Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)

Isaque na terra dos filisteus

261Sobreveio fome à terra, assim como tinha acontecido nos dias de Abraão.

26.1
Gn 12.10
Então Isaque foi a Gerar, encontrar-se com Abimeleque, rei dos filisteus. 2O Senhor apareceu a Isaque e lhe disse:

— Não desça ao Egito, mas fique na terra que eu lhe indicar. 3Habite nela, e estarei com você e o abençoarei. Porque a você e à sua descendência darei todas estas terras e confirmarei o juramento que fiz a Abraão, o seu pai. 4Multiplicarei a sua descendência como as estrelas dos céus e a ela darei todas estas terras. Na sua descendência serão benditas todas as nações da terra,

26.3-4
Gn 22.16-18
5porque Abraão obedeceu à minha palavra e guardou os meus mandamentos, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis.

6Isaque, pois, ficou em Gerar. 7Quando os homens daquele lugar perguntaram a respeito de sua mulher, ele disse: “É minha irmã.”

26.7
Gn 12.13
20.2
Ele tinha medo de dizer: “É minha mulher”, porque pensava assim: “Os homens do lugar me matarão por causa de Rebeca, porque ela é muito bonita.”

8Depois que Isaque havia permanecido ali por muito tempo, Abimeleque, rei dos filisteus, olhou por uma janela e viu que Isaque acariciava Rebeca, sua mulher. 9Então Abimeleque chamou Isaque e lhe disse:

— É evidente que ela é a sua mulher! Como é que você disse que ela era a sua irmã?

Isaque respondeu:

— É que eu pensei que poderiam me matar por causa dela.

10Então Abimeleque disse:

— O que é isso que você fez conosco? Facilmente alguém do povo poderia ter se deitado com a sua mulher, e você teria trazido culpa sobre nós.

11Então Abimeleque deu esta ordem a todo o povo:

— Quem tocar neste homem ou na sua mulher certamente morrerá.

12Isaque semeou naquela terra e, no mesmo ano, recolheu cem por um, porque o Senhor o abençoava. 13Ele enriqueceu, continuou prosperando, ficou riquíssimo. 14Tinha ovelhas e bois e grande número de servos, de maneira que os filisteus tinham inveja dele. 15E, por isso, lhe entulharam todos os poços que os servos de seu pai haviam cavado, nos dias de Abraão, enchendo-os de terra. 16Abimeleque disse a Isaque:

— Saia da nossa terra, porque você já é muito mais poderoso do que nós.

17Então Isaque saiu dali e se acampou no vale de Gerar, onde ficou morando. 18Isaque tornou a abrir os poços que haviam sido cavados nos dias de Abraão, seu pai, porque os filisteus os haviam entulhado depois da morte de Abraão, e lhes deu os mesmos nomes que o seu pai já lhes tinha dado. 19Os servos de Isaque cavaram no vale e acharam um poço de água nascente. 20Mas os pastores de Gerar entraram em conflito com os pastores de Isaque, dizendo:

— Esta água é nossa!

Por isso, Isaque chamou o poço de Eseque,26.20 Eseque significa “Discussão” porque entraram em conflito com ele. 21Então cavaram outro poço e também por causa desse houve conflito. Por isso, recebeu o nome de Sitna.26.21 Sitna significa “Inimizade” 22Partindo dali, Isaque cavou ainda outro poço. E, como por esse não houve conflito, deu-lhe o nome de Reobote.26.22 Reobote significa “Lugar espaçoso” Ele disse:

— Porque agora o Senhor abriu espaço para nós e vamos prosperar nesta terra.

23Dali Isaque foi para Berseba. 24Na mesma noite, o Senhor lhe apareceu e disse:

— Eu sou o Deus de seu pai Abraão. Não tenha medo, porque eu estou com você. Eu o abençoarei e multiplicarei a sua descendência por amor de Abraão, meu servo.

25Então Isaque levantou ali um altar e, tendo invocado o nome do Senhor, armou a sua tenda; e os servos de Isaque abriram ali um poço.

Isaque faz aliança com Abimeleque

26Abimeleque,

26.26
Gn 21.22
seu amigo Austate e Ficol, comandante do seu exército, saíram de Gerar para encontrar Isaque. 27Isaque perguntou:

— Por que vocês vieram à minha presença, se me odeiam e me expulsaram do meio de vocês?

28Eles responderam:

— Vimos claramente que o Senhor está com você. Então pensamos que seria bom se houvesse um juramento entre nós e você. Queremos fazer uma aliança com você. 29Você jura que não nos fará mal, assim como nós também não fizemos nenhum mal a você, mas fizemos somente o bem e o deixamos ir em paz. Você é agora o abençoado do Senhor.

30Então Isaque lhes deu um banquete, e comeram e beberam. 31Levantando-se de madrugada, juraram de parte a parte. Isaque os despediu, e eles se foram em paz. 32Nesse mesmo dia, vieram os servos de Isaque e, dando-lhe notícia do poço que tinham cavado, lhe disseram:

— Achamos água.

33Ao poço, Isaque deu o nome de Seba.26.33 Seba significa “Juramento” Por isso, Berseba é o nome daquela cidade até o dia de hoje.

34Quando Esaú tinha quarenta anos de idade, tomou por esposa Judite, filha de Beeri, heteu, e Basemate, filha de Elom, heteu. 35Essas duas se tornaram amargura de espírito para Isaque e para Rebeca.

Isaque abençoa Jacó

271Quando Isaque envelheceu e os seus olhos se enfraqueceram, a ponto de não mais poder ver, chamou Esaú, seu filho mais velho, e lhe disse:

— Meu filho!

Esaú respondeu:

— Aqui estou!

2O pai lhe disse:

— Estou velho e não sei o dia da minha morte. 3Pegue agora as suas armas, a sua aljava e o seu arco, vá ao campo e apanhe para mim alguma caça. 4Faça uma comida saborosa, como eu aprecio, e traga aqui para mim, para que eu coma e abençoe você antes que eu morra.

5Rebeca esteve escutando enquanto Isaque falava com Esaú, seu filho. E Esaú foi ao campo para apanhar a caça e trazê-la. 6Então Rebeca disse a Jacó, seu filho:

— Ouvi seu pai falar com Esaú, o seu irmão. Ele disse: 7“Traga uma caça e faça uma comida saborosa para mim, para que eu coma e o abençoe na presença do Senhor, antes que eu morra.” 8Agora, meu filho, escute as minhas palavras e faça o que lhe ordeno. 9Vá ao rebanho e traga-me dois bons cabritos. Deles farei uma saborosa comida para o seu pai, como ele aprecia. 10Você a levará ao seu pai, para que a coma e o abençoe, antes que ele morra.

11Mas Jacó disse a Rebeca, sua mãe:

— Esaú, meu irmão, é um homem peludo, e eu sou um homem de pele lisa. 12Se o meu pai me apalpar, passarei a ser visto por ele como zombador e trarei sobre mim maldição e não bênção.

13A mãe respondeu:

— Caia sobre mim essa maldição, meu filho. Faça somente o que eu digo: vá e traga os cabritos para mim.

14Ele foi, pegou os cabritos e os trouxe a sua mãe, que fez uma saborosa comida, como o pai dele apreciava. 15Depois, Rebeca pegou a melhor roupa de Esaú, seu filho mais velho, roupa que tinha consigo em casa, e vestiu Jacó, seu filho mais novo. 16Com a pele dos cabritos cobriu-lhe as mãos e a lisura do pescoço. 17Então entregou a Jacó, seu filho, a comida saborosa e o pão que havia preparado.

18Jacó foi a seu pai e disse:

— Meu pai!

Ele respondeu:

— Fale! Quem é você, meu filho?

19Jacó respondeu a seu pai:

— Sou Esaú, seu filho primogênito. Fiz o que o senhor ordenou. Levante-se, por favor; sente-se e coma da minha caça, para que depois o senhor me abençoe.

20Isaque perguntou a seu filho:

— Como foi que você conseguiu achar a caça tão depressa, meu filho?

Ele respondeu:

— Porque o Senhor, seu Deus, a mandou ao meu encontro.

21Então Isaque disse a Jacó:

— Chegue mais perto, para que eu o apalpe, meu filho, e veja se você é meu filho Esaú ou não.

22Jacó se aproximou de Isaque, seu pai, que o apalpou e disse:

— A voz é de Jacó, mas as mãos são de Esaú.

23E não o reconheceu, porque as mãos realmente estavam peludas como as de seu irmão Esaú. E o abençoou. 24Então perguntou:

— Você é mesmo o meu filho Esaú?

Ele respondeu:

— Eu sou.

25Então disse:

— Traga isso para perto de mim, para que eu coma da caça de meu filho e o abençoe.

Jacó a levou até ele e o pai comeu. Trouxe-lhe também vinho, e ele bebeu. 26Então Isaque, seu pai, lhe disse:

— Venha cá e me dê um beijo, meu filho.

27Ele se aproximou e o beijou. Então o pai aspirou o cheiro da roupa dele e o abençoou. Ele disse:

“Eis que o cheiro do meu filho

é como o cheiro do campo,

que o Senhor abençoou;

28Deus lhe dê do orvalho do céu,

e da exuberância da terra,

e fartura de trigo e de vinho.

29Que povos sirvam você,

e nações o reverenciem.

Que você seja senhor

de seus irmãos,

e os filhos de sua mãe

se curvem diante de você.

Maldito

27.29
Gn 12.3
seja quem o amaldiçoar,

e bendito quem o abençoar.”

27.27-29
Hb 11.20

30E aconteceu que, depois que Isaque abençoou Jacó e este tinha acabado de sair da presença de seu pai, chegou Esaú, seu irmão, vindo da sua caçada. 31Ele também fez uma comida saborosa e a levou ao seu pai. E lhe disse:

— Levante-se, meu pai, e coma da caça de seu filho, para que o senhor me abençoe.

32Então Isaque, o pai dele, perguntou:

— Quem é você?

Ele respondeu:

— Sou o seu filho, o seu primogênito; sou Esaú.

33Isaque estremeceu, sentindo uma violenta comoção. E disse:

— Mas então quem foi aquele que apanhou a caça e trouxe para mim? Eu comi tudo, antes que você chegasse, e o abençoei, e ele será abençoado.

34Ao ouvir tais palavras de seu pai, Esaú deu um grito cheio de amargura e disse:

— Abençoe também a mim, meu pai!

35Mas Isaque respondeu:

— Seu irmão veio e, com astúcia, tomou a bênção que era sua.

36Esaú disse:

— Não é com razão que ele se chama Jacó?27.36 Jacó em hebraico soa parecido com a palavra que significa “enganar” (veja Gn 25.26, nota) Pois já duas vezes me enganou: tirou-me o direito de primogenitura

27.36
Gn 25.29-34
e agora tomou a bênção que era minha.

E perguntou:

— Então o senhor não reservou nenhuma bênção para mim?

37Isaque respondeu a Esaú:

— Eis que o constituí senhor sobre você, e fiz com que todos os parentes sejam servos dele; de trigo e de vinho o supri. Assim, o que posso fazer por você, meu filho?

38Esaú disse a seu pai:

— Será que o senhor, meu pai, tem somente uma bênção? Abençoe também a mim, meu pai.

E, levantando Esaú a voz, chorou.

27.38
Hb 12.17
39Então Isaque, seu pai, disse:

“Sua habitação será longe

27.39
Hb 11.20

dos lugares férteis da terra,

longe do orvalho que cai do alto.

40Você viverá da sua espada

e servirá o seu irmão;

quando, porém, você se libertar,

sacudirá do seu pescoço

o jugo

27.40
2Rs 8.20
2Cr 21.8
dele.”

41Esaú passou a odiar Jacó por causa da bênção com que seu pai o tinha abençoado. E disse em seu íntimo:

— Os dias de luto por meu pai se aproximam; então matarei meu irmão Jacó.

42Chegaram aos ouvidos de Rebeca estas palavras de Esaú, seu filho mais velho. Então ela mandou chamar Jacó, seu filho mais moço, e lhe disse:

— Eis que o seu irmão Esaú se consola fazendo planos para matá-lo. 43Agora, pois, meu filho, ouça bem o que vou dizer: levante-se e fuja para a casa de Labão, meu irmão, em Harã. 44Fique com ele alguns dias, até que passe o furor de seu irmão, 45e cesse o rancor dele contra você, e se esqueça do que você lhe fez. Quando isso acontecer, enviarei alguém para trazer você de volta. Não posso perder os meus dois filhos num só dia!

46Então Rebeca disse a Isaque:

— Estou aborrecida da vida por causa das filhas de Hete. Se Jacó tomar esposa dentre as filhas de Hete, tais como estas, as filhas desta terra, de que me servirá a vida?

Jacó vai para a casa de Labão

281Isaque chamou Jacó e, dando-lhe a sua bênção, lhe ordenou, dizendo:

— Não escolha uma esposa dentre as filhas de Canaã.

28.1
Gn 24.3-4
2Levante-se e vá a Padã-Arã, à casa de Betuel, pai de sua mãe, e tome lá por esposa uma das filhas de Labão, irmão de sua mãe. 3Que o Deus Todo-Poderoso28.3 Em hebraico, El Shaddai o abençoe, faça com que seja fecundo e o multiplique para que você venha a ser uma multidão de povos. 4Que ele lhe dê a bênção de Abraão,
28.4
Gn 17.4-8
a você e à sua descendência, para que você possua a terra de suas peregrinações, concedida por Deus a Abraão.

5Assim, Isaque despediu Jacó, que se foi a Padã-Arã, à casa de Labão, filho de Betuel, o arameu, irmão de Rebeca, mãe de Jacó e de Esaú.

6Esaú viu que Isaque havia abençoado Jacó e o havia mandado a Padã-Arã, para tomar de lá esposa para si, e que, ao abençoá-lo, lhe havia ordenado que não escolhesse uma esposa dentre as filhas de Canaã. 7Soube também que Jacó, obedecendo ao seu pai e à sua mãe, havia ido a Padã-Arã. 8Sabendo também que Isaque, seu pai, não via com bons olhos as filhas de Canaã, 9Esaú foi à casa de Ismael e, além das mulheres que já tinha, tomou por mulher Maalate, filha de Ismael, filho de Abraão, e irmã de Nebaiote.

A visão da escada

10Jacó partiu de Berseba e seguiu para Harã. 11Quando chegou a certo lugar, ali passou a noite, porque o sol já se havia posto. Pegou uma das pedras do lugar, fez dela o seu travesseiro e se deitou ali mesmo para dormir. 12E sonhou: Eis que estava posta na terra uma escada cujo topo atingia o céu, e os anjos de Deus subiam e desciam por ela.

28.12
Jo 1.51
13E eis que o Senhor estava perto dele28.13 Outra tradução possível: “sobre ela”, referindo-se à escada e lhe disse:

— Eu sou o Senhor, Deus de Abraão, seu pai, e Deus de Isaque. A terra

28.13
Gn 13.14
em que agora você está deitado, eu a darei a você e à sua descendência. 14A sua descendência será como o pó da terra; você se estenderá para o oeste e para o leste, para o norte e para o sul. Em você e na sua descendência
28.14
Gn 12.3
22.18
serão benditas todas as famílias da terra. 15Eis que eu estou com você e o guardarei por onde quer que você for. Farei com que você volte para esta terra, porque não o abandonarei até que eu cumpra aquilo que lhe prometi.

16Quando Jacó despertou do sono, disse:

— Na verdade, o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia.

17E, temendo, disse:

— Quão temível é este lugar! É a casa de Deus, a porta dos céus.

A coluna de Betel

18Na manhã seguinte, Jacó levantou-se de madrugada, pegou a pedra que havia usado como travesseiro e a pôs em pé como coluna. E sobre o topo dela derramou azeite. 19E ao lugar, cidade que antes se chamava Luz, deu o nome de Betel.28.19 Betel significa “Casa de Deus” 20Jacó fez também um voto, dizendo:

— Se Deus for comigo, e me guardar nesta jornada que empreendo, e me der pão para comer e roupa para vestir, 21de maneira que eu volte em paz para a casa de meu pai, então o Senhor será o meu Deus; 22e a pedra, que pus como coluna, será a casa de Deus; e, de tudo o que me concederes, certamente te darei o dízimo.