Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
13

O nascimento de Sansão

131Os filhos de Israel tornaram a fazer o que era mau aos olhos do Senhor, e por isso ele os entregou nas mãos dos filisteus durante quarenta anos.

2Havia um homem de Zorá, da linhagem de Dã, chamado Manoá, cuja mulher era estéril e não tinha filhos. 3O Anjo do Senhor apareceu a essa mulher e lhe disse:

— Eis que você é estéril e nunca teve filhos, mas você ficará grávida e dará à luz um filho. 4Por isso, tenha cuidado e não beba vinho nem bebida forte, e não coma nenhuma comida impura. 5Porque eis que você ficará grávida e dará à luz um filho sobre cuja cabeça não passará navalha. O menino será nazireu

13.5
Nm 6.1-5
consagrado a Deus desde o ventre de sua mãe, e ele começará a livrar Israel do poder dos filisteus.

6Então a mulher foi a seu marido e lhe disse:

— Um homem de Deus veio falar comigo. A sua aparência era semelhante à de um anjo de Deus, tremenda. Não perguntei de onde ele vinha, e ele não me disse como se chamava. 7Porém ele me disse: “Eis que você ficará grávida e dará à luz um filho. Por isso, não beba vinho, nem bebida forte, nem coma coisa impura, porque o menino será nazireu consagrado a Deus desde o ventre materno até o dia de sua morte.”

8Então Manoá orou ao Senhor, dizendo:

— Ah! Meu Senhor, peço que o homem de Deus que enviaste venha outra vez e nos ensine o que devemos fazer com o menino que há de nascer.

9Deus ouviu a voz de Manoá, e o Anjo de Deus veio outra vez à mulher, quando ela estava sentada no campo. Porém Manoá, o marido, não estava com ela. 10A mulher se apressou, correu e deu a notícia a seu marido. Ela lhe disse:

— Eis que me apareceu aquele homem que falou comigo no outro dia.

11Então Manoá se levantou e seguiu a sua mulher. Quando encontrou o homem, perguntou:

— Você é o homem que falou com esta mulher?

Ele respondeu:

— Sim, sou eu.

12Então Manoá disse:

— Quando se cumprirem as palavras que você falou, qual será o modo de viver do menino e o seu serviço?

13O Anjo do Senhor disse a Manoá:

— A sua mulher deve se guardar de tudo o que eu disse a ela. 14Não deve comer nada que procede da videira. Não deve beber vinho nem bebida forte, nem comer nada que seja impuro. Ela deve observar tudo o que lhe ordenei.

15Então Manoá disse ao Anjo do Senhor:

— Permita-nos convidá-lo a ficar conosco. Queremos preparar um cabrito para você.

16Porém o Anjo do Senhor disse a Manoá:

— Ainda que você me convide, não comerei a sua comida. Mas, se você preparar um holocausto, ofereça-o ao Senhor.

Acontece que Manoá não sabia que aquele era o Anjo do Senhor. 17Então Manoá perguntou ao Anjo do Senhor:

— Qual é o seu nome, para que possamos honrar você, quando se cumprir aquilo que nos falou?

18O Anjo do Senhor respondeu:

— Por que você me pergunta pelo meu nome, que é maravilhoso?

19Então Manoá pegou um cabrito e uma oferta de cereais e os ofereceu sobre uma rocha ao Senhor Deus. E o Anjo do Senhor fez algo maravilhoso, enquanto Manoá e a sua mulher estavam observando. 20Aconteceu que, enquanto a chama que saiu do altar subia para o céu, o Anjo do Senhor subiu nela. Ao verem isso, Manoá e a sua mulher se prostraram com o rosto em terra.

21Nunca mais o Anjo do Senhor apareceu a Manoá, nem à sua mulher. Então Manoá ficou sabendo que aquele era o Anjo do Senhor.

22Manoá disse à sua mulher:

— Certamente vamos morrer, porque vimos Deus.

23Mas a mulher respondeu:

— Se o Senhor Deus quisesse nos matar, não teria aceito de nossas mãos o holocausto e a oferta de cereais, nem nos teria mostrado tudo isso, nem nos teria revelado essas coisas.

24Depois, a mulher deu à luz um filho e lhe deu o nome de Sansão. O menino cresceu, e o Senhor o abençoou. 25E o Espírito do Senhor começou a agir nele em Maané-Dã, entre Zorá e Estaol.

14

O casamento de Sansão

141Sansão foi a Timna, onde viu uma das filhas dos filisteus. 2Voltou para casa e disse ao seu pai e à sua mãe:

— Vi uma mulher em Timna, das filhas dos filisteus, e agora gostaria que a buscassem para ser a minha esposa.

3Porém o seu pai e a sua mãe lhe disseram:

— Será que não há mulher entre as filhas de seus parentes ou entre todo o nosso povo, para que você tivesse de ir procurar uma esposa no meio dos filisteus, aqueles incircuncisos?

Mas Sansão disse ao seu pai:

— Busquem essa mulher para mim, porque é só dela que me agrado.

4Mas o seu pai e a sua mãe não sabiam que isto vinha do Senhor, pois este procurava ocasião contra os filisteus. Porque naquele tempo os filisteus dominavam sobre Israel.

5Sansão foi com o seu pai e a sua mãe a Timna. Quando chegaram às vinhas de Timna, eis que um leão novo, rugindo, saiu ao encontro dele. 6Então o Espírito do Senhor de tal maneira se apossou de Sansão, que ele rasgou o leão como quem rasga um cabrito, sem nada ter nas mãos. Sansão, no entanto, não contou nem a seu pai nem a sua mãe o que havia feito.

7Então ele foi e falou com aquela mulher, e dela se agradou. 8Depois de alguns dias, voltou para casar com ela. E, afastando-se do caminho para ver o corpo do leão morto, eis que havia nele um enxame de abelhas com mel. 9Pegou o favo nas mãos e se foi andando e comendo dele. Quando chegou onde estavam o seu pai e a sua mãe, deu-lhes um pouco do mel, e eles comeram. Mas Sansão não lhes contou que havia tirado o mel do corpo do leão.

O enigma de Sansão

10O pai de Sansão foi à casa daquela mulher, e Sansão deu ali um banquete, como os moços costumavam fazer. 11Quando os filisteus viram Sansão, convidaram trinta companheiros para estarem com ele. 12Então Sansão lhes disse:

— Vou propor um enigma para que vocês o decifrem. Se, nos sete dias das bodas, vocês puderem decifrá-lo e me explicar o seu significado, darei a vocês trinta túnicas e trinta mudas de roupa. 13Se não puderem me explicar o significado, vocês me darão as trinta túnicas e as trinta mudas de roupa.

E eles disseram:

— Apresente-nos o enigma. Queremos ouvi-lo.

14Sansão disse:

“Do que come saiu comida,

e do forte saiu doçura.”

E, em três dias, não puderam decifrar o enigma. 15No quarto dia, disseram à mulher de Sansão:

— Convença o seu marido a nos explicar o enigma. Do contrário, vamos pôr fogo em você e na casa de seu pai. Vocês nos convidaram para poderem se apossar do que é nosso, não foi?

16Então a mulher de Sansão chorou diante dele e disse:

— Você só me odeia! Você não me ama! Pois você deu aos homens do meu povo um enigma a decifrar e ainda não me contou o significado.

Mas Sansão respondeu:

— Olha! Nem para o meu pai nem para a minha mãe eu contei o significado do enigma. E acha que eu iria contar para você?

17Ela chorou diante dele os sete dias em que celebravam as bodas. No sétimo dia, Sansão disse a resposta, porque ela não parava de importunar. Então ela declarou o enigma aos homens do seu povo. 18Assim, no sétimo dia, antes do pôr do sol, os homens daquela cidade disseram a Sansão:

Que coisa é mais doce

do que o mel

e mais forte do que o leão?

E Sansão respondeu:

“Se vocês não tivessem lavrado

com a minha novilha,

nunca teriam descoberto

o meu enigma.”

19Então o Espírito do Senhor de tal maneira se apossou de Sansão, que ele desceu até Asquelom, matou trinta homens daquela cidade, pegou as roupas deles e as deu aos que decifraram o enigma. Porém Sansão ficou irado e voltou para a casa do seu pai.

20Quanto à mulher de Sansão, foi dada em casamento ao homem que tinha sido o seu amigo de honra.

15

Sansão põe fogo nos campos dos filisteus

151Passado algum tempo, nos dias da colheita do trigo, Sansão, levando um cabrito, foi visitar a sua mulher. E dizia:

— Vou entrar no quarto da minha mulher.

Porém o pai dela não o deixou entrar 2e lhe disse:

— Eu realmente pensei que você tinha muito ódio por ela e, por isso, a dei ao seu companheiro. Mas você não concorda que a irmã mais nova é mais bonita do que ela? Fique com ela em lugar da outra.

3Mas Sansão disse:

— Desta vez sou inocente para com os filisteus, quando lhes fizer algum mal.

4Então saiu, apanhou trezentas raposas e pegou um bom número de tochas. Amarrou as raposas duas a duas pela cauda e prendeu uma tocha em cada par. 5Pôs fogo nas tochas e largou as raposas nas plantações dos filisteus. Assim, incendiou tanto os feixes como o cereal que ainda estava por ser colhido, além das vinhas e dos olivais. 6Os filisteus perguntaram:

— Quem fez isso?

Responderam:

— Sansão, o genro do timnita, porque o sogro lhe tirou a mulher e a deu ao amigo dele.

Então os filisteus foram e queimaram a mulher e o pai dela. 7E Sansão disse a eles:

— Se é assim que vocês fazem, não desistirei enquanto não me vingar.

8E ele os atacou com fúria, matando muitos deles. Depois desceu e habitou numa caverna da rocha de Etã.

Os homens de Judá amarram Sansão

9Então os filisteus subiram e acamparam em Judá, espalhando-se por Leí. 10Os homens de Judá perguntaram aos filisteus:

— Por que vocês estão nos atacando?

Responderam:

— Viemos prender Sansão, para fazer com ele o mesmo que ele fez conosco.

11Então três mil homens de Judá foram até a caverna da rocha de Etã e disseram a Sansão:

— Você não sabia que os filisteus dominam sobre nós? Por que, então, você nos fez isto?

Ele lhes respondeu:

— Assim como fizeram comigo eu fiz com eles.

12Os homens de Judá disseram a Sansão:

— Viemos para amarrar você, para o entregar nas mãos dos filisteus.

Sansão disse:

— Jurem para mim que vocês não me matarão.

13Eles lhe disseram:

— Não! Nós somente vamos amarrar você e entregá-lo nas mãos dos filisteus. Mas de maneira nenhuma vamos matar você.

Então o amarraram com duas cordas novas e o fizeram sair da caverna.

Sansão mata mil homens com uma queixada de jumento

14Quando Sansão chegou a Leí, os filisteus foram gritando ao encontro dele. Mas o Espírito do Senhor de tal maneira se apossou de Sansão, que as cordas que ele tinha nos braços se tornaram como fios de linho queimados, e as amarras que ele tinha nas mãos se soltaram. 15Achou uma queixada de jumento, ainda fresca, pegou-a na mão e com ela matou mil homens. 16E disse:

“Com uma queixada de jumento

um montão, outro montão.

Com uma queixada de jumento

matei mil homens.”

17Quando acabou de falar, jogou fora a queixada. E aquele lugar foi chamado de Ramate-Leí.15.17 Ramate-Leí significa “monte da queixada”

18Sentindo muita sede, Sansão clamou ao Senhor e disse:

— Por meio de teu servo deste esta grande salvação. Será que agora vou morrer de sede e cair nas mãos desses incircuncisos?

19Então o Senhor fendeu a cavidade que estava em Leí, e dela saiu água. Sansão bebeu, recobrou alento e reviveu. Por isso aquele lugar se chama En-Hacoré15.19 En-Hacoré significa “fonte do que clama” até o dia de hoje.

20Sansão julgou Israel, nos dias dos filisteus, durante vinte anos.

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