Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
1

Jó, sua família e sua riqueza

11Havia um homem na terra de Uz cujo nome era Jó. Este homem era íntegro e reto, temia a Deus e se desviava do mal. 2Nasceram-lhe sete filhos e três filhas. 3Tinha sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas. Também tinha muitíssima gente a seu serviço, de maneira que este homem era o maior de todos os do Oriente.

4Os filhos dele iam às casas uns dos outros e faziam banquetes, cada um por sua vez, e mandavam convidar as suas três irmãs a comerem e beberem com eles. 5Quando se encerrava um ciclo de banquetes, Jó chamava os seus filhos e os santificava; levantava-se de madrugada e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles. Pois Jó pensava assim: “Talvez os meus filhos tenham pecado e blasfemado contra Deus em seu coração.” Jó fazia isso continuamente.

Satanás põe em dúvida a sinceridade de Jó

6Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se diante do Senhor, veio também Satanás entre eles. 7Então o Senhor perguntou a Satanás:

— De onde você vem?

Satanás respondeu ao Senhor:

— De rodear a terra e passear por ela.

8E o Senhor disse a Satanás:

— Você reparou no meu servo Jó? Não há ninguém como ele na terra. Ele é um homem íntegro e reto, que teme a Deus e se desvia do mal.

9Então Satanás

1.9
Ap 12.10
respondeu ao Senhor:

— Será que é sem motivo que Jó teme a Deus? 10Não é verdade que tu mesmo puseste uma cerca ao redor dele, da sua casa e de tudo o que ele tem? Abençoaste a obra de suas mãos, e os seus bens se multiplicaram na terra. 11Mas estende a tua mão e toca em tudo o que ele tem, para ver se ele não blasfema contra ti na tua face.

12Então o Senhor disse a Satanás:

— Você pode fazer o que quiser com tudo o que ele tem; só não estenda a mão contra ele.

Então Satanás saiu da presença do Senhor.

Jó perde os filhos e as riquezas

13Um dia, quando os filhos e as filhas de Jó comiam e bebiam vinho na casa do irmão mais velho, 14veio um mensageiro a Jó e lhe disse:

— Os bois estavam lavrando e as jumentas estavam pastando junto a eles. 15De repente, os sabeus atacaram e levaram tudo. Mataram os servos a fio de espada. Só eu consegui escapar, para trazer a notícia.

16Enquanto este ainda falava, veio outro mensageiro e disse:

— Fogo de Deus caiu do céu e queimou as ovelhas e os servos, destruindo todos eles. Só eu consegui escapar, para trazer a notícia.

17Enquanto este ainda falava, veio outro mensageiro e disse:

— Os caldeus se dividiram em três bandos, atacaram os camelos e os levaram embora. Mataram os servos a fio de espada. Só eu consegui escapar, para trazer a notícia.

18Também este ainda falava quando veio outro e disse:

— Os seus filhos e as suas filhas estavam comendo e bebendo vinho na casa do irmão mais velho. 19De repente, eis que se levantou um vento muito forte do lado do deserto e bateu contra os quatro cantos da casa. Ela caiu sobre os jovens, e eles morreram. Só eu consegui escapar, para trazer a notícia.

20Então Jó se levantou, rasgou o seu manto, rapou a cabeça, prostrou-se em terra e adorou. 21E disse:

— Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei. O Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor!

22Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma.

2

A segunda prova de Jó

21Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se diante do Senhor, veio também Satanás entre eles apresentar-se diante do Senhor. 2Então o Senhor perguntou a Satanás:

— De onde você vem?

Satanás respondeu ao Senhor:

— De rodear a terra e passear por ela.

3E o Senhor disse a Satanás:

— Você reparou no meu servo Jó? Não há ninguém como ele na terra. Ele é um homem íntegro e reto, que teme a Deus e se desvia do mal. Ele ainda conserva a sua integridade, embora você me incitasse contra ele, para destruí-lo sem motivo.

4Então Satanás respondeu ao Senhor:

— Pele por pele! Um homem é capaz de dar tudo o que tem pela sua vida. 5Mas estende a tua mão e toca nos ossos e na carne dele, para ver se ele não blasfema contra ti na tua face.

6Então o Senhor disse a Satanás:

— Você pode fazer com ele o que quiser; mas poupe-lhe a vida.

7Então Satanás saiu da presença do Senhor e feriu Jó com tumores malignos, desde a planta do pé até o alto da cabeça.

2.7
Dt 28.35

8Jó, sentado em cinza, pegou um caco de barro para com ele raspar as feridas. 9Então a mulher dele disse:

— Você ainda conserva a sua integridade? Amaldiçoe a Deus e morra!

10Mas Jó respondeu:

— Você fala como uma doida. Temos recebido de Deus o bem; por que não receberíamos também o mal?

Em tudo isto Jó não pecou com os seus lábios.

A visita dos amigos

11Quando três amigos de Jó ouviram que todo este mal havia caído sobre ele, vieram, cada um do seu lugar: Elifaz, o temanita, Bildade, o suíta, e Zofar, o naamatita. Tinham combinado ir juntos condoer-se dele e consolá-lo. 12De longe eles levantaram os olhos e não o reconheceram. Então ergueram a voz e choraram. E cada um, rasgando o seu manto, lançava pó ao ar sobre a cabeça. 13Sentaram-se com ele no chão durante sete dias e sete noites. E ninguém lhe disse uma só palavra, pois viam que a dor era muito grande.

3

Primeiro diálogo

Caps.3—14

A queixa de Jó

Cap. 3

Jó amaldiçoa o seu nascimento

31Depois disto, Jó passou a falar e amaldiçoou o dia do seu nascimento. 2Jó disse:

3“Pereça o dia em que nasci

e a noite em que se disse:

‘Foi concebido um homem!’

4Que aquele dia

se transforme em trevas,

e Deus, lá de cima,

não se importe com ele,

nem resplandeça sobre ele a luz.

5Que as trevas

e a sombra da morte

se apoderem desse dia;

que uma nuvem habite sobre ele;

que tudo o que pode

escurecer o dia o espante.

6Aquela noite,

que dela se apoderem

densas trevas;

que ela não se alegre

entre os dias do ano,

nem entre na conta dos meses.

7Sim, que seja estéril aquela noite,

e dela sejam banidos

os gritos de alegria.

8Amaldiçoem-na

aqueles que sabem

amaldiçoar o dia

e sabem instigar o Leviatã.3.8 Para os povos antigos, o monstro Leviatã representava as forças do mal. Jó faz uso dessa imagem, expressando o desejo de que esse mostro imaginário devore a noite em que ele nasceu (veja Jó 26.13; Is 27.1)

9Escureçam-se as estrelas

do seu alvorecer;

que a noite espere a luz,

e a luz não venha;

que não veja

o despontar da alvorada,

10pois não fechou as portas

do ventre da minha mãe,

nem escondeu dos meus olhos

o sofrimento.”

Por que não morri ao nascer?

11“Por que não morri ao nascer?

Por que não expirei

ao sair do ventre

de minha mãe?

12Por que houve um colo

que me acolhesse,

e seios, para que eu mamasse?

13Porque agora

eu repousaria tranquilo;

dormiria, e então haveria

para mim descanso,

14com os reis e conselheiros

da terra

que construíram para si

mausoléus;

15ou com os príncipes

que tinham ouro

e encheram as suas casas de prata;

16ou, como aborto oculto,

eu não existiria,

como crianças

que nunca viram a luz.

17Ali os maus cessam de perturbar,

e ali repousam os cansados.

18Ali os presos juntamente

repousam

e não ouvem a voz do capataz.

19Ali está tanto o pequeno

como o grande,

e o servo fica livre de seu senhor.”

3.1-19
Jr 20.14-18

Por que o miserável continua vivendo?

20“Por que se concede

luz ao miserável

e vida aos de coração amargurado,

21que esperam a morte,

e ela não vem,

3.21
Ap 9.6

que cavam em procura dela

mais do que

tesouros ocultos,

22que se alegrariam

por um túmulo

e exultariam se achassem

a sepultura?

23Por que se concede

luz ao homem

cujo caminho é oculto,

e a quem Deus cercou

de todos os lados?”

24“Porque em vez do meu pão

me vêm gemidos,

e os meus lamentos

se derramam como água.

25Aquilo que temo me sobrevém,

e o que receio me acontece.

26Não tenho descanso,

não tenho sossego,

não tenho repouso;

só tenho inquietação.”

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