Almeida Revista e Corrigida (2009) (ARC)
3

A cura de um que tinha uma das mãos mirrada

(Mt 12.9-21; Lc 6.6-11)

31E outra vez entrou

3.1
Lc 6.6
na sinagoga, e estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada. 2E estavam observando-o se curaria no sábado, para o acusarem. 3E disse ao homem que tinha a mão mirrada: Levanta-te e vem para o meio. 4E perguntou-lhes: É lícito no sábado fazer bem ou fazer mal? Salvar a vida ou matar? E eles calaram-se. 5E, olhando para eles em redor com indignação, condoendo-se da dureza do seu coração, disse ao homem: Estende a mão. E ele a estendeu, e foi-lhe restituída a mão, sã como a outra. 6E, tendo saído
3.6
Mt 12.14
os fariseus, tomaram logo conselho com os herodianos contra ele,
3.6
Mt 22.16
procurando ver como o matariam.

7E retirou-se Jesus com os seus discípulos para o mar, e seguia-o uma grande multidão da Galileia,

3.7
Lc 6.17
e da Judeia, 8e de Jerusalém, e da Idumeia, e dalém do Jordão, e de perto de Tiro, e de Sidom; uma grande multidão que, ouvindo quão grandes coisas fazia, vinha ter com ele. 9E ele disse aos seus discípulos que lhe tivessem sempre pronto um barquinho junto dele, por causa da multidão, para que o não comprimisse, 10porque tinha curado a muitos, de tal maneira que todos quantos tinham algum 3.10 ou flagelomal se arrojavam sobre ele, para lhe tocarem. 11E os espíritos
3.11
Mc 1.23-24
Lc 4.41
Mt 14.33
imundos, vendo-o, prostravam-se diante dele e clamavam, dizendo: Tu és
3.11
Mt 12.16
Mc 1.25,34
o Filho de Deus. 12E ele os ameaçava muito, para que não o manifestassem.

A eleição dos doze

(Mt 10.1-4; Lc 6.12-16)

13E subiu ao

3.13
Lc 6.12
9.1
monte e chamou para si os que ele quis; e vieram a ele. 14E nomeou doze para que estivessem com ele e os mandasse a pregar 15e para que tivessem o poder de curar as enfermidades e expulsar os demônios: 16Simão,
3.16
Jo 1.42
a quem pôs o nome de Pedro; 17Tiago, filho de Zebedeu, e João, irmão de Tiago, aos quais pôs o nome de Boanerges, que significa: Filhos do trovão; 18André, e Filipe, e Bartolomeu, e Mateus, e Tomé, e Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu, e Simão, o Zelote, 19e Judas Iscariotes, o que o traiu.

A blasfêmia dos escribas

(Mt 12.22-32; Lc 11.14-23)

20E foram para uma casa. E afluiu outra vez a multidão,

3.20
Mc 6.31
de tal maneira que nem sequer podiam comer pão. 21E, quando os seus parentes ouviram isso, saíram para o prender,
3.21
Jo 7.5
10.20
porque diziam: Está fora de si. 22E os escribas, que tinham descido de Jerusalém, diziam:
3.22
Mt 9.34
Lc 11.15
Jo 7.20
8.48
Tem Belzebu e pelo príncipe dos demônios expulsa os demônios. 23E, chamando-os a si,
3.23
Mt 12.25
disse-lhes por parábolas: Como pode Satanás expulsar Satanás? 24Se um reino se dividir contra si mesmo, tal reino não pode subsistir; 25e se uma casa se dividir contra si mesma, tal casa não pode subsistir. 26Se Satanás se levantar contra si mesmo, e for dividido, não pode subsistir; antes, tem fim. 27Ninguém
3.27
Is 49.24
Mt 12.29
pode roubar os bens do valente, entrando-lhe em sua casa, se primeiro não manietar o valente; e, então, roubará a sua casa. 28Na verdade vos digo que
3.28
Mt 12.31
Lc 12.10
1Jo 5.16
todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens, e toda sorte de blasfêmias, com que blasfemarem. 29Qualquer, porém, que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca obterá perdão, 3.29 Gr. mas é réu de um eterno pecadomas será réu do eterno juízo. 30(Porque diziam: Tem espírito imundo.)

A família de Jesus

(Mt 12.46-50; Lc 8.19-21)

31Chegaram, então, seus irmãos e sua mãe;

3.31
Lc 8.19
e, estando de fora, mandaram-no chamar. 32E a multidão estava assentada ao redor dele, e disseram-lhe: Eis que tua mãe e teus irmãos te procuram e estão lá fora. 33E ele lhes respondeu, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos? 34E, olhando em redor para os que estavam assentados junto dele disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos. 35Porquanto qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, e minha irmã, e minha mãe.

4

A parábola do semeador

(Mt 13.1-23; Lc 8.4-15)

41E outra vez começou a

4.1
Lc 8.4
ensinar junto ao mar, e ajuntou-se a ele grande multidão; de sorte que ele entrou e assentou-se num barco, sobre o mar; e toda a multidão estava em terra junto ao mar. 2E ensinava-lhes
4.2
Mc 12.38
muitas coisas por parábolas e lhes dizia na sua doutrina: 3Ouvi: Eis que saiu o semeador a semear. 4E aconteceu que, semeando ele, uma parte da semente caiu junto ao caminho, e vieram as aves do céu e a comeram. 5E outra caiu sobre pedregais, onde não havia muita terra, e nasceu logo, porque não tinha terra profunda. 6Mas, saindo o sol, queimou-se e, porque não tinha raiz, secou-se. 7E outra caiu entre espinhos, e, crescendo os espinhos, a sufocaram, e não deu fruto. 8E outra caiu em boa
4.8
Jo 15.5
Cl 1.6
terra e deu fruto, que vingou e cresceu; e um produziu trinta, outro, sessenta, e outro, cem. 9E disse-lhes: Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça.

10E, quando

4.10
Mt 13.10
Lc 8.9
se achou só, os que estavam junto dele com os doze interrogaram-no acerca da parábola. 11E ele disse-lhes: A vós vos é dado saber os mistérios do Reino de Deus, mas aos que estão de fora
4.11
1Co 5.12
Cl 4.5
1Ts 4.11
1Tm 3.7
todas essas coisas se dizem por parábolas, 12para que, vendo,
4.12
Is 6.9
Mt 13.14
Lc 8.10
Jo 12.40
At 28.26
Rm 11.8
vejam e não percebam; e, ouvindo, ouçam e não entendam, para que se não convertam, e lhes sejam perdoados os pecados. 13E disse-lhes: Não percebeis esta parábola? Como, pois, entendereis todas as parábolas? 14O que semeia
4.14
Mt 13.19
semeia a palavra; 15e os que estão junto ao caminho são aqueles em quem a palavra é semeada; mas, tendo eles a ouvido, vem logo Satanás e tira a palavra que foi semeada no coração deles. 16E da mesma sorte os que recebem a semente sobre pedregais, que, ouvindo a palavra, logo com prazer a recebem; 17mas não têm raiz em si mesmos; antes, são temporãos; depois, sobrevindo tribulação ou perseguição por causa da palavra, logo se escandalizam. 18E os outros são os que recebem a semente entre espinhos, os quais ouvem a palavra; 19mas os cuidados deste mundo, e os enganos das
4.19
1Tm 6.9,17
riquezas, e as ambições de outras coisas, entrando, sufocam a palavra, e fica infrutífera. 20E os que recebem a semente em boa terra são os que ouvem a palavra, e a recebem, e dão fruto, um, a trinta, outro, a sessenta, e outro, a cem, por um.

A parábola da candeia

(Lc 8.16-18)

21E disse-lhes:

4.21
Mt 5.15
Vem, porventura, a candeia para ser posta debaixo do cesto ou debaixo da cama? Não vem, antes, para se colocar no velador? 22Porque nada há
4.22
Mt 10.26
Lc 12.2
encoberto que não haja de ser manifesto; e nada se faz para ficar oculto, mas para ser descoberto. 23Se alguém tem ouvidos
4.23
Mt 11.15
4.9
para ouvir, que ouça. 24E disse-lhes: Atendei ao que ides ouvir.
4.24
Mt 7.2
Lc 6.38
Com a medida com que medirdes vos medirão a vós, e ser-vos-á ainda acrescentada. 25Porque ao que
4.25
Mt 13.12
25.29
Lc 8.18
19.26
tem, ser-lhe-á dado; e, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.

A parábola da semente

26E dizia:

4.26
Mt 13.24
O Reino de Deus é assim como se um homem lançasse semente à terra, 27e dormisse, e se levantasse de noite ou de dia, e a semente brotasse e crescesse, não sabendo ele como. 28Porque a terra por si mesma frutifica; primeiro, a erva, depois, a espiga, e, por último, o grão cheio na espiga. 29E, quando o fruto se mostra, mete-lhe logo a
4.29
Ap 14.15
foice, porque está chegada a ceifa.

A parábola do grão de mostarda

(Mt 13.31-32; Lc 13.18-19)

30E dizia:

4.30
Lc 13.18
At 2.41
4.4
5.14
19.20
A que assemelharemos o Reino de Deus? Ou com que parábola o representaremos? 31É como um grão de mostarda, que, quando se semeia na terra, é a menor de todas as sementes que há na terra; 32mas, tendo sido semeado, cresce, e faz-se a maior de todas as hortaliças, e cria grandes ramos, de tal maneira que as aves do céu podem aninhar-se debaixo da sua sombra.

33E com muitas parábolas tais lhes dirigia a palavra,

4.33
Mt 13.34
Jo 16.12
segundo o que podiam compreender. 34E sem parábolas nunca lhes falava, porém tudo declarava em particular aos seus discípulos.

Jesus apazigua a tempestade

(Mt 8.23-27; Lc 8.22-25)

35E, naquele dia,

4.35
Lc 8.22
sendo já tarde, disse-lhes: Passemos para a outra margem. 36E eles, deixando a multidão, o levaram consigo, assim como estava, no barco; e havia também com ele outros barquinhos. 37E levantou-se grande temporal de vento, e subiam as ondas por cima do barco, de maneira que já se enchia de água. 38E ele estava na popa dormindo sobre uma almofada; e despertaram-no, dizendo-lhe: Mestre, não te importa que pereçamos? 39E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Cala-te, aquieta-te. E o vento se aquietou, e houve grande bonança. 40E disse-lhes: Por que sois tão tímidos? Ainda não tendes fé? 41E sentiram um grande temor e diziam uns aos outros: Mas quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?

5

O endemoninhado gadareno

(Mt 8.28-34; Lc 8.26-39)

51E chegaram à outra margem do mar, à província dos gadarenos. 2E, saindo ele do barco, lhe saiu logo ao seu encontro, dos sepulcros, um homem com espírito imundo, 3o qual tinha a sua morada nos sepulcros, e nem ainda com cadeias o podia alguém prender. 4Porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram por ele feitas em pedaços, e os grilhões, em migalhas, e ninguém o podia amansar. 5E andava sempre, de dia e de noite, clamando pelos montes e pelos sepulcros e ferindo-se com pedras. 6E, quando viu Jesus ao longe, correu e adorou-o. 7E, clamando com grande voz, disse: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Conjuro-te por Deus que não me atormentes. 8(Porque lhe dizia: Sai deste homem, espírito imundo.) 9E perguntou-lhe: Qual é o teu nome? E lhe respondeu, dizendo: Legião é o meu nome, porque somos muitos. 10E rogava-lhe muito que os não enviasse para fora daquela província. 11E andava ali pastando no monte uma grande manada de porcos. 12E todos aqueles demônios lhe rogaram, dizendo: Manda-nos para aqueles porcos, para que entremos neles. 13E Jesus logo lho permitiu. E, saindo aqueles espíritos imundos, entraram nos porcos; e a manada se precipitou por um despenhadeiro no mar (eram quase dois mil) e afogou-se no mar. 14E os que apascentavam os porcos fugiram e o anunciaram na cidade e nos campos; e saíram muitos a ver o que era aquilo que tinha acontecido.

15E foram ter com Jesus, e viram o endemoninhado, o que tivera a legião, assentado, vestido e em perfeito juízo, e temeram. 16E os que aquilo tinham visto contaram-lhes o que acontecera ao endemoninhado e acerca dos porcos. 17E começaram

5.17
Mt 8.34
a rogar-lhe que saísse do seu território. 18E, entrando ele no barco, rogava-lhe o que
5.18
Lc 8.38
fora endemoninhado que o deixasse estar com ele. 19Jesus, porém, não lho permitiu, mas disse-lhe: Vai para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes quão grandes coisas o Senhor te fez e como teve misericórdia de ti. 20E ele foi e começou a anunciar em Decápolis quão grandes coisas Jesus lhe fizera; e todos se maravilhavam.

A filha de Jairo. A mulher que tinha um fluxo de sangue

(Mt 9.18-26; Lc 8.40-56)

21E, passando Jesus outra vez num barco para o outro lado, ajuntou-se a ele uma grande multidão; e ele estava junto do mar. 22E eis que chegou

5.22
Mt 9.18
Lc 8.41
um dos principais da sinagoga, por nome Jairo, e, vendo-o, prostrou-se aos seus pés 23e rogava-lhe muito, dizendo: Minha filha está moribunda; rogo-te que venhas e lhe imponhas as mãos para que sare e viva. 24E foi com ele, e seguia-o uma grande multidão, que o apertava.

25E certa mulher,

5.25
Lv 15.25
Mt 9.20
que havia doze anos tinha um fluxo de sangue, 26e que havia padecido muito com muitos médicos, e despendido tudo quanto tinha, nada lhe aproveitando isso, antes indo a pior, 27ouvindo falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou na sua vestimenta. 28Porque dizia: Se tão somente tocar nas suas vestes, sararei. 29E logo se lhe secou a fonte do seu sangue, e sentiu no seu corpo estar curada daquele 5.29 ou flagelomal. 30E logo Jesus, conhecendo que a virtude de si mesmo saíra,
5.30
Lc 6.19
8.46
voltou-se para a multidão e disse: Quem tocou nas minhas vestes? 31E disseram-lhe os seus discípulos: Vês que a multidão te aperta, e dizes: Quem me tocou? 32E ele olhava em redor, para ver a que isso fizera. 33Então, a mulher, que sabia o que lhe tinha acontecido, temendo e tremendo, aproximou-se, e prostrou-se diante dele, e disse-lhe toda a verdade. 34E ele lhe disse:
5.34
Mt 9.22
Mc 10.52
At 14.9
Filha, a tua fé te salvou; vai em paz e sê curada deste teu mal.

35Estando ele ainda

5.35
Lc 8.49
falando, chegaram alguns do principal da sinagoga, a quem disseram: A tua filha está morta; para que enfadas mais o Mestre? 36E Jesus, tendo ouvido essas palavras, disse ao principal da sinagoga: Não temas, crê somente. 37E não permitiu que alguém o seguisse, a não ser Pedro, e Tiago, e João, irmão de Tiago. 38E, tendo chegado à casa do principal da sinagoga, viu o alvoroço e os que choravam muito e pranteavam. 39E, entrando, disse-lhes: Por que vos alvoroçais e chorais? A menina não está morta,
5.39
Jo 11.11
mas dorme. 40E riam-se dele; porém ele, tendo-os feito sair,
5.40
At 9.40
tomou consigo o pai e a mãe da menina e os que com ele estavam e entrou onde a menina estava deitada. 41E, tomando a mão da menina, disse-lhe: Talitá cumi, que, traduzido, é: Menina, a ti te digo: levanta-te. 42E logo a menina se levantou e andava, pois tinha doze anos; e assombraram-se com grande espanto. 43E mandou-lhes
5.43
Mt 8.4
9.30
12.16
17.9
Lc 5.14
expressamente que ninguém o soubesse; e disse que lhe dessem de comer.

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