Nova Almeida Atualizada (2017) (NAA)
12

Mensagem de Samuel ao povo

121Então Samuel disse a todo o Israel:

— Eis que atendi ao que vocês me pediram e constituí um rei sobre vocês.

12.1
1Sm 10.24
2E agora eis que vocês têm o rei que irá adiante de vocês. Eu já sou velho e tenho os cabelos brancos, e os meus filhos estão com vocês. Eu tenho andado à frente de vocês desde a minha mocidade até o dia de hoje. 3Eis-me aqui. Testemunhem contra mim diante do Senhor e diante do seu ungido: de quem tomei o boi? De quem tomei o jumento? A quem enganei? A quem oprimi? E das mãos de quem aceitei suborno para encobrir com ele os meus olhos? Falem, e eu o restituirei.
12.3
Nm 16.15
At 20.33

4Então responderam:

— Você não nos defraudou, nem nos oprimiu, nem tomou coisa alguma das mãos de ninguém.

5E ele lhes disse:

— O Senhor é testemunha contra vocês e também o seu ungido é hoje testemunha de que vocês não encontraram nada nas minhas mãos.

E o povo confirmou:

— Deus é testemunha.

6Então Samuel disse ao povo:

— O Senhor é testemunha, ele que escolheu Moisés e Arão

12.6
Êx 6.26
e tirou os pais de vocês da terra do Egito. 7Agora fiquem aqui, porque vou discutir com vocês diante do Senhor, com relação a todos os seus atos de justiça que ele realizou em favor de vocês e dos seus pais. 8Depois que Jacó havia entrado no Egito, os pais de vocês clamaram
12.8
Êx 2.23
ao Senhor, e o Senhor enviou Moisés e Arão, que os tiraram do Egito e os fizeram habitar neste lugar. 9Porém os pais de vocês se esqueceram do Senhor, seu Deus. Então ele os entregou nas mãos de Sísera,
12.9
Jz 4.2
comandante do exército de Hazor, e nas mãos dos filisteus,
12.9
Jz 13.1
e nas mãos do rei de Moabe,
12.9
Jz 3.12
que lutaram contra eles. 10Eles clamaram ao Senhor
12.10
Jz 10.10
e disseram: “Pecamos, pois deixamos o Senhor e servimos os baalins e astarotes. Mas agora livra-nos das mãos de nossos inimigos, e te serviremos.” 11O Senhor enviou Jerubaal,
12.11
Jz 7.1
Baraque,
12.11
Jz 4.6
Jefté
12.11
Jz 11.29
e Samuel,
12.11
1Sm 3.20
e os livrou das mãos dos inimigos que os cercavam, e vocês viveram em segurança.

12— Quando vocês viram que Naás, rei dos filhos de Amom, vinha contra vocês, vocês me disseram: “Não! Queremos um rei sobre nós”,

12.12
1Sm 8.19
quando, na verdade, o Senhor, seu Deus, era o rei de vocês. 13E agora, aqui está o rei que elegeram e que pediram. E eis que o Senhor deu um rei a vocês. 14Se vocês temerem o Senhor, se o servirem, se derem ouvidos à sua voz e não forem rebeldes ao seu mandado, se seguirem o Senhor, seu Deus, tanto vocês como o rei que governa sobre vocês, então tudo lhes irá bem. 15Se, porém, vocês não derem ouvidos à voz do Senhor, mas forem rebeldes ao seu mandado, a mão do Senhor será contra vocês, como o foi contra os pais de vocês. 16Fiquem, agora, aqui e vejam esta grande coisa que o Senhor fará diante de vocês. 17Não estamos no tempo da colheita do trigo? Pois eu vou clamar ao Senhor, e ele mandará trovões e chuva.
12.17
Pv 26.1
E vocês saberão e verão que é grande a maldade que praticaram aos olhos do Senhor, pedindo um rei.

18Então Samuel invocou o Senhor, e o Senhor mandou trovões e chuva naquele dia. E todo o povo temeu grandemente o Senhor e Samuel.

19Todo o povo disse a Samuel:

— Ore por estes seus servos ao Senhor, seu Deus, para que não venhamos a morrer, porque a todos os nossos pecados acrescentamos o mal de pedir para nós um rei.

20Então Samuel disse ao povo:

— Não tenham medo. Vocês, de fato, cometeram todo este mal. No entanto, não se desviem de seguir o Senhor, mas sirvam o Senhor de todo o coração. 21Não se desviem, pois vocês estariam seguindo coisas vãs, que nada aproveitam e que não os podem livrar, porque são vaidade.

12.21
Is 41.9
Hc 2.18
22Pois o Senhor, por causa do seu grande nome, não abandonará o seu povo,
12.22
Dt 31.6
1Rs 6.13
porque o Senhor decidiu fazer de vocês o seu povo.
12.22
Dt 7.6-11
23Quanto a mim, longe de mim que eu peque contra o Senhor, deixando de orar por vocês. Pelo contrário, eu lhes ensinarei o caminho bom e direito. 24Tão somente temam o Senhor e sirvam a ele fielmente de todo o coração.
12.24
Js 24.14
Vejam que coisas grandiosas ele fez por vocês! 25Se, porém, continuarem a fazer o mal, perecerão, tanto vocês como o seu rei.

13

Guerra entre os israelitas e os filisteus

131Saul havia reinado em Israel durante um ano. No segundo ano do seu reinado sobre o povo, 2escolheu três mil homens de Israel: dois mil estavam com Saul em Micmás e na região montanhosa de Betel, e mil estavam com Jônatas em Gibeá de Benjamim. Saul despediu o resto do povo, cada um para a sua casa. 3Jônatas derrotou a guarnição dos filisteus que estava em Gibeá, e os filisteus ficaram sabendo disso. Então Saul mandou tocar a trombeta por toda a terra, dizendo:

— Que os hebreus escutem isto.

4E todo o Israel ouviu dizer: “Saul derrotou a guarnição dos filisteus, e agora os filisteus estão com ódio de Israel.” Então o povo foi convocado para se juntar a Saul, em Gilgal.

5Os filisteus se reuniram para lutar contra Israel com trinta mil carros de guerra, seis mil cavaleiros e povo em multidão como a areia que está na praia do mar. Eles foram e acamparam em Micmás, a leste de Bete-Áven. 6Quando os homens de Israel viram que estavam em apuros (porque o povo estava angustiado), se esconderam em cavernas e em buracos, entre rochas, em túmulos e cisternas.

13.6
Jz 6.2
7Também alguns dos hebreus passaram o Jordão e foram para a terra de Gade e Gileade. E o povo que permaneceu com Saul, estando este ainda em Gilgal, se encheu de temor.

Saul oferece sacrifícios e é reprovado por Samuel

8Saul esperou sete dias, segundo o prazo determinado por Samuel.

13.8
1Sm 10.8
Mas como Samuel não vinha a Gilgal, o povo foi se espalhando dali. 9Então Saul disse:

— Tragam-me aqui o holocausto e as ofertas pacíficas.

E ofereceu o holocausto.

13.9
1Rs 3.4
10Mal tinha ele acabado de oferecer o holocausto, eis que chegou Samuel. Saul saiu ao encontro dele, para o saudar. 11Samuel perguntou:

— O que foi que você fez?

Saul respondeu:

— Vendo que o povo ia se espalhando daqui, e que você não vinha no prazo combinado, e que os filisteus já tinham se ajuntado em Micmás, 12eu disse comigo: “Agora os filisteus virão contra mim em Gilgal, e ainda não busquei a face do Senhor.” Assim, forçado pelas circunstâncias, ofereci holocaustos.

13Então Samuel disse a Saul:

— Você cometeu uma loucura, não guardando o mandamento que o Senhor, seu Deus, lhe ordenou. Pois o Senhor teria confirmado para sempre o seu reinado sobre Israel. 14Mas agora o seu reinado não subsistirá. O Senhor buscou para si um homem segundo o seu coração

13.14
At 13.22
e já lhe ordenou que seja príncipe sobre o seu povo, porque você não guardou o que o Senhor lhe ordenou.

15Então Samuel se levantou e foi de Gilgal a Gibeá de Benjamim. Saul contou o povo que estava com ele: eram cerca de seiscentos homens.

16Saul, o seu filho Jônatas e o povo que estava com eles ficaram em Geba de Benjamim, enquanto os filisteus estavam acampados em Micmás. 17Os saqueadores saíram do campo dos filisteus em três tropas. Uma delas tomou o caminho de Ofra à terra de Sual; 18a outra tomou o caminho de Bete-Horom; e a terceira, o caminho de onde se avista o vale de Zeboim, na direção do deserto.

19Ora, em toda a terra de Israel não havia um único ferreiro, porque os filisteus tinham dito: “Para que os hebreus não façam espadas, nem lanças.” 20Por isso todo o Israel tinha de ir aos filisteus para amolar as lâminas dos arados, as enxadas, os machados e as foices. 21Os filisteus cobravam dos israelitas oito gramas de prata para amolar os fios das lâminas e das enxadas e quatro gramas de prata para amolar machados e aguilhadas. 22Por isso, no dia da batalha, não se achou nem espada, nem lança na mão de nenhum do povo que estava com Saul e com Jônatas; só Saul e seu filho Jônatas tinham essas armas.

23A guarnição dos filisteus saiu ao desfiladeiro de Micmás.

14

A vitória de Jônatas

141Um dia, Jônatas, filho de Saul, disse ao seu jovem escudeiro:

— Venha, vamos até a guarnição dos filisteus, que está do outro lado.

Porém ele não contou isso a seu pai.

2Saul se encontrava na extremidade de Gibeá, debaixo da romãzeira em Migrom. E o povo que estava com ele eram cerca de seiscentos homens. 3Aías, filho de Aitube, irmão de Icabô, filho de Fineias, filho de Eli, sacerdote do Senhor em Siló, trazia a estola sacerdotal. O povo não sabia que Jônatas tinha ido.

4Entre os desfiladeiros pelos quais Jônatas procurava passar à guarnição dos filisteus, havia um penhasco íngreme de um lado, e outro penhasco íngreme do outro lado. Um se chamava Bozez; o outro, Sené. 5Um deles se erguia ao norte, diante de Micmás; o outro, ao sul, diante de Geba.

6Jônatas disse ao seu escudeiro:

— Venha, vamos até a guarnição desses incircuncisos. Talvez o Senhor nos ajude, porque nada pode impedir o Senhor de livrar, seja com muitos ou com poucos.

7Então o escudeiro disse:

— Faça tudo o que estiver em seu coração. Eu estou com você e farei o que você decidir.

8Jônatas respondeu:

— Então vamos atravessar na direção daqueles homens e deixar que eles nos vejam. 9Se nos disserem assim: “Fiquem parados até que cheguemos perto de vocês”, então ficaremos onde estamos e não subiremos a eles. 10Porém se disserem: “Subam até aqui”, então subiremos, pois o Senhor os entregou em nossas mãos. Isto nos servirá de sinal.

11Quando os dois se deixaram ver pela guarnição dos filisteus, estes disseram:

— Eis que os hebreus estão saindo dos buracos onde estavam escondidos.

12Os homens da guarnição disseram a Jônatas e ao seu escudeiro:

— Subam até aqui e nós daremos uma lição em vocês.

Então Jônatas disse ao escudeiro:

— Venha atrás de mim, porque o Senhor os entregou nas mãos de Israel.

13Então Jônatas subiu engatinhando, e o seu escudeiro foi atrás. Os filisteus caíram diante de Jônatas, e o seu escudeiro os matava atrás dele. 14Neste primeiro ataque, Jônatas e o seu escudeiro mataram perto de vinte homens, numa pequena área de terra. 15Houve grande espanto no arraial, no campo e entre todo o povo. Também a guarnição e os saqueadores tremeram, e até a terra tremeu. Foi um terror causado por Deus.

16Em Gibeá de Benjamim, as sentinelas de Saul olharam e eis que a multidão dos filisteus se dispersava, correndo uns para cá, outros para lá. 17Então Saul disse ao povo que estava com ele:

— Contem os soldados e vejam quem é que saiu do acampamento.

Contaram, e eis que nem Jônatas nem o seu escudeiro estavam ali. 18Saul disse a Aías:

— Traga aqui a arca de Deus.

14.18
Nm 27.21

Isso porque, naquele dia, ela estava com os filhos de Israel. 19Enquanto Saul falava ao sacerdote, o alvoroço que havia no arraial dos filisteus aumentava cada vez mais. Então Saul disse ao sacerdote:

— Desista de trazer a arca.

20Saul e todo o povo que estava com ele se reuniram e foram à batalha. E eis que a espada de um era contra o outro, e houve grande tumulto. 21Também os hebreus que anteriormente haviam estado com os filisteus e que tinham ido com eles ao arraial, também estes se juntaram com os israelitas que estavam com Saul e Jônatas. 22Quando todos os homens de Israel que estavam escondidos na região montanhosa de Efraim ouviram que os filisteus estavam fugindo, também eles entraram na batalha e os perseguiram. 23Assim o Senhor livrou Israel naquele dia.

14.23
Êx 14.30
E a batalha passou além de Bete-Áven.

O voto de Saul

24Naquele dia os homens de Israel estavam angustiados, porque Saul havia levado o povo a fazer um juramento, dizendo:

— Maldito o homem que comer algo antes de anoitecer, antes de eu me vingar dos meus inimigos.

Por isso todo o povo se absteve de comer naquele dia. 25Todo o povo chegou a um bosque onde havia mel no chão. 26Quando o povo entrou no bosque, eis que o mel estava escorrendo. Mas ninguém provou do mel, porque o povo estava com medo do juramento. 27Jônatas, porém, não sabia que o pai havia levado o povo a fazer aquele juramento. Por isso, estendeu a ponta da vara que tinha na mão, e a molhou no favo de mel. Quando comeu, os seus olhos voltaram a brilhar. 28Então alguém do meio do povo disse:

— O seu pai levou o povo a jurar solenemente, dizendo: “Maldito o homem que comer algo no dia de hoje.” Por isso o povo está exausto.

29Então Jônatas disse:

— Meu pai trouxe desastre sobre a terra. Vejam como os meus olhos brilham por ter eu provado um pouco deste mel. 30Teria sido muito melhor se hoje o povo tivesse comido livremente do que encontrou entre os despojos de seus inimigos. A derrota dos filisteus teria sido bem maior!

31Naquele dia derrotaram os filisteus, desde Micmás até Aijalom. O povo estava muito exausto. 32Então, lançando-se sobre o despojo, pegaram ovelhas, bois e bezerros, e os mataram no chão, e comeram a carne com sangue. 33Foram contar isto a Saul, dizendo:

— Eis que o povo está pecando contra o Senhor, porque comem a carne com sangue.

14.33
Gn 9.4
Lv 7.26-27
17.10-14
19.26
Dt 12.16,23
15.23

Saul gritou:

— Traidores! Rolem para aqui uma grande pedra.

34E Saul disse mais:

— Espalhem-se entre o povo e digam a eles que cada um me traga o seu boi, a sua ovelha, e que os matem aqui, e então comam. E que não pequem contra o Senhor, comendo carne com sangue.

Então todo o povo trouxe, de noite, cada um o seu boi e o matou ali. 35E Saul edificou um altar ao Senhor. Foi o primeiro altar que lhe edificou.

Jônatas é salvo pelo povo

36Então Saul disse:

— Vamos descer esta noite no encalço dos filisteus. Vamos saqueá-los até o raiar do dia, e não deixemos que fique nem sequer um deles.

Eles responderam:

— Faça como achar melhor.

37Mas o sacerdote disse:

— Vamos primeiro nos aproximar de Deus.

Então Saul consultou a Deus,

14.37
1Sm 28.6
30.8
dizendo:

— Devo descer no encalço dos filisteus? Tu os entregarás nas mãos de Israel?

Porém naquele dia Deus não lhe respondeu. 38Então Saul disse:

— Venham cá, todos os chefes do povo, e informem-se e descubram qual é o pecado que foi cometido hoje. 39Porque tão certo como vive o Senhor, que salva Israel, ainda que o meu filho Jônatas seja o culpado, certamente morrerá.

Porém ninguém de todo o povo lhe respondeu. 40Então Saul disse a todo o Israel:

— Fiquem vocês de um lado, e eu e o meu filho Jônatas ficaremos do outro.

E o povo disse a Saul:

— Faça como achar melhor.

41Então Saul falou ao Senhor, Deus de Israel:

— Mostra a verdade.

Então Jônatas e Saul foram indicados por sorteio, e o povo saiu livre. 42Então Saul disse:

— Lancem a sorte entre mim e Jônatas, meu filho.

E Jônatas foi indicado.

43Então Saul disse a Jônatas:

— Diga-me o que foi que você fez.

E Jônatas respondeu:

— Eu apenas provei um pouco de mel com a ponta da vara que tinha na mão.

14.43
1Sm 14.27
Eis-me aqui; estou pronto para morrer.

44Então Saul disse:

— Que Deus me castigue se você não for morto, Jônatas.

45Porém o povo disse a Saul:

— Como é que Jônatas pode ser morto, ele que efetuou tamanha salvação em Israel? Nada disso! Tão certo como vive o Senhor, nem um de seus cabelos cairá no chão! Pois foi com a ajuda de Deus que ele fez isso, hoje.

Assim o povo salvou Jônatas, para que não morresse. 46E Saul deixou de perseguir os filisteus, e estes voltaram para a sua terra.

47Quando assumiu o reinado de Israel, Saul lutou contra todos os seus inimigos ao redor: contra Moabe, os filhos de Amom e Edom; contra os reis de Zobá e os filisteus; e, para onde quer que se voltava, era vitorioso. 48Lutou com coragem, derrotando os amalequitas e libertando Israel das mãos dos que o saqueavam.

49Os filhos de Saul eram Jônatas, Isvi e Malquisua. Os nomes de suas duas filhas eram Merabe, a mais velha, e Mical, a mais nova. 50A mulher de Saul se chamava Ainoã, filha de Aimaás. O nome do general do seu exército era Abner, filho de Ner, tio de Saul. 51Quis era pai de Saul; e Ner, pai de Abner, era filho de Abiel.

52Durante todo o reinado de Saul, houve forte guerra contra os filisteus. Por isso, sempre que via um homem forte e valente, Saul o agregava a si.