Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
42

Os irmãos de José vão ao Egito

421Quando Jacó soube que havia mantimento no Egito, disse a seus filhos:

— Por que vocês estão aí olhando uns para os outros?

2E acrescentou:

— Ouvi dizer que há cereais

42.2
At 7.12
no Egito. Vão até lá e comprem cereais, para que vivamos e não morramos.

3Então dez dos irmãos de José foram, para comprar cereal do Egito. 4Mas Jacó não enviou Benjamim, o irmão de José, na companhia dos irmãos, porque dizia: “E se lhe acontecer algum desastre?” 5Entre os que iam, pois, para lá, foram também os filhos de Israel, pois havia fome na terra de Canaã.

6José era governador daquela terra; era ele quem vendia a todos os povos da terra. Os irmãos de José vieram e se prostraram com o rosto em terra, diante dele. 7Quando José viu os seus irmãos, reconheceu-os, porém não se deu a conhecer. Foi ríspido com eles e lhes perguntou:

— De onde vocês vêm?

Responderam:

— Da terra de Canaã, para comprar mantimento.

8José reconheceu os irmãos, mas eles não o reconheceram. 9Então José se lembrou dos sonhos

42.9
Gn 37.5-10
que teve a respeito deles e lhes disse:

— Vocês são espiões e vieram para ver os pontos fracos da terra.

10Eles responderam:

— Não, meu senhor. Estes seus servos vieram só para comprar mantimento. 11Somos todos filhos de um mesmo homem; somos homens honestos; estes seus servos não são espiões.

12Ele, porém, lhes respondeu:

— Nada disso! Pelo contrário, vocês vieram para ver os pontos fracos da terra.

13Eles disseram:

— Nós, seus servos, somos doze irmãos, filhos de um homem na terra de Canaã. O mais novo está hoje com o nosso pai, outro já não existe.

14Então José lhes disse:

— É como já falei: vocês são espiões. 15Nisto vocês serão provados: juro pela vida de Faraó que vocês não sairão daqui, sem que primeiro venha o irmão mais novo de vocês. 16Enviem um de vocês, que busque o seu irmão. Vocês ficarão detidos para que sejam provadas as palavras de vocês, se há verdade no que dizem; ou se não, juro pela vida de Faraó que vocês são espiões.

17E deixou todos presos por três dias. 18No terceiro dia, José lhes disse:

— Façam o seguinte e viverão, pois temo a Deus. 19Se são homens honestos, que um de vocês fique detido aqui onde estão presos; os outros podem ir, levando cereal para matar a fome das suas famílias. 20E tragam-me o seu irmão mais novo, com o que serão verificadas as palavras de vocês, e vocês não morrerão.

E eles se dispuseram a fazê-lo. 21Então disseram entre si:

— Na verdade, estamos sendo castigados por causa de nosso irmão, pois vimos a angústia de sua alma, quando nos pedia, e não lhe demos ouvidos; por isso, nos sobrevém agora esta ansiedade.

22Rúben respondeu-lhes:

— Não é verdade que eu disse:

42.22
Gn 37.21-22
“Não pequem contra o jovem”? Mas vocês não quiseram me ouvir. Pois agora estão vendo que o sangue dele está sendo requerido de nós.

23Eles, porém, não sabiam que José os entendia, porque lhes falava por meio de um intérprete. 24E, retirando-se deles, José chorou. Depois, voltando para junto deles, lhes falou outra vez. Escolheu Simeão e o algemou na presença deles.

Os irmãos de José regressam do Egito

25José ordenou que lhes enchessem de cereal os sacos, e lhes restituíssem o dinheiro, a cada um no saco de cereal, e os suprissem de comida para o caminho. E assim foi feito. 26E carregaram o cereal sobre os seus jumentos e partiram dali. 27Quando um deles abriu o saco de cereal, para dar de comer ao seu jumento na estalagem, encontrou o dinheiro na boca do saco de cereal. 28Então disse aos irmãos:

— Devolveram o meu dinheiro. Está aqui na boca do saco de cereal.

O coração dos irmãos se encheu de medo, e, tremendo, entreolhavam-se, dizendo:

— O que é isto que Deus nos fez?

29E vieram para Jacó, seu pai, na terra de Canaã, e lhe contaram tudo o que lhes havia acontecido, dizendo:

30— O homem, o senhor da terra, falou conosco de maneira ríspida e nos tratou como espiões da terra. 31Dissemos a ele: “Somos homens honestos e não espiões. 32Somos doze irmãos, filhos de um mesmo pai; um já não existe, e o mais novo está hoje com o nosso pai na terra de Canaã.” 33Então o homem, o senhor da terra, respondeu: “Nisto saberei que vocês são homens honestos: deixem comigo um de seus irmãos, peguem o cereal para remediar a fome de suas casas e vão embora. 34Mas tragam-me o seu irmão mais novo. Assim saberei que vocês não são espiões, mas homens honestos. Então entregarei o irmão de vocês, e vocês poderão negociar na terra.”

35Aconteceu que, quando foram despejar o cereal que havia nos sacos, cada um tinha a sua trouxinha de dinheiro no saco de cereal. Ao ver as trouxinhas com o dinheiro, eles e o seu pai ficaram com medo. 36Então Jacó, o pai deles, disse:

— Vocês vão me deixar sem filhos. José se foi. Simeão se foi. Agora querem levar Benjamim! Todas essas coisas acontecem contra mim.

37Mas Rúben disse a seu pai:

— O senhor pode matar os meus dois filhos, se eu não trouxer Benjamim de volta. Deixe que eu tome conta dele, e o trarei de volta para o senhor.

38Mas Jacó respondeu:

— O meu filho não irá com vocês. O irmão dele está morto, e ele é o único que ficou. Se lhe acontece algum desastre no caminho, vocês farão descer os meus cabelos brancos com tristeza à sepultura.

43

Os irmãos de José voltam ao Egito

431A fome continuava gravíssima na terra. 2Quando eles acabaram de consumir o cereal que tinham trazido do Egito, Jacó disse aos filhos:

— Voltem e comprem mais um pouco de mantimento para nós.

3Mas Judá lhe disse:

— Aquele homem nos advertiu solenemente, dizendo: “Vocês não verão o meu rosto, se o outro irmão não vier com vocês.” 4Se o senhor resolver enviar conosco o nosso irmão, iremos e compraremos mantimento para o senhor. 5Mas, se o senhor não o enviar, não iremos, pois o homem nos disse: “Vocês não verão o meu rosto, se o outro irmão não vier com vocês.”

6Israel respondeu:

— Por que vocês me fizeram esse mal, dando a saber àquele homem que vocês tinham outro irmão?

7Eles responderam:

— O homem nos fez perguntas específicas a respeito de nós e de nossa parentela, dizendo: “O pai de vocês ainda é vivo? Vocês têm outro irmão?” Nós apenas respondemos o que ele nos perguntou. Como podíamos adivinhar que ele nos diria: “Tragam o outro irmão?”

8Então Judá disse a Israel, seu pai:

— Deixe o jovem ir comigo, e nos levantaremos e iremos, para que vivamos e não morramos, nem nós, nem o senhor, nem os nossos filhinhos. 9Eu serei responsável por ele; da minha mão o senhor poderá requerê-lo. Se eu não o trouxer de volta e não o puser diante do senhor, serei culpado para com o senhor pelo resto da minha vida. 10Se não nos tivéssemos demorado, já teríamos ido e voltado duas vezes.

11Então Israel, seu pai, disse:

— Se é assim, então façam o seguinte: peguem do mais precioso desta terra, ponham nos sacos para o mantimento e levem de presente a esse homem: um pouco de bálsamo e um pouco de mel, especiarias e mirra, nozes de pistácia e amêndoas. 12Levem dinheiro em dobro. E devolvam o dinheiro restituído na boca dos sacos de cereal; é possível que tenha havido algum engano. 13Levem também o irmão de vocês. Levantem-se e voltem àquele homem. 14Deus Todo-Poderoso lhes dê misericórdia diante do homem, para que restitua o outro irmão e deixe que Benjamim volte com vocês. Quanto a mim, se eu perder os filhos, sem filhos ficarei.

José hospeda seus irmãos

15Então os homens pegaram os presentes, o dinheiro em dobro e Benjamim; levantaram-se, foram ao Egito e se apresentaram diante de José. 16Quando José viu que Benjamim estava com eles, disse ao administrador de sua casa:

— Leve estes homens para casa, mate um animal e prepare tudo, pois estes homens comerão comigo ao meio-dia.

17Ele fez como José lhe havia ordenado e levou os homens para a casa de José. 18Os homens tiveram medo, porque foram levados à casa de José. E diziam:

— É por causa do dinheiro que da outra vez voltou nos sacos de cereal que nós fomos trazidos para cá, para que possa nos acusar e atacar, nos escravizar e tomar os nossos jumentos.

19E se aproximaram do administrador da casa de José, e lhe falaram à porta, 20e disseram:

— Meu senhor, já estivemos aqui uma vez para comprar mantimento. 21Mas, quando chegamos à estalagem, ao abrir os sacos de cereal, eis que o dinheiro de cada um estava na boca do saco de cereal, nosso dinheiro intacto. Por isso, trouxemos esse dinheiro de volta. 22Trouxemos também outro dinheiro conosco, para comprar mantimento. Não sabemos quem pôs o nosso dinheiro nos sacos de cereal.

23O administrador disse:

— Que a paz esteja com vocês! Não tenham medo. O seu Deus e o Deus do pai de vocês colocou esse tesouro nos sacos de cereal. Eu recebi o dinheiro que vocês trouxeram.

Então ele trouxe Simeão para fora. 24Depois, o administrador levou aqueles homens à casa de José e lhes deu água, e eles lavaram os pés. Também deu ração aos seus jumentos. 25Então prepararam o presente, para quando José viesse ao meio-dia, pois ouviram que ali haviam de comer.

26Quando José chegou à sua casa, trouxeram-lhe para dentro o presente que tinham em mãos e se inclinaram até o chão diante dele. 27Ele lhes perguntou como tinham passado e disse:

— O pai de vocês, aquele velho de quem me falaram, vai bem? Ainda vive?

28Responderam:

— O seu servo, nosso pai, vai bem e ainda vive.

E abaixaram a cabeça e se inclinaram. 29Quando José levantou os olhos, viu Benjamim, seu irmão, filho de sua mãe, e disse:

— É este o irmão mais novo de vocês, de quem me falaram?

E acrescentou:

— Deus lhe conceda a sua graça, meu filho.

30José, profundamente emocionado por causa do seu irmão, apressou-se e procurou um lugar onde chorar. Entrou no quarto e ali chorou. 31Depois, lavou o rosto e saiu; conteve-se e disse:

— Sirvam a refeição.

32Serviram a comida dele numa mesa à parte, e a comida deles também numa mesa à parte. Também os egípcios que comiam com ele foram servidos numa mesa à parte, porque os egípcios não podiam comer com os hebreus, pois isso é abominação para os egípcios. 33E sentaram-se diante dele por ordem de idade, desde o mais velho ao mais novo. Eles olhavam uns para os outros cheios de espanto. 34Então José lhes apresentou as porções que estavam diante dele, e a porção de Benjamim era cinco vezes maior do que a dos outros. E beberam com ele até ficarem alegres.

44

O copo de José

441José deu esta ordem ao administrador da sua casa:

— Encha de mantimento os sacos que estes homens trouxeram, quanto puderem levar, e ponha o dinheiro de cada um na boca do saco de mantimento. 2E coloque o meu copo de prata na boca do saco de mantimento do mais novo, junto com o dinheiro do seu cereal.

E o administrador fez como José havia ordenado. 3De manhã, quando já estava claro, os homens partiram, eles com os seus jumentos. 4Saíram da cidade e, antes que pudessem ter se distanciado, José disse ao administrador de sua casa:

— Levante-se e vá atrás daqueles homens. E, alcançando-os, diga o seguinte: “Por que vocês pagaram o bem com o mal? 5Não é este o copo em que bebe o meu senhor e que ele usa para fazer as suas adivinhações? Vocês fizeram algo muito errado.”

6O administrador os alcançou e lhes falou essas palavras. 7Então eles responderam:

— Por que o meu senhor está dizendo uma coisa dessas? Longe de nós, seus servos, fazer uma coisa assim. 8O dinheiro que achamos na boca dos sacos de mantimento nós trouxemos de volta da terra de Canaã; como, então, iríamos roubar prata ou ouro da casa do seu senhor? 9Se algum de nós tiver esse copo, será morto; e nós ainda seremos escravos do meu senhor.

10O administrador respondeu:

— Que seja como vocês disseram. Aquele com quem for encontrado o copo será meu escravo; os outros ficam livres.

11Eles se apressaram; cada um colocou o seu saco de mantimento no chão e o abriu. 12O administrador os examinou, começando do mais velho e acabando no mais novo; e o copo foi encontrado no saco de mantimento de Benjamim. 13Então eles rasgaram as suas roupas; cada um carregou de novo o seu jumento, e eles voltaram para a cidade.

14Quando Judá e seus irmãos chegaram à casa de José, este ainda estava ali. E prostraram-se em terra diante dele. 15José lhes perguntou:

— O que é isso que vocês fizeram? Vocês não sabiam que um homem como eu é capaz de adivinhar?

16Então Judá respondeu:

— Que podemos dizer a meu senhor? Que podemos falar? E como vamos nos justificar? Deus descobriu a nossa culpa. Eis que somos escravos de meu senhor, tanto nós como aquele em cuja mão se achou o copo.

17Mas José disse:

— Longe de mim fazer uma coisa dessas! O homem em cuja mão foi encontrado o copo, esse será meu escravo; os outros podem voltar em paz para junto de seu pai.

18Então Judá se aproximou dele e disse:

— Meu senhor, permita que este seu servo diga uma palavra aos ouvidos do meu senhor, e não se acenda a sua ira contra este seu servo, pois o senhor é como o próprio Faraó. 19Meu senhor perguntou a seus servos: “Vocês têm pai ou mais algum irmão?” 20E respondemos a meu senhor: “Temos um pai já velho e um filho da sua velhice, o mais novo, cujo irmão é morto; e só ele ficou de sua mãe, e seu pai o ama.” 21Então o senhor disse a estes seus servos: “Tragam o jovem, para que eu o veja.” 22Respondemos ao meu senhor: “O jovem não pode deixar o pai; se deixar o pai, este morrerá.” 23Então meu senhor disse a estes seus servos: “Se o irmão mais novo não vier com vocês, nunca mais vocês verão o meu rosto.”

24— Quando voltamos à casa de meu pai, que é seu servo, e repetimos a ele as palavras de meu senhor, 25nosso pai disse: “Voltem e comprem um pouco de mantimento.” 26Nós respondemos: “Não podemos ir para lá. Mas, se o nosso irmão mais moço for conosco, iremos. Porque não podemos ver a face do homem, se este nosso irmão mais moço não estiver conosco.” 27Então nos disse o seu servo, nosso pai: “Vocês sabem que a minha mulher me deu dois filhos. 28Um se ausentou de mim, e eu disse: ‘Certamente foi despedaçado, e até agora não mais o vi.’ 29Se agora vocês me tirarem também este da minha presença, e lhe acontecer algum desastre, farão descer os meus cabelos brancos com tristeza à sepultura.”

30— Agora, pois, se eu voltar para junto de meu pai, seu servo, sem que o jovem vá conosco, visto que a alma de meu pai está ligada com a alma dele, 31vendo ele que o jovem não está conosco, morrerá; e estes seus servos farão descer os cabelos brancos de nosso pai, seu servo, com tristeza à sepultura. 32Porque este seu servo ficou responsável por este jovem diante de meu pai, dizendo: “Se eu não o trouxer de volta, serei culpado para com o meu pai pelo resto da minha vida.” 33Agora, pois, que este seu servo fique em lugar do jovem como escravo de meu senhor, e que o jovem volte com os seus irmãos. 34Porque como poderei voltar a meu pai, se o jovem não for comigo? Eu não poderia ver esse mal se abatendo sobre o meu pai.