Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
1

A educação de Daniel e de seus companheiros

11No ano terceiro do reinado de Jeoaquim, rei de Judá, Nabucodonosor, rei da Babilônia, veio a Jerusalém

1.1
2Rs 24.1
2Cr 36.5-7
e a sitiou. 2O Senhor entregou nas mãos dele Jeoaquim, rei de Judá, e alguns dos utensílios da Casa de Deus. Nabucodonosor levou esses utensílios para a terra de Sinar,
1.2
2Rs 20.17-18
24.10-16
2Cr 36.10
Is 39.7-8
para o templo do seu deus, e os pôs na casa do tesouro do seu deus.

3Depois, o rei ordenou a Aspenaz, chefe dos seus eunucos, que trouxesse alguns dos filhos de Israel, tanto da linhagem real como dos nobres, 4jovens sem nenhum defeito, de boa aparência, sábios, instruídos, versados no conhecimento e que fossem competentes para servirem no palácio real. E que Aspenaz lhes ensinasse a cultura e a língua dos caldeus. 5O rei determinou que eles recebessem uma alimentação diária tirada das finas iguarias da mesa real e do vinho que ele bebia. Os jovens deveriam ser educados ao longo de três anos e, ao final desse período, passariam a servir o rei. 6Entre eles, se achavam Daniel, Hananias, Misael e Azarias, que eram da tribo de Judá. 7O chefe dos eunucos lhes deu outros nomes, a saber: a Daniel, o de Beltessazar; a Hananias, o de Sadraque; a Misael, o de Mesaque; e a Azarias, o de Abede-Nego.

8Daniel resolveu não se contaminar com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; por isso, pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não se contaminar. 9E Deus concedeu a Daniel misericórdia e compreensão da parte do chefe dos eunucos. 10Porém o chefe dos eunucos disse a Daniel:

— Tenho medo do meu senhor, o rei, que determinou o que vocês devem comer e beber. E se ele perceber que o rosto de vocês está mais abatido do que o rosto dos outros jovens da mesma idade? Se isto viesse a acontecer, vocês poriam a minha cabeça em perigo diante do rei.

11Então Daniel foi falar com o cozinheiro-chefe, a quem o chefe dos eunucos havia encarregado de cuidar de Daniel, Hananias, Misael e Azarias. 12Daniel disse a ele:

— Por favor, faça uma experiência com estes seus servos durante dez dias. Dê-nos legumes para comer e água para beber. 13Depois, compare a nossa aparência com a dos jovens que comem das finas iguarias do rei. Dependendo do que enxergar, o senhor decidirá o que fazer com estes seus servos.

14O cozinheiro-chefe concordou e fez a experiência durante dez dias. 15No fim dos dez dias, a aparência dos quatro jovens era melhor, e eles estavam mais robustos do que todos os jovens que comiam das finas iguarias do rei. 16Com isto, o cozinheiro-chefe tirou deles as finas iguarias e o vinho que deviam beber e lhes dava legumes.

17Ora, a estes quatro jovens Deus deu o conhecimento e a inteligência em toda cultura e sabedoria. Mas a Daniel deu inteligência para interpretar todo tipo de visões e sonhos.

18Ao final do tempo determinado pelo rei para que os jovens fossem levados à sua presença, o chefe dos eunucos os levou à presença de Nabucodonosor. 19Então o rei falou com eles. E, entre todos, não foram achados outros como Daniel, Hananias, Misael e Azarias. Por isso, passaram a servir o rei. 20Em toda matéria de sabedoria e de inteligência sobre que o rei lhes fez perguntas, os achou dez vezes mais sábios do que todos os magos e encantadores que havia em todo o seu reino.

21Daniel continuou ali até o primeiro ano do reinado de Ciro.

2

Daniel interpreta o sonho de Nabucodonosor

21No segundo ano do seu reinado, Nabucodonosor teve uns sonhos que o deixaram perturbado e sem poder dormir. 2Então o rei mandou chamar os magos, os encantadores, os feiticeiros e os caldeus, para que lhe dissessem o que ele havia sonhado. Eles vieram e se apresentaram diante do rei. 3Ele lhes disse:

— Tive um sonho e fiquei perturbado, querendo saber que sonho foi esse.

4Os caldeus disseram ao rei em aramaico:2.4 No original, o texto daqui até o fim do cap. 7 está em aramaico, em vez de hebraico

— Que o rei viva eternamente! Conte o sonho a estes seus servos, e daremos a interpretação.

5Mas o rei respondeu aos caldeus:

— Uma coisa é certa: se não me contarem o sonho e a sua interpretação, vocês serão despedaçados, e as casas de vocês serão reduzidas a ruínas. 6Mas, se me contarem o sonho e a sua interpretação, vocês receberão de mim dádivas, prêmios e grandes honras. Portanto, contem-me o sonho e a sua interpretação.

7Os caldeus responderam pela segunda vez:

— Que o rei conte o sonho a estes seus servos, e nós lhe daremos a interpretação.

8O rei respondeu:

— Bem percebo que vocês estão querendo ganhar tempo, porque sabem que o que eu disse está resolvido, 9isto é, se não me contarem o sonho, todos vocês receberão a mesma sentença. Vocês combinaram dizer palavras mentirosas e perversas na minha presença, esperando que a situação mude. Portanto, contem-me o sonho, e saberei que vocês podem me dar a interpretação.

10Os caldeus responderam na presença do rei:

— Não há nenhum mortal sobre a face da terra que possa fazer o que o rei exige. Nunca houve um rei, por maior e mais poderoso que fosse, que tenha exigido semelhante coisa de um mago, encantador ou caldeu. 11Isso que o rei exige é difícil, e não há ninguém que o possa revelar diante do rei, a não ser os deuses, e estes não moram entre os mortais.

12Ao ouvir isto, o rei ficou tão irado e furioso, que mandou matar todos os sábios da Babilônia. 13Saiu o decreto, segundo o qual os sábios deviam ser mortos. Foram buscar também Daniel e os seus companheiros, para que fossem mortos.

14Então Daniel, com cautela e prudência, foi falar com Arioque, chefe da guarda do rei, que tinha saído para matar os sábios da Babilônia. 15Daniel perguntou a Arioque, encarregado do rei:

— Por que esse decreto do rei é tão urgente?

Então Arioque explicou o caso a Daniel. 16Daniel foi falar com o rei, para pedir que lhe desse tempo, e ele revelaria ao rei a interpretação.

17Então Daniel foi para casa e explicou a situação a Hananias, Misael e Azarias, seus companheiros, 18para que pedissem misericórdia ao Deus do céu sobre este mistério, a fim de que Daniel e os seus companheiros não fossem mortos com o resto dos sábios da Babilônia. 19Então o mistério foi revelado a Daniel numa visão de noite.

2.19
Dn 1.17
Daniel bendisse o Deus do céu, 20dizendo:

“Bendito seja o nome de Deus,

2.20
Sl 113.2

de eternidade a eternidade,

porque dele é a sabedoria

e o poder!

21É ele quem muda o tempo

e as estações,

remove reis e estabelece reis;

ele dá sabedoria aos sábios

e entendimento aos inteligentes.

22Ele revela o profundo

e o escondido;

conhece o que está em trevas,

2.22
Jó 12.22
Jr 23.24
Hb 4.13

e com ele mora a luz.

23Ó Deus de meus pais,

eu te agradeço e te louvo,

porque me deste sabedoria

e poder,

e agora me revelaste

o que te pedimos,

porque nos fizeste saber

este caso do rei.”

24Por isso, Daniel foi falar com Arioque, a quem o rei tinha encarregado de exterminar os sábios da Babilônia. Daniel entrou e lhe disse:

— Não mate os sábios da Babilônia! Leve-me à presença do rei, e revelarei ao rei a interpretação.

25Então Arioque depressa levou Daniel à presença do rei e lhe disse:

— Achei um dos filhos dos exilados de Judá, que revelará ao rei a interpretação.

26O rei perguntou a Daniel, cujo nome era Beltessazar:

— Você é capaz de me contar o que vi no sonho e qual é a sua interpretação?

27Daniel respondeu na presença do rei:

— O mistério que o rei exige, nem sábios, nem magos nem encantadores o podem revelar. 28Mas há um Deus no céu, que revela os mistérios,

2.28
Gn 40.8
pois fez saber ao rei Nabucodonosor o que vai acontecer nos últimos dias. O sonho e as visões que o senhor teve, quando estava em sua cama, são estes:

29— Quando o senhor, ó rei, estava na sua cama, surgiram em sua mente pensamentos a respeito do que vai acontecer no futuro. Deus, que revela os mistérios, revelou ao senhor o que vai acontecer. 30Quanto a mim, este mistério me foi revelado, não porque exista em mim mais sabedoria do que em todos os outros homens, mas para que a interpretação fosse revelada ao rei, e para que ele entenda o que passou pela sua mente.

31— O senhor, ó rei, estava olhando e viu uma grande estátua. Esta, que era imensa e de extraordinário esplendor, estava em pé, bem na sua frente; e a aparência dela era terrível. 32A cabeça era de ouro puro, o peito e os braços eram de prata, o ventre e os quadris eram de bronze; 33as pernas eram de ferro, e os pés eram em parte de ferro e em parte de barro. 34Enquanto o senhor estava olhando, uma pedra foi cortada sem auxílio de mãos humanas, atingiu a estátua nos pés de ferro e de barro e os despedaçou. 35O ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro foram despedaçados no mesmo instante, e se fizeram como a palha das eiras no verão. O vento os levou, e deles não se viu mais nenhum vestígio. Mas a pedra que atingiu a estátua se tornou uma grande montanha, que encheu toda a terra.

2.35
Is 2.2

36— Este é o sonho; e também a sua interpretação diremos ao rei. 37O senhor, ó rei, que é rei de reis,

2.37
Ez 26.7
a quem o Deus do céu conferiu o reino, o poder, a força e a glória; 38em cujas mãos foram entregues os filhos dos homens,
2.38
Jr 27.6
onde quer que eles habitem, e os animais do campo e as aves do céu, para que dominasse sobre todos eles, o senhor, ó rei, é a cabeça de ouro.

39— Depois do senhor, se levantará outro reino, inferior ao seu; e um terceiro reino, de bronze, que terá domínio sobre toda a terra. 40O quarto reino será forte como o ferro; pois o ferro quebra e despedaça tudo; como o ferro quebra todas as coisas, assim esse reino fará em pedaços e destruirá todos os outros.

41— Quanto aos pés e aos dedos dos pés que o senhor viu, que eram em parte de barro de oleiro e em parte de ferro, isto significa que esse será um reino dividido. Contudo, haverá nele alguma coisa da firmeza do ferro, porque o senhor viu o ferro misturado com barro. 42Como os dedos dos pés eram em parte de ferro e em parte de barro, assim, por um lado, o reino será forte e, por outro, será frágil. 43Quanto ao ferro misturado com o barro que o senhor viu, isto significa que procurarão se misturar por meio de casamentos, mas não se ligarão um ao outro, assim como o ferro não se mistura com o barro. 44Mas, nos dias desses reis, o Deus do céu levantará um reino que jamais será destruído e que não passará a outro povo.

2.44
Dn 7.14
Lc 1.33
Esse reino despedaçará e consumirá todos esses outros reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre, 45assim como o rei viu que do monte foi cortada uma pedra, sem auxílio de mãos humanas, e ela despedaçou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro. O Grande Deus revelou ao rei o que vai acontecer no futuro. Certo é o sonho, e fiel é a sua interpretação.

46Então o rei Nabucodonosor se inclinou e se prostrou com rosto em terra diante de Daniel. Ordenou que oferecessem a Daniel uma oferta de cereais e incenso.

2.46
At 10.25
14.13
47O rei disse a Daniel:

— Certamente o Deus que vocês adoram é o Deus dos deuses e o Senhor dos reis.

2.47
Dt 10.17
Sl 136.2
Ele é quem revela os mistérios,
2.47
Am 3.7
pois você foi capaz de revelar este mistério.

48Então o rei engrandeceu Daniel e lhe deu muitos e grandes presentes. Ele o pôs como governador de toda a província da Babilônia. Também o fez chefe supremo de todos os sábios da Babilônia. 49A pedido de Daniel, o rei pôs Sadraque, Mesaque e Abede-Nego como administradores da província da Babilônia; mas Daniel permaneceu na corte do rei.

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