me trazem.

3Tenham paciência, e eu falarei;

e, havendo eu falado,

poderão zombar de mim.

4Será que é do homem

que eu me queixo?

Não tenho motivo

para ficar impaciente?

5Olhem para mim

e fiquem pasmos,

e ponham a mão sobre a boca.

6Porque só de pensar nisso

fico apavorado,

e sinto um calafrio

passar pelo meu corpo.”

Os maus cantam e se alegram

7“Como é que os ímpios

continuam vivos,

envelhecem e ainda se tornam

mais poderosos?

8Os seus filhos se estabelecem

na sua presença;

e os seus descendentes,

diante dos seus olhos.

9As suas casas têm paz

e estão livres do medo;

e a vara de Deus não os fustiga.

10Os seus touros geram

e não falham;

as suas novilhas têm a cria

e não abortam.

11Deixam as suas crianças correr

como um rebanho;

os seus filhos saltam de alegria.

12Cantam com tamborim e harpa

e alegram-se ao som da flauta.

13Passam os seus dias

em prosperidade

e em paz descem à sepultura.”

14“E são estes os que se dirigem

a Deus, dizendo:

‘Deixa-nos em paz.

Não queremos conhecer

os teus caminhos.

15Quem é o Todo-Poderoso,

para que o sirvamos?

E o que ganhamos,

se lhe fizermos orações?’

16Vejam que não provém deles

a sua prosperidade.

Longe de mim

o conselho dos ímpios!”

21.16
Sl 1.1

Que Deus castigue os ímpios

17“Quantas vezes se apaga

a lâmpada dos ímpios?

Quantas vezes lhes sobrevém

a destruição?

Quantas vezes Deus, na sua ira,

os faz sofrer?

18Quantas vezes são como a palha

diante do vento

e como a poeira que é levada

pela tempestade?”

21.18
Sl 1.4
35.5
83.13

19“Vocês dizem que Deus

reserva o castigo do perverso

para os filhos dele.

Mas é ao perverso que Deus

deveria punir,

para que o sinta.

20Seus próprios olhos devem

ver a sua ruína;

que ele beba do furor

do Todo-Poderoso!

21Porque depois de morto,

e acabada a contagem

dos seus meses,

que interessa a ele a sua casa?

22Será que alguém pode

ensinar algo a Deus,

a ele que julga

os que estão nos céus?”

23“Um morre em pleno vigor,

despreocupado e tranquilo,

24com os seus baldes

cheios de leite

e os ossos repletos de tutano.

25Outro, ao contrário,

morre com o coração

cheio de amargura,

não havendo provado o bem.

26Juntamente jazem no pó,

onde os vermes os cobrem.”

Vocês querem me consolar com palavras vazias?

27“Eis que eu conheço

os pensamentos de vocês

e os planos injustos que fazem

para me prejudicar.

28Porque vocês perguntam:

‘Onde está agora

a casa do príncipe?’

E: ‘Onde ficou a tenda

em que moravam os ímpios?’”

29“Será que vocês

nunca interrogaram

os que viajam?

E não levaram em conta

as suas declarações,

30que o mau é poupado

no dia da calamidade,

e é socorrido no dia do furor?

31Quem lhe jogará na cara

o que ele fez?

Quem o fará pagar pelo que fez?

32Finalmente, é levado à sepultura,

e sobre o seu túmulo

se faz vigilância.

33A terra do vale que o cobre

é leve;

todos os homens o seguem,

assim como são inumeráveis

os que foram adiante dele.

34Como, então, vocês querem

me consolar

com palavras vazias?

Nas respostas de vocês

só há falsidade.”