Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
5

O banquete do rei Belsazar

51O rei Belsazar deu um grande banquete a mil homens importantes do seu reino e bebeu vinho na presença deles. 2Enquanto Belsazar bebia e apreciava o vinho, mandou trazer os utensílios de ouro e de prata que Nabucodonosor, o seu pai, havia tirado do templo de Jerusalém,

5.2
Dn 1.2
para que ele, os homens importantes do reino e as mulheres e concubinas do rei os usassem para beber vinho. 3Então trouxeram os utensílios de ouro, que haviam sido tirados do templo da Casa de Deus em Jerusalém, e beberam neles o rei, os homens importantes do reino e as mulheres e concubinas do rei. 4Beberam o vinho e deram louvores aos deuses de ouro, de prata, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra.

5No mesmo instante, apareceram uns dedos de mão humana, que começaram a escrever na parede caiada do palácio real, no lugar iluminado pelo candelabro; e o rei via os dedos que estavam escrevendo. 6Então o semblante do rei empalideceu, e os seus pensamentos o deixaram perturbado; as suas pernas bambearam, e os seus joelhos batiam um no outro. 7O rei ordenou, em voz alta, que fossem chamados os encantadores, os caldeus e os feiticeiros. O rei disse aos sábios da Babilônia:

— Aquele que ler o que está escrito na parede e me declarar a sua interpretação será vestido de púrpura, receberá uma corrente de ouro para pôr no pescoço e será o terceiro homem mais importante do meu reino.

8Então entraram todos os sábios do rei, mas não puderam ler o que estava escrito na parede, nem revelar ao rei a sua interpretação. 9Com isto, o rei Belsazar ficou muito perturbado e o seu semblante se tornou cada vez mais pálido. Os homens importantes do reino estavam perplexos.

10A rainha-mãe, que tinha ouvido os gritos do rei e dos homens importantes do reino, entrou na sala do banquete e disse:

— Que o rei viva eternamente! Não deixe que os seus pensamentos o perturbem, nem fique assim tão pálido. 11Há aqui no seu reino um homem que tem o espírito dos santos deuses. Nos dias de seu pai, se achou nele luz, inteligência e sabedoria como a sabedoria dos deuses. O seu pai, o rei Nabucodonosor, sim, o seu pai, ó rei, o constituiu chefe dos magos,

5.11
Dn 2.48
dos encantadores, dos caldeus e dos feiticeiros, 12porque nesse Daniel, a quem o rei tinha dado o nome de Beltessazar,
5.12
Dn 4.8
se acharam espírito excelente, conhecimento e inteligência, interpretação de sonhos, declaração de enigmas e solução de casos difíceis. Portanto, chame Daniel, e ele dará a interpretação.

13Então Daniel foi levado à presença do rei. O rei falou com Daniel e lhe perguntou:

— Você é aquele Daniel, dos exilados de Judá,

5.13
Dn 2.25
que o rei, meu pai, trouxe de Judá? 14Tenho ouvido dizer a seu respeito que o espírito dos deuses está em você, e que em você se acham luz, inteligência e excelente sabedoria. 15Acabam de ser trazidos à minha presença os sábios e os encantadores, para lerem o que está escrito na parede e me darem a sua interpretação. Mas eles não puderam dar a interpretação dessas palavras. 16Eu, porém, tenho ouvido dizer que você é capaz de dar interpretações e solucionar casos difíceis. Portanto, se você puder ler o que está escrito e me revelar a sua interpretação, você será vestido de púrpura, receberá uma corrente de ouro para pôr no pescoço e será o terceiro homem mais importante do meu reino.

17Então Daniel respondeu e disse na presença do rei:

— O senhor pode ficar com os seus presentes e dar as suas recompensas a outra pessoa. No entanto, vou ler para o rei o que está escrito na parede e lhe darei a interpretação. 18Ó rei, o Deus Altíssimo deu o reino a Nabucodonosor, seu pai, bem como grandeza, glória e majestade.

5.18
Dn 2.37
19Por causa da grandeza que lhe deu, pessoas de todos os povos, nações e línguas tremiam e temiam diante dele. Matava a quem queria e a quem queria deixava com vida; exaltava uns e humilhava outros. 20Mas, quando o coração dele se elevou, e o seu espírito se tornou orgulhoso e arrogante,
5.20
Dn 4.30
foi derrubado do seu trono real e perdeu toda a sua glória. 21Foi expulso do meio dos filhos dos homens, o seu coração foi feito semelhante ao dos animais, e passou a morar com os jumentos selvagens. Comia capim como os bois e o seu corpo foi molhado pelo orvalho do céu, até que reconheceu que Deus, o Altíssimo, tem domínio sobre os reinos do mundo e os dá a quem ele quer.

22— E o senhor, rei Belsazar, que é filho de Nabucodonosor, não humilhou o seu coração, mesmo sabendo de tudo isso. 23Pelo contrário, se levantou contra o Senhor do céu, mandando trazer os utensílios do templo dele, para que o senhor, ó rei, as suas mulheres e concubinas, juntamente com os homens importantes do reino, bebessem vinho neles. Além disso, o senhor deu louvores aos deuses de prata, de ouro, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra, que não veem, não ouvem e não sabem nada. Mas o senhor não deu glória a Deus, em cuja mão estão a sua vida e todos os seus caminhos.

5.23
Jó 12.10
24É por isso que ele enviou aquela mão que escreveu na parede. 25E o que está escrito é isto: Mene, Mene, Tequel e Parsim.

26— Esta é a interpretação daquilo: Mene: Deus contou os dias do seu reinado, ó rei, e pôs um fim nele. 27Tequel: Você foi pesado na balança e achado em falta. 28Peres: O seu reino foi dividido e entregue aos medos e aos persas.

29Então Belsazar mandou que vestissem Daniel de púrpura, que lhe pusessem uma corrente de ouro no pescoço, e que proclamassem que passaria a ser o terceiro no governo do seu reino.

30Naquela mesma noite, Belsazar, rei dos caldeus, foi morto. 31E Dario, o medo, se apoderou do reino, quando tinha mais ou menos sessenta e dois anos de idade.

6

Daniel na cova dos leões

61Dario decidiu constituir cento e vinte sátrapas, para que administrassem todo o seu reino. 2Sobre eles colocou três presidentes, dos quais Daniel era um, aos quais esses sátrapas deveriam prestar contas, para que o rei não tivesse nenhum prejuízo. 3Então o mesmo Daniel se destacou entre os demais presidentes e sátrapas, porque nele havia um espírito excelente.

6.3
Dn 5.12
O rei até pensava em colocá-lo sobre todo o reino. 4Então os presidentes e os sátrapas começaram a procurar um pretexto relacionado com a administração do reino, para poderem acusar Daniel. Mas não conseguiram encontrar esse pretexto, nem culpa alguma, porque ele era fiel, e não se achava nele nenhum erro nem culpa. 5Então esses homens disseram:

— Nunca acharemos um pretexto para acusar esse Daniel, a menos que procuremos algo relacionado com a lei do Deus que ele adora.

6Então esses presidentes e sátrapas foram juntos falar com o rei e disseram:

— Que o rei Dario viva eternamente! 7Todos os presidentes do reino, os prefeitos e sátrapas, conselheiros e governadores concordaram em que o rei baixe um decreto e sancione um interdito, ordenando que todo aquele que, nos próximos trinta dias, fizer um pedido a qualquer deus ou a qualquer homem e não ao senhor, ó rei, seja jogado na cova dos leões. 8Portanto, ó rei, sancione o interdito e assine o documento, para que não seja mudado, segundo a lei dos medos e dos persas, que não pode ser revogada.

6.8
Et 1.19

9E assim o rei Dario assinou o documento e o interdito.

10Quando Daniel soube que o documento tinha sido assinado, voltou para casa. Em seu quarto, no andar de cima, as janelas abriam para o lado de Jerusalém. Três vezes por dia,

6.10
Sl 55.17
ele se punha de joelhos, orava, e dava graças diante do seu Deus, como era o seu costume.

11Então aqueles homens foram juntos até a casa de Daniel e o encontraram orando e fazendo súplicas diante do seu Deus. 12Depois, se apresentaram ao rei, para falar a respeito do interdito real. Perguntaram ao rei:

— Não é verdade que o senhor assinou um interdito ordenando, no espaço de trinta dias, que todo homem que fizesse um pedido a qualquer deus ou a qualquer homem e não ao senhor, ó rei, fosse jogado na cova dos leões?

O rei respondeu:

— Sim, o interdito está em vigor, segundo a lei dos medos e dos persas, que não pode ser revogada.

13Então eles disseram ao rei:

— Esse Daniel, que é dos exilados de Judá, faz pouco caso do senhor,

6.13
Dn 3.12
ó rei, e do interdito que o senhor assinou. Três vezes por dia, ele faz a sua oração.

14Ao ouvir isso, o rei ficou muito triste e decidiu livrar Daniel. Até o pôr do sol, se empenhou por salvá-lo. 15Então aqueles homens foram juntos até o rei e lhe disseram:

— Lembre-se, ó rei, que é uma lei dos medos e dos persas que nenhum interdito ou decreto que o rei sancionou pode ser mudado.

16Então o rei ordenou que trouxessem Daniel e o jogassem na cova dos leões. O rei disse a Daniel:

— O seu Deus, a quem você serve continuamente, que ele o livre.

6.16
Jó 5.19

17Foi trazida uma pedra e ela foi colocada sobre a boca da cova. O rei selou a pedra com o seu próprio anel e com o anel dos homens importantes do reino, para que nada se mudasse a respeito de Daniel. 18Então o rei se dirigiu para o seu palácio, passou a noite em jejum e não deixou trazer à sua presença instrumentos de música; e o sono fugiu dele.

19Pela manhã, ao romper o dia, o rei se levantou e foi depressa à cova dos leões. 20Ao se aproximar da cova, chamou Daniel com voz triste. O rei disse a Daniel:

— Daniel, servo do Deus vivo! Será que o seu Deus, a quem você serve continuamente, conseguiu livrá-lo dos leões?

21Daniel respondeu:

— Que o rei viva eternamente! 22O meu Deus enviou o seu anjo e fechou a boca dos leões,

6.22
Sl 91.11
para que não me fizessem mal algum. Porque fui considerado inocente diante dele. E também não cometi nenhum delito contra o senhor, ó rei.

23Então o rei, com muita alegria, mandou que tirassem Daniel da cova. Assim, Daniel foi tirado da cova, e não se achou nele ferimento algum, porque havia confiado em seu Deus. 24O rei deu uma ordem, e foram trazidos aqueles homens que tinham acusado Daniel. Foram jogados na cova dos leões, eles, os seus filhos e as suas mulheres. Ainda não tinham chegado ao fundo da cova, e já os leões se apoderaram deles, e lhes esmigalharam todos os ossos.

25Então o rei Dario escreveu às pessoas de todos os povos, nações e línguas que habitam em toda a terra:

“Que a paz lhes seja multiplicada!

6.25
Dn 4.1
26Faço um decreto pelo qual, em todo o domínio do meu reino, todos tremam e temam diante do Deus de Daniel.”

“Porque ele é o Deus vivo

e que permanece para sempre.

O seu reino não será destruído,

e o seu domínio não terá fim.

6.26
Dn 2.44
4.3

27Ele livra, salva, e faz sinais

e maravilhas no céu e na terra.

Foi ele quem livrou Daniel

do poder dos leões.”

28Daniel prosperou no reinado de Dario e no reinado de Ciro, o persa.

7

O sonho sobre os quatro animais

71No primeiro ano do reinado de Belsazar, rei da Babilônia, Daniel teve um sonho, e visões passaram diante de seus olhos, quando ele estava deitado em sua cama. Logo depois ele escreveu o sonho, fazendo um resumo de todas as coisas. 2Daniel disse:

— Eu estava olhando, durante a minha visão da noite, e eis que os quatro ventos do céu agitavam o grande mar. 3Quatro animais, grandes, diferentes uns dos outros, subiam do mar.

7.3
Ap 13.1
17.8

4— O primeiro era como um leão

7.4
Ap 13.2
e tinha asas de águia. Enquanto eu olhava, as suas asas foram arrancadas, ele foi levantado da terra e posto em pé, para que andasse como homem; e foi dada a ele uma mente humana.

5— A seguir, apareceu o segundo animal, semelhante a um urso, o qual se levantou sobre um dos seus lados. Na boca, entre os dentes, trazia três costelas. E lhe diziam: “Levante-se e devore muita carne.”

6— Depois disto, continuei olhando, e eis que apareceu outro animal, semelhante a um leopardo. Tinha nas costas quatro asas de ave. Este animal tinha também quatro cabeças, e foi-lhe dado domínio.

7.6
Ap 13.2

7— Depois disto, eu continuava olhando nas visões da noite, e apareceu o quarto animal, terrível, espantoso e muito forte. Tinha grandes dentes de ferro. Ele devorava, fazia em pedaços e pisava com os pés o que sobrava. Era diferente de todos os animais que apareceram antes dele e tinha dez chifres.

7.7
Ap 12.3
13.1

8— Enquanto eu observava os chifres, eis que entre eles subiu outro chifre, pequeno, diante do qual três dos primeiros chifres foram arrancados. E eis que neste chifre havia olhos, como olhos de ser humano, e uma boca que falava com arrogância.

7.8
Ap 13.5-6

A visão de Deus

9“Continuei olhando,

até que foram postos uns tronos,

7.9
Ap 20.4

e o Ancião de Dias se assentou.

Sua roupa era branca como a neve,

e os cabelos da cabeça

eram como a lã pura.

7.9
Ap 1.14

O seu trono eram chamas de fogo,

e as rodas do trono

eram fogo ardente.

10Um rio de fogo manava

e saía de diante dele.

Milhares de milhares

7.10
Ap 5.11
o serviam,

e milhões de milhões

estavam diante dele.

Foi instalada a sessão do tribunal

e foram abertos os livros.”

7.10
Ap 20.12

11— Continuei olhando, por causa do som das palavras arrogantes que o chifre proferia. Fiquei olhando e vi que o animal foi morto, e o seu corpo foi destruído e entregue para ser queimado. 12Quanto aos outros animais, foi-lhes tirado o domínio, mas foi-lhes dada prolongação de vida por um prazo e um tempo.

13“Eu estava olhando

nas minhas visões da noite.

E eis que vinha

com as nuvens do céu

7.13
Mt 24.30
26.64
Mc 13.26
14.62
Lc 21.27
Ap 1.7
14.14

alguém como um filho do homem.

7.13
Ap 1.13

Ele se dirigiu ao Ancião de Dias,

e o fizeram chegar até ele.

14Foi-lhe dado o domínio,

7.14
Ap 11.15

a glória e o reino,

para que as pessoas de todos

os povos, nações e línguas

o servissem.

O seu domínio é domínio eterno,

que não passará,

e o seu reino

jamais será destruído.”

15— Eu, Daniel, fiquei alarmado, e as visões que passaram diante dos meus olhos me perturbaram. 16Então me dirigi a um dos que estavam ali perto e lhe pedi a verdade a respeito de tudo isso. Ele falou comigo e me fez saber a interpretação das coisas: 17“Estes grandes animais, que são quatro, são quatro reis que se levantarão da terra. 18Mas os santos do Altíssimo receberão o reino e o possuirão para todo o sempre,

7.18
Ap 22.5
de eternidade a eternidade.”

19— Então tive desejo de conhecer a verdade a respeito do quarto animal, que era diferente de todos os outros, muito terrível, cujos dentes eram de ferro, cujas garras eram de bronze, que devorava, fazia em pedaços e pisava com os pés o que sobrava. 20Também quis saber a respeito dos dez chifres que ele tinha na cabeça e do outro chifre que subiu, diante do qual caíram três chifres, ou seja, aquele chifre que tinha olhos e uma boca que falava com arrogância e que parecia mais forte do que os outros chifres. 21Enquanto eu olhava, eis que esse chifre fazia guerra contra os santos

7.21
Ap 13.7
e estava vencendo. 22Até que veio o Ancião de Dias e fez justiça aos santos do Altíssimo. E veio o tempo em que os santos possuíram o reino.
7.22
Dn 7.18

23— Então ele disse:

“O quarto animal será

um quarto reino na terra,

que será diferente

de todos os outros reinos.

Ele devorará toda a terra,

e a pisará com os pés,

e a fará em pedaços.

24Os dez chifres correspondem

a dez reis

7.24
Ap 17.12

que se levantarão daquele reino.

Depois deles, se levantará

outro rei,

que será diferente dos primeiros,

e derrotará três reis.

25Ele falará contra o Altíssimo,

oprimirá os santos do Altíssimo

e tentará mudar os tempos e a lei;

e os santos serão entregues

nas mãos dele

por um tempo, tempos

e metade de um tempo.

7.25
Ap 12.14
13.5-6

26Mas, depois, será instalada

a sessão do tribunal

7.26
Dn 7.10

para lhe tirar o domínio,

para o destruir e o consumir

até o fim.

27O reino, o domínio

e a majestade dos reinos

debaixo de todo o céu

serão dados

7.27
Ap 20.4
ao povo

dos santos do Altíssimo.

O seu reino será um reino eterno

7.27
Ap 22.5

e todos os domínios o servirão

e lhe obedecerão.”

28— Aqui termina a explicação. Quanto a mim, Daniel, os meus pensamentos muito me perturbaram, e o meu rosto se empalideceu. Mas guardei estas coisas em meu coração.

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