Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
23

231Paulo, fixando os olhos no Sinédrio, disse:

— Meus irmãos, tenho vivido até o dia de hoje com a consciência limpa

23.1
2Co 1.12
2Tm 1.3
diante de Deus.

2Mas Ananias, o sumo sacerdote, mandou aos que estavam perto de Paulo que lhe batessem na boca. 3Então Paulo lhe disse:

— Deus há de ferir você, parede branqueada!

23.3
Mt 23.27-28
Lc 11.44
Você está aí sentado para me julgar de acordo com a Lei e, contra a Lei, ordena que eu seja agredido?

4Os que estavam ali perguntaram a Paulo:

— Você está insultando o sumo sacerdote de Deus?

5Paulo respondeu:

— Eu não sabia, irmãos, que ele é sumo sacerdote. Porque está escrito: “Não fale mal de uma autoridade do seu povo.”

23.5
Êx 22.28

6Como Paulo sabia que uma parte do Sinédrio se compunha de saduceus e outra, de fariseus, exclamou:

— Irmãos, eu sou fariseu,

23.6
At 26.5
Fp 3.5
filho de fariseus. Estou sendo julgado por causa da esperança e da ressurreição dos mortos!

7Ditas estas palavras, começou uma grande discussão entre fariseus e saduceus, e o Sinédrio se dividiu. 8Pois os saduceus dizem que não há ressurreição,

23.8
Mt 22.23
Mc 12.18
Lc 20.27
nem anjo, nem espírito, ao passo que os fariseus admitem todas essas coisas. 9Houve, pois, muita gritaria no Sinédrio. E, levantando-se alguns escribas que eram do partido dos fariseus, discutiam, dizendo:

— Não achamos neste homem mal algum. E se, de fato, algum espírito ou anjo falou com ele?

10Como a discussão ficava cada vez mais intensa, o comandante, temendo que Paulo fosse despedaçado por eles, mandou descer a guarda para que o retirassem dali e o levassem para a fortaleza.

O Senhor aparece a Paulo

11Na noite seguinte, o Senhor, pondo-se ao lado de Paulo, disse:

— Coragem! Pois assim como você deu testemunho a meu respeito em Jerusalém, é necessário que você testemunhe também em Roma.

A emboscada dos judeus

12Quando amanheceu, os judeus se reuniram e juraram que não haviam de comer, nem beber, enquanto não matassem Paulo. 13Eram mais de quarenta os que se envolveram nessa conspiração. 14Estes foram falar com os principais sacerdotes e os anciãos e disseram:

— Juramos, sob pena de maldição, não comer coisa alguma, enquanto não matarmos Paulo. 15Por isso, agora, juntamente com o Sinédrio, mandem um recado ao comandante para que ele o apresente a vocês, sob o pretexto de que desejam investigar mais acuradamente o caso dele; e nós, antes que ele chegue, estaremos prontos para matá-lo.

16Mas o filho da irmã de Paulo, tendo ouvido a respeito da trama, foi, entrou na fortaleza e contou tudo a Paulo. 17Então este, chamando um dos centuriões, disse:

— Leve este rapaz ao comandante, porque tem algo a dizer.

18O centurião levou o rapaz ao comandante e disse:

— O prisioneiro Paulo me chamou e pediu que eu trouxesse à sua presença este rapaz, pois tem algo a dizer ao senhor.

19O comandante pegou o rapaz pela mão e, levando-o para um lado, perguntou-lhe:

— O que você tem para me dizer?

20Ele respondeu:

— Os judeus decidiram pedir ao senhor que, amanhã, apresente Paulo ao Sinédrio, sob o pretexto de que desejam fazer uma investigação mais acurada a respeito dele. 21Não se deixe persuadir, porque mais de quarenta deles armaram uma emboscada. Fizeram um pacto de, sob pena de maldição, não comer, nem beber, enquanto não matarem Paulo; e agora estão prontos, esperando que o senhor prometa atender o pedido deles.

22Então o comandante despediu o rapaz, recomendando-lhe que não dissesse a ninguém ter lhe trazido estas informações. 23Chamando dois centuriões, ordenou:

— Tenham de prontidão duzentos soldados, setenta cavaleiros e duzentos lanceiros para irem até Cesareia a partir das nove horas da noite. 24Preparem também animais para fazer Paulo montar e levem-no com segurança ao governador Félix.

A carta de Cláudio a Félix

25O comandante escreveu uma carta nestes termos:

26“Cláudio Lísias ao excelentíssimo governador Félix. Saudações.

27Este homem foi preso pelos judeus e estava prestes a ser morto por eles, quando eu, sobrevindo com a guarda, o livrei, por saber que ele era romano. 28Querendo certificar-me do motivo por que o acusavam, levei-o ao Sinédrio deles. 29Descobri que ele era acusado de coisas referentes à lei que os rege, mas nada que justificasse morte ou mesmo prisão. 30Sendo eu informado de que ia haver uma emboscada contra o homem, tratei de enviá-lo imediatamente ao senhor, intimando também os acusadores a irem dizer, na sua presença, o que eles têm contra ele.

Passe bem.”

Paulo no Pretório de Herodes

31Então os soldados, conforme lhes foi ordenado, pegaram Paulo e, durante a noite, o conduziram até Antipátride. 32No dia seguinte, voltaram para a fortaleza, tendo deixado os cavaleiros encarregados de seguir viagem com ele. 33Quando estes chegaram a Cesareia, entregaram a carta ao governador e também lhe apresentaram Paulo. 34Lida a carta, o governador perguntou de que província Paulo era. E, quando soube que era da Cilícia, 35disse:

— Ouvirei você quando chegarem os seus acusadores.

E mandou que ele ficasse preso no Pretório de Herodes.

24

Paulo é acusado diante de Félix

241Cinco dias depois, o sumo sacerdote Ananias foi até Cesareia com alguns anciãos e com certo orador, chamado Tértulo, os quais apresentaram ao governador a sua acusação contra Paulo. 2Depois que Paulo foi chamado, Tértulo passou a acusá-lo, dizendo:

— Excelentíssimo Félix, tendo nós desfrutado de paz perene por meio do senhor e tendo sido feitas, por seu providente cuidado, notáveis reformas em benefício deste povo, 3sempre e em todos os lugares, reconhecemos isto com profunda gratidão. 4Entretanto, para não deter o senhor por muito tempo, peço que, de acordo com a sua clemência, nos ouça por alguns instantes. 5Porque, tendo nós verificado que este homem é uma peste e promove desordens entre os judeus do mundo inteiro, sendo também o principal agitador da seita dos nazarenos, 6o qual também tentou profanar o templo, nós o prendemos com o intuito de julgá-lo segundo a nossa Lei. 7Mas, sobrevindo o comandante Lísias, o arrebatou das nossas mãos com grande violência, 8ordenando que os seus acusadores viessem à presença do senhor. Se o interrogar, o senhor mesmo poderá tomar conhecimento de todas as coisas de que nós o acusamos.

9Os judeus também concordaram na acusação, afirmando que estas coisas eram assim.

Paulo apresenta a sua defesa

10Quando o governador fez sinal para que Paulo falasse, ele disse:

— Sabendo que há muitos anos o senhor é juiz desta nação, sinto-me à vontade para me defender. 11O senhor mesmo pode verificar que não se passaram mais de doze dias desde que fui a Jerusalém para adorar a Deus; 12e que não me acharam no templo discutindo com ninguém, nem agitando o povo, fosse nas sinagogas ou na cidade; 13nem podem provar diante do senhor as acusações que agora fazem contra mim. 14Porém confesso ao senhor que, segundo o Caminho, a que chamam seita, assim eu sirvo ao Deus de nossos pais, acreditando em todas as coisas que concordam com a lei e os escritos dos profetas, 15tendo esperança em Deus, como também estes a têm, de que haverá ressurreição, tanto de justos como de injustos. 16Por isso, também me esforço por ter sempre uma consciência pura diante de Deus e dos homens.

17— Depois de anos, vim trazer donativos para o meu povo

24.17
Rm 15.25
1Co 16.1
2Co 8.1-4
9.1
e também fazer ofertas, 18e foi nesta prática que alguns judeus da província da Ásia me encontraram já purificado no templo, sem ajuntamento de povo e sem tumulto,
24.17-18
At 21.17-28
19os quais deviam comparecer diante do senhor e fazer as acusações, se tivessem alguma coisa contra mim. 20Ou então que estes homens que estão aqui digam que crime acharam em mim, por ocasião do meu comparecimento diante do Sinédrio, 21salvo estas palavras que clamei, estando entre eles: “Hoje estou sendo julgado por vocês por causa da ressurreição dos mortos.”
24.21
At 23.6

22Então Félix, conhecendo mais acuradamente as coisas relacionadas com o Caminho, adiou a causa, dizendo:

— Quando chegar o comandante Lísias, tomarei uma decisão a respeito do caso de vocês.

23E ordenou ao centurião que conservasse Paulo na prisão, tratando-o com tolerância e não impedindo que os seus próprios o servissem.

Paulo diante de Félix e Drusila

24Passados alguns dias, Félix veio com Drusila, sua mulher, que era judia. Mandou chamar Paulo e passou a ouvi-lo a respeito da fé em Cristo Jesus. 25Quando Paulo começou a falar sobre a justiça, o domínio próprio

24.25
Gl 5.23
2Pe 1.6
e o Juízo vindouro,
24.25
At 10.42
Félix ficou amedrontado e disse:

— Por agora, você pode retirar-se, e, quando eu tiver oportunidade, mandarei chamá-lo.

26Ao mesmo tempo, esperava que Paulo lhe desse dinheiro. Por isso, chamando-o mais frequentemente, conversava com ele.

27Dois anos mais tarde, Félix teve por sucessor Pórcio Festo. E, como Félix queria assegurar o apoio dos judeus, manteve Paulo encarcerado.

25

Paulo é levado a Festo e apela para César

251Três dias depois de ter assumido o governo da província, Festo saiu de Cesareia e foi para Jerusalém. 2E, logo, os principais sacerdotes e os maiorais dos judeus lhe apresentaram queixa a respeito de Paulo. 3Contra ele, pediram a Festo o favor de mandar que ele fosse trazido a Jerusalém. É que eles tinham armado uma emboscada para matar Paulo no caminho. 4Festo, porém, respondeu que Paulo continuaria preso em Cesareia e que ele mesmo, muito em breve, partiria para lá. 5E concluiu:

— Aqueles de vocês que estiverem habilitados me acompanhem; e, havendo contra este homem qualquer crime, acusem-no.

6E, não se demorando entre eles mais de oito ou dez dias, foi para Cesareia. No dia seguinte, assentando-se no tribunal, ordenou que Paulo fosse trazido. 7Quando Paulo chegou, os judeus que tinham vindo de Jerusalém ficaram em volta dele, fazendo muitas e graves acusações contra ele, as quais, entretanto, não podiam provar. 8Então Paulo, defendendo-se, disse:

— Nenhum pecado cometi contra a lei dos judeus, nem contra o templo, nem contra César.

9Então Festo, querendo assegurar o apoio dos judeus, perguntou a Paulo:

— Você gostaria de ir a Jerusalém e ser ali julgado por mim a respeito destas coisas?

10Paulo respondeu:

— Estou diante do tribunal de César, onde convém que eu seja julgado. Não fiz mal nenhum aos judeus, como o senhor sabe muito bem. 11Se de fato pratiquei algum mal ou crime digno de morte, estou pronto para morrer. Se, pelo contrário, não são verdadeiras as coisas de que me acusam, ninguém pode me entregar a eles. Apelo para César.

12Então Festo, tendo falado com o conselho, respondeu:

— Já que apelou para César, para César você irá.

Festo expõe a Agripa o caso de Paulo

13Passados alguns dias, o rei Agripa e Berenice chegaram a Cesareia a fim de saudar Festo. 14Como se demorassem ali alguns dias, Festo expôs ao rei o caso de Paulo, dizendo:

— Félix deixou aqui preso certo homem, 15a respeito de quem os principais sacerdotes e os anciãos dos judeus apresentaram queixa, quando eu estive em Jerusalém, pedindo que o condenasse. 16Eu lhes disse que não é costume dos romanos condenar quem quer que seja, sem que o acusado tenha presentes os seus acusadores e possa defender-se da acusação. 17Assim, quando eles vieram para cá, sem nenhuma demora, no dia seguinte, assentando-me no tribunal, determinei que o homem fosse trazido. 18Levantando-se os acusadores, não mencionaram nenhum dos crimes de que eu suspeitava. 19Traziam contra ele algumas questões referentes à sua própria religião

25.19
At 18.15
23.29
e particularmente a certo morto, chamado Jesus, que Paulo afirma estar vivo. 20Estando eu perplexo quanto ao modo de investigar estas coisas, perguntei-lhe se queria ir a Jerusalém para ali ser julgado a respeito disso. 21Mas, havendo Paulo apelado para que ficasse em custódia para o julgamento de César, ordenei que o acusado continuasse detido até que eu o enviasse a César.

22Então Agripa disse a Festo:

— Eu também gostaria de ouvir este homem.

Festo respondeu:

— Amanhã você poderá ouvi-lo.

Festo, de novo, fala a Agripa

23De fato, no dia seguinte, vindo Agripa e Berenice, com grande pompa, tendo eles entrado na sala de audiência juntamente com oficiais superiores e homens eminentes da cidade, Paulo foi trazido por ordem de Festo. 24Então Festo disse:

— Rei Agripa e todos os senhores aqui presentes, vejam este homem, por causa de quem toda a multidão dos judeus recorreu a mim tanto em Jerusalém como aqui, clamando que não convinha que ele vivesse mais. 25Porém eu achei que ele não tinha feito nada que fosse passível de morte; entretanto, tendo ele apelado para o imperador, resolvi mandá-lo para lá. 26No entanto, a respeito dele, nada tenho de mais concreto que possa escrever ao imperador. Por isso, eu o trouxe à presença dos senhores e, especialmente, à sua presença, ó rei Agripa, para que, feita a arguição, eu tenha alguma coisa que escrever. 27Porque não me parece razoável enviar um preso sem mencionar, ao mesmo tempo, as acusações que existem contra ele.