Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
16

Sansão em Gaza

161Sansão foi a Gaza, viu ali uma prostituta e teve relações com ela. 2Foi dito aos gazitas:

— Sansão chegou aqui.

Eles cercaram o local e ficaram a noite toda esperando por ele, às escondidas, no portão da cidade. Ficaram em silêncio durante toda a noite, pois diziam:

— Vamos esperar até o raiar do dia. Então nós o matamos.

3Porém Sansão ficou deitado somente até a meia-noite. Então se levantou, pegou ambas as folhas do portão da cidade e as arrancou juntamente com os seus batentes e a tranca. Pôs tudo sobre os ombros e levou ao alto do monte que está em frente de Hebrom.

Sansão e Dalila

4Depois disto, Sansão se apaixonou por uma mulher do vale de Soreque, a qual se chamava Dalila. 5Então os governantes dos filisteus foram falar com ela e lhe disseram:

— Convença-o a revelar em que consiste a sua grande força e como poderíamos dominá-lo e amarrá-lo, para que assim possamos subjugá-lo. Cada um de nós dará a você mil e cem moedas de prata.

6Então Dalila disse a Sansão:

— Peço que você me conte em que consiste a sua grande força e com que você poderia ser amarrado e subjugado.

7Sansão respondeu:

— Se me amarrarem com sete cordas de arco ainda úmidas, ficarei fraco e serei como qualquer outro homem.

8Os governantes dos filisteus trouxeram a Dalila sete cordas de arco, ainda úmidas; e com as cordas ela o amarrou. 9Dalila havia deixado alguns homens escondidos no seu quarto. Então ela disse:

— Sansão, os filisteus vêm vindo aí!

Mas ele arrebentou as cordas de arco como se arrebenta o fio da estopa chamuscada que é colocada perto do fogo. Assim, não se soube em que consistia a força que ele tinha.

10Então Dalila disse a Sansão:

— Eis que você tem zombado de mim e me falou mentiras. Agora, por favor, conte-me como você pode ser amarrado.

11Ele lhe disse:

— Se me amarrarem bem com cordas novas, que nunca foram usadas, ficarei fraco e serei como qualquer outro homem. 12Dalila pegou cordas novas e o amarrou. Depois disse:

— Sansão, os filisteus vêm vindo aí!

Dalila havia deixado alguns homens escondidos no seu quarto. Mas Sansão arrebentou as cordas de seus braços como se fossem um fio de linha. 13Dalila disse a Sansão:

— Até agora você tem zombado de mim e só me falou mentiras. Diga-me como você poderia ser amarrado.

Ele respondeu:

— Se você tecer num tear as sete tranças da minha cabeça e se as prender com um pino de tear, ficarei fraco e serei como qualquer outro homem.

Enquanto ele dormia, ela pegou e teceu as sete tranças dele num tear. 14Prendeu-as com um pino de tear e depois gritou:

— Sansão, os filisteus vêm vindo aí!

Mas ele despertou do sono, arrancou o pino e tirou o cabelo do tear.

15Então ela lhe disse:

— Como você pode dizer que me ama, se não me revela o seu segredo? Por três vezes você zombou de mim e ainda não me contou em que consiste a sua grande força.

16Ela o importunava e pressionava todos os dias com a mesma pergunta, de modo que a alma dele se angustiou até a morte. 17Então ele contou o seu segredo, dizendo:

— Nunca foi passada uma navalha na minha cabeça, porque sou nazireu consagrado a Deus desde o ventre de minha mãe.

16.17
Nm 6.5
Jz 13.5
Se o meu cabelo for cortado, a minha força irá embora, ficarei fraco e serei como qualquer outro homem.

18Quando Dalila viu que ele lhe havia contado o seu segredo, mandou chamar os governantes dos filisteus, dizendo:

— Venham mais esta vez, porque agora ele me contou o seu segredo.

Então os governantes dos filisteus vieram até ela e trouxeram com eles o dinheiro. 19Dalila fez com que Sansão dormisse no colo dela e, tendo chamado um homem, mandou rapar-lhe as sete tranças da cabeça, e assim começou a subjugá-lo. Sansão havia perdido a sua força. 20Então ela gritou:

— Sansão, os filisteus vêm vindo aí!

Ele despertou do sono e disse consigo mesmo:

— Vou sair como nas outras vezes e me livrarei.

Mas ele não sabia ainda que o Senhor já se havia retirado dele. 21Então os filisteus o agarraram, furaram os olhos dele e o levaram para Gaza. Amarraram-no com correntes de bronze e o puseram a virar um moinho na prisão. 22Mas o cabelo da sua cabeça, logo após ser rapado, começou a crescer de novo.

A morte de Sansão

23Os governantes dos filisteus se reuniram para oferecer um grande sacrifício ao seu deus Dagom e para se alegrar. Diziam:

— O nosso deus entregou o nosso inimigo Sansão nas nossas mãos.

24O povo, quando viu Sansão, louvava o seu deus, dizendo:

— O nosso deus entregou nas nossas mãos o nosso inimigo, aquele que destruía a nossa terra e multiplicava os nossos mortos.

25Com alegria no coração, disseram:

— Mandem vir Sansão, para que ele nos divirta.

Trouxeram Sansão do cárcere, e ele os divertia. Quando o fizeram ficar em pé entre as colunas, 26Sansão disse ao moço que o guiava pela mão:

— Deixe-me apalpar as colunas que sustentam o templo, para que eu possa me encostar nelas.

27Ora, o templo estava cheio de homens e mulheres, e também ali estavam todos os governantes dos filisteus. E sobre o teto havia uns três mil homens e mulheres, que olhavam enquanto Sansão os divertia.

28Sansão clamou ao Senhor e disse:

— Senhor Deus, peço-te que te lembres de mim. Dá-me força só mais esta vez, ó Deus, para que eu me vingue dos filisteus, que furaram os meus olhos.

29Em seguida, Sansão abraçou-se às duas colunas do meio, que sustentavam o templo, e fez força sobre elas, com a mão direita em uma e com a esquerda na outra. 30E disse:

— Que eu morra com os filisteus.

E empurrou com toda a sua força, e o templo caiu sobre os governantes e sobre todo o povo que ali estava. Assim, foram mais os que Sansão matou quando morreu do que os que ele havia matado durante toda a sua vida.

31Então os seus irmãos e toda a casa de seu pai foram buscar o corpo. Eles o levaram e sepultaram entre Zorá e Estaol, no túmulo de Manoá, seu pai.

Sansão julgou Israel durante vinte anos.

17

Mica e os ídolos

171Havia um homem da região montanhosa de Efraim cujo nome era Mica. 2Ele disse à sua mãe:

— As mil e cem moedas de prata que lhe foram roubadas, e a respeito das quais a senhora me falou e proferiu maldições, eis que esse dinheiro está comigo; eu o peguei.

Então a mãe lhe disse:

— Que o Senhor o abençoe, meu filho!

3Assim, ele devolveu as mil e cem moedas de prata à sua mãe, que disse:

— De minha parte dedico esta prata ao Senhor Deus a favor de meu filho. Será usada para fazer uma imagem de escultura e uma de fundição.

17.3
Êx 20.4
Por isso, agora eu devolvo esta prata a você.

4Porém o filho devolveu a prata à sua mãe, que pegou duzentas moedas de prata e as deu a um ourives, o qual fez delas uma imagem de escultura e uma de fundição. E a imagem ficou na casa de Mica. 5E, assim, este homem, Mica, veio a ter um santuário. Fez uma estola sacerdotal, alguns ídolos do lar, e consagrou um de seus filhos para ser o sacerdote. 6Naqueles dias,

17.6
Jz 18.1
19.1
21.25
não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais certo.

O levita na casa de Mica

7Havia um jovem de Belém de Judá, da tribo de Judá, que era levita e estrangeiro naquele lugar. 8Esse homem partiu da cidade de Belém de Judá em busca de outro lugar para morar. E assim, seguindo o seu caminho, chegou à região montanhosa de Efraim, até a casa de Mica. 9E Mica lhe perguntou:

— De onde você vem?

Ele respondeu:

— Sou levita de Belém de Judá e estou procurando um lugar para morar.

10Então Mica disse:

— Fique comigo, como meu conselheiro e sacerdote. Eu lhe darei dez moedas de prata por ano, a roupa e o sustento.

O levita entrou 11e consentiu em ficar com aquele homem. E o jovem era para ele como um de seus filhos. 12Mica consagrou o jovem levita, que passou a ser o seu sacerdote.

17.12
Nm 16.10
E o jovem ficou na casa de Mica. 13Então Mica disse:

— Agora sei que o Senhor me fará bem, porque tenho um levita como sacerdote.

18

Mica e a tribo de Dã

181Naqueles dias, não havia rei em Israel,

18.1
Jz 17.6
19.1
21.15
e a tribo dos danitas estava procurando um território para morar, porque, até aquele dia, não tinha recebido herança entre as tribos de Israel. 2Então os filhos de Dã enviaram cinco homens dentre todas as famílias da sua tribo, homens valentes, de Zorá e de Estaol, para espiar e explorar a terra. E lhes disseram:

— Vão e explorem a terra.

Chegaram à região montanhosa de Efraim, até a casa de Mica, e ali pernoitaram. 3Quando se aproximaram da casa de Mica, reconheceram a voz do jovem levita. Chegaram perto dele e lhe perguntaram:

— Quem trouxe você para cá? O que você está fazendo aqui? E o que prende você a este lugar?

4Ele respondeu:

— Assim e assim Mica fez comigo: ele me contratou, e eu me tornei o sacerdote dele.

18.4
Jz 17.10-12

5E eles lhe disseram:

— Então, por favor, consulte a Deus, para que saibamos se o caminho que seguimos irá prosperar.

6O sacerdote respondeu:

— Vão em paz. O caminho de vocês está sob as vistas do Senhor.

7Os cinco homens partiram e chegaram a Laís. Viram que o povo daquele lugar vivia em segurança, segundo o costume dos sidônios, em paz e sem desconfiar de nada. Nenhuma autoridade havia que, por qualquer coisa, os oprimisse. Moravam longe dos sidônios e não tinham contato com outros povos. 8Então os cinco homens voltaram a seus irmãos em Zorá e Estaol. E esses irmãos lhes perguntaram:

— E então, o que nos dizem?

9Eles responderam:

— Preparem-se e vamos atacá-los. Porque examinamos a terra, e eis que é muito boa. Vão ficar aí parados? Vão depressa e ocupem aquela terra. 10Quando chegarem lá, vão encontrar um povo que não desconfia de nada. A terra é ampla, e Deus a está entregando nas mãos de vocês. É um lugar em que não falta nada do que existe na terra.

11Então partiram dali, do meio da tribo dos danitas, de Zorá e de Estaol, seiscentos homens armados com as suas armas de guerra. 12Subiram e acamparam em Quiriate-Jearim, em Judá. Por isso aquele lugar é chamado de Maané-Dã,18.12 Maané-Dã significa “Campo de Dã” até o dia de hoje. Fica a oeste de Quiriate-Jearim. 13Dali foram para a região montanhosa de Efraim e chegaram à casa de Mica.

14Os cinco homens que foram espiar a terra de Laís disseram aos seus irmãos:

— Vocês sabiam que numa daquelas casas há uma estola sacerdotal, alguns ídolos do lar, uma imagem de escultura e uma de fundição? Decidam, pois, o que vão fazer.

15Então foram para lá, e chegaram à casa do jovem levita, que era a casa de Mica, e o saudaram. 16Os seiscentos homens da tribo de Dã, armados com as suas armas de guerra, ficaram à entrada do portão. 17Porém os cinco homens que tinham ido espiar a terra entraram na casa e apanharam a imagem de escultura, a estola sacerdotal, os ídolos do lar e a imagem de fundição, enquanto o sacerdote estava em pé à entrada do portão com os seiscentos homens que estavam armados com as armas de guerra. 18Quando eles entraram na casa de Mica e apanharam a imagem de escultura, a estola sacerdotal, os ídolos do lar e a imagem de fundição, o sacerdote perguntou:

— O que é que vocês estão fazendo?

19Eles responderam:

— Fique calado. Não diga nada a ninguém. Venha conosco e seja o nosso conselheiro e sacerdote. Ou você acha que é melhor ser sacerdote na casa de um só homem do que ser sacerdote de uma tribo e de uma família em Israel?

20O sacerdote ficou contente, pegou a estola sacerdotal, os ídolos do lar e a imagem de escultura e entrou no meio do povo.

21Eles deram meia-volta e partiram, não sem antes colocar diante de si as crianças, o gado e os seus bens. 22Quando eles já estavam longe da casa de Mica, os vizinhos deste se reuniram e foram atrás dos filhos de Dã. 23Eles gritaram para os filhos de Dã, que, voltando-se, perguntaram a Mica:

— O que é que você quer? Por que você convocou todo esse povo?

24Mica respondeu:

— Vocês pegaram os deuses que eu fiz e também o meu sacerdote e foram embora. O que sobrou para mim? E vocês ainda me perguntam: “O que é que você quer?”

25Porém os filhos de Dã lhe disseram:

— Seria melhor você ficar calado, porque, se não, alguns dos nossos homens poderiam ficar irritados e acabariam atacando você. Nesse caso, perderiam a vida você e os da sua casa.

26Assim, os filhos de Dã seguiram o seu caminho. E Mica, vendo que eram mais fortes do que ele, deu meia-volta e foi para casa.

27Os homens de Dã levaram as coisas que Mica havia feito e também o sacerdote dele, e foram a Laís, a um povo que vivia em paz e sem desconfiar de nada. Mataram os moradores a fio de espada e queimaram a cidade. 28Não houve ninguém que os livrasse, porque moravam longe de Sidom e não tinham contato com outros povos. A cidade ficava no vale junto a Bete-Reobe. Os filhos de Dã reedificaram a cidade e passaram a morar nela. 29E lhe chamaram Dã, segundo o nome de Dã, seu pai, que era filho de Israel.

18.29
Js 19.47
Porém no passado o nome dessa cidade era Laís. 30Os filhos de Dã levantaram para si aquela imagem de escultura, e Jônatas, filho de Gérson e neto de Moisés,
18.30
Êx 2.22
18.3
ele e seus filhos foram sacerdotes da tribo dos danitas até o dia do cativeiro do povo. 31Assim, pois, a imagem de escultura feita por Mica ficou entre eles durante todo o tempo em que a Casa de Deus esteve em Siló.