Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
10

O centurião Cornélio

101Em Cesareia morava um homem chamado Cornélio, que era centurião de uma companhia do exército chamada Italiana. 2Era piedoso e temente a Deus com toda a sua casa, fazendo muitas esmolas ao povo e orando sempre a Deus. 3Um dia, por volta das três horas da tarde, durante uma visão, esse homem viu claramente um anjo de Deus que se aproximou dele e lhe disse:

4— Cornélio!

Este, fixando nele os olhos e possuído de temor, perguntou:

— O que é, Senhor?

E o anjo lhe disse:

— As suas orações e as suas esmolas subiram para memória diante de Deus.

10.4
Sl 141.2
5Agora envie mensageiros a Jope e mande chamar Simão, que também é chamado de Pedro. 6Ele está hospedado com Simão, curtidor, cuja residência está situada à beira-mar.

7Logo que o anjo que lhe falava se retirou, Cornélio chamou dois dos seus servos e um soldado piedoso dos que estavam a seu serviço 8e, depois de lhes explicar tudo, mandou que fossem a Jope.

Pedro tem uma visão

9No dia seguinte, enquanto eles viajavam e já estavam perto da cidade de Jope, Pedro subiu ao terraço, por volta do meio-dia, a fim de orar. 10Estando com fome, quis comer; mas, enquanto lhe preparavam a comida, sobreveio-lhe um êxtase. 11Viu o céu aberto e um objeto como se fosse um grande lençol, que descia do céu e era baixado à terra pelas quatro pontas, 12contendo todo tipo de quadrúpedes, répteis da terra e aves do céu. 13E ouviu-se uma voz que se dirigia a ele:

— Levante-se, Pedro! Mate e coma.

14Mas Pedro respondeu:

— De modo nenhum, Senhor! Porque nunca comi nada que fosse impuro ou imundo.

15Pela segunda vez, a voz lhe falou:

— Não considere impuro aquilo que Deus purificou.

10.15
Mc 7.19
Rm 14.14
1Co 10.25
Tt 1.15

16Isso aconteceu três vezes, e, em seguida, aquele objeto foi levado de volta para o céu.

Os enviados de Cornélio chegam a Jope

17Enquanto Pedro estava perplexo sobre qual seria o significado da visão, eis que os homens enviados por Cornélio, tendo perguntado pela casa de Simão, pararam junto à porta. 18Chamando, perguntaram se ali estava hospedado Simão, que também é chamado de Pedro.

19Enquanto Pedro meditava a respeito da visão, o Espírito lhe disse:

— Estão aí três homens à sua procura. 20Portanto, levante-se, desça e vá com eles, sem hesitar; porque eu os enviei.

21Então Pedro desceu e disse àqueles homens:

— Eu sou a pessoa que vocês estão procurando. O que os traz até aqui?

22Então disseram:

— O centurião Cornélio, homem reto e temente a Deus e tendo bom testemunho de toda a nação judaica, foi instruído por um santo anjo a mandar chamar você para a casa dele e ouvir o que você tem a dizer.

23Pedro, então, convidando-os a entrar, hospedou-os.

No dia seguinte, Pedro se aprontou e foi com eles. Também alguns irmãos dos que moravam em Jope foram com ele. 24No dia seguinte, Pedro chegou a Cesareia. Cornélio estava esperando por eles, tendo reunido os seus parentes e os amigos mais íntimos. 25Quando Pedro estava por entrar, Cornélio foi ao seu encontro e, prostrando-se aos pés dele, o adorou. 26Mas Pedro o levantou, dizendo:

— Levante-se, porque eu também sou apenas um homem.

27Falando com ele, Pedro entrou, encontrando muitos reunidos ali, 28a quem se dirigiu, dizendo:

— Vocês bem sabem que um judeu está proibido de se juntar a um gentio ou de entrar na casa dele. Mas Deus me mostrou que não devo considerar ninguém impuro ou imundo. 29Por isso, uma vez chamado, vim sem vacilar. E agora pergunto: Por que motivo vocês mandaram me chamar?

30Cornélio respondeu:

— Faz hoje quatro dias que, mais ou menos por esta hora, às três da tarde, eu estava orando em minha casa. De repente, se apresentou diante de mim um homem vestido com roupas resplandecentes 31que disse: “Cornélio, a sua oração foi ouvida e as suas esmolas foram lembradas na presença de Deus. 32Envie, pois, alguém a Jope e mande chamar Simão, que também é chamado de Pedro; ele está hospedado na casa de Simão, curtidor, à beira-mar.” 33Portanto, sem demora, mandei chamá-lo, e você fez muito bem em vir. Agora estamos todos aqui, na presença de Deus, prontos para ouvir tudo o que o Senhor ordenou a você.

Pedro prega na casa de Cornélio

34Então Pedro começou a falar. Ele disse:

— Reconheço por verdade que Deus não trata as pessoas com parcialidade;

10.34
Dt 10.17
35pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável. 36Esta é a palavra que Deus enviou aos filhos de Israel, anunciando-lhes o evangelho da paz,
10.36
Rm 5.1
Ef 2.17
por meio de Jesus Cristo. Este é o Senhor de todos.
10.36
At 2.36
Rm 10.12
37Vocês sabem o que aconteceu em toda a Judeia, tendo começado na Galileia depois do batismo que João pregou, 38como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder. Jesus andou por toda parte, fazendo o bem e curando todos os oprimidos do diabo, porque Deus estava com ele. 39E nós somos testemunhas de tudo o que ele fez na terra dos judeus e em Jerusalém. Depois eles o mataram, pendurando-o num madeiro. 40Mas Deus o ressuscitou no terceiro dia e concedeu que fosse manifesto, 41não a todo o povo,
10.41
Jo 14.22
mas às testemunhas que foram anteriormente escolhidas por Deus, isto é, a nós que comemos e bebemos com ele,
10.41
Lc 24.43
At 1.4
depois que ressurgiu dentre os mortos. 42Jesus nos mandou pregar ao povo e testemunhar que ele foi constituído por Deus como Juiz de vivos e de mortos.
10.42
2Tm 4.1
1Pe 4.5
43Dele todos os profetas dão testemunho de que, por meio do seu nome, todo o que nele crê recebe remissão dos pecados.

O Espírito Santo desce sobre os gentios

44Enquanto Pedro falava estas palavras, o Espírito Santo caiu sobre todos os que ouviam a mensagem. 45E os fiéis que eram da circuncisão, que tinham vindo com Pedro, admiraram-se, porque também sobre os gentios foi derramado o dom do Espírito Santo. 46Pois eles os ouviam falando em línguas e engrandecendo a Deus. Então Pedro disse:

47— Será que alguém poderia recusar a água e impedir que sejam batizados estes que, assim como nós, receberam o Espírito Santo?

48E ordenou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Então lhe pediram que permanecesse com eles por alguns dias.

11

A defesa de Pedro

111Chegou ao conhecimento dos apóstolos e dos irmãos que estavam na Judeia que também os gentios haviam recebido a palavra de Deus. 2Quando Pedro voltou para Jerusalém, os que eram da circuncisão começaram a questioná-lo, dizendo:

3— Você entrou na casa de homens incircuncisos e comeu com eles.

4Então Pedro passou a fazer-lhes uma exposição por ordem, dizendo:

5— Eu estava na cidade de Jope orando e, num êxtase, tive uma visão em que observei descer um objeto como se fosse um grande lençol baixado do céu pelas quatro pontas e vindo até perto de mim. 6E, olhando atentamente para dentro daquilo, vi quadrúpedes da terra, feras, répteis e aves do céu. 7Ouvi também uma voz que me dizia: “Levante-se, Pedro! Mate e coma.” 8Ao que eu respondi: “De modo nenhum, Senhor; porque em minha boca nunca entrou nada que fosse impuro ou imundo.” 9Pela segunda vez, a voz do céu falou: “Não considere impuro aquilo que Deus purificou.” 10Isso se repetiu três vezes, e, de novo, tudo foi recolhido para o céu. 11E eis que, na mesma hora, pararam diante da casa em que estávamos três homens enviados de Cesareia para se encontrar comigo. 12Então o Espírito me disse que eu fosse com eles, sem hesitar. Foram comigo também estes seis irmãos; e entramos na casa daquele homem. 13E ele nos contou como tinha visto na casa dele um anjo, em pé, que lhe disse: “Envie alguém a Jope e mande chamar Simão, que também é chamado de Pedro, 14o qual lhe dirá palavras mediante as quais você e toda a sua casa serão salvos.”

15— Quando comecei a falar, o Espírito Santo caiu sobre eles, como também sobre nós, no princípio. 16Então me lembrei da palavra do Senhor, quando disse: “João, na verdade, batizou com11.16 Ou em água, mas vocês serão batizados com o Espírito Santo.”

11.16
At 1.5
17Pois, se Deus deu a eles o mesmo dom que tinha dado a nós quando cremos no Senhor Jesus, quem era eu para que pudesse resistir a Deus?

18Quando os demais ouviram isso, acalmaram-se e glorificaram a Deus, dizendo:

— Então também aos gentios Deus concedeu o arrependimento para a vida!

Os discípulos são chamados de cristãos em Antioquia

19Os que foram dispersos

11.19
At 8.4
a partir da perseguição que começou com a morte de Estêvão se espalharam até a Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a palavra a ninguém que não fosse judeu. 20Alguns deles, porém, que eram de Chipre e de Cirene e que foram até Antioquia, falavam também aos gregos, anunciando-lhes o evangelho do Senhor Jesus. 21A mão do Senhor estava com eles, e muitos, crendo, se converteram ao Senhor.

22A notícia a respeito deles chegou aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé até Antioquia. 23Quando ele chegou e viu a graça de Deus, ficou muito alegre. E exortava todos a que, com firmeza de coração, permanecessem no Senhor. 24Porque era homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor.

25Depois Barnabé foi a Tarso à procura de Saulo. 26E, quando o encontrou, levou-o para Antioquia. E, durante um ano inteiro, se reuniram naquela igreja e ensinaram numerosa multidão. Em Antioquia, os discípulos foram, pela primeira vez, chamados de cristãos.

11.26
1Pe 4.16

Ágabo prediz grande fome

27Naqueles dias, alguns profetas foram de Jerusalém para Antioquia. 28E, apresentando-se um deles, chamado Ágabo,

11.28
At 21.10
dava a entender, pelo Espírito, que haveria uma grande fome em todo o mundo. Essa fome veio nos dias do imperador Cláudio. 29Os discípulos, cada um conforme as suas posses,
11.29
2Co 8.12
resolveram mandar uma ajuda aos irmãos que moravam na Judeia. 30E eles o fizeram, enviando essa ajuda aos presbíteros por meio de Barnabé e Saulo.

12

Herodes persegue Tiago e Pedro

121Por aquele tempo, o rei Herodes12.1 Herodes Agripa I, neto de Herodes, o Grande, e rei de Israel de 41 a 44 depois de Cristo mandou prender alguns da igreja para os maltratar. 2Mandou matar à espada Tiago, irmão de João.

12.2
Mt 20.23
3Vendo que isto agradava aos judeus, prosseguiu, mandando prender também Pedro. E eram os dias dos pães sem fermento. 4Depois de prendê-lo, lançou-o na prisão, entregando-o a quatro escoltas de quatro soldados cada uma, para o guardarem. A intenção de Herodes era apresentá-lo ao povo depois da Páscoa. 5E assim Pedro era mantido na prisão; mas havia oração incessante a Deus por parte da igreja a favor dele.

Pedro é libertado

6Na noite anterior ao dia em que Herodes ia apresentá-lo ao povo, Pedro dormia entre dois soldados, preso com duas correntes. Sentinelas, junto à porta, guardavam a prisão. 7Eis, porém, que sobreveio um anjo do Senhor, e uma luz iluminou a prisão. O anjo tocou no lado de Pedro e o despertou, dizendo:

— Levante-se depressa!

Então as correntes caíram das mãos dele. 8E o anjo continuou:

— Coloque o cinto e calce as sandálias.

E ele assim o fez.

O anjo lhe disse mais:

— Ponha a capa e siga-me.

9Então, saindo, Pedro o seguia, não sabendo que era real o que estava sendo feito pelo anjo; ele pensava que era uma visão. 10Depois de terem passado a primeira e a segunda sentinela, chegaram ao portão de ferro que dava para a cidade, o qual se abriu automaticamente; e, saindo, enveredaram por uma rua, e logo adiante o anjo se afastou dele. 11Então Pedro, caindo em si, disse:

— Agora sei que, de fato, o Senhor enviou o seu anjo e me livrou da mão de Herodes e de toda a expectativa do povo judeu.

12Ao se dar conta disso, Pedro resolveu ir à casa de Maria, mãe de João, também chamado Marcos, onde muitas pessoas estavam congregadas e oravam. 13Quando ele bateu à porta da frente, uma empregada, chamada Rode, foi ver quem era. 14Reconhecendo a voz de Pedro, ficou tão alegre que nem o fez entrar, mas voltou correndo para anunciar que Pedro estava à porta. 15Então os outros disseram:

— Você ficou louca!

Ela, porém, persistia em afirmar que era verdade. Então disseram:

— É o anjo dele.

16Enquanto isso, Pedro continuava batendo. Quando abriram a porta, viram-no e ficaram admirados. 17Ele, porém, fazendo-lhes sinal com a mão para que se calassem, contou-lhes como o Senhor o tinha tirado da prisão. E acrescentou:

— Anunciem isto a Tiago e aos irmãos.

E, saindo, foi para outro lugar.

18Quando amanheceu, houve grande alvoroço entre os soldados sobre o que teria acontecido com Pedro. 19Herodes, tendo-o procurado e não o achando, submetendo as sentinelas a interrogatório, ordenou que se aplicasse a pena de morte. E, descendo da Judeia para Cesareia, Herodes passou ali algum tempo.

A morte de Herodes

20Havia uma séria divergência entre Herodes e os moradores de Tiro e de Sidom. Estes, porém, de comum acordo, se apresentaram a ele e, depois de obter o apoio de Blasto, que era assessor do rei, pediram paz, porque a terra deles recebia alimentos do país do rei. 21Em dia designado, Herodes, vestido de traje real, assentado no trono, dirigiu-lhes a palavra. 22E o povo gritava:

— É voz de um deus, e não de um homem!

23No mesmo instante, um anjo do Senhor feriu Herodes, por ele não haver dado glória a Deus; e, comido de vermes, morreu.

24Entretanto, a palavra de Deus crescia e se multiplicava.

12.24
At 6.7

25Barnabé e Saulo, cumprida a sua missão, voltaram de Jerusalém, trazendo consigo João, também chamado Marcos.

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