Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
27

Isaque abençoa Jacó

271Quando Isaque envelheceu e os seus olhos se enfraqueceram, a ponto de não mais poder ver, chamou Esaú, seu filho mais velho, e lhe disse:

— Meu filho!

Esaú respondeu:

— Aqui estou!

2O pai lhe disse:

— Estou velho e não sei o dia da minha morte. 3Pegue agora as suas armas, a sua aljava e o seu arco, vá ao campo e apanhe para mim alguma caça. 4Faça uma comida saborosa, como eu aprecio, e traga aqui para mim, para que eu coma e abençoe você antes que eu morra.

5Rebeca esteve escutando enquanto Isaque falava com Esaú, seu filho. E Esaú foi ao campo para apanhar a caça e trazê-la. 6Então Rebeca disse a Jacó, seu filho:

— Ouvi seu pai falar com Esaú, o seu irmão. Ele disse: 7“Traga uma caça e faça uma comida saborosa para mim, para que eu coma e o abençoe na presença do Senhor, antes que eu morra.” 8Agora, meu filho, escute as minhas palavras e faça o que lhe ordeno. 9Vá ao rebanho e traga-me dois bons cabritos. Deles farei uma saborosa comida para o seu pai, como ele aprecia. 10Você a levará ao seu pai, para que a coma e o abençoe, antes que ele morra.

11Mas Jacó disse a Rebeca, sua mãe:

— Esaú, meu irmão, é um homem peludo, e eu sou um homem de pele lisa. 12Se o meu pai me apalpar, passarei a ser visto por ele como zombador e trarei sobre mim maldição e não bênção.

13A mãe respondeu:

— Caia sobre mim essa maldição, meu filho. Faça somente o que eu digo: vá e traga os cabritos para mim.

14Ele foi, pegou os cabritos e os trouxe a sua mãe, que fez uma saborosa comida, como o pai dele apreciava. 15Depois, Rebeca pegou a melhor roupa de Esaú, seu filho mais velho, roupa que tinha consigo em casa, e vestiu Jacó, seu filho mais novo. 16Com a pele dos cabritos cobriu-lhe as mãos e a lisura do pescoço. 17Então entregou a Jacó, seu filho, a comida saborosa e o pão que havia preparado.

18Jacó foi a seu pai e disse:

— Meu pai!

Ele respondeu:

— Fale! Quem é você, meu filho?

19Jacó respondeu a seu pai:

— Sou Esaú, seu filho primogênito. Fiz o que o senhor ordenou. Levante-se, por favor; sente-se e coma da minha caça, para que depois o senhor me abençoe.

20Isaque perguntou a seu filho:

— Como foi que você conseguiu achar a caça tão depressa, meu filho?

Ele respondeu:

— Porque o Senhor, seu Deus, a mandou ao meu encontro.

21Então Isaque disse a Jacó:

— Chegue mais perto, para que eu o apalpe, meu filho, e veja se você é meu filho Esaú ou não.

22Jacó se aproximou de Isaque, seu pai, que o apalpou e disse:

— A voz é de Jacó, mas as mãos são de Esaú.

23E não o reconheceu, porque as mãos realmente estavam peludas como as de seu irmão Esaú. E o abençoou. 24Então perguntou:

— Você é mesmo o meu filho Esaú?

Ele respondeu:

— Eu sou.

25Então disse:

— Traga isso para perto de mim, para que eu coma da caça de meu filho e o abençoe.

Jacó a levou até ele e o pai comeu. Trouxe-lhe também vinho, e ele bebeu. 26Então Isaque, seu pai, lhe disse:

— Venha cá e me dê um beijo, meu filho.

27Ele se aproximou e o beijou. Então o pai aspirou o cheiro da roupa dele e o abençoou. Ele disse:

“Eis que o cheiro do meu filho

é como o cheiro do campo,

que o Senhor abençoou;

28Deus lhe dê do orvalho do céu,

e da exuberância da terra,

e fartura de trigo e de vinho.

29Que povos sirvam você,

e nações o reverenciem.

Que você seja senhor

de seus irmãos,

e os filhos de sua mãe

se curvem diante de você.

Maldito

27.29
Gn 12.3
seja quem o amaldiçoar,

e bendito quem o abençoar.”

27.27-29
Hb 11.20

30E aconteceu que, depois que Isaque abençoou Jacó e este tinha acabado de sair da presença de seu pai, chegou Esaú, seu irmão, vindo da sua caçada. 31Ele também fez uma comida saborosa e a levou ao seu pai. E lhe disse:

— Levante-se, meu pai, e coma da caça de seu filho, para que o senhor me abençoe.

32Então Isaque, o pai dele, perguntou:

— Quem é você?

Ele respondeu:

— Sou o seu filho, o seu primogênito; sou Esaú.

33Isaque estremeceu, sentindo uma violenta comoção. E disse:

— Mas então quem foi aquele que apanhou a caça e trouxe para mim? Eu comi tudo, antes que você chegasse, e o abençoei, e ele será abençoado.

34Ao ouvir tais palavras de seu pai, Esaú deu um grito cheio de amargura e disse:

— Abençoe também a mim, meu pai!

35Mas Isaque respondeu:

— Seu irmão veio e, com astúcia, tomou a bênção que era sua.

36Esaú disse:

— Não é com razão que ele se chama Jacó?27.36 Jacó em hebraico soa parecido com a palavra que significa “enganar” (veja Gn 25.26, nota) Pois já duas vezes me enganou: tirou-me o direito de primogenitura

27.36
Gn 25.29-34
e agora tomou a bênção que era minha.

E perguntou:

— Então o senhor não reservou nenhuma bênção para mim?

37Isaque respondeu a Esaú:

— Eis que o constituí senhor sobre você, e fiz com que todos os parentes sejam servos dele; de trigo e de vinho o supri. Assim, o que posso fazer por você, meu filho?

38Esaú disse a seu pai:

— Será que o senhor, meu pai, tem somente uma bênção? Abençoe também a mim, meu pai.

E, levantando Esaú a voz, chorou.

27.38
Hb 12.17
39Então Isaque, seu pai, disse:

“Sua habitação será longe

27.39
Hb 11.20

dos lugares férteis da terra,

longe do orvalho que cai do alto.

40Você viverá da sua espada

e servirá o seu irmão;

quando, porém, você se libertar,

sacudirá do seu pescoço

o jugo

27.40
2Rs 8.20
2Cr 21.8
dele.”

41Esaú passou a odiar Jacó por causa da bênção com que seu pai o tinha abençoado. E disse em seu íntimo:

— Os dias de luto por meu pai se aproximam; então matarei meu irmão Jacó.

42Chegaram aos ouvidos de Rebeca estas palavras de Esaú, seu filho mais velho. Então ela mandou chamar Jacó, seu filho mais moço, e lhe disse:

— Eis que o seu irmão Esaú se consola fazendo planos para matá-lo. 43Agora, pois, meu filho, ouça bem o que vou dizer: levante-se e fuja para a casa de Labão, meu irmão, em Harã. 44Fique com ele alguns dias, até que passe o furor de seu irmão, 45e cesse o rancor dele contra você, e se esqueça do que você lhe fez. Quando isso acontecer, enviarei alguém para trazer você de volta. Não posso perder os meus dois filhos num só dia!

46Então Rebeca disse a Isaque:

— Estou aborrecida da vida por causa das filhas de Hete. Se Jacó tomar esposa dentre as filhas de Hete, tais como estas, as filhas desta terra, de que me servirá a vida?

28

Jacó vai para a casa de Labão

281Isaque chamou Jacó e, dando-lhe a sua bênção, lhe ordenou, dizendo:

— Não escolha uma esposa dentre as filhas de Canaã.

28.1
Gn 24.3-4
2Levante-se e vá a Padã-Arã, à casa de Betuel, pai de sua mãe, e tome lá por esposa uma das filhas de Labão, irmão de sua mãe. 3Que o Deus Todo-Poderoso28.3 Em hebraico, El Shaddai o abençoe, faça com que seja fecundo e o multiplique para que você venha a ser uma multidão de povos. 4Que ele lhe dê a bênção de Abraão,
28.4
Gn 17.4-8
a você e à sua descendência, para que você possua a terra de suas peregrinações, concedida por Deus a Abraão.

5Assim, Isaque despediu Jacó, que se foi a Padã-Arã, à casa de Labão, filho de Betuel, o arameu, irmão de Rebeca, mãe de Jacó e de Esaú.

6Esaú viu que Isaque havia abençoado Jacó e o havia mandado a Padã-Arã, para tomar de lá esposa para si, e que, ao abençoá-lo, lhe havia ordenado que não escolhesse uma esposa dentre as filhas de Canaã. 7Soube também que Jacó, obedecendo ao seu pai e à sua mãe, havia ido a Padã-Arã. 8Sabendo também que Isaque, seu pai, não via com bons olhos as filhas de Canaã, 9Esaú foi à casa de Ismael e, além das mulheres que já tinha, tomou por mulher Maalate, filha de Ismael, filho de Abraão, e irmã de Nebaiote.

A visão da escada

10Jacó partiu de Berseba e seguiu para Harã. 11Quando chegou a certo lugar, ali passou a noite, porque o sol já se havia posto. Pegou uma das pedras do lugar, fez dela o seu travesseiro e se deitou ali mesmo para dormir. 12E sonhou: Eis que estava posta na terra uma escada cujo topo atingia o céu, e os anjos de Deus subiam e desciam por ela.

28.12
Jo 1.51
13E eis que o Senhor estava perto dele28.13 Outra tradução possível: “sobre ela”, referindo-se à escada e lhe disse:

— Eu sou o Senhor, Deus de Abraão, seu pai, e Deus de Isaque. A terra

28.13
Gn 13.14
em que agora você está deitado, eu a darei a você e à sua descendência. 14A sua descendência será como o pó da terra; você se estenderá para o oeste e para o leste, para o norte e para o sul. Em você e na sua descendência
28.14
Gn 12.3
22.18
serão benditas todas as famílias da terra. 15Eis que eu estou com você e o guardarei por onde quer que você for. Farei com que você volte para esta terra, porque não o abandonarei até que eu cumpra aquilo que lhe prometi.

16Quando Jacó despertou do sono, disse:

— Na verdade, o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia.

17E, temendo, disse:

— Quão temível é este lugar! É a casa de Deus, a porta dos céus.

A coluna de Betel

18Na manhã seguinte, Jacó levantou-se de madrugada, pegou a pedra que havia usado como travesseiro e a pôs em pé como coluna. E sobre o topo dela derramou azeite. 19E ao lugar, cidade que antes se chamava Luz, deu o nome de Betel.28.19 Betel significa “Casa de Deus” 20Jacó fez também um voto, dizendo:

— Se Deus for comigo, e me guardar nesta jornada que empreendo, e me der pão para comer e roupa para vestir, 21de maneira que eu volte em paz para a casa de meu pai, então o Senhor será o meu Deus; 22e a pedra, que pus como coluna, será a casa de Deus; e, de tudo o que me concederes, certamente te darei o dízimo.

29

Jacó se encontra com Raquel

291Jacó se pôs a caminho e foi à terra do povo do Oriente. 2Olhou, e eis um poço no campo e três rebanhos de ovelhas deitados junto dele, porque daquele poço davam de beber aos rebanhos. E havia uma grande pedra que tapava a boca do poço. 3Ajuntavam-se ali todos os rebanhos, os pastores removiam a pedra da boca do poço, davam de beber às ovelhas e tornavam a colocá-la no seu devido lugar.

4Jacó perguntou aos pastores:

— De onde são vocês, meus irmãos?

Responderam:

— Somos de Harã.

5Perguntou-lhes:

— Vocês conhecem Labão, filho de Naor?

Responderam:

— Conhecemos.

6Jacó perguntou ainda:

— Ele vai bem?

Eles responderam:

— Sim, vai bem. Olhe! Raquel, a filha dele, vem vindo aí com as ovelhas.

7Então Jacó disse:

— É ainda pleno dia, não é tempo de recolher os rebanhos. Deem de beber às ovelhas e vão apascentá-las.

8Mas eles responderam:

— Não podemos, enquanto não se ajuntarem todos os rebanhos, seja removida a pedra da boca do poço e demos de beber às ovelhas.

9Enquanto Jacó ainda falava, chegou Raquel com as ovelhas de seu pai, porque era pastora. 10Quando Jacó viu Raquel, filha de Labão, irmão de sua mãe, e as ovelhas de Labão, aproximou-se, removeu a pedra da boca do poço e deu de beber ao rebanho de Labão, irmão de sua mãe. 11Feito isso, Jacó beijou Raquel e, erguendo a voz, chorou. 12Então Jacó contou a Raquel que ele era parente de seu pai, pois era filho de Rebeca. Ela correu e o comunicou a seu pai.

13Quando Labão ouviu as notícias a respeito de Jacó, filho de sua irmã, correu ao encontro dele, abraçou-o, beijou-o e o levou para casa. E Jacó contou a Labão tudo o que havia acontecido. 14Então Labão disse:

— De fato, você é meu osso e minha carne.

29.14
Jz 9.2

Jacó casa com Lia e com Raquel

Jacó ficou na casa de Labão durante um mês.

15Depois, Labão disse a Jacó:

— Será que você vai trabalhar de graça, só por ser meu parente? Diga-me qual deve ser o seu salário.

16Ora, Labão tinha duas filhas: Lia, a mais velha, e Raquel, a mais nova. 17Lia tinha uns olhos sem brilho, porém Raquel era bonita e formosa. 18Como Jacó amava Raquel, disse a Labão:

— Trabalharei para o senhor durante sete anos para poder casar com Raquel, sua filha mais nova.

19Labão respondeu:

— É melhor dá-la a você do que a outro homem. Fique aqui comigo.

20Assim, por amor a Raquel, Jacó trabalhou durante sete anos. E esses anos lhe pareceram como poucos dias, pelo muito que a amava.

21Então ele disse a Labão:

— Dê-me a minha mulher, pois já venceu o prazo, para que eu me case com ela.

22Assim, Labão reuniu todos os homens do lugar e deu um banquete. 23À noite, ele trouxe Lia, sua filha, e a entregou a Jacó. E eles tiveram relações. 24(Labão tinha dado sua serva Zilpa para que fosse serva de Lia, sua filha.)

25Ao amanhecer, Jacó viu que era Lia. Por isso, disse a Labão:

— O que é isso que o senhor fez comigo? Não é verdade que eu trabalhei por amor a Raquel? Por que, então, o senhor me enganou?

26Labão respondeu:

— Em nossa terra não se costuma dar em casamento a mais nova antes da primogênita. 27Complete a semana de festa de casamento da primogênita. Depois, daremos a você também a outra, pelo trabalho de mais sete anos que você ainda me servirá.

28Jacó fez o que Labão pediu e completou a semana de festa da primogênita. Depois, Labão lhe deu por mulher a sua filha Raquel. 29(Labão tinha dado sua serva Bila para que fosse serva de Raquel, sua filha.) 30E Jacó teve relações também com Raquel. Ele amava Raquel mais do que amava Lia. E continuou trabalhando para Labão durante mais sete anos.

Os filhos de Jacó

31Quando o Senhor viu que Lia era desprezada, fez com que ela fosse fecunda, ao passo que Raquel era estéril. 32Assim, Lia ficou grávida e deu à luz um filho, a quem deu o nome de Rúben,29.32 Rúben em hebraico soa parecido com as palavras que significam “vejam, um filho” e “ele viu a minha aflição” pois disse:

— O Senhor viu a minha aflição. Por isso, agora meu marido vai me amar.

33Ela ficou grávida outra vez e deu à luz um filho. E disse:

— O Senhor ouviu que eu era desprezada e me deu mais este filho.

E deu-lhe o nome de Simeão.29.33 Simeão em hebraico soa parecido com a palavra que significa “ouvir”

34Lia ficou grávida ainda outra vez e deu à luz um filho. E disse:

— Agora, desta vez, o meu marido se unirá mais a mim, porque lhe dei à luz três filhos.

Por isso lhe deu o nome de Levi.29.34 Levi em hebraico soa parecido com a palavra que significa “unir”

35Mais uma vez ela ficou grávida e deu à luz um filho. Então disse:

— Desta vez louvarei o Senhor.

E por isso lhe deu o nome de Judá.29.35 Judá em hebraico soa parecido com a palavra que significa “louvar” E depois disso não teve mais filhos.

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