Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
9

A cura de um cego de nascença

91Enquanto Jesus caminhava, viu um homem cego de nascença. 2E os seus discípulos perguntaram:

— Mestre, quem pecou para que este homem nascesse cego? Ele ou os pais dele?

9.2
Lc 13.2

3Jesus respondeu:

— Nem ele pecou, nem os pais dele; mas isso aconteceu para que nele se manifestem as obras de Deus. 4É necessário que façamos as obras daquele que me enviou enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar. 5Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.

9.5
Jo 1.4
8.12
12.46

6Depois de dizer isso, Jesus cuspiu na terra, fez lama com a saliva e com a lama untou os olhos do cego.

9.6
Mc 8.23
7Então disse ao cego:

— Vá lavar-se no tanque de Siloé.

Siloé quer dizer “Enviado”.

O cego foi, lavou-se e voltou vendo. 8Então os vizinhos e os que antes o conheciam de vista, como mendigo, perguntavam:

— Não é este o que ficava sentado pedindo esmolas?

9Uns diziam:

— É ele.

Outros:

— Não, mas se parece com ele.

O homem dizia:

— Sou eu.

10Então lhe perguntaram:

— Como foram abertos os seus olhos?

11Ele respondeu:

— O homem chamado Jesus fez lama, passou nos meus olhos e disse: “Vá ao tanque de Siloé e lave-se.” Então fui, lavei-me e estou vendo.

12Eles perguntaram:

— Onde está ele?

Respondeu:

— Não sei.

Os fariseus interrogam o cego

13Levaram aos fariseus aquele que antes era cego. 14E era sábado o dia em que Jesus fez a lama e lhe abriu os olhos.

9.14
Jo 5.9
15Então os fariseus lhe perguntaram outra vez como podia ver. Ele respondeu:

— Ele pôs lama sobre os meus olhos, lavei-me e estou vendo.

16Por isso, alguns dos fariseus diziam:

— Esse homem não é de Deus, porque não guarda o sábado.

Mas outros diziam:

— Como pode um homem pecador fazer sinais como estes?

E houve divisão entre eles.

9.16
Jo 7.12,43
10.19

17De novo perguntaram ao cego:

— O que você diz a respeito dele, uma vez que lhe abriu os olhos?

Ele respondeu:

— É um profeta.

9.17
Jo 4.9
6.14

18Os judeus não acreditaram que ele tinha sido cego e que agora podia ver, enquanto não chamaram os pais dele 19e lhes perguntaram:

— É este o filho de vocês, que vocês dizem que nasceu cego? Como é que agora ele está vendo?

20Então os pais responderam:

— Sabemos que este é o nosso filho e que nasceu cego, 21mas não sabemos como agora está vendo. E também não sabemos quem lhe abriu os olhos. Perguntem a ele, pois já tem idade e poderá falar por si mesmo.

22Os pais dele disseram isso porque estavam com medo dos judeus, pois estes já tinham combinado que, se alguém confessasse que Jesus era o Cristo, seria expulso da sinagoga. 23Foi por isso que os pais dele disseram: “Ele já tem idade e poderá falar por si mesmo.”

24Então chamaram, pela segunda vez, o homem que tinha sido cego e lhe disseram:

— Diga a verdade diante de Deus; nós sabemos que esse homem é pecador.

25Ele respondeu:

— Se é pecador, não sei. Uma coisa sei: eu era cego e agora vejo.

26Perguntaram-lhe outra vez:

— O que ele fez a você? Como lhe abriu os olhos?

27Ele respondeu:

— Já lhes disse, mas vocês não ouviram. Por que querem ouvir outra vez? Por acaso vocês também querem se tornar discípulos dele?

28Então o insultaram e lhe disseram:

— Discípulo dele é você! Nós somos discípulos de Moisés.

9.28
Jo 5.45
29Sabemos que Deus falou a Moisés, mas este nem sabemos de onde é.

30O homem respondeu:

— É estranho que vocês não saibam de onde ele é, mas ele me abriu os olhos. 31Sabemos que Deus não atende a pecadores.

9.31
Sl 66.18
Pelo contrário, se alguém teme a Deus e pratica a sua vontade, a este atende.
9.31
Sl 34.15
32Desde que o mundo existe, jamais se ouviu que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença. 33Se este homem não fosse de Deus, não poderia ter feito nada.
9.33
Jo 3.2

34Mas eles disseram:

— Você nasceu cheio de pecado

9.34
Jo 9.2
e quer nos ensinar?

E o expulsaram.

A cegueira espiritual

35Jesus ouviu que eles tinham expulsado o homem. Ao encontrá-lo, perguntou:

— Você crê no Filho do Homem?

36Ele respondeu:

— Quem é, Senhor, para que eu creia nele?

37E Jesus lhe disse:

— Você já o tem visto, e é aquele que está falando com você.

9.37
Jo 4.26

38Então ele afirmou:

— Eu creio, Senhor!

E o adorou.

39Jesus continuou:

Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem vejam, e os que veem se tornem cegos.

40Alguns dos fariseus que estavam perto dele perguntaram-lhe:

— Por acaso também nós somos cegos?

41Jesus respondeu:

— Se vocês fossem cegos, não teriam pecado algum. Mas, porque agora dizem: “Nós vemos”, o pecado de vocês permanece.

10

O pastor das ovelhas

101— Em verdade, em verdade lhes digo: quem não entra no curral das ovelhas pela porta, mas sobe por outro lugar, esse é ladrão e salteador. 2Aquele, porém, que entra pela porta, esse é o pastor das ovelhas. 3Para este o porteiro abre, as ovelhas ouvem a sua voz, ele chama as suas próprias ovelhas pelo nome e as conduz para fora. 4Depois de levar para fora todas as que lhe pertencem, vai na frente delas, e elas o seguem, porque reconhecem a voz dele. 5Mas de modo nenhum seguirão o estranho; pelo contrário, fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos.

6Jesus fez esta comparação, mas eles não compreenderam o sentido daquilo que ele falava.

Jesus, a porta

7Então Jesus disse mais uma vez:

— Em verdade, em verdade lhes digo que eu sou a porta das ovelhas. 8Todos os que vieram antes de mim são ladrões e salteadores, mas as ovelhas não lhes deram ouvidos. 9Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, sairá e achará pastagem. 10O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.

10.10
Jo 3.17

Jesus, o bom pastor

11— Eu sou o bom pastor.

10.11
Sl 23.1
Hb 13.20
1Pe 2.25
5.4
O bom pastor dá a vida pelas ovelhas.
10.11
Jo 15.13
1Jo 3.16
12O mercenário, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, vê o lobo chegando, abandona as ovelhas e foge; então o lobo as arrebata e dispersa.
10.12
At 20.29
13O mercenário foge, porque é mercenário e não se importa com as ovelhas. 14Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem, 15assim como o Pai me conhece,
10.15
Mt 11.27
Lc 10.22
e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas.
10.15
Jo 10.11
16Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco. Preciso trazer também estas.
10.16
Is 56.8
Elas ouvirão a minha voz e, então, haverá um só rebanho e um só pastor.
10.16
Ez 34.23
37.24
17Por isso, o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para recebê-la outra vez. 18Ninguém tira a minha vida; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para entregá-la e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai.

19Por causa dessas palavras, houve nova divisão entre os judeus.

10.19
Jo 7.43
9.16
20Muitos deles diziam:

— Ele tem demônio

10.20
Jo 7.20
8.48
e enlouqueceu.
10.20
Mc 3.21
Por que vocês ouvem o que ele diz?

21Outros diziam:

— Este modo de falar não é de endemoniado. Será que um demônio pode abrir os olhos aos cegos?

A Festa da Dedicação. O povo rejeita Jesus

22Celebrava-se em Jerusalém a Festa da Dedicação.10.22 Festa que lembrava a restauração do templo de Jerusalém no período dos Macabeus Era inverno. 23Jesus passeava no templo, no Pórtico de Salomão.

10.23
At 3.11
5.12
24Então os judeus o rodearam e disseram:

— Até quando você nos deixará nesse suspense? Se você é o Cristo, diga francamente.

25Jesus respondeu:

— Já falei, mas vocês não acreditam. As obras que eu faço em nome do meu Pai dão testemunho de mim.

10.25
Jo 5.36
26Mas vocês não creem, porque não são das minhas ovelhas.
10.26
Jo 8.47
27As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. 28Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. 29Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo, e da mão do Pai ninguém pode arrebatar. 30Eu e o Pai somos um.
10.30
Jo 10.38
14.9

31Os judeus mais uma vez pegaram pedras com a intenção de apedrejá-lo.

10.31
Jo 8.59

32Mas Jesus lhes disse:

— Tenho mostrado a vocês muitas obras boas da parte do Pai. Por qual delas querem me apedrejar?

33Os judeus responderam:

— Não é por obra boa que queremos apedrejá-lo, e sim por causa da blasfêmia.

10.33
Lv 24.16
Pois, sendo você apenas um homem, está se fazendo de Deus.
10.33
Jo 5.18

34Jesus disse:

— Não está escrito na Lei de vocês: “Eu disse: vocês são deuses”?

10.34
Sl 82.6
35Se ele chamou deuses àqueles a quem foi dirigida a palavra de Deus — e a Escritura não pode falhar —, 36então como vocês dizem que aquele que o Pai santificou e enviou ao mundo está blasfemando, só porque declarei que sou Filho de Deus? 37Se não faço as obras do meu Pai, não acreditem em mim. 38Mas, se faço, e vocês não creem em mim, creiam pelo menos nas obras, para que vocês possam saber e compreender que o Pai está em mim e que eu estou no Pai.

39Então tentaram outra vez prendê-lo,

10.39
Jo 7.30,44
mas ele se livrou das mãos deles.

40Novamente Jesus se retirou para além do Jordão, para o lugar onde João batizava no início;

10.40
Jo 1.28
e ali permaneceu. 41E muitos iam até ele e diziam:

— João não fez nenhum sinal, mas tudo o que ele disse a respeito deste homem era verdade.

42E naquele lugar muitos creram nele.

11

A morte de Lázaro

111Um homem chamado Lázaro estava doente. Ele era de Betânia, da aldeia de Maria e de sua irmã Marta.

11.1
Lc 10.38-39
2Esta Maria, cujo irmão Lázaro estava doente, era a mesma que ungiu o Senhor
11.2
Jo 12.3
com perfume e lhe enxugou os pés com os seus cabelos. 3Por isso, as irmãs de Lázaro mandaram dizer a Jesus:

— Aquele que o Senhor ama está doente.

4Ao receber a notícia, Jesus disse:

— Essa doença não é para morte, mas para a glória de Deus, a fim de que o Filho de Deus seja glorificado por meio dela.

5Ora, Jesus amava Marta e a irmã dela, e também Lázaro. 6Quando soube que Lázaro estava doente, ainda se demorou dois dias no lugar onde estava. 7Depois, disse aos seus discípulos:

— Vamos outra vez para a Judeia.

8Os discípulos disseram:

— Mestre, ainda há pouco os judeus queriam apedrejá-lo!

11.8
Jo 10.31
E o senhor quer voltar para lá?

9Jesus respondeu:

— Não é verdade que o dia tem doze horas? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo. 10Mas, se andar de noite, tropeça, porque nele não há luz.

11Tendo dito isso, acrescentou:

— Nosso amigo Lázaro adormeceu, mas vou para despertá-lo.

12Então os discípulos disseram:

— Senhor, se dorme, estará salvo.

13Jesus falava da morte de Lázaro, mas eles pensavam que tivesse falado do repouso do sono. 14Então Jesus lhes disse claramente:

— Lázaro morreu. 15Por causa de vocês me alegro de que não estivesse lá, para que vocês possam crer. Mas vamos até ele.

16Então Tomé, chamado Dídimo, disse aos outros discípulos:

— Vamos também nós para morrer com o Mestre!

Jesus é a ressurreição e a vida

17Quando Jesus chegou, encontrou Lázaro já sepultado havia quatro dias. 18Ora, Betânia ficava a mais ou menos três quilômetros de Jerusalém. 19Muitos dos judeus vieram visitar Marta e Maria, a fim de consolá-las por causa do irmão. 20Marta, quando soube que Jesus estava chegando, foi encontrar-se com ele; Maria, porém, ficou sentada em casa. 21Então Marta disse a Jesus:

— Se o Senhor estivesse aqui, o meu irmão não teria morrido. 22Mas também sei que, mesmo agora, tudo o que o senhor pedir a Deus, ele concederá.

23Jesus disse a ela:

— O seu irmão há de ressurgir.

24Ao que Marta respondeu:

— Eu sei que ele há de ressurgir na ressurreição, no último dia.

11.24
Dn 12.2

25Então Jesus declarou:

— Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. 26E todo o que vive e crê em mim não morrerá eternamente.

11.26
Jo 6.47
8.51
Você crê nisto?

27Marta respondeu:

— Sim, Senhor! Eu creio que o senhor é o Cristo, o Filho de Deus que devia vir ao mundo.

11.27
Jo 20.31

Jesus chora

28Depois de dizer isto, Marta foi chamar Maria, a sua irmã, e lhe disse em particular:

— O Mestre chegou e está chamando você.

29Quando Maria ouviu isso, levantou-se depressa e foi até ele, 30pois Jesus ainda não tinha entrado na aldeia, mas permanecia onde Marta o havia encontrado. 31Os judeus que estavam com Maria em casa e a consolavam, vendo-a levantar-se depressa e sair, seguiram-na, pensando que ela ia ao túmulo para chorar. 32Quando Maria chegou ao lugar onde Jesus estava, ao vê-lo, lançou-se aos seus pés, dizendo:

— Se o Senhor estivesse aqui, o meu irmão não teria morrido.

11.32
Jo 11.21

33Quando Jesus viu que ela chorava, e que os judeus que a acompanhavam também choravam, agitou-se no espírito e se comoveu. 34E perguntou:

— Onde vocês o puseram?

Eles responderam:

— Senhor, venha ver!

35Jesus chorou.

11.35
Lc 19.41
36Então os judeus disseram:

— Vejam o quanto ele o amava.

37Mas alguns disseram:

— Será que ele, que abriu os olhos ao cego,

11.37
Jo 9.7
não podia fazer com que Lázaro não morresse?

A ressurreição de Lázaro

38Jesus, agitando-se novamente em si mesmo, foi até o túmulo, que era uma gruta em cuja entrada tinham colocado uma pedra. 39Então Jesus ordenou:

— Tirem a pedra.

Marta, irmã do falecido, disse a Jesus:

— Senhor, já cheira mal, porque está morto há quatro dias.

40Jesus respondeu:

— Eu não disse a você que, se cresse, veria a glória de Deus?

41Então tiraram a pedra. E Jesus, levantando os olhos para o céu, disse:

— Pai, graças te dou porque me ouviste. 42Eu sei que sempre me ouves, mas falei isso por causa da multidão presente, para que creiam que tu me enviaste.

43E, depois de dizer isso, clamou em alta voz:

— Lázaro, venha para fora!

44Aquele que tinha morrido saiu, tendo os pés e as mãos amarrados com ataduras e o rosto envolto num lenço. Então Jesus lhes ordenou:

— Desamarrem-no e deixem que ele vá.

O plano para matar Jesus

Mt 26.1-5; Mc 14.1-2; Lc 22.1-2

45Muitos dos judeus que tinham vindo visitar Maria, vendo o que Jesus havia feito, creram nele.

11.45
Jo 7.31
20.31
46Outros, porém, foram até os fariseus e lhes contaram o que Jesus havia feito.

47Então os principais sacerdotes e os fariseus convocaram o Sinédrio e disseram:

— O que estamos fazendo, uma vez que este homem opera muitos sinais? 48Se o deixarmos assim, todos crerão nele; depois, virão os romanos e tomarão não só o nosso lugar, mas a própria nação.

49Mas um deles, Caifás, que era sumo sacerdote naquele ano, advertiu-os, dizendo:

— Vocês não sabem nada, 50nem entendem que é melhor para vocês que morra um só homem pelo povo e que não venha a perecer toda a nação.

51Ora, Caifás não disse isto por conta própria, mas, sendo sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus estava para morrer pela nação. 52E não somente pela nação, mas também para reunir em um só corpo os filhos de Deus, que andam dispersos.

11.52
Jo 10.16

53Desde aquele dia, resolveram matar Jesus. 54Assim sendo, Jesus já não andava publicamente entre os judeus, mas retirou-se para uma região vizinha ao deserto, para uma cidade chamada Efraim, onde permaneceu com os discípulos.

55Estava próxima a Páscoa dos judeus, e muitos daquela região foram a Jerusalém antes da Páscoa para se purificar. 56Lá, procuravam Jesus e, estando eles no templo, diziam uns aos outros:

— O que vocês acham? Ele não virá à festa?

57Ora, os principais sacerdotes e os fariseus haviam ordenado que, se alguém soubesse onde ele estava, o denunciasse, para que pudessem prendê-lo.