Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
24

Davi poupa a vida de Saul

241Quando Saul voltou de perseguir os filisteus, foi-lhe dito:

— Eis que Davi está no deserto de En-Gedi.

2Então Saul tomou três mil homens, escolhidos dentre todo o Israel, e foi ao encalço de Davi e dos seus homens, nas encostas das rochas das cabras selvagens. 3Chegou a uns currais de ovelhas no caminho, onde havia uma caverna. Saul entrou nela, para fazer as suas necessidades. Ora, Davi e os seus homens estavam sentados no mais interior da caverna.

24.3
Sl 57Sl 142
4Então eles disseram a Davi:

— Hoje é o dia do qual o Senhor lhe falou: “Eis que eu entrego o seu inimigo nas suas mãos, e você fará com ele o que bem quiser.”

Então Davi se levantou e, sem ser notado, cortou a ponta do manto de Saul. 5Mas depois Davi ficou com dor no coração por ter cortado a ponta do manto de Saul 6e disse aos seus homens:

— O Senhor Deus me livre de fazer tal coisa ao meu senhor, isto é, que eu estenda a mão contra ele, pois é o ungido do Senhor.

7Com estas palavras, Davi conteve os seus homens e não permitiu que se levantassem contra Saul. Então Saul se levantou, saiu da caverna e seguiu o seu caminho.

8Depois, também Davi se levantou e, saindo da caverna, gritou a Saul, dizendo:

— Ó rei, meu senhor!

Quando Saul olhou para trás, Davi se inclinou e lhe fez reverência, com o rosto em terra. 9E Davi disse a Saul:

— Por que o senhor dá atenção às palavras dos que dizem que Davi quer fazer-lhe mal? 10Eis que hoje o meu senhor pode ver com os seus próprios olhos que o Senhor Deus o pôs nas minhas mãos nesta caverna, e alguns disseram que eu deveria matá-lo. Mas eu o poupei, porque disse: “Não estenderei a mão contra o meu senhor, pois é o ungido de Deus.” 11Veja, meu pai, veja aqui na minha mão a ponta do seu manto. Por eu haver cortado a ponta do seu manto sem matá-lo, reconheça e veja que não há em mim nem mal nem rebeldia. Nunca pequei contra o rei, ainda que ele esteja à caça da minha vida para tirá-la de mim. 12Que o Senhor Deus julgue entre nós dois e me vingue do rei; porém não estenderei a minha mão contra o rei. 13Como o provérbio dos antigos diz: “Dos perversos procede a perversidade.” Mas eu não estenderei a minha mão contra o senhor, meu rei. 14Atrás de quem saiu o rei de Israel? A quem persegue? A um cão morto? A uma pulga? 15Que o Senhor Deus seja o meu juiz e julgue entre nós dois. Que ele examine e defenda a minha causa, me faça justiça e me livre das mãos do rei.

16Quando Davi acabou de falar todas estas palavras, Saul disse:

— É esta a sua voz, meu filho Davi?

E Saul chorou em alta voz. 17Então disse a Davi:

— Você é mais justo do que eu, pois me recompensou com o bem, enquanto eu o recompensei com o mal. 18Hoje você mostrou que me fez o bem, pois o Senhor me havia posto em suas mãos, e você não me matou. 19Porque quem é que encontra o inimigo e o deixa ir sem lhe fazer mal? Que o Senhor lhe pague com o bem por aquilo que você fez por mim no dia de hoje. 20Agora tenho certeza de que você será rei e de que o reino de Israel se manterá firme na sua mão. 21Portanto, jure pelo Senhor que você não eliminará a minha descendência, nem apagará o meu nome da casa de meu pai.

22E Davi jurou a Saul. Este foi para casa, mas Davi e os seus homens foram ao lugar seguro.

25

A morte de Samuel

251Samuel morreu, e todos os filhos de Israel se juntaram e o prantearam. E o sepultaram na sua casa, em Ramá. Davi se levantou e foi ao deserto de Parã.

Davi e Nabal

2Havia um homem, em Maom, que tinha as suas propriedades no Carmelo. Era um homem muito rico: tinha três mil ovelhas e mil cabras. E ele estava tosquiando as suas ovelhas no Carmelo. 3O nome desse homem era Nabal, e a mulher dele se chamava Abigail. Ela era inteligente e bonita, porém Nabal era grosseiro e mau em tudo o que fazia. Era descendente de Calebe. 4Quando Davi, no deserto, ouviu dizer que Nabal tosquiava as suas ovelhas, 5enviou dez rapazes e lhes disse:

— Vão ao Carmelo falar com Nabal e perguntem-lhe, em meu nome, como está. 6Digam àquele afortunado: “Paz para você, paz para a sua casa e paz para tudo o que é seu! 7Soube que você está fazendo a tosquia das suas ovelhas. Os seus pastores estiveram conosco e nós não os maltratamos e nada lhes faltou durante todo o tempo em que estiveram no Carmelo. 8Pergunte aos seus moços, e eles lhe dirão. Portanto, que os meus rapazes encontrem favor em sua presença, porque chegamos em boa hora. Por favor, dê a estes seus servos e a Davi, seu filho, qualquer coisa que você tiver à mão.”

9Os rapazes de Davi foram e falaram a Nabal todas essas palavras em nome de Davi. Depois, ficaram esperando. 10E Nabal deu a seguinte resposta aos servos de Davi:

— Quem é Davi? E quem é o filho de Jessé? Muitos são, hoje em dia, os servos que fogem do seu senhor. 11Vocês acham que eu vou pegar o meu pão, a minha água e a carne dos animais que abati para os meus tosquiadores e dar a homens que eu não sei de onde vêm?

12Então os rapazes de Davi se puseram a caminho e voltaram. Ao chegarem, disseram a Davi tudo o que Nabal havia falado. 13Então Davi disse aos seus homens:

— Que cada um cinja a sua espada!

E cada um cingiu a sua espada, e também Davi cingiu a sua. Cerca de quatrocentos homens seguiram Davi, enquanto duzentos ficaram com a bagagem. 14Nesse meio-tempo, um dos moços de Nabal foi falar com Abigail, a mulher de Nabal, dizendo:

— Davi enviou do deserto mensageiros para saudar o nosso senhor, mas ele os pôs a correr. 15No entanto, aqueles homens nos têm sido muito bons, e nunca fomos maltratados por eles e de nenhuma coisa sentimos falta em todos os dias de nosso trato com eles, quando estávamos no campo. 16Eles eram como um muro ao nosso redor, tanto de dia como de noite, todos os dias que estivemos com eles apascentando as ovelhas. 17E agora pense bem e veja o que pode fazer, porque o mal já está determinado contra o nosso senhor e contra toda a sua casa; ele é homem maligno, e não há quem consiga falar com ele.

Abigail apazigua Davi

18Então Abigail pegou, a toda pressa, duzentos pães, dois odres de vinho, cinco ovelhas preparadas, cinco medidas de trigo tostado, cem cachos de passas e duzentas pastas de figos, e pôs tudo sobre jumentos. 19Então disse aos seus servos:

— Vão na minha frente, que eu vou logo atrás.

Porém ela não contou nada a seu marido Nabal. 20Enquanto ela, cavalgando um jumento, descia, encoberta pelo monte, Davi e seus homens também desciam, e ela se encontrou com eles. 21Ora, Davi tinha dito:

— Com certeza, de nada adiantou ter protegido tudo o que esse homem possui no deserto, e de nada sentiu falta de tudo o que lhe pertence; ele me pagou o bem com o mal. 22Que Deus me castigue, se, até o amanhecer, eu não matar todos os do sexo masculino que estão com ele.

23Quando Abigail viu Davi, desceu depressa do jumento e prostrou-se sobre o rosto diante de Davi, inclinando-se até o chão. 24Lançou-se aos pés de Davi e disse:

— Meu senhor, que a culpa recaia sobre mim. Permita que esta sua serva fale e escute as palavras da sua serva. 25Que o meu senhor não se importe com aquele homem maligno, a saber, com Nabal,25.25 Nabal significa “tolo” porque ele é o que significa o seu nome. Nabal é o seu nome, e a tolice o acompanha. Eu, porém, esta sua serva, não vi os rapazes que o meu senhor mandou. 26Agora, meu senhor, tão certo como vive o Senhor Deus e tão certo como vive a sua alma, foi o Senhor Deus quem o impediu de derramar sangue e de fazer justiça com as próprias mãos. Que os seus inimigos e os que procuram fazer mal ao meu senhor sejam como Nabal. 27Este é o presente que esta sua serva trouxe ao meu senhor; que ele seja dado aos rapazes que seguem o meu senhor. 28Perdoe a transgressão desta sua serva. Pois o Senhor Deus certamente firmará a casa de meu senhor, porque ele está travando as batalhas do Senhor Deus.

25.28
1Sm 18.17
E que não se ache mal em meu senhor durante toda a sua vida. 29E, se algum homem se levantar para o perseguir e tirar-lhe a vida, a vida de meu senhor será atada no feixe dos que vivem com o Senhor, seu Deus. Porém a vida de seus inimigos, este a lançará fora como se a atirasse da cavidade de uma funda. 30E, quando o Senhor Deus tiver feito a meu senhor todo o bem que falou a seu respeito
25.30
1Sm 13.14
e o tiver colocado como príncipe sobre Israel, 31então meu senhor não terá motivo de pesar ou de remorso por ter derramado sangue inocente e por ter se vingado com as próprias mãos. E, quando o Senhor Deus tiver feito o bem a meu senhor, então lembre-se desta sua serva.

32Então Davi disse a Abigail:

— Bendito o Senhor, Deus de Israel,

25.32
Sl 41.13
72.18
106.48
Lc 1.68
que hoje mandou você ao meu encontro. 33Bendita seja a sua prudência, e bendita seja você mesma, que hoje me impediu de derramar sangue e de me vingar com as minhas próprias mãos. 34Porque, tão certo como vive o Senhor, Deus de Israel, que me impediu de fazer mal a você, se você não tivesse se apressado e não tivesse vindo ao meu encontro, não teria ficado a Nabal, até o amanhecer, nem um sequer do sexo masculino.

35Então Davi recebeu da mão de Abigail o que esta lhe havia trazido e lhe disse:

— Volte em paz para a sua casa. Como você pode ver, dei ouvidos ao que você me falou e atendi o seu pedido.

A morte de Nabal

36Abigail voltou para junto de Nabal. Eis que ele fazia em casa um banquete, como banquete de rei. O seu coração estava alegre, e ele, bastante embriagado. Por isso ela não lhe contou absolutamente nada, até o amanhecer. 37Pela manhã, quando Nabal já estava livre do vinho, sua mulher lhe contou tudo. Então o coração dele amorteceu dentro do peito, e ele ficou como uma pedra. 38Passados uns dez dias, o Senhor feriu Nabal, e ele morreu.

Davi casa com Abigail

39Quando Davi soube que Nabal havia morrido, disse:

— Bendito seja o Senhor, que pleiteou a causa da afronta que recebi de Nabal e livrou este seu servo de fazer o mal. O Senhor fez com que a maldade de Nabal caísse sobre a própria cabeça dele.

Então Davi mandou um recado a Abigail, dizendo que desejava tomá-la por mulher. 40Os servos de Davi foram até Abigail, no Carmelo, e lhe disseram:

— Davi nos mandou buscá-la para que a senhora seja sua mulher.

41Então ela se levantou, se inclinou com o rosto em terra e disse:

— Eis que esta sua serva servirá de criada para lavar os pés dos criados de meu senhor.

42Abigail se dispôs imediatamente e montou o seu jumento. E ela, acompanhada pelas cinco moças que a serviam, seguiu os mensageiros de Davi, que a recebeu por mulher.

43Davi também havia tomado por mulher Ainoã de Jezreel, e ambas foram suas mulheres. 44Saul tinha dado sua filha Mical, mulher de Davi, a Palti, filho de Laís, que era de Galim.

26

Outra vez Davi poupa a vida de Saul

261Os zifeus

26.1
Sl 54
foram falar com Saul, em Gibeá, e disseram:

— Não é verdade que Davi está escondido no monte Haquila, em frente de Jesimom?

2Então Saul se levantou e foi ao deserto de Zife, em busca de Davi, levando consigo três mil homens escolhidos de Israel. 3Saul acampou no monte Haquila, em frente de Jesimom, junto ao caminho, porém Davi ficou no deserto. Quando ouviu dizer que Saul vinha à sua procura no deserto, 4enviou espias e soube que Saul, de fato, tinha chegado. 5Davi se levantou e foi ao lugar onde Saul estava acampado. Viu o lugar onde dormiam Saul e Abner, filho de Ner, comandante do seu exército. Saul dormia dentro do acampamento, e o povo estava acampado ao redor dele.

6Davi perguntou a Aimeleque, o heteu, e a Abisai, filho de Zeruia, irmão de Joabe:

— Quem irá comigo ao arraial de Saul?

Abisai respondeu:

— Eu irei com você.

7Assim, Davi e Abisai foram, de noite, ao acampamento. E eis que Saul estava deitado, dormindo. A lança dele estava fincada na terra, perto da sua cabeça. Abner e o povo estavam deitados ao redor dele. 8Então Abisai disse a Davi:

— Hoje Deus entregou o seu inimigo nas suas mãos. Deixe que eu vá, agora, encravá-lo com a lança, ao chão, com um só golpe; não será preciso um segundo golpe.

9Davi, porém, respondeu a Abisai:

— Não o mate, pois quem pode estender a mão contra o ungido do Senhor e ficar inocente?

26.9
1Sm 24.6

10Davi continuou:

— Tão certo como vive o Senhor Deus, ele mesmo o matará; ou chegará o dia de sua morte, ou, indo para a guerra, será morto em combate. 11O Senhor me livre de estender a mão contra o seu ungido! Agora, porém, pegue a lança que está perto da cabeça dele e o jarro de água, e vamos embora.

12Então Davi pegou a lança e o jarro de água que estavam perto da cabeça de Saul, e eles foram embora. Ninguém viu, nem ficou sabendo, nem acordou. Todos dormiam, porque havia caído sobre eles um profundo sono, vindo da parte do Senhor.

13Quando Davi tinha passado para o outro lado, pôs-se no alto do monte ao longe, de maneira que havia uma grande distância entre eles. 14Então gritou para o povo e para Abner, filho de Ner, dizendo:

— Você não vai responder, Abner?

Então Abner respondeu:

— Quem é você, que está aí gritando para o rei?

15Davi respondeu:

— Você não é homem? E quem é igual a você em Israel? Então por que não protegeu o seu senhor, o rei? Porque alguém do povo foi até aí para matar o rei, seu senhor. 16Não é bom isso que você fez! Tão certo como vive o Senhor Deus, vocês merecem morrer, vocês que não protegeram seu senhor, o ungido do Senhor Deus. Agora vejam onde está a lança do rei e o jarro de água que estava perto da cabeça dele.

Saul, outra vez, se reconcilia com Davi

17Então Saul reconheceu a voz de Davi e disse:

— É esta a sua voz, meu filho Davi?

26.17
1Sm 24.16

E Davi respondeu:

— Sim, é a minha voz, ó rei, meu senhor.

18Disse mais:

— Por que o meu senhor está perseguindo o seu servo? O que foi que eu fiz? E que maldade se acha nas minhas mãos? 19E agora, ó rei, meu senhor, por favor escute as palavras deste seu servo. Se é o Senhor Deus que o está incitando contra mim, que ele aceite uma oferta. Mas, se são os filhos dos homens, que sejam malditos diante do Senhor! Porque eles me expulsaram hoje, para que eu não tenha parte na herança do Senhor, como que dizendo: “Vá e sirva outros deuses.” 20Agora, que o meu sangue não seja derramado longe desta terra do Senhor. Porque o rei de Israel saiu em busca de uma pulga,

26.20
1Sm 24.14
como quem persegue uma perdiz nos montes.

21Então Saul disse:

— Pequei! Volte, meu filho Davi, pois não mais lhe farei mal, porque hoje a minha vida foi preciosa aos seus olhos. Eu tenho agido como um louco e cometi um erro muito grande.

22Davi respondeu:

— Aqui está a lança, ó rei. Que um dos seus rapazes venha aqui pegá-la. 23E que o Senhor Deus recompense cada um pela sua justiça e lealdade. Porque hoje o Senhor Deus o havia entregado nas minhas mãos, porém eu não quis estendê-las contra o ungido do Senhor. 24Assim como hoje a sua vida foi de grande valor aos meus olhos, assim também seja a minha vida aos olhos do Senhor Deus, e que ele me livre de toda a angústia.

25Então Saul disse a Davi:

— Bendito seja você, meu filho Davi! Porque você fará grandes coisas e certamente será bem-sucedido.

Então Davi seguiu o seu caminho, e Saul voltou para casa.