Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
14

A brevidade da vida

141“O ser humano, nascido de mulher,

vive breve tempo,

cheio de inquietação.

2Nasce como a flor e murcha;

foge como a sombra

e não permanece.

3Sobre ele abres os teus olhos?

E me fazes entrar em juízo contigo?

4Quem poderá tirar coisa pura

daquilo que é impuro?

Ninguém!

5Visto que os dias do ser humano

estão contados,

o número dos seus meses

está nas tuas mãos;

traçaste limites além dos quais

não passará.

6Desvia dele o teu olhar,

para que tenha repouso,

até que, como o trabalhador,

tenha prazer no seu dia.”

7“Porque há esperança

para a árvore,

pois, mesmo cortada,

voltará a brotar,

e não cessarão os seus rebentos.

8Se as suas raízes

envelhecerem na terra,

e o seu tronco morrer no chão,

9ao cheiro das águas brotará

e dará ramos como a planta nova.

10Mas, se alguém morre,

fica prostrado;

o ser humano expira e para onde vai?”

11“Como as águas do lago

evaporam,

e o rio se esgota e seca,

12assim o ser humano se deita

e não se levanta;

enquanto existirem os céus,

não acordará,

nem será despertado do seu sono.”

Eu esperarei a minha mudança

13“Quem dera me escondesses

na sepultura

e me ocultasses

até que a tua ira passasse!

Quem dera me fixasses um prazo

e depois te lembrasses de mim!

14Quando alguém morre,

será que volta a viver?

Todos os dias da minha luta

esperaria,

até que viesse a minha mudança.

15Tu me chamarias,

e eu te responderia;

terias saudades

da obra das tuas mãos;

16e até contarias os meus passos

e não levarias em conta

os meus pecados.

17A minha transgressão

estaria selada num saco,

e terias encoberto

as minhas iniquidades.”

Tu destróis a esperança humana

18“Mas como o monte

que desmorona e se desfaz,

e a rocha que se move

do seu lugar,

19como as águas gastam as pedras,

e as cheias levam o pó da terra,

assim destróis

a esperança humana.

20Tu prevaleces para sempre

contra o ser humano, e ele passa;

mudas o semblante dele

e o despedes.

21Os seus filhos recebem honras,

e ele não sabe;

são humilhados,

e ele não percebe.

22Ele sente as dores

apenas de seu próprio corpo,

e a sua alma lamenta

apenas por si mesma.”