Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
8

A derrota final dos midianitas

81Então os homens de Efraim disseram a Gideão:

— Que é isto que você fez conosco, não nos chamando quando foi lutar contra os midianitas?

E discutiram fortemente com ele. 2Porém ele lhes disse:

— Que mais fiz eu, agora, do que vocês? Não é fato que os poucos cachos de uvas deixados por Efraim são melhores do que toda a colheita de Abiezer? 3Deus entregou nas mãos de vocês os príncipes dos midianitas, Orebe e Zeebe. O que pude eu fazer em comparação com o que vocês fizeram?

Depois de ele dizer isto, abrandou-se a ira deles contra Gideão.

4Quando Gideão chegou ao Jordão, passou com os trezentos homens que com ele estavam, cansados mas ainda perseguindo os inimigos. 5E disse aos homens de Sucote:

— Por favor, deem alguns pães para estes que me seguem, pois estão cansados, e eu vou ao encalço de Zeba e Salmuna, reis dos midianitas.

6Porém os chefes de Sucote disseram:

— Será que você já tem Zeba e Salmuna em seu poder, para que demos pão ao exército que está com você?

7Então Gideão disse:

— Por isso, quando o Senhor entregar Zeba e Salmuna nas minhas mãos, rasgarei a carne de vocês com espinheiros e outras plantas do deserto.

8Dali Gideão foi a Penuel e fez o mesmo pedido aos homens daquele lugar. Mas esses de Penuel lhe responderam como os homens de Sucote lhe haviam respondido. 9Por isso também falou aos homens de Penuel, dizendo:

— Quando eu voltar em paz, derrubarei esta torre.

10Ora, Zeba e Salmuna estavam em Carcor com os seus exércitos, uns quinze mil homens, todos os que restaram do exército de povos do Oriente, pois cento e vinte mil homens que puxavam da espada tinham sido mortos. 11Gideão foi pelo caminho dos nômades, a leste de Noba e Jogbeá, e atacou aquele exército de surpresa. 12Zeba e Salmuna fugiram, mas Gideão os perseguiu. Ele prendeu os dois reis dos midianitas, Zeba e Salmuna, e deixou todo aquele exército em pânico.

13Quando Gideão, filho de Joás, voltou da batalha, pela subida de Heres, 14prendeu um moço de Sucote e lhe fez perguntas. E o moço deu por escrito o nome dos chefes e anciãos de Sucote, setenta e sete homens. 15Então Gideão foi falar com os homens de Sucote e lhes disse:

— Vejam! Aqui estão Zeba e Salmuna, a respeito dos quais vocês zombaram de mim, dizendo: “Será que você já tem Zeba e Salmuna em seu poder, para que demos pão aos seus homens cansados?”

16E prendeu os anciãos da cidade. Pegou espinheiros e outras plantas do deserto e, com eles, deu severa lição aos homens de Sucote. 17Derrubou a torre de Penuel e matou os homens da cidade. 18Depois perguntou a Zeba e a Salmuna:

— Como eram os homens que vocês mataram em Tabor?

E eles responderam:

— Como você, assim eram eles; cada um se parecia com um filho de rei.

19Gideão disse:

— Eram meus irmãos, filhos de minha mãe. Tão certo como vive o Senhor, se vocês os tivessem deixado com vida, eu não mataria vocês.

20E disse a Jéter, seu primogênito:

— Levante-se e mate-os.

Porém o moço não arrancou da sua espada, porque teve medo, pois ainda era jovem. 21Então Zeba e Salmuna disseram:

— Venha você mesmo e nos mate. Pois o homem é conhecido por sua valentia.

Gideão foi, matou Zeba e Salmuna e pegou os ornamentos em forma de meia-lua que estavam no pescoço dos camelos deles.

22Então os homens de Israel disseram a Gideão:

— Domine sobre nós, tanto você como o seu filho e o filho de seu filho, porque você nos livrou do poder dos midianitas.

23Porém Gideão lhes disse:

— Não dominarei sobre vocês, nem tampouco meu filho dominará sobre vocês. O Senhor Deus dominará sobre vocês.

24E Gideão continuou:

— Mas quero fazer um pedido: que cada um de vocês me dê as argolas do seu despojo.

É que os midianitas tinham argolas de ouro, pois eram ismaelitas. 25Então eles responderam:

— De bom grado as daremos.

E estenderam uma capa, e cada um deles colocou ali uma argola do seu despojo. 26O peso das argolas de ouro que pediu foi de uns vinte quilos de ouro — sem contar os ornamentos em forma de meia-lua, os pendentes e as roupas de púrpura que os reis dos midianitas usavam, e sem contar os ornamentos que os camelos traziam ao pescoço.

27Disso Gideão fez uma estola sacerdotal e a pôs na sua cidade, em Ofra. E todo o Israel se prostituiu ali, adorando essa estola. E isso veio a ser um tropeço para Gideão e toda a sua casa.

28Assim, os midianitas foram subjugados pelos filhos de Israel e nunca mais levantaram a cabeça. E a terra ficou em paz durante quarenta anos nos dias de Gideão.

A morte de Gideão

29Jerubaal,

8.29
Jz 6.32
filho de Joás, retirou-se e ficou morando em sua casa. 30Gideão teve setenta filhos, todos provindos dele, porque tinha muitas mulheres. 31A sua concubina, que morava em Siquém, lhe deu também à luz um filho, e ele lhe deu o nome de Abimeleque. 32Gideão, filho de Joás, morreu em boa velhice e foi sepultado no túmulo de Joás, seu pai, em Ofra, cidade da família de Abiezer.

33Depois que Gideão morreu, os filhos de Israel voltaram a se prostituir com os baalins e puseram Baal-Berite por deus. 34Os filhos de Israel não se lembraram do Senhor, seu Deus, que os havia livrado do poder de todos os seus inimigos ao redor. 35Também não usaram de bondade com a casa de Jerubaal, a saber, Gideão, segundo todo o bem que ele tinha feito a Israel.

9

Abimeleque se declara rei

91Abimeleque, filho de Jerubaal, foi a Siquém, aos parentes de sua mãe, e falou com eles e com toda a geração da casa de seu avô materno, dizendo:

2— Peço-lhes que perguntem a todos os cidadãos de Siquém: “O que é melhor para vocês: que setenta homens, todos os filhos de Jerubaal, dominem sobre vocês ou que vocês sejam dominados por apenas um?” Lembrem-se também de que eu sou osso e carne de vocês.

3Então os parentes de sua mãe falaram a todos os cidadãos de Siquém todas aquelas palavras, e o coração deles se inclinou a seguir Abimeleque, porque disseram: “É nosso irmão.” 4E deram-lhe setenta peças de prata, da casa de Baal-Berite, com as quais Abimeleque contratou uns homens levianos e atrevidos, que o seguiram. 5Foi à casa de seu pai, em Ofra, e matou os seus irmãos, os filhos de Jerubaal, setenta homens, sobre uma pedra. Porém Jotão, o filho mais moço de Jerubaal, escapou, porque havia se escondido. 6Então se reuniram todos os cidadãos de Siquém e toda Bete-Milo, foram e proclamaram Abimeleque rei, junto ao carvalho memorial que está perto de Siquém.

A alegoria de Jotão

7Quando soube disto, Jotão foi e se pôs no alto do monte Gerizim. E, em alta voz, gritou, dizendo:

— Cidadãos de Siquém, escutem o que vou dizer, e Deus escutará vocês! 8Certa vez as árvores foram ungir para si um rei. Disseram à oliveira: “Reine sobre nós.” 9Porém a oliveira lhes respondeu: “Deixaria eu o meu óleo, apreciado por Deus e pelos homens, para dominar sobre as árvores?” 10Então as árvores disseram à figueira: “Venha você e reine sobre nós.” 11Porém a figueira lhes respondeu: “Deixaria eu a minha doçura, o meu bom fruto, para dominar sobre as árvores?” 12Então as árvores disseram à videira: “Venha você e reine sobre nós.” 13Porém a videira lhes respondeu: “Deixaria eu o meu vinho, que agrada a Deus e aos homens, para dominar sobre as árvores?” 14Então todas as árvores disseram ao espinheiro: “Venha você e reine sobre nós.” 15E o espinheiro respondeu às árvores: “Se é verdade que querem me ungir rei sobre vocês, venham e se refugiem debaixo de minha sombra. Mas, se não, que do espinheiro saia fogo que consuma os cedros do Líbano.”

16Jotão continuou:

— E agora, se vocês agiram de boa fé e com sinceridade, proclamando Abimeleque como rei; se vocês fizeram o que é correto em relação a Jerubaal e à sua casa, e se o trataram segundo ele merecia pelo que fez 17— porque o meu pai lutou por vocês, arriscou a vida e os livrou das mãos dos midianitas; 18mas hoje vocês se levantaram contra a casa de meu pai e mataram os filhos dele, setenta homens, sobre uma pedra; e a Abimeleque, filho da escrava dele, vocês puseram como rei sobre os cidadãos de Siquém, porque é irmão de vocês —, 19se vocês agiram de boa fé e com sinceridade para com Jerubaal e a sua casa, então alegrem-se com Abimeleque, e que ele também se alegre com vocês. 20Mas, se este não for o caso, que saia fogo de Abimeleque e consuma os cidadãos de Siquém e Bete-Milo! E que saia fogo dos cidadãos de Siquém e de Bete-Milo, que consuma Abimeleque.

21Depois disso Jotão fugiu e foi para Beer, onde ficou morando, porque estava com medo de seu irmão Abimeleque.

A conspiração de Gaal

22Abimeleque havia dominado sobre Israel durante três anos, 23quando Deus suscitou um espírito de aversão entre Abimeleque e os cidadãos de Siquém, que foram desleais com Abimeleque. 24Isto aconteceu para que fosse vingada a violência praticada contra os setenta filhos de Jerubaal, e para que fossem castigados tanto Abimeleque, que era irmão deles e os havia matado, como os cidadãos de Siquém, que contribuíram para que ele matasse os seus próprios irmãos. 25Os cidadãos de Siquém puseram sobre os altos dos montes homens de emboscada contra Abimeleque, e eles assaltavam todos os que passavam pelo caminho perto deles. E Abimeleque foi informado disso.

26Gaal, filho de Ebede, veio com os seus irmãos, e se estabeleceram em Siquém. E os cidadãos de Siquém confiaram nele, 27foram ao campo, cortaram os cachos das vinhas, pisaram as uvas, fizeram festas, foram à casa de seu deus, comeram, beberam e amaldiçoaram Abimeleque.

28E Gaal, filho de Ebede, disse:

— Quem é Abimeleque, e quem somos nós de Siquém, para que o sirvamos? Não é ele filho de Jerubaal? E não é Zebul o seu oficial? Seria melhor servir os homens de Hamor, pai de Siquém. Mas nós, por que serviremos a ele? 29Quem dera estivesse este povo na minha mão! Eu expulsaria Abimeleque. Eu diria a Abimeleque: “Multiplique o seu exército e venha lutar.”

30Quando Zebul, governador da cidade, ouviu as palavras de Gaal, filho de Ebede, ficou furioso. 31E enviou, secretamente, mensageiros a Abimeleque, dizendo:

— Eis que Gaal, filho de Ebede, e seus irmãos vieram a Siquém e estão alvoroçando a cidade contra você. 32Levante-se de noite, você e o povo que estiver com você, e ponham-se de emboscada no campo. 33Levante-se pela manhã, ao sair o sol, e ataque a cidade. Quando Gaal com a sua gente sair para atacar, faça com ele o que estiver ao seu alcance.

Abimeleque vence Gaal e os siquemitas

34Assim, Abimeleque se levantou, de noite, e todo o povo que estava com ele, e se puseram de emboscada contra Siquém, em quatro grupos. 35Gaal, filho de Ebede, saiu e pôs-se à entrada do portão da cidade. Com isto Abimeleque e todo o povo que estava com ele se levantaram das emboscadas. 36Gaal viu aquele povo e disse a Zebul:

— Veja! Vem gente descendo do alto dos montes.

Mas Zebul respondeu:

— Você está vendo as sombras dos montes. Elas se parecem com homens.

37Porém Gaal tornou ainda a falar e disse:

— Veja! Vem gente descendo bem na nossa frente, e uma tropa vem vindo do caminho do carvalho dos Adivinhos.

38Então Zebul disse a Gaal:

— Onde ficaram, agora, as suas ameaças? Não foi você quem dizia: “Quem é Abimeleque, para que o sirvamos?” Não é este o povo que você desprezou? Pois saia agora e vá lutar contra ele.

39Gaal saiu à frente dos cidadãos de Siquém e lutou contra Abimeleque. 40Abimeleque perseguiu Gaal, que fugiu dele. E muitos feridos caíram até a entrada do portão da cidade. 41Abimeleque ficou em Arumá. E Zebul expulsou Gaal e seus irmãos, para que não ficassem morando em Siquém.

42No dia seguinte, o povo de Siquém saiu ao campo, e Abimeleque foi avisado disto. 43Então ele reuniu os seus homens, e os dividiu em três grupos, e os pôs de emboscada no campo. Quando Abimeleque viu que o povo saía da cidade, levantou-se contra eles e os atacou. 44Abimeleque e o grupo que estava com ele correram e tomaram posição junto à entrada da cidade, enquanto os dois outros grupos atacaram todos os que estavam no campo e os destroçaram. 45Abimeleque lutou contra a cidade durante todo aquele dia. Tomou a cidade e matou o povo que nela havia. Arrasou a cidade e espalhou sal sobre ela.

46Todos os cidadãos da Torre de Siquém souberam disso e entraram na fortaleza, no templo de El-Berite. 47Mas Abimeleque soube que todos os cidadãos da Torre de Siquém se haviam reunido. 48Então ele subiu o monte Salmom, ele e todo o seu povo. Abimeleque pegou um machado e cortou o galho de uma árvore. Ele o levantou, pôs no ombro e disse ao povo que estava com ele:

— O que vocês me viram fazer, façam também vocês, depressa.

49Assim, cada um deles cortou um galho e seguiu Abimeleque. Puseram os galhos ao redor da fortaleza, e os incendiaram. Assim, morreram todos os que estavam na Torre de Siquém, mais ou menos mil pessoas, homens e mulheres.

A morte de Abimeleque

50Então Abimeleque foi a Tebes, sitiou a cidade e a tomou. 51Havia, porém, no meio da cidade, uma torre forte, e todos os homens e mulheres, todos os moradores da cidade, fugiram para lá. Fecharam as portas da torre e subiram ao terraço. 52Abimeleque veio até a torre, lutou contra ela e se aproximou da porta para a incendiar. 53Mas uma mulher jogou uma pedra superior de moinho sobre a cabeça de Abimeleque e lhe quebrou o crânio. 54Então Abimeleque chamou depressa o moço, seu escudeiro, e lhe disse:

— Tire a sua espada e me mate, para que não se diga que uma mulher me matou.

O moço o atravessou com a espada, e ele morreu. 55Quando os homens de Israel viram que Abimeleque já estava morto, foram embora, cada um para a sua casa. 56Assim, Deus fez cair sobre Abimeleque o mal que ele havia feito a seu pai, ao matar os seus setenta irmãos. 57De igual modo, Deus fez cair sobre a cabeça dos homens de Siquém todo o mal que haviam praticado. Assim, veio sobre eles a maldição de Jotão, filho de Jerubaal.

10

Tola e Jair

101Depois de Abimeleque, Tola, filho de Puá, filho de Dodô, homem de Issacar, se levantou para livrar Israel. Ele morava em Samir, na região montanhosa de Efraim. 2Julgou Israel durante vinte e três anos. Depois morreu e foi sepultado em Samir.

3Depois dele se levantou Jair, gileadita, que julgou Israel durante vinte e dois anos. 4Ele tinha trinta filhos, que cavalgavam trinta jumentos. E eles tinham trinta cidades, a que chamavam Havote-Jair, até o dia de hoje, as quais estão na terra de Gileade. 5Jair morreu e foi sepultado em Camom.

Servidão sob os filisteus e os amonitas

6Os filhos de Israel tornaram a fazer o que era mau aos olhos do Senhor e adoraram os baalins, Astarote, os deuses da Síria e os de Sidom, de Moabe, dos filhos de Amom e dos filisteus. Eles abandonaram o Senhor e deixaram de adorá-lo. 7Então a ira do Senhor se acendeu contra Israel, e ele os entregou nas mãos dos filisteus e nas mãos dos filhos de Amom, 8os quais, nesse mesmo ano, esmagaram e oprimiram os filhos de Israel. Durante dezoito anos, oprimiram todos os filhos de Israel que estavam do outro lado do Jordão, na terra dos amorreus, que está em Gileade. 9Os filhos de Amom passaram o Jordão para lutar também contra Judá, contra Benjamim e contra a casa de Efraim, de maneira que Israel se viu muito angustiado.

10Então os filhos de Israel clamaram ao Senhor, dizendo:

— Pecamos contra ti, porque deixamos o nosso Deus e adoramos os baalins.

11E o Senhor respondeu aos filhos de Israel:

— Quando os egípcios, os amorreus, os filhos de Amom, os filisteus, 12os sidônios, os amalequitas e os maonitas oprimiam vocês, e vocês clamavam a mim, não é verdade que eu os livrei das mãos deles? 13Mas vocês me abandonaram e serviram outros deuses. Por isso não os livrarei mais. 14Vão e clamem aos deuses que vocês escolheram. Que eles os livrem no tempo do aperto.

10.14
Dt 32.37

15Mas os filhos de Israel disseram ao Senhor:

— Nós pecamos. Faze-nos tudo o que te parecer bem, mas, por favor, livra-nos ainda esta vez.

16E tiraram os deuses estranhos do meio de si e adoraram o Senhor. E ele já não pôde reter a sua compaixão diante da desgraça de Israel.

10.16
Dt 32.36

17Os filhos de Amom foram convocados e acamparam em Gileade. Os filhos de Israel, por sua vez, se reuniram e acamparam em Mispa. 18Então o povo, aliás, os chefes de Gileade, disseram uns aos outros:

— Quem será o homem que começará a lutar contra os filhos de Amom? Quem fizer isso será o chefe de todos os moradores de Gileade.

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