Almeida Revista e Corrigida (2009) (ARC)
76

A majestade e o poder de Deus

Salmo e cântico de Asafe para o cantor-mor, sobre Neguinote

761Conhecido é Deus em Judá; grande é o seu nome em Israel. 2E em Salém está o seu tabernáculo, e a sua morada, em Sião. 3Ali quebrou as flechas do arco; o escudo, e a espada, e a guerra. (Selá)

4Tu és mais ilustre e glorioso do que os montes de presa. 5Os que são ousados de coração foram despojados; dormiram o seu sono, e nenhum dos homens de força achou as próprias mãos. 6À tua repreensão,

76.6
Êx 15.1,21
Ez 39.20
ó Deus de Jacó, carros e cavalos são lançados num sono profundo.

7Tu, tu és terrível! E quem subsistirá à tua vista, se te irares? 8Desde os céus fizeste ouvir o teu juízo; a terra tremeu e se aquietou 9quando Deus se levantou para julgar, para livrar a todos os mansos da terra. (Selá) 10Porque a cólera do homem redundará em teu louvor, e o restante da cólera, tu o restringirás.

11Fazei votos e pagai ao Senhor, vosso Deus; tragam presentes, os que estão em redor dele, àquele que é tremendo. 12Ele ceifará o espírito dos príncipes: é tremendo para com os reis da terra.

77

O estado íntimo do salmista: ele anima a sua alma pela consideração das grandes obras e da misericórdia de Deus

Salmo de Asafe para o cantor-mor, por Jedutum

771Clamei a Deus com a minha voz; a Deus levantei a minha voz, e ele inclinou para mim os ouvidos. 2No dia da minha angústia busquei ao Senhor; a minha mão se estendeu de noite e não cessava; a minha alma recusava ser consolada.

3Lembrava-me de Deus e me perturbava; queixava-me, e o meu espírito desfalecia. (Selá) 4Sustentaste os meus olhos vigilantes; estou tão perturbado, que não posso falar. 5Considerava

77.5
Dt 32.7
os dias da antiguidade, os anos dos tempos passados. 6De noite chamei à lembrança o meu cântico; meditei em meu coração, e o meu espírito investigou: 7Rejeitará o Senhor para sempre e não tornará a ser favorável? 8Cessou para sempre a sua benignidade? Acabou-se a promessa que veio de geração em geração? 9Esqueceu-se Deus de ter misericórdia? Ou encerrou ele as suas misericórdias na sua ira? (Selá) 10E eu disse: isto é enfermidade minha; e logo me lembrei dos anos da destra do Altíssimo.

11Lembrar-me-ei, pois, das obras do Senhor; certamente que me lembrarei das tuas maravilhas da antiguidade. 12Meditarei também em todas as tuas obras e falarei dos teus feitos. 13O teu caminho, ó Deus, está no santuário.

77.13
Êx 15.11
Que deus é tão grande como o nosso Deus? 14Tu és o Deus que fazes maravilhas; tu fizeste notória a tua força entre os povos. 15Com o teu braço remiste o teu povo, os filhos de Jacó e de José. (Selá)

16As águas te viram, ó Deus, as águas te viram, e tremeram; os abismos também se abalaram. 17Grossas nuvens se desfizeram em água; os céus retumbaram; as tuas flechas correram de uma para outra parte. 18A voz do teu trovão repercutiu-se nos ares; os relâmpagos alumiaram o mundo; a terra se abalou e tremeu. 19Pelo mar foi teu caminho, e tuas veredas, pelas grandes águas; e as tuas pegadas não se conheceram. 20Guiaste

77.20
Êx 13.21
14.9
o teu povo, como a um rebanho, pela mão de Moisés e de Arão.

78

A salvação que Deus concedeu a Israel. A rebelião contra ele. Deus escolheu Judá e Davi para pastorear Israel

Masquil de Asafe

781Escutai a minha lei,

78.1
Is 51.4
povo meu; inclinai os ouvidos às palavras da minha boca. 2Abrirei a boca numa parábola; proporei enigmas da antiguidade, 3os quais temos ouvido e sabido, e nossos pais no-los têm contado. 4Não os encobriremos
78.4
Dt 4.9
6.7
aos seus filhos, mostrando à geração futura os louvores do Senhor, assim como a sua força e as maravilhas que fez.

5Porque ele estabeleceu um testemunho em Jacó, e pôs uma lei em Israel,

78.5
Dt 4.9
e ordenou aos nossos pais que a fizessem conhecer a seus filhos, 6para que a geração vindoura a soubesse, e os filhos que nascessem se levantassem e a contassem a seus filhos; 7para que pusessem em Deus a sua esperança e se não esquecessem das obras de Deus, mas guardassem os seus mandamentos 8e não fossem como seus pais, geração contumaz e rebelde, geração que não regeu o seu coração, e cujo espírito não foi fiel para com Deus.

9Os filhos de Efraim, armados e trazendo arcos, retrocederam no dia da peleja. 10Não guardaram o concerto de Deus e recusaram andar na sua lei. 11E esqueceram-se das suas obras e das maravilhas que lhes fizera ver, 12maravilhas

78.12
Gn 32.3
Êx 7—12
Nm 13.22
que ele fez à vista de seus pais na terra do Egito, no campo de Zoã. 13Dividiu o mar, e os fez passar por ele; fez com que as águas parassem como num montão. 14De dia os guiou com uma nuvem, e toda a noite, com um clarão de fogo. 15Fendeu as penhas no deserto e deu-lhes de beber como de grandes abismos. 16Fez sair fontes da rocha e fez correr as águas como rios.

17E ainda prosseguiram em pecar contra ele,

78.17
Dt 9.22
Hb 3.16
provocando ao Altíssimo na solidão. 18E tentaram a Deus no seu coração, pedindo carne para satisfazerem o seu apetite. 19E falaram
78.19
Nm 11.4
contra Deus e disseram: Poderá Deus, porventura, preparar-nos uma mesa no deserto? 20Eis que
78.20
Êx 17.6
Nm 20.11
feriu a penha, e águas correram dela; rebentaram ribeiros em abundância; poderá também dar-nos pão ou preparar carne para o seu povo?

21Pelo que o Senhor

78.21
Nm 11.1,10
os ouviu e se indignou; e acendeu um fogo contra Jacó, e furor também subiu contra Israel, 22porquanto não creram
78.22
Hb 3.18
em Deus, nem confiaram na sua salvação, 23posto que tivesse mandado às altas nuvens,
78.23
Gn 7.11
Ml 3.10
e tivesse aberto as portas dos céus, 24e fizesse chover
78.24
Êx 16.4,14
Jo 6.31
1Co 10.3
sobre eles o maná para comerem, e lhes tivesse dado do trigo do céu. 25Cada um comeu o pão dos poderosos; ele lhes mandou comida com abundância. 26Fez soprar o vento do Oriente nos céus e trouxe o Sul com a sua força. 27E choveu sobre eles carne como pó, e aves de asas como a areia do mar. 28E as fez cair no meio do seu arraial, ao redor de suas habitações. 29Então, comeram
78.29
Nm 11.30
e se fartaram bem; pois lhes satisfez o desejo. 30Não refrearam o seu apetite. Ainda lhes
78.30
Nm 11.35
estava a comida na boca, 31quando a ira de Deus desceu sobre eles, e matou os mais fortes deles, e feriu os escolhidos de Israel.

32Com tudo isto, ainda pecaram e não deram crédito às suas maravilhas. 33Pelo que consumiu os seus dias na vaidade e os seus anos, na angústia. 34

78.34
Os 5.15
Pondo-os ele à morte, então, o procuravam; e voltavam, e de madrugada buscavam a Deus. 35E lembravam-se de que Deus era a sua rocha,
78.35
Êx 15.13
Dt 7.8
e o Deus Altíssimo, o seu Redentor. 36Todavia, lisonjeavam-no com a boca e com a língua lhe mentiam. 37Porque o seu coração não era reto para com ele, nem foram fiéis ao seu concerto. 38Mas ele, que é misericordioso, perdoou a sua iniquidade e não os destruiu; antes, muitas vezes desviou deles a sua cólera e não deixou despertar toda a sua ira, 39porque se lembrou de que eram carne, um vento que passa e não volta.

40Quantas vezes o provocaram no deserto e o ofenderam na solidão! 41Voltaram atrás,

78.41
Nm 14.22
e tentaram a Deus, e duvidaram do Santo de Israel. 42Não se lembraram do poder da sua mão, nem do dia em que os livrou do adversário; 43como operou os seus sinais no Egito e as suas maravilhas no campo de Zoã; 44e converteu
78.44
Êx 7.20
em sangue os seus rios e as suas correntes, para que não pudessem beber. 45E lhes mandou
78.45
Êx 8.24
enxames de moscas que os consumiram, e rãs que os destruíram. 46Deu, também, ao pulgão a sua novidade, e o seu trabalho, aos gafanhotos. 47Destruiu
78.47
Êx 9.23,25
as suas vinhas com saraiva, e os seus sicômoros, com pedrisco. 48Também entregou o seu gado à saraiva, e aos coriscos, os seus rebanhos. 49E atirou para o meio deles, quais mensageiros de males, o ardor da sua ira: furor, indignação e angústia. 50Abriu caminho à sua ira; não poupou a alma deles à morte, nem a vida deles à pestilência. 51E feriu todo primogênito no Egito, primícias da sua força nas tendas de Cam, 52mas fez com que o seu povo saísse como ovelhas e os guiou pelo deserto, como a um rebanho. 53E os guiou com segurança, e não temeram; mas o mar cobriu os seus inimigos.

54E conduziu-os até ao limite

78.54
Êx 15.17
do seu santuário, até este monte que a sua destra adquiriu, 55e expulsou as nações de diante deles, e, dividindo suas terras, lhas deu por herança, e fez habitar em suas tendas as tribos de Israel.

56Contudo, tentaram,

78.56
Jz 2.11-12
e provocaram o Deus Altíssimo, e não guardaram os seus testemunhos. 57Mas tornaram atrás e portaram-se aleivosamente como seus pais; viraram-se como um arco traiçoeiro, 58pois lhe provocaram a ira com os seus altos e despertaram-lhe o zelo com as suas imagens de escultura. 59Deus ouviu isto e se indignou; e sobremodo aborreceu a Israel, 60pelo que desamparou
78.60
1Rs 4.11
o tabernáculo em Siló, a tenda que estabelecera como sua morada entre os homens, 61e deu
78.61
Jz 18.30
a sua força ao cativeiro, e a sua glória, à mão do inimigo, 62e entregou
78.62
1Rs 4.10
o seu povo à espada, e encolerizou-se contra a sua herança. 63Aos seus jovens, consumiu-os o fogo, e as suas donzelas não tiveram festa nupcial. 64Os seus sacerdotes caíram à espada, e suas viúvas não se lamentaram.

65Então, o Senhor despertou

78.65
Is 42.13
como de um sono, como um valente que o vinho excitasse. 66E feriu os seus adversários, que fugiram, e os pôs em perpétuo desprezo. 67Além disto, rejeitou a tenda de José e não elegeu a tribo de Efraim. 68Antes, elegeu a tribo de Judá, o monte Sião, que ele amava. 69E edificou o seu santuário como aos lugares elevados, como a terra que fundou para sempre. 70Também elegeu a Davi, seu servo,
78.70
Gn 33.13
Is 40.11
e o tirou dos apriscos das ovelhas. 71De após as ovelhas pejadas o trouxe, para apascentar a Jacó, seu povo, e a Israel, sua herança. 72Assim, os apascentou, segundo a integridade do seu coração, e os guiou com a perícia de suas mãos.