Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
12

Resposta de Jó

Caps.12—14

Eu também tenho entendimento

121Então Jó respondeu:

2“Na verdade, vocês são o povo,

e com vocês morrerá a sabedoria.

3Mas eu também tenho

entendimento;

em nada sou inferior a vocês.

Quem não sabe coisas como essas?

4Eu sou motivo de riso

para os meus amigos —

eu, que invocava a Deus,

e ele me respondia;

o justo e o reto são motivo de riso.

5No pensamento

de quem está seguro

há desprezo pela desgraça,

um empurrão para aquele

cujos pés já vacilam.

6Os opressores têm paz

em suas tendas,

e os que provocam a Deus

estão seguros;

o deus deles é a sua própria força.”

Os animais o ensinarão

7“Mas pergunte agora aos animais,

e cada um deles o ensinará;

pergunte às aves do céu,

e elas lhe contarão.

8Ou fale com a terra,

e ela o instruirá;

até os peixes do mar lhe contarão.

9De todos estes, quem não sabe

que a mão do Senhor fez isto?

10Na sua mão está a vida

de todos os seres vivos

e o espírito de todo

o gênero humano.

11Por acaso, o ouvido

não avalia as palavras,

assim como o paladar

prova as comidas?”

Com Deus estão a sabedoria e a força

12“Está a sabedoria com os idosos?

Será que a longevidade

traz o entendimento?

13Com Deus estão a sabedoria

e a força;

ele tem conselho e entendimento.

14O que ele derruba

não pode ser reconstruído;

se ele lança alguém na prisão,

ninguém a pode abrir.

15Se ele retém as águas,

elas secam;

se ele as solta,

elas devastam a terra.”

16“Com ele estão a força

e a sabedoria;

a ele pertencem o enganado

e o enganador.

17Ele leva os conselheiros embora,

descalços,

e faz os juízes de tolos.

18Solta os laços

que prendem os reis

e amarra uma corda

aos seus lombos.

19Ele leva os sacerdotes embora,

descalços,

e transtorna os poderosos.

20Deixa os conselheiros

sem palavras

e tira o entendimento dos anciãos.

21Lança desprezo

sobre os príncipes

e afrouxa o cinto dos fortes.

22Das trevas revela

coisas profundas

e traz à luz a densa escuridão.

23Deus engrandece as nações

e depois as destrói;

dispersa-as e de novo as congrega.

24Tira o entendimento

dos chefes do povo da terra

e os faz vaguear pelos desertos

sem caminhos.

25Nas trevas andam tateando,

sem terem luz;

ele os faz cambalear

como bêbados.”

13

Falarei ao Todo-Poderoso

131“Eis que os meus olhos

viram tudo isso,

e os meus ouvidos

o ouviram e entenderam.

2O que vocês sabem

eu também sei;

em nada sou inferior a vocês.

3Mas falarei ao Todo-Poderoso

e quero defender-me

diante de Deus.

4Vocês, porém,

cobrem a verdade

com mentiras;

todos vocês são médicos

que não valem nada.

5Quem dera vocês ficassem

completamente calados!

Vocês poderiam passar

por sábios!”

13.5
Pv 17.28

Vocês zombariam de Deus?

6“Ouçam agora a minha defesa

e prestem atenção aos argumentos

dos meus lábios.

7Será que vão dizer perversidades

em favor de Deus?

Vão dizer mentiras a favor dele?

8Serão parciais por ele?

Argumentarão a favor de Deus?

9Por acaso, seria bom

se ele os examinasse?

Ou vocês zombariam dele,

como zombam das pessoas?

10Ele certamente os repreenderá,

se em oculto forem parciais.

11A grandeza dele

não os amedrontaria?

E o terror dele

não cairia sobre vocês?

12As máximas de vocês

são provérbios de cinza;

as defesas de vocês

são muralhas de barro.”

Defenderei minha causa diante de Deus

13“Calem-se diante de mim,

e eu falarei;

que venha sobre mim o que vier.

14Tomarei a minha carne

nos meus dentes

e porei a minha vida

nas minhas mãos.

15Eis que ele me matará,

já não tenho esperança;13.15 Uma variante textual traz ainda que ele me mate, nele esperarei

mesmo assim defenderei

a minha conduta diante dele.

16Também isto será

a minha salvação:

o fato de um ímpio

não comparecer diante dele.

17Ouçam com atenção

as minhas palavras

e escutem a minha exposição.

18Tenho já bem-encaminhada

minha causa

e estou certo de que

serei justificado.”

Ó Deus, por que me consideras teu inimigo?

19“Quem há que possa

entrar em litígio comigo?

Se houver, eu fico calado e morro.

20Concede-me somente

duas coisas, ó Deus,

e assim não me esconderei de ti:

21tira a tua mão de cima de mim,

e não me amedronte o teu terror.”

13.21
Jó 9.34

22“Interpela-me, e eu responderei;

ou deixa-me falar, e tu responderás.

23Quantas culpas

e pecados tenho eu?

Mostra-me a minha transgressão

e o meu pecado.”

24“Por que escondes o teu rosto

e me consideras teu inimigo?

25Queres aterrorizar uma folha

levada pelo vento?

E perseguirás a palha seca?”

26“Pois decretas contra mim

coisas amargas

e me atribuis as culpas

da minha mocidade.

27Também prendes os meus pés

com correntes,

observas todos os meus caminhos

e traças limites

à planta dos meus pés,

28apesar de eu ser

como uma coisa podre

que se consome

e como a roupa

que é comida pela traça.”

14

A brevidade da vida

141“O ser humano, nascido de mulher,

vive breve tempo,

cheio de inquietação.

2Nasce como a flor e murcha;

foge como a sombra

e não permanece.

3Sobre ele abres os teus olhos?

E me fazes entrar em juízo contigo?

4Quem poderá tirar coisa pura

daquilo que é impuro?

Ninguém!

5Visto que os dias do ser humano

estão contados,

o número dos seus meses

está nas tuas mãos;

traçaste limites além dos quais

não passará.

6Desvia dele o teu olhar,

para que tenha repouso,

até que, como o trabalhador,

tenha prazer no seu dia.”

7“Porque há esperança

para a árvore,

pois, mesmo cortada,

voltará a brotar,

e não cessarão os seus rebentos.

8Se as suas raízes

envelhecerem na terra,

e o seu tronco morrer no chão,

9ao cheiro das águas brotará

e dará ramos como a planta nova.

10Mas, se alguém morre,

fica prostrado;

o ser humano expira e para onde vai?”

11“Como as águas do lago

evaporam,

e o rio se esgota e seca,

12assim o ser humano se deita

e não se levanta;

enquanto existirem os céus,

não acordará,

nem será despertado do seu sono.”

Eu esperarei a minha mudança

13“Quem dera me escondesses

na sepultura

e me ocultasses

até que a tua ira passasse!

Quem dera me fixasses um prazo

e depois te lembrasses de mim!

14Quando alguém morre,

será que volta a viver?

Todos os dias da minha luta

esperaria,

até que viesse a minha mudança.

15Tu me chamarias,

e eu te responderia;

terias saudades

da obra das tuas mãos;

16e até contarias os meus passos

e não levarias em conta

os meus pecados.

17A minha transgressão

estaria selada num saco,

e terias encoberto

as minhas iniquidades.”

Tu destróis a esperança humana

18“Mas como o monte

que desmorona e se desfaz,

e a rocha que se move

do seu lugar,

19como as águas gastam as pedras,

e as cheias levam o pó da terra,

assim destróis

a esperança humana.

20Tu prevaleces para sempre

contra o ser humano, e ele passa;

mudas o semblante dele

e o despedes.

21Os seus filhos recebem honras,

e ele não sabe;

são humilhados,

e ele não percebe.

22Ele sente as dores

apenas de seu próprio corpo,

e a sua alma lamenta

apenas por si mesma.”

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