Almeida Revista e Corrigida (2009) (ARC)
73

A prosperidade dos ímpios faz duvidar da justiça de Deus, mas o fim deles a demonstra

Salmo de Asafe

731Verdadeiramente, bom é Deus para com Israel, para com os limpos de coração. 2Quanto a mim, os meus pés quase que se desviaram; pouco faltou para que escorregassem os meus passos. 3Pois eu tinha inveja dos soberbos, ao ver a prosperidade dos ímpios.

4Porque não apertos na sua morte, mas firme está a sua força. 5Não se acham em trabalhos como outra gente, nem são afligidos como outros homens. 6Pelo que a soberba os cerca como um colar; vestem-se de violência como de um adorno. 7Os olhos deles estão inchados de gordura; superabundam as imaginações do seu coração. 8São corrompidos e tratam maliciosamente de opressão;

73.8
Os 7.16
2Pe 2.18
falam arrogantemente. 9Erguem a sua boca contra os céus, e a sua língua percorre a terra. 10Pelo que o seu povo volta aqui, e águas de copo cheio se lhes espremem. 11E dizem: Como o sabe Deus? Ou: Há conhecimento no Altíssimo?

12Eis que estes são ímpios; e, todavia, estão sempre em segurança, e se lhes aumentam as riquezas.

13Na verdade que em vão tenho purificado o meu coração

73.13
Ml 3.14
e lavado as minhas mãos na inocência. 14Pois todo o dia tenho sido afligido e castigado cada manhã. 15Se eu dissesse: Também falarei assim; eis que ofenderia a geração de teus filhos. 16Quando pensava em compreender isto,
73.16
Ec 8.17
fiquei sobremodo perturbado; 17até que entrei no santuário de Deus; então, entendi eu o fim deles.

18Certamente, tu os puseste em lugares escorregadios; tu os lanças em destruição. 19Como caem na desolação, quase num momento! Ficam totalmente consumidos de terrores. 20Como faz com um sonho o que acorda, assim, ó Senhor, quando acordares, desprezarás a aparência deles. 21Assim, o meu coração se azedou, e sinto picadas nos meus rins. 22Assim, me embruteci e nada sabia; era como animal perante ti.

23Todavia, estou de contínuo contigo; tu me seguraste pela mão direita. 24Guiar-me-ás com o teu conselho e, depois, me receberás em glória. 25A quem tenho

73.25
Cl 3.8
eu no céu senão a ti? E na terra não há quem eu deseje além de ti. 26A minha carne e o meu coração desfalecem; mas Deus é a 73.26 Hebr. rochafortaleza do meu coração e a minha porção para sempre.

27Pois eis que os que se alongam de ti perecerão; tu tens

73.27
Êx 34.15
destruído todos aqueles que, apostatando, se desviam de ti. 28Mas, para mim, bom é aproximar-me de Deus; pus a minha confiança no Senhor Deus, para anunciar todas as tuas obras.

74

A assolação do santuário. Oração para que Deus se lembre do seu povo aflito

Masquil de Asafe

741Ó Deus, por que nos rejeitaste para sempre? Por que se acende a tua ira contra as ovelhas do teu pasto? 2Lembra-te da tua congregação, que compraste

74.2
Êx 15.16
Dt 9.29
desde a antiguidade; 74.2 ou da triboda tua herança que remiste, deste monte Sião, em que habitaste. 3Levanta-te contra as perpétuas assolações, contra tudo o que o inimigo tem feito de mal no santuário.

4Os teus inimigos bramam

74.4
Lm 2.7
no meio dos lugares santos; põem neles as suas insígnias por sinais. 5Parecem-se com o homem que avança com o seu machado através da espessura do arvoredo. 6Eis que toda a obra entalhada quebram com machados e martelos. 7Lançaram fogo ao teu santuário; profanaram, derribando-a até ao chão, a morada do teu nome. 8Disseram no seu coração: Despojemo-los de uma vez. Queimaram todos os lugares santos de Deus na terra.

9Já não vemos os nossos sinais, já não profeta; nem entre nós alguém que saiba até quando isto durará. 10Até quando, ó Deus, nos afrontará o adversário? Blasfemará o inimigo o teu nome para sempre? 11Por que retiras a tua mão, sim, a tua destra? Tira-a do teu seio e consome-os.

12Todavia, Deus é o meu Rei desde a antiguidade, operando a salvação no meio da terra. 13Tu dividiste o

74.13
Êx 14.21
mar pela tua força; quebrantaste a cabeça dos monstros das águas. 14Fizeste em pedaços as cabeças do leviatã, e o deste por mantimento aos habitantes do deserto. 15Fendeste a fonte e o ribeiro; secaste os rios impetuosos. 16Teu é o dia e tua é a noite;
74.16
Gn 1.14
preparaste a luz e o sol. 17Estabeleceste todos os limites da terra;
74.17
Gn 8.22
verão e inverno, tu os formaste.

18Lembra-te disto:

74.18
Ap 16.19
que o inimigo afrontou ao Senhor, e que um povo louco blasfemou o teu nome. 19Não entregues às feras a alma da tua pombinha; não te esqueças para sempre da vida dos teus aflitos. 20Atenta para o teu concerto, pois os lugares tenebrosos da terra estão cheios de moradas de 74.20 Hebr. violênciacrueldade. 21Oh! Não volte envergonhado o oprimido; louvem o teu nome o aflito e o necessitado.

22Levanta-te, ó Deus, pleiteia a tua própria causa; lembra-te da afronta que o louco te faz cada dia. 23Não te esqueças 74.23 ou da vozdos gritos dos teus inimigos; o tumulto daqueles que se levantam contra ti aumenta continuamente.

75

O profeta louva a Deus e promete fazer observar a justiça

Para o cantor-mor, sobre Al-Tachete. Salmo e cântico de Asafe

751A ti, ó Deus, glorificamos, a ti damos louvor, pois o teu nome está perto, as tuas maravilhas o declaram.

2Quando eu ocupar o lugar determinado, julgarei retamente. 3Dissolve-se a terra e todos os seus moradores, mas eu fortaleci as suas colunas. (Selá) 4Disse eu aos loucos: não enlouqueçais; e aos ímpios: não levanteis a fronte; 5não levanteis a fronte altiva, nem faleis com cerviz dura.

6Porque nem do Oriente, nem do Ocidente, nem do deserto vem a exaltação. 7Mas Deus é o juiz; a um abate e a outro exalta. 8Porque na mão do Senhor há um cálice cujo vinho ferve, cheio de mistura, e dá a beber dele; certamente todos os ímpios da terra sorverão e beberão as suas fezes.

9Mas, quanto a mim, exultarei para sempre; cantarei louvores ao Deus de Jacó. 10E 75.10 Hebr. serrarei todos os chifresquebrantarei todas as forças dos ímpios, mas as forças dos justos serão exaltadas.