Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
3

O reinado de Jorão sobre Israel

31Jorão, filho de Acabe, começou a reinar sobre Israel, em Samaria, no décimo oitavo ano do reinado de Josafá, rei de Judá; e reinou doze anos. 2Fez o que era mau aos olhos do Senhor, porém não como o seu pai, nem como a sua mãe, porque tirou a coluna de Baal, que o seu pai havia feito.

3.2
1Rs 16.31-32
3No entanto, aderiu aos pecados de Jeroboão,
3.3
1Rs 12.28
filho de Nebate, que havia levado Israel a pecar, e não se afastou deles.

Eliseu prediz a vitória sobre Moabe

4Mesa, rei dos moabitas, era criador de gado e pagava o seu tributo ao rei de Israel com cem mil cordeiros e a lã de cem mil carneiros. 5Mas depois da morte de Acabe, o rei dos moabitas se revoltou contra o rei de Israel.

3.5
2Rs 1.1
6Por isso, naquele instante Jorão saiu de Samaria e reuniu todo o exército de Israel. 7Mandou dizer a Josafá, rei de Judá:

— O rei de Moabe se revoltou contra mim. Você irá comigo à guerra contra Moabe?

3.7
1Rs 22.4

Josafá respondeu:

— Irei. Sou como você é, o meu povo é como o seu povo, e os meus cavalos são como os seus cavalos.

8E Josafá perguntou:

— Por que caminho iremos?

Jorão respondeu:

— Pelo caminho do deserto de Edom.

9Partiram o rei de Israel, o rei de Judá e o rei de Edom. Após sete dias de marcha, não havia água para o exército e para os animais que os seguiam. 10Então o rei de Israel disse:

— Ah! O Senhor chamou estes três reis para os entregar nas mãos de Moabe.

11Josafá perguntou:

— Não há, aqui, algum profeta do Senhor, para que consultemos o Senhor por meio dele?

3.11
1Rs 22.7

Um dos servos do rei de Israel respondeu:

— Aqui está Eliseu, filho de Safate, que era servo de Elias.

12Josafá disse:

— Está com ele a palavra do Senhor.

Então o rei de Israel, Josafá e o rei de Edom foram falar com Eliseu. 13Mas Eliseu disse ao rei de Israel:

— Que tenho eu a ver com você? Vá falar com os profetas de seu pai e os profetas de sua mãe.

Porém o rei de Israel lhe disse:

— Não, porque o Senhor Deus é quem chamou estes três reis para os entregar nas mãos de Moabe.

14Eliseu disse:

— Tão certo como vive o Senhor dos Exércitos,3.14 Em hebraico, Javé Sebaot em cuja presença estou, se eu não respeitasse a presença de Josafá, rei de Judá, não daria atenção nem olharia para você. 15Agora me tragam um músico.

Enquanto o músico tocava, o poder de Deus veio sobre Eliseu.

3.15
1Sm 16.23
1Cr 25.1
16Este disse:

— Assim diz o Senhor: “Façam, neste vale, covas e mais covas. 17Porque assim diz o Senhor: Vocês não sentirão vento, nem verão chuva, mas este vale se encherá de água; e vocês beberão, bem como o seu gado e os seus animais.” 18Mas isto ainda é pouco aos olhos do Senhor. Ele também entregará Moabe nas suas mãos. 19Vocês conquistarão todas as cidades fortificadas e todas as cidades principais. Cortarão todas as árvores frutíferas, taparão todas as fontes de água e danificarão com pedras todos os campos de cultivo.

20E aconteceu que, no dia seguinte, na hora do sacrifício da manhã, eis que água vinha descendo dos lados de Edom; e a terra se encheu de água.

A derrota de Moabe

21Quando todos os moabitas ouviram que os reis tinham vindo para lutar contra eles, convocaram todos os que estavam aptos para a guerra, desde o mais novo até o mais velho, e tomaram posição nas fronteiras. 22Os moabitas se levantaram de madrugada e, quando o sol raiou sobre as águas, viram que as águas diante deles estavam vermelhas como sangue. 23E disseram:

— Isto é sangue! Certamente os reis se destruíram e se mataram um ao outro! Agora, moabitas, é hora de pegar os despojos!

24Mas, quando eles chegaram ao arraial de Israel, os israelitas se levantaram e atacaram os moabitas, os quais fugiram deles. Os israelitas entraram na terra e também aí mataram os moabitas. 25Arrasaram as cidades, e cada um lançou uma pedra em todos os campos de cultivo, e os entulharam. Taparam todas as fontes de águas e cortaram todas as árvores frutíferas. Só Quir-Haresete ficou com suas muralhas; mas os que atiravam com fundas a cercaram e atacaram.

26Quando o rei de Moabe percebeu que estava perdendo a batalha, tomou consigo setecentos homens armados com espada para abrir caminho e chegar até o rei de Edom, porém não puderam. 27Então pegou o seu filho primogênito, que havia de reinar em seu lugar, e o ofereceu em holocausto sobre a muralha. Houve grande ira contra Israel3.27 Ou em Israel e, por isso, eles se retiraram dali e voltaram para a sua própria terra.

4

Eliseu aumenta o azeite da viúva

41Certa mulher, viúva de um dos discípulos dos profetas, clamou a Eliseu, dizendo:

— O meu marido, seu servo, está morto, e o senhor sabe que esse seu servo temia o Senhor Deus. Mas veio o credor para levar os meus dois filhos como escravos.

2Eliseu perguntou à mulher:

— O que posso fazer por você? Diga-me o que é que você tem em casa.

Ela respondeu:

— Esta sua serva não tem nada em casa, a não ser um jarro de azeite.

3Então Eliseu disse:

— Vá, peça emprestadas vasilhas a todos os seus vizinhos; vasilhas vazias, muitas vasilhas. 4Depois entre em casa, feche a porta atrás de você e dos seus filhos, e derrame o azeite em todas aquelas vasilhas. Ponha à parte as que forem ficando cheias.

5A mulher foi embora dali e fechou a porta atrás de si e dos seus filhos. Estes lhe passavam as vasilhas, e ela as enchia. 6Quando todas estavam cheias, ela disse a um dos filhos:

— Traga-me mais uma vasilha.

Mas ele respondeu:

— Não há mais vasilha nenhuma.

E o azeite parou. 7Então ela foi e contou ao homem de Deus. Ele disse:

— Vá, venda o azeite e pague a sua dívida; e você e os seus filhos vivam do que sobrar.

Eliseu e a sunamita

8Certo dia, Eliseu passou por Suném, onde morava uma mulher rica, que insistiu para que ele ficasse para uma refeição. Assim, todas as vezes que passava por lá, entrava para fazer uma refeição. 9Ela disse ao seu marido:

— Vejo que este que passa sempre por aqui é um santo homem de Deus. 10Vamos fazer um quarto pequeno no terraço da casa e colocar nele uma cama, uma mesa, uma cadeira e uma lamparina; assim, quando ele vier à nossa casa, poderá ficar ali.

11Um dia, vindo o profeta para ali, retirou-se para o quarto e se deitou. 12Então disse ao seu servo Geazi:

— Vá chamar esta sunamita.

Ele a chamou, e ela se pôs diante do profeta. 13Este tinha dito a Geazi que dissesse a ela:

— A senhora nos tem tratado com muito cuidado. O que podemos fazer pela senhora? Podemos falar em seu favor junto ao rei ou ao comandante do exército?

Ela havia respondido:

— Eu estou bem, vivendo no meio do meu povo.

14Então o profeta perguntou a Geazi:

— O que se pode fazer por ela?

Geazi respondeu:

— Ora, ela não tem filhos, e o marido dela é velho.

15Eliseu disse:

— Vá chamá-la.

Ele a chamou, e ela se pôs à porta. 16Então o profeta disse à mulher:

— Por este tempo, daqui a um ano, você terá um filho nos braços.

Ela disse:

— Não, meu senhor, homem de Deus, não minta para esta sua serva.

17A mulher engravidou e, no ano seguinte, no tempo determinado, deu à luz um filho, como Eliseu tinha dito.

18O menino cresceu e, certo dia, foi encontrar-se com o seu pai, que estava no campo com os ceifeiros. 19De repente ele disse a seu pai:

— Ai! A minha cabeça! A minha cabeça!

Então o pai disse a um dos servos:

— Leve-o para a mãe.

20Ele o tomou e o levou para a mãe. O menino ficou sentado no colo dela até o meio-dia, e então morreu. 21Ela subiu e o deitou sobre a cama do homem de Deus; fechou a porta e saiu.

22Chamou o marido e lhe disse:

— Mande-me um dos servos e uma das jumentas. Preciso ir depressa falar com o homem de Deus e voltar.

23O marido perguntou:

— Por que você quer falar com ele hoje? Não é dia de Festa da Lua Nova nem sábado.

Ela respondeu:

— Não faz mal.

24Então ela mandou preparar a jumenta e disse ao servo:

— Pegue as rédeas e vamos! Não diminua a marcha, a não ser quando eu disser.

25E assim ela partiu e foi falar com o homem de Deus, no monte Carmelo. Ao vê-la de longe, o homem de Deus disse a Geazi, seu servo:

— Veja! É a sunamita. 26Corra ao seu encontro e pergunte a ela: “Vai tudo bem com você, com o seu marido, com o menino?”

Ela respondeu:

— Vai tudo bem.

27Quando ela chegou ao homem de Deus, no monte, agarrou-se aos pés dele. Geazi se aproximou para arrancá-la, mas o homem de Deus lhe disse:

— Deixe-a, porque a sua alma está em amargura, e o Senhor escondeu isso de mim; não me revelou nada a respeito.

28Então a mulher disse:

— Por acaso eu pedi a meu senhor algum filho? Eu não lhe disse que não me enganasse?

29Então o profeta disse a Geazi:

— Cinja os lombos, pegue o meu bordão e vá. Se encontrar alguém, não o cumprimente; e, se alguém cumprimentar você, não responda.

4.29
Lc 10.4
Ponha o meu bordão sobre o rosto do menino.

30Porém a mãe do menino disse:

— Tão certo como vive o Senhor, e como você vive, não o deixarei.

Então Eliseu se levantou e foi com ela. 31Geazi foi adiante deles e pôs o bordão sobre o rosto do menino. Porém não houve nele voz nem sinal de vida. Então voltou para encontrar-se com Eliseu e lhe disse:

— O menino não acordou.

32Quando o profeta chegou à casa, eis que o menino estava morto sobre a cama. 33Então ele entrou, fechou a porta e orou ao Senhor. 34Subiu à cama, deitou-se sobre o menino e, pondo a sua boca sobre a boca dele, os seus olhos sobre os olhos dele e as suas mãos sobre as mãos dele, se estendeu sobre ele; e o corpo do menino aqueceu.

4.34
1Rs 17.21-23
35Eliseu se levantou e andou no quarto de um lado para outro. Tornou a subir à cama, e se estendeu sobre o menino; este espirrou sete vezes e abriu os olhos. 36Então Eliseu chamou Geazi e disse:

— Chame a sunamita.

Ele a chamou. Quando ela chegou, Eliseu disse:

— Pegue o seu filho.

37Ela entrou, lançou-se aos pés de Eliseu e prostrou-se em terra; pegou o seu filho e saiu.

A morte que havia na panela é tirada

38Eliseu voltou para Gilgal. Havia fome naquela terra. Quando os discípulos dos profetas estavam sentados diante dele, Eliseu disse ao seu servo:

— Ponha a panela grande no fogo e faça um cozido para os discípulos dos profetas.

39Então um deles saiu para o campo a fim de apanhar ervas. Ele achou uma trepadeira silvestre e, colhendo os frutos, encheu a sua capa com eles. Voltou para casa, cortou os frutos em pedaços e os pôs na panela, mesmo sem saber o que eram. 40Depois, deram de comer aos homens. Enquanto comiam do cozido, gritaram:

— Morte na panela, ó homem de Deus!

E não puderam comer. 41Mas Eliseu disse:

— Tragam farinha.

Ele a colocou na panela e disse:

— Sirva às pessoas para que comam.

E já não havia mal nenhum na panela.

Vinte pães satisfazem cem homens

42Um homem veio de Baal-Salisa e trouxe ao homem de Deus pães das primícias, vinte pães de cevada, e espigas verdes numa sacola. Eliseu disse:

— Dê às pessoas para que comam.

43Porém o seu servo lhe disse:

— Como vou pôr isto diante de cem homens?

Eliseu tornou a dizer:

— Dê às pessoas para que comam. Porque assim diz o Senhor: “Comerão, e ainda vai sobrar.”

44Então o servo pôs a comida diante deles; comeram, e ainda sobrou,

4.44
Mt 14.16-21
conforme a palavra do Senhor.

5

Naamã é curado de lepra

51Naamã,

5.1
Lc 4.27
comandante do exército do rei da Síria, era grande homem diante do seu senhor e de muito conceito, porque por meio dele o Senhor tinha dado a vitória à Síria. Ele era herói de guerra, porém sofria de lepra.

2Tropas saíram da Síria, e da terra de Israel levaram cativa uma menina, que ficou ao serviço da mulher de Naamã. 3Um dia a menina disse à sua senhora:

— Quem dera o meu senhor estivesse na presença do profeta que está em Samaria; ele o curaria da sua lepra.

4Então Naamã foi contar isso ao seu senhor, dizendo:

— Assim e assim falou a jovem que é da terra de Israel.

5O rei da Síria respondeu:

— Vá! Eu enviarei uma carta ao rei de Israel.

Então Naamã partiu e levou consigo trezentos e quarenta quilos de prata, setenta e dois quilos de ouro e dez mudas de roupa. 6Levou também ao rei de Israel a carta, que dizia: “Tão logo esta carta chegar a você, saiba que eu lhe enviei Naamã, meu servo, para que você o cure da sua lepra.”

7Quando o rei de Israel acabou de ler a carta, rasgou as suas roupas em sinal de medo e disse:

— Por acaso sou Deus, com poder de tirar a vida ou dá-la, para que este envie a mim um homem para eu curá-lo de sua lepra? Como vocês podem notar e ver, ele está procurando um pretexto contra mim.

5.7
1Rs 20.7

8Mas, quando Eliseu, homem de Deus, ouviu que o rei de Israel havia rasgado as suas roupas, mandou dizer ao rei:

— Por que o senhor rasgou as suas roupas? Deixe-o vir a mim, e ele saberá que há profeta em Israel.

9Então Naamã foi com os seus cavalos e os seus carros e parou à porta da casa de Eliseu. 10Eliseu lhe mandou um mensageiro, dizendo:

— Vá e lave-se sete vezes no Jordão, e a sua carne será restaurada, e você ficará limpo.

11Mas Naamã ficou indignado e se foi, dizendo:

— Eu pensava que ele certamente sairia para falar comigo, ficaria em pé, invocaria o nome do Senhor, seu Deus, passaria a mão sobre o lugar da lepra e restauraria o leproso. 12Por acaso não são Abana e Farfar, rios de Damasco, melhores do que todas as águas de Israel? Será que eu não poderia me lavar neles e ficar limpo?

Deu meia-volta e foi embora muito irritado. 13Então os seus oficiais se aproximaram e lhe disseram:

— Meu pai, se o profeta tivesse dito alguma coisa difícil, por acaso o senhor não faria? Muito mais agora que ele apenas disse: “Lave-se e você ficará limpo.”

14Então Naamã desceu e mergulhou no Jordão sete vezes, conforme a palavra do homem de Deus; e a sua pele se tornou como a pele de uma criança, e ficou limpo.

15Depois ele voltou ao homem de Deus, ele e toda a sua comitiva. Veio, pôs-se diante dele e disse:

— Eis que, agora, reconheço que em toda a terra não há Deus, a não ser em Israel.

5.15
1Sm 17.46
E agora, por favor, aceite um presente deste seu servo.

16Porém ele respondeu:

— Tão certo como vive o Senhor, em cuja presença estou, não aceitarei nada.

Naamã insistiu com ele para que aceitasse, mas ele recusou. 17Então Naamã disse:

— Se você não quer, então peço que seja permitido a este seu servo levar duas mulas carregadas de terra; porque este seu servo nunca mais oferecerá holocausto nem sacrifício a outros deuses, a não ser ao Senhor. 18Mas que o Senhor Deus perdoe o seu servo uma coisa: quando meu senhor, o rei, entrar no templo de Rimom para ali adorar, e ele se encostar no meu braço, e eu também tiver de me encurvar no templo de Rimom, quando assim me prostrar no templo de Rimom, que o Senhor Deus perdoe este seu servo por isso.

19Eliseu lhe disse:

— Vá em paz.

Geazi é atacado de lepra

Quando Naamã tinha se afastado certa distância, 20Geazi,

5.20
2Rs 4.12,31,36
o servo de Eliseu, homem de Deus, disse consigo:

— Eis que meu senhor foi generoso demais com este sírio Naamã, recusando o que ele trazia. Mas, tão certo como vive o Senhor, vou correr atrás dele e receberei dele alguma coisa.

21Então Geazi correu atrás de Naamã. Quando Naamã viu que alguém vinha correndo atrás dele, saltou da carruagem para ir ao encontro dele. Então perguntou:

— Está tudo bem?

22Ele respondeu:

— Sim, tudo bem. Meu senhor me mandou dizer: “Eis que agora mesmo vieram da região montanhosa de Efraim dois jovens que fazem parte do grupo dos discípulos dos profetas. Por favor, dê-lhes trinta e quatro quilos de prata e duas mudas de roupa.”

23Naamã disse:

— Tenha a bondade de levar sessenta e oito quilos.

Insistiu com ele e amarrou sessenta e oito quilos de prata em dois sacos e duas mudas de roupa. Pôs isso sobre os ombros de dois dos seus servos, para que o levassem à frente de Geazi. 24Quando ele chegou à colina, pegou os sacos que os servos traziam e os depositou na casa. Então despediu aqueles homens, que se foram. 25Ele, porém, entrou e se pôs diante de seu senhor. Eliseu perguntou:

— De onde você vem, Geazi?

Ele respondeu:

— Este seu servo não foi a lugar nenhum.

26Porém Eliseu disse:

— Você acha que eu não estava com você em espírito quando aquele homem voltou da sua carruagem, para encontrar-se com você? Será que esta era a ocasião para você aceitar prata e aceitar roupas, olivais e vinhas, ovelhas e bois, servos e servas? 27Portanto, a lepra de Naamã se pegará a você e à sua descendência para sempre.

E Geazi saiu da presença de Eliseu já leproso, branco como a neve.