Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
8

A visão sobre um carneiro e um bode

81No terceiro ano do reinado do rei Belsazar, eu, Daniel, tive uma visão. Isto aconteceu depois daquela visão que eu tive anteriormente.8.1 No original, o texto daqui até o fim do livro está em hebraico (veja Dn 2.4, nota) 2Quando tive a visão, parecia que eu estava na cidadela de Susã, que fica na província de Elão. Nessa visão, eu estava junto ao rio Ulai. 3Levantei os olhos e eis que, diante do rio, estava um carneiro, que tinha dois chifres. Os dois chifres eram compridos, mas um era mais comprido do que o outro; e o mais comprido apareceu por último. 4Vi que o carneiro dava chifradas para o oeste, para o norte e para o sul, e nenhum animal podia resistir a ele, nem havia quem pudesse livrar-se do seu poder. Ele fazia o que bem queria e, assim, se engrandeceu cada vez mais.

5Enquanto eu procurava entender isso, eis que um bode vinha do oeste percorrendo toda a terra, mas sem tocar no chão. Esse bode tinha um chifre bem visível entre os olhos. 6Foi na direção do carneiro que tinha os dois chifres, que eu tinha visto diante do rio, e correu contra ele com todo o seu furioso poder. 7Eu vi quando o bode chegou perto do carneiro e, enfurecido contra ele, o atacou e lhe quebrou os dois chifres. O carneiro não tinha força para resistir ao bode. O bode jogou o carneiro no chão e o pisou com os pés, e não houve quem pudesse livrar o carneiro do poder do bode. 8O bode se engrandeceu cada vez mais. Porém, quando estava no auge do seu poder, o seu grande chifre foi quebrado, e em seu lugar saíram quatro chifres bem visíveis, que cresceram na direção dos quatro ventos do céu.

9De um deles saiu um chifre pequeno, que se engrandeceu na direção do sul, do leste e da terra gloriosa.8.9 Isto é, a terra de Israel ou a Terra Prometida 10Ele se engrandeceu tanto, que alcançou o exército dos céus. Lançou por terra

8.10
Ap 12.4
alguns desse exército e das estrelas e os pisou com os pés. 11Ele se engrandeceu tanto, que chegou a desafiar o príncipe desse exército. Tirou dele o sacrifício diário e destruiu o lugar do seu santuário. 12O exército lhe foi entregue, com o sacrifício diário, por causa das transgressões. Lançou por terra a verdade, e tudo o que ele fez prosperou.

13Depois, ouvi um santo que falava; e outro santo lhe perguntou:

— Até quando vai durar a visão do sacrifício diário suprimido e da transgressão desoladora? Até quando o santuário e o exército ficarão entregues, para que sejam pisados aos pés?

14Ele me disse:

— Até duas mil e trezentas tardes e manhãs. Depois, o santuário será purificado.

15Depois que tive a visão, eu, Daniel, procurei entendê-la. Foi quando se apresentou diante de mim um ser que tinha a aparência de homem. 16E ouvi uma voz de homem que vinha das margens do rio Ulai e que gritou assim:

— Gabriel,

8.16
Dn 9.21
Lc 1.19,26
explique a visão a esse homem.

17Ele veio para perto de onde eu estava. Quando chegou, fiquei com muito medo e caí com o rosto em terra. Mas ele me disse:

— Filho do homem, você precisa entender que esta visão se refere ao tempo do fim.

18Ele ainda falava comigo quando caí sem sentidos, com o rosto em terra. Ele, porém, me tocou, me pôs em pé 19e disse:

— Eis que vou lhe contar o que há de acontecer no último tempo da ira, porque esta visão se refere ao tempo determinado do fim. 20Aquele carneiro com dois chifres, que você viu,

8.20
Dn 8.3
são os reis da Média e da Pérsia. 21O bode peludo é o rei da Grécia, e o chifre grande entre os olhos é o primeiro rei. 22O fato de o chifre ter sido quebrado, levantando-se quatro chifres em lugar dele,
8.22
Dn 8.8
significa que quatro reinos se levantarão deste povo, mas não com força igual à que ele tinha. 23Quando se aproximar o fim desses reinos e as transgressões tiverem chegado ao máximo, surgirá um rei cruel e mestre em intrigas. 24Grande será o seu poder, mas não por sua própria força. Causará destruições terríveis, e prosperará naquilo que fizer. Destruirá os poderosos e o povo santo. 25Por sua astúcia, fará prosperar o engano. No seu coração ele se engrandecerá,
8.25
Dn 8.11
e destruirá muitos que vivem despreocupadamente. Ele se levantará contra o Príncipe dos príncipes, mas será destruído sem intervenção humana.
8.25
Dn 2.34

26— A visão das tardes e das manhãs, que lhe foi dada, é verdadeira. Mas guarde a visão em segredo, porque se refere a dias ainda bem distantes.

27Eu, Daniel, enfraqueci e fiquei doente durante vários dias. Depois, me levantei e tratei dos negócios do rei. Fiquei espantado com a visão, e não havia quem a entendesse.

9

A oração de Daniel pelo povo

91No primeiro ano do reinado de Dario, filho de Assuero, da linhagem dos medos, que foi constituído rei sobre os caldeus, 2no primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, entendi, pelos livros, que, de acordo com o que o Senhor havia falado ao profeta Jeremias, a desolação de Jerusalém iria durar setenta anos.

9.2
Jr 25.11
29.10
3Voltei o rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração e súplicas, com jejum, vestido de pano de saco e sentado na cinza. 4Orei ao Senhor, meu Deus, e fiz a seguinte confissão:

— Ah! Senhor! Deus grande e temível,

9.4
Dt 7.21
Ne 9.32
que guardas a aliança e a misericórdia para com os que te amam e guardam os teus mandamentos,
9.4
Dt 7.9
5nós temos pecado e cometido iniquidades. Procedemos mal
9.5
Ne 9.33
Sl 106.6
e fomos rebeldes, afastando-nos dos teus mandamentos e dos teus juízos. 6Não demos ouvidos aos teus servos, os profetas,
9.6
Jr 44.4-5
que em teu nome falaram aos nossos reis, aos nossos príncipes, aos nossos pais e a todo o povo da terra. 7A ti, ó Senhor, pertence a justiça, mas a nós cabe o corar de vergonha,
9.7
Jr 2.26
como hoje se vê, a saber, aos homens de Judá, aos moradores de Jerusalém, a todo o Israel, tanto os de perto como os de longe, em todas as terras para onde os expulsaste, por causa das transgressões que cometeram contra ti. 8Ó Senhor, a nós pertence o corar de vergonha, aos nossos reis, aos nossos príncipes e aos nossos pais, porque temos pecado contra ti. 9Ao Senhor, nosso Deus, pertence a misericórdia e o perdão,
9.9
Sl 130.4
pois nos rebelamos contra ele 10e não obedecemos à voz do Senhor, nosso Deus, para andarmos nas suas leis, que nos deu por meio dos seus servos, os profetas. 11Sim, todo o Israel transgrediu a tua lei e se desviou, deixando de ouvir a tua voz. Por isso, as maldições que estão escritas na Lei de Moisés,
9.11
Dt 28.15-68
servo de Deus, e que foram confirmadas com juramento, se derramaram sobre nós, porque pecamos contra ti. 12Ele confirmou a sua palavra, que falou contra nós e contra os nossos juízes que nos julgavam, e fez vir sobre nós um grande mal. Nunca antes, debaixo do céu, havia acontecido algo como o que aconteceu com Jerusalém!
9.12
Ez 5.9
13Como está escrito na Lei de Moisés, todo este mal nos sobreveio. Mas mesmo assim não temos implorado o favor do Senhor, nosso Deus,
9.13
Is 9.13
Jr 5.3
para nos convertermos das nossas iniquidades e nos aplicarmos à tua verdade. 14O Senhor tinha preparado esse mal e o fez cair sobre nós, pois o Senhor, nosso Deus, é justo em tudo o que faz, e nós não obedecemos à sua voz.

15— Ó Senhor, nosso Deus, que tiraste o teu povo da terra do Egito com mão poderosa e adquiriste a fama que tens até o dia de hoje,

9.15
Ne 9.10
nós temos pecado e cometido iniquidade. 16Ó Senhor, segundo todas as tuas justiças, afasta a tua ira e o teu furor da tua cidade de Jerusalém, do teu santo monte, porque, por causa dos nossos pecados e por causa das iniquidades de nossos pais, Jerusalém e o teu povo se tornaram objeto de deboche para todos os que estão ao redor de nós. 17E agora, ó nosso Deus, ouve a oração e as súplicas do teu servo. Por amor do Senhor, faze resplandecer o teu rosto sobre o teu santuário,
9.17
Nm 6.25
Sl 80.3,19
que está abandonado.
9.17
Lm 5.18
18Inclina, ó Deus meu, os ouvidos e ouve! Abre os olhos e olha para a nossa desolação e para a cidade que é chamada pelo teu nome! Lançamos as nossas súplicas diante de ti não porque confiamos em nossas justiças, mas porque confiamos em tuas muitas misericórdias. 19Ó Senhor, ouve! Ó Senhor, perdoa! Ó Senhor, atende-nos e age! Não te demores,
9.19
Sl 44.23
por amor de ti mesmo, ó meu Deus, porque a tua cidade e o teu povo são chamados pelo teu nome.

A profecia das setenta semanas

20Enquanto eu ainda falava, orava, confessava o meu pecado e o pecado do meu povo de Israel e lançava a minha súplica diante do Senhor, meu Deus, pelo monte santo do meu Deus, 21sim, enquanto eu assim orava, Gabriel,

9.21
Dn 8.16
Lc 1.19,26
o homem que eu tinha visto na minha visão anterior,
9.21
Dn 8.15
veio rapidamente, voando, e tocou em mim; era hora do sacrifício da tarde. 22Ele queria instruir-me, falou comigo e disse:

— Daniel, agora eu vim para dar a você inteligência e discernimento. 23Quando você começou a fazer as suas súplicas, foi dada uma ordem, e eu vim para explicar tudo a você, porque Deus o ama muito.

9.23
Dn 10.11,19
Portanto, preste atenção à mensagem e entenda a visão.

24— Setenta semanas estão determinadas para o seu povo e para a sua santa cidade, para acabar com a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniquidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia e para ungir o Santo dos Santos. 25Saiba e entenda isto: desde que foi dada a ordem para restaurar e para edificar Jerusalém até a vinda do Ungido, o Príncipe, haverá sete semanas e sessenta e duas semanas. As ruas e as muralhas serão reconstruídas, mas será um tempo de muita angústia. 26Depois das sessenta e duas semanas, o Ungido será morto e não terá nada. O povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário. O seu fim virá como uma inundação.

9.26
Na 1.8
Até o fim haverá guerra, e desolações foram determinadas. 27Ele fará firme aliança com muitos, por uma semana. Na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de cereais. Sobre a asa das abominações
9.27
Dn 11.31
12.11
Mt 24.15
Mc 13.14
virá aquele que causa desolação, até que a destruição, que está determinada, seja derramada sobre ele.

10

A visão de Daniel no rio Tigre

101No terceiro ano de Ciro, rei da Pérsia, uma palavra foi revelada a Daniel, cujo nome é Beltessazar. A palavra era verdadeira e envolvia grande conflito. Ele entendeu a palavra e teve entendimento da visão. 2Naqueles dias, eu, Daniel, fiquei de luto por três semanas. 3Não comi nada que fosse saboroso, não provei carne nem vinho, e não me ungi com óleo algum, até que passaram as três semanas.

4No dia vinte e quatro do primeiro mês, estando eu na margem do grande rio Tigre, 5levantei os olhos e vi um homem vestido de linho,

10.5
Ez 9.2
com um cinto de ouro puro de Ufaz na cintura.
10.5
Ap 1.13
15.6
6O seu corpo era como o berilo, o seu rosto parecia um relâmpago, os seus olhos eram como tochas de fogo, os seus braços e os seus pés brilhavam como bronze polido,
10.6
Ap 1.15
e a voz das suas palavras era como o barulho de uma multidão.

7Só eu, Daniel, tive aquela visão. Os homens que estavam comigo nada viram, mas ficaram com muito medo, fugiram e se esconderam. 8Assim, fiquei sozinho e contemplei esta grande visão, e não restou força em mim. O meu rosto mudou de cor e se desfigurou,

10.8
Dn 7.28
e perdi as forças. 9Contudo, ouvi a voz das suas palavras; e, ouvindo essa voz, caí sem sentidos, com o rosto em terra.
10.9
Dn 8.18

10Eis que a mão de alguém tocou em mim, e me ajudou a ficar de joelhos, apoiado nas palmas das mãos. 11Ele me disse:

— Daniel, homem muito amado,

10.11
Dn 9.23
esteja atento às palavras que vou lhe dizer. Fique em pé, porque fui enviado para falar com você.

Enquanto ele falava comigo, eu me pus em pé, tremendo. 12Então ele me disse:

— Não tenha medo, Daniel, porque as suas palavras foram ouvidas, desde o primeiro dia em que você dispôs o coração a compreender e a se humilhar na presença do seu Deus. Foi por causa dessas suas palavras que eu vim. 13Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu durante vinte e um dias. Porém Miguel,

10.13
Ap 12.7
um dos príncipes mais importantes, veio me ajudar, e eu fiquei ali com os reis da Pérsia. 14Agora, vim para fazer com que você entenda
10.14
Dn 8.16
9.22
o que vai acontecer com o seu povo nos últimos dias. Porque a visão se refere a dias ainda distantes.
10.14
Dn 8.26

15Enquanto ele me dizia essas palavras, dirigi o olhar para o chão e fiquei mudo. 16Então um ser semelhante aos filhos dos homens me tocou os lábios,

10.16
Is 6.7
Jr 1.9
e passei a falar. Eu disse àquele que estava diante de mim:

— Meu senhor, essa visão me causou muita dor, e eu fiquei sem força alguma. 17Como pode este seu servo falar com o meu senhor? Porque, quanto a mim, não me resta mais nenhuma força, e quase não posso respirar.

18Então aquele ser semelhante a um homem tocou em mim outra vez e me fortaleceu. 19E disse:

— Não tenha medo, homem muito amado! Que a paz esteja com você! Anime-se! Sim, anime-se!

Enquanto ele falava comigo, fiquei fortalecido e disse:

— Fale agora, meu senhor, pois as suas palavras me fortaleceram.

20E ele disse:

— Você sabe por que eu vim? Agora voltarei a lutar contra o príncipe da Pérsia. Quando eu sair, eis que virá o príncipe da Grécia. 21Mas eu direi a você o que está expresso no Livro da Verdade. E na minha luta contra eles não há ninguém que esteja ao meu lado, a não ser Miguel,

10.21
Dn 10.13
12.1
Ap 12.7
o príncipe de vocês.

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