Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
6

Gideão

61Os filhos de Israel fizeram o que era mau aos olhos do Senhor e por isso o Senhor os entregou nas mãos dos midianitas durante sete anos. 2Os midianitas prevaleceram contra Israel. E, por causa dos midianitas, os filhos de Israel fizeram para si as covas que estão nos montes, as cavernas e as fortificações. 3Porque, cada vez que os israelitas semeavam, os midianitas, os amalequitas e os povos do Oriente os atacavam. 4Acampavam em Israel, destruindo os produtos da terra até a vizinhança de Gaza, e não deixavam em Israel sustento algum, nem ovelhas, nem bois, nem jumentos. 5Pois vinham com o seu gado e as suas tendas, como uma nuvem de gafanhotos. Eram tantos, que não se podiam contar, nem a eles nem aos seus camelos; e entravam na terra para a destruir. 6Assim, Israel ficou muito debilitado com a presença dos midianitas. Então os filhos de Israel clamaram ao Senhor.

7Quando os filhos de Israel clamaram ao Senhor por causa dos midianitas, 8o Senhor lhes enviou um profeta, que lhes disse:

— Assim diz o Senhor, Deus de Israel: “Eu tirei vocês do Egito, da casa da servidão. 9Eu os livrei das mãos dos egípcios e das mãos de todos os opressores. Eu os expulsei e dei a vocês a terra deles. 10E disse: ‘Eu sou o Senhor, o Deus de vocês; não adorem os deuses dos amorreus, em cuja terra vocês estão morando.’ Mas vocês não deram ouvidos à minha voz.”

11Então o Anjo do Senhor veio e sentou-se debaixo do carvalho que está em Ofra, que pertencia a Joás, da família de Abiezer. Gideão, filho de Joás, estava malhando o trigo no lagar, para o pôr a salvo dos midianitas. 12Então o Anjo do Senhor lhe apareceu e lhe disse:

— O Senhor está com você, homem valente.

13Gideão respondeu:

— Ah! Meu senhor! Se o Senhor Deus está conosco, por que nos aconteceu tudo isto? E onde estão todas as suas maravilhas que os nossos pais nos contaram?

6.13
Sl 44.1
Eles disseram: “O Senhor nos tirou do Egito!” Porém, agora, o Senhor nos abandonou e nos entregou nas mãos dos midianitas.
6.13
Sl 44.9

14Então o Senhor se virou para Gideão e disse:

— Vá nessa força que você tem e livre Israel das mãos dos midianitas. Não é verdade que eu estou enviando você?

15Gideão respondeu:

— Ah! Meu Senhor! Como livrarei Israel? Eis que a minha família é a mais pobre em Manassés, e eu sou o menor na casa de meu pai.

16Mas o Senhor disse:

— Já que eu estou ao seu lado, você derrotará os midianitas como se fossem um só homem.

17Gideão respondeu:

— Se de fato encontrei favor aos teus olhos, dá-me um sinal de que és tu, Senhor, que estás falando comigo. 18Peço que não te afastes daqui até que eu volte, traga a minha oferta e a coloque diante de ti.

Ele respondeu:

— Eu esperarei até que você volte.

19Gideão entrou em casa, preparou um cabrito e fez pães sem fermento com vinte litros de farinha. Pôs a carne num cesto, e o caldo, numa panela. Depois, trouxe tudo até debaixo do carvalho e o entregou ao Anjo. 20Porém o Anjo de Deus lhe disse:

— Pegue a carne e os pães sem fermento e coloque-os sobre esta rocha. Depois, derrame o caldo em cima.

Foi o que Gideão fez. 21Então o Anjo do Senhor estendeu a ponta do cajado que trazia na mão e tocou a carne e os pães sem fermento. Saiu fogo da rocha e queimou a carne e os pães. E o Anjo do Senhor desapareceu da presença dele. 22Quando Gideão viu que era o Anjo do Senhor, disse:

— Ai de mim, Senhor Deus! Pois vi o Anjo do Senhor face a face.

23Mas o Senhor lhe disse:

— Que a paz esteja com você! Não tenha medo! Você não morrerá!

24Então Gideão edificou ali um altar ao Senhor e lhe deu o nome de “O Senhor É Paz”.6.24 Em hebraico, Javé Shalom Até o dia de hoje esse altar está em Ofra, que pertence à família de Abiezer.

25Naquela mesma noite, o Senhor disse a Gideão:

— Leve o touro que pertence a seu pai, a saber, o segundo touro de sete anos, e derrube o altar de Baal que é do seu pai, e corte o poste da deusa Aserá que está junto ao altar. 26No alto desse lugar fortificado faça para o Senhor, seu Deus, um altar em camadas de pedra. Depois, pegue o segundo touro e ofereça-o em holocausto com a lenha do poste da deusa Aserá que você irá cortar.

27Então Gideão levou dez homens dos seus servos e fez como o Senhor lhe havia falado. Mas, porque teve medo da casa de seu pai e dos homens daquela cidade, não o fez de dia, mas de noite.

28De madrugada, quando os homens daquela cidade se levantaram, eis que o altar de Baal estava derrubado, e o poste da deusa Aserá que estava junto dele, cortado; e o referido segundo touro tinha sido oferecido no altar que havia sido edificado. 29E diziam uns aos outros:

— Quem fez isto?

E, perguntando e inquirindo, disseram:

— Quem fez isso foi Gideão, o filho de Joás.

30Então os homens daquela cidade disseram a Joás:

— Traga o seu filho para fora, para que seja morto, pois derrubou o altar de Baal e cortou o poste da deusa Aserá que estava junto dele.

31Porém Joás disse a todos os que se puseram contra ele:

— Vocês querem defender a causa de Baal? Vocês querem livrá-lo? Quem defender a causa dele será morto ainda esta manhã. Se ele é deus, que defenda a si mesmo; afinal, derrubaram o seu altar.

32Naquele dia Gideão passou a ser chamado de Jerubaal,6.32 Jerubaal significa “que Baal defenda a sua causa contra ele” porque foi dito: “Que Baal defenda a sua causa contra ele, pois foi ele quem derrubou o seu altar.”

33Todos os midianitas, amalequitas e povos do Oriente se ajuntaram, passaram o Jordão e acamparam no vale de Jezreel. 34Então o Espírito do Senhor revestiu Gideão, que fez soar o alarme, convocando os homens da família de Abiezer a segui-lo. 35Enviou mensageiros por toda a tribo de Manassés, que também foi convocada a segui-lo. Enviou ainda mensageiros a Aser, a Zebulom e a Naftali, que foram se encontrar com ele.

36Então Gideão se dirigiu a Deus, dizendo:

— Se realmente queres livrar Israel por minha mão, como disseste, 37eis que eu porei uma porção de lã na eira. Se o orvalho estiver somente nela, e a terra ao redor estiver seca, então saberei que irás livrar Israel por meio de mim, como disseste.

38E assim aconteceu. No outro dia, Gideão se levantou de madrugada e, apertando a lã, do orvalho que havia nela espremeu uma taça cheia de água.

39Gideão se dirigiu a Deus mais uma vez, dizendo:

— Não se acenda contra mim a tua ira, se eu falar somente mais esta vez. Peço-te que me deixes fazer mais uma prova com a lã: que desta vez só a lã esteja seca, e que haja orvalho na terra ao redor dela.

40E Deus assim o fez naquela noite, pois só a lã estava seca, e sobre a terra ao redor dela havia orvalho.

7

Gideão vence os midianitas

71Então Jerubaal, isto é, Gideão, se levantou de madrugada, e todo o povo que com ele estava, e acamparam junto à fonte de Harode, de maneira que o arraial dos midianitas ficava ao norte deles, no vale, perto do monte de Moré.

2O Senhor disse a Gideão:

— É demais o povo que está com você, para eu entregar os midianitas nas suas mãos. Israel poderia se gloriar contra mim, dizendo: “A minha própria mão me livrou.” 3Portanto, anuncie ao povo o seguinte: “Quem estiver assustado

7.3
Dt 20.8
e com medo, saia da região montanhosa de Gileade e volte para casa.”

Então vinte e dois mil homens voltaram, e dez mil ficaram.

4Então o Senhor disse a Gideão:

— Ainda há povo demais. Faça-os descer até as águas, e ali eu os provarei para você. Aquele de quem eu disser: “Este irá com você”, esse de fato irá com você; porém todo aquele de quem eu disser: “Este não irá com você”, esse não irá.

5Gideão fez com que os homens descessem até as águas. Então o Senhor lhe disse:

— Todos os que lamberem a água com a língua, como faz o cachorro, esses você deve pôr à parte, separando-os daqueles que se ajoelharem para beber.

6O número dos que lamberam, levando a mão à boca, foi de trezentos homens. Todos os outros se ajoelharam para beber a água. 7Então o Senhor disse a Gideão:

— Com estes trezentos homens que lamberam a água eu livrarei vocês, e entregarei os midianitas nas suas mãos. Diga a todos os outros que voltem para casa.

8Os trezentos homens pegaram as provisões e as trombetas dos outros. Gideão mandou todos os homens de Israel cada um à sua tenda, porém reteve consigo os trezentos homens. O arraial dos midianitas estava abaixo dele, no vale.

9Naquela mesma noite, o Senhor lhe disse:

— Levante-se e ataque o arraial, porque o entreguei nas suas mãos. 10Se você ainda estiver com medo de atacar, desça ao arraial com o seu ajudante Pura 11e ouça o que eles dizem. Então você ganhará coragem e atacará o arraial.

Gideão desceu até a vanguarda do arraial com o seu ajudante Pura. 12Os midianitas, os amalequitas e todos os povos do Oriente cobriam o vale como uma nuvem de gafanhotos. Os camelos deles eram uma multidão inumerável como a areia que está na praia do mar. 13Quando Gideão se aproximou, eis que certo homem estava contando um sonho ao seu amigo. Ele dizia:

— Tive um sonho. Eis que um pão de cevada vinha rolando dentro do arraial dos midianitas. Bateu contra a tenda, de maneira que esta caiu, se virou de cima para baixo e ficou estendida no chão.

14O amigo respondeu:

— Isso não é outra coisa a não ser a espada de Gideão, filho de Joás, homem israelita. Deus entregou nas mãos dele os midianitas e todo este arraial.

15Quando Gideão ouviu o relato desse sonho e o seu significado, adorou a Deus. Voltou para o arraial de Israel e disse:

— Levantem-se, porque o Senhor entregou o arraial dos midianitas nas mãos de vocês.

16Então repartiu os trezentos homens em três companhias e entregou a cada homem uma trombeta e um cântaro vazio, com uma tocha dentro dele. 17E disse-lhes:

— Olhem para mim e façam como eu fizer. Quando eu chegar às imediações do arraial, assim como eu fizer, façam vocês também. 18Quando eu tocar a trombeta, e todos os que comigo estiverem, então vocês também tocarão a sua trombeta ao redor de todo o arraial e dirão: “Pelo Senhor e por Gideão!”

19Gideão e os cem homens que estavam com ele chegaram às imediações do arraial por volta da meia-noite, pouco tempo após a troca das guardas. Tocaram as trombetas e quebraram os cântaros que tinham nas mãos. 20Assim, as três companhias tocaram as trombetas e despedaçaram os cântaros. Seguravam a tocha na mão esquerda e a trombeta na mão direita. E gritavam: “Uma espada pelo Senhor e por Gideão!” 21E cada um permaneceu no seu lugar ao redor do arraial. Todo o exército dos midianitas começou a correr, a gritar e a fugir. 22Ao soar das trezentas trombetas, o Senhor tornou a espada de um contra o outro, e isto em todo o arraial, que fugiu na direção de Zererá, até Bete-Sita, até a divisa de Abel-Meolá, perto de Tabate.

23Então os homens de Israel, de Naftali, de Aser e de todo o Manassés foram convocados e perseguiram os midianitas. 24Gideão enviou mensageiros a todas as montanhas de Efraim, dizendo:

— Desçam para atacar os midianitas e impedir que eles passem pelas águas do Jordão até Bete-Bara.

Assim, todos os homens de Efraim foram convocados. E eles cortaram a passagem dos midianitas pelas águas do Jordão, até Bete-Bara. 25E prenderam dois príncipes dos midianitas, Orebe e Zeebe. Mataram Orebe no rochedo de Orebe e mataram Zeebe no lagar de Zeebe. Perseguiram os midianitas e trouxeram a cabeça de Orebe e a cabeça de Zeebe a Gideão, do outro lado do Jordão.

8

A derrota final dos midianitas

81Então os homens de Efraim disseram a Gideão:

— Que é isto que você fez conosco, não nos chamando quando foi lutar contra os midianitas?

E discutiram fortemente com ele. 2Porém ele lhes disse:

— Que mais fiz eu, agora, do que vocês? Não é fato que os poucos cachos de uvas deixados por Efraim são melhores do que toda a colheita de Abiezer? 3Deus entregou nas mãos de vocês os príncipes dos midianitas, Orebe e Zeebe. O que pude eu fazer em comparação com o que vocês fizeram?

Depois de ele dizer isto, abrandou-se a ira deles contra Gideão.

4Quando Gideão chegou ao Jordão, passou com os trezentos homens que com ele estavam, cansados mas ainda perseguindo os inimigos. 5E disse aos homens de Sucote:

— Por favor, deem alguns pães para estes que me seguem, pois estão cansados, e eu vou ao encalço de Zeba e Salmuna, reis dos midianitas.

6Porém os chefes de Sucote disseram:

— Será que você já tem Zeba e Salmuna em seu poder, para que demos pão ao exército que está com você?

7Então Gideão disse:

— Por isso, quando o Senhor entregar Zeba e Salmuna nas minhas mãos, rasgarei a carne de vocês com espinheiros e outras plantas do deserto.

8Dali Gideão foi a Penuel e fez o mesmo pedido aos homens daquele lugar. Mas esses de Penuel lhe responderam como os homens de Sucote lhe haviam respondido. 9Por isso também falou aos homens de Penuel, dizendo:

— Quando eu voltar em paz, derrubarei esta torre.

10Ora, Zeba e Salmuna estavam em Carcor com os seus exércitos, uns quinze mil homens, todos os que restaram do exército de povos do Oriente, pois cento e vinte mil homens que puxavam da espada tinham sido mortos. 11Gideão foi pelo caminho dos nômades, a leste de Noba e Jogbeá, e atacou aquele exército de surpresa. 12Zeba e Salmuna fugiram, mas Gideão os perseguiu. Ele prendeu os dois reis dos midianitas, Zeba e Salmuna, e deixou todo aquele exército em pânico.

13Quando Gideão, filho de Joás, voltou da batalha, pela subida de Heres, 14prendeu um moço de Sucote e lhe fez perguntas. E o moço deu por escrito o nome dos chefes e anciãos de Sucote, setenta e sete homens. 15Então Gideão foi falar com os homens de Sucote e lhes disse:

— Vejam! Aqui estão Zeba e Salmuna, a respeito dos quais vocês zombaram de mim, dizendo: “Será que você já tem Zeba e Salmuna em seu poder, para que demos pão aos seus homens cansados?”

16E prendeu os anciãos da cidade. Pegou espinheiros e outras plantas do deserto e, com eles, deu severa lição aos homens de Sucote. 17Derrubou a torre de Penuel e matou os homens da cidade. 18Depois perguntou a Zeba e a Salmuna:

— Como eram os homens que vocês mataram em Tabor?

E eles responderam:

— Como você, assim eram eles; cada um se parecia com um filho de rei.

19Gideão disse:

— Eram meus irmãos, filhos de minha mãe. Tão certo como vive o Senhor, se vocês os tivessem deixado com vida, eu não mataria vocês.

20E disse a Jéter, seu primogênito:

— Levante-se e mate-os.

Porém o moço não arrancou da sua espada, porque teve medo, pois ainda era jovem. 21Então Zeba e Salmuna disseram:

— Venha você mesmo e nos mate. Pois o homem é conhecido por sua valentia.

Gideão foi, matou Zeba e Salmuna e pegou os ornamentos em forma de meia-lua que estavam no pescoço dos camelos deles.

22Então os homens de Israel disseram a Gideão:

— Domine sobre nós, tanto você como o seu filho e o filho de seu filho, porque você nos livrou do poder dos midianitas.

23Porém Gideão lhes disse:

— Não dominarei sobre vocês, nem tampouco meu filho dominará sobre vocês. O Senhor Deus dominará sobre vocês.

24E Gideão continuou:

— Mas quero fazer um pedido: que cada um de vocês me dê as argolas do seu despojo.

É que os midianitas tinham argolas de ouro, pois eram ismaelitas. 25Então eles responderam:

— De bom grado as daremos.

E estenderam uma capa, e cada um deles colocou ali uma argola do seu despojo. 26O peso das argolas de ouro que pediu foi de uns vinte quilos de ouro — sem contar os ornamentos em forma de meia-lua, os pendentes e as roupas de púrpura que os reis dos midianitas usavam, e sem contar os ornamentos que os camelos traziam ao pescoço.

27Disso Gideão fez uma estola sacerdotal e a pôs na sua cidade, em Ofra. E todo o Israel se prostituiu ali, adorando essa estola. E isso veio a ser um tropeço para Gideão e toda a sua casa.

28Assim, os midianitas foram subjugados pelos filhos de Israel e nunca mais levantaram a cabeça. E a terra ficou em paz durante quarenta anos nos dias de Gideão.

A morte de Gideão

29Jerubaal,

8.29
Jz 6.32
filho de Joás, retirou-se e ficou morando em sua casa. 30Gideão teve setenta filhos, todos provindos dele, porque tinha muitas mulheres. 31A sua concubina, que morava em Siquém, lhe deu também à luz um filho, e ele lhe deu o nome de Abimeleque. 32Gideão, filho de Joás, morreu em boa velhice e foi sepultado no túmulo de Joás, seu pai, em Ofra, cidade da família de Abiezer.

33Depois que Gideão morreu, os filhos de Israel voltaram a se prostituir com os baalins e puseram Baal-Berite por deus. 34Os filhos de Israel não se lembraram do Senhor, seu Deus, que os havia livrado do poder de todos os seus inimigos ao redor. 35Também não usaram de bondade com a casa de Jerubaal, a saber, Gideão, segundo todo o bem que ele tinha feito a Israel.

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