Almeida Revista e Corrigida (2009) (ARC)
2

O paralítico de Cafarnaum

(Mt 9.1-8; Lc 5.18-36)

21E, alguns

2.1
Lc 5.18
dias depois, entrou outra vez em Cafarnaum, e soube-se que estava em casa. 2E logo se ajuntaram tantos, que nem ainda nos lugares junto à porta eles cabiam; e anunciava-lhes a palavra. 3E vieram ter com ele, conduzindo um paralítico, trazido por quatro. 4E, não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o telhado onde estava e, fazendo um buraco, baixaram o leito em que jazia o paralítico. 5E Jesus, vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: Filho, perdoados estão os teus pecados. 6E estavam ali assentados alguns dos escribas, que arrazoavam em seu coração, dizendo: 7Por que diz este assim blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, senão Deus? 8E Jesus,
2.8
Jó 14.4
Is 42.25
conhecendo logo em seu espírito que assim arrazoavam entre si, lhes disse: Por que arrazoais sobre estas coisas em vosso coração? 9Qual é mais fácil?
2.9
Mt 9.4
Dizer ao paralítico:
2.9
Mt 9.5
Estão perdoados os teus pecados, ou dizer-lhe: Levanta-te, e toma o teu leito, e anda? 10Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder para perdoar pecados (disse ao paralítico), 11a ti te digo: Levanta-te, e toma o teu leito, e vai para tua casa. 12E levantou-se e, tomando logo o leito, saiu em presença de todos, de sorte que todos se admiraram e glorificaram a Deus, dizendo: Nunca tal vimos.

A vocação de Levi

(Mt 9.9-13; Lc 5.27-32)

13E tornou a sair para o mar, e toda a multidão ia ter com ele, e ele os ensinava. 14E, passando,

2.14
Mt 9.9
Lc 5.27
viu Levi, filho de Alfeu, sentado na 2.14 ou recebedoriaalfândega e disse-lhe: Segue-me. E, levantando-se, o seguiu.

15E aconteceu

2.15
Mt 9.10
que, estando sentado à mesa em casa deste, também estavam sentados à mesa com Jesus e com seus discípulos muitos publicanos e pecadores, porque eram muitos e o tinham seguido. 16E os escribas e fariseus, vendo-o comer com os publicanos e pecadores, disseram aos seus discípulos: Por que come e bebe ele com os publicanos e pecadores? 17E Jesus, tendo ouvido isso, disse-lhes:
2.17
Mt 9.12-13
18.11
Dt 5.31-32
19.10
1Tm 1.15
Os sãos não necessitam de médico, mas sim os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores.

O jejum

(Mt 9.14-17; Lc 5.33-39)

18Ora, os discípulos de

2.18
Lc 5.33
João e os fariseus jejuavam; e foram e disseram-lhe: Por que jejuam os discípulos de João e os dos fariseus, e não jejuam os teus discípulos? 19E Jesus disse-lhes: Podem, porventura, os filhos 2.19 Gr. da câmara nupcialdas bodas jejuar, enquanto está com eles o esposo? Enquanto têm consigo o esposo, não podem jejuar. 20Mas dias virão em que lhes será tirado o esposo, e então jejuarão naqueles dias. 21Ninguém costura remendo de pano novo em veste velha; porque o mesmo remendo novo rompe o velho, e a rotura fica maior. 22E ninguém põe vinho novo em odres velhos; do contrário, o vinho novo rompe os odres, e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; o vinho novo deve ser posto em odres novos.

Jesus é senhor do sábado

(Mt 12.1-8; Lc 6.1-5)

23E

2.23
Lc 6.1
aconteceu que, passando ele num sábado pelas searas, os seus discípulos, caminhando,
2.23
Dt 23.25
começaram a colher espigas. 24E os fariseus lhe disseram: Vês? Por que fazem no sábado o que não é lícito? 25Mas ele disse-lhes:
2.25
1Sm 21.6
Nunca lestes o que fez Davi, quando estava em necessidade e teve fome, ele e os que com ele estavam? 26Como entrou na Casa de Deus, no tempo de Abiatar, sumo sacerdote, e comeu
2.26
Êx 29.32-33
Lv 24.9
1Sm 21.6
os pães da proposição, dos quais não era lícito comer senão aos sacerdotes, dando também aos que com ele estavam? 27E disse-lhes: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem, por causa do sábado. 28Assim,
2.28
Mt 12.8
o Filho do Homem até do sábado é senhor.

3

A cura de um que tinha uma das mãos mirrada

(Mt 12.9-21; Lc 6.6-11)

31E outra vez entrou

3.1
Lc 6.6
na sinagoga, e estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada. 2E estavam observando-o se curaria no sábado, para o acusarem. 3E disse ao homem que tinha a mão mirrada: Levanta-te e vem para o meio. 4E perguntou-lhes: É lícito no sábado fazer bem ou fazer mal? Salvar a vida ou matar? E eles calaram-se. 5E, olhando para eles em redor com indignação, condoendo-se da dureza do seu coração, disse ao homem: Estende a mão. E ele a estendeu, e foi-lhe restituída a mão, sã como a outra. 6E, tendo saído
3.6
Mt 12.14
os fariseus, tomaram logo conselho com os herodianos contra ele,
3.6
Mt 22.16
procurando ver como o matariam.

7E retirou-se Jesus com os seus discípulos para o mar, e seguia-o uma grande multidão da Galileia,

3.7
Lc 6.17
e da Judeia, 8e de Jerusalém, e da Idumeia, e dalém do Jordão, e de perto de Tiro, e de Sidom; uma grande multidão que, ouvindo quão grandes coisas fazia, vinha ter com ele. 9E ele disse aos seus discípulos que lhe tivessem sempre pronto um barquinho junto dele, por causa da multidão, para que o não comprimisse, 10porque tinha curado a muitos, de tal maneira que todos quantos tinham algum 3.10 ou flagelomal se arrojavam sobre ele, para lhe tocarem. 11E os espíritos
3.11
Mc 1.23-24
Lc 4.41
Mt 14.33
imundos, vendo-o, prostravam-se diante dele e clamavam, dizendo: Tu és
3.11
Mt 12.16
Mc 1.25,34
o Filho de Deus. 12E ele os ameaçava muito, para que não o manifestassem.

A eleição dos doze

(Mt 10.1-4; Lc 6.12-16)

13E subiu ao

3.13
Lc 6.12
9.1
monte e chamou para si os que ele quis; e vieram a ele. 14E nomeou doze para que estivessem com ele e os mandasse a pregar 15e para que tivessem o poder de curar as enfermidades e expulsar os demônios: 16Simão,
3.16
Jo 1.42
a quem pôs o nome de Pedro; 17Tiago, filho de Zebedeu, e João, irmão de Tiago, aos quais pôs o nome de Boanerges, que significa: Filhos do trovão; 18André, e Filipe, e Bartolomeu, e Mateus, e Tomé, e Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu, e Simão, o Zelote, 19e Judas Iscariotes, o que o traiu.

A blasfêmia dos escribas

(Mt 12.22-32; Lc 11.14-23)

20E foram para uma casa. E afluiu outra vez a multidão,

3.20
Mc 6.31
de tal maneira que nem sequer podiam comer pão. 21E, quando os seus parentes ouviram isso, saíram para o prender,
3.21
Jo 7.5
10.20
porque diziam: Está fora de si. 22E os escribas, que tinham descido de Jerusalém, diziam:
3.22
Mt 9.34
Lc 11.15
Jo 7.20
8.48
Tem Belzebu e pelo príncipe dos demônios expulsa os demônios. 23E, chamando-os a si,
3.23
Mt 12.25
disse-lhes por parábolas: Como pode Satanás expulsar Satanás? 24Se um reino se dividir contra si mesmo, tal reino não pode subsistir; 25e se uma casa se dividir contra si mesma, tal casa não pode subsistir. 26Se Satanás se levantar contra si mesmo, e for dividido, não pode subsistir; antes, tem fim. 27Ninguém
3.27
Is 49.24
Mt 12.29
pode roubar os bens do valente, entrando-lhe em sua casa, se primeiro não manietar o valente; e, então, roubará a sua casa. 28Na verdade vos digo que
3.28
Mt 12.31
Lc 12.10
1Jo 5.16
todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens, e toda sorte de blasfêmias, com que blasfemarem. 29Qualquer, porém, que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca obterá perdão, 3.29 Gr. mas é réu de um eterno pecadomas será réu do eterno juízo. 30(Porque diziam: Tem espírito imundo.)

A família de Jesus

(Mt 12.46-50; Lc 8.19-21)

31Chegaram, então, seus irmãos e sua mãe;

3.31
Lc 8.19
e, estando de fora, mandaram-no chamar. 32E a multidão estava assentada ao redor dele, e disseram-lhe: Eis que tua mãe e teus irmãos te procuram e estão lá fora. 33E ele lhes respondeu, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos? 34E, olhando em redor para os que estavam assentados junto dele disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos. 35Porquanto qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, e minha irmã, e minha mãe.

4

A parábola do semeador

(Mt 13.1-23; Lc 8.4-15)

41E outra vez começou a

4.1
Lc 8.4
ensinar junto ao mar, e ajuntou-se a ele grande multidão; de sorte que ele entrou e assentou-se num barco, sobre o mar; e toda a multidão estava em terra junto ao mar. 2E ensinava-lhes
4.2
Mc 12.38
muitas coisas por parábolas e lhes dizia na sua doutrina: 3Ouvi: Eis que saiu o semeador a semear. 4E aconteceu que, semeando ele, uma parte da semente caiu junto ao caminho, e vieram as aves do céu e a comeram. 5E outra caiu sobre pedregais, onde não havia muita terra, e nasceu logo, porque não tinha terra profunda. 6Mas, saindo o sol, queimou-se e, porque não tinha raiz, secou-se. 7E outra caiu entre espinhos, e, crescendo os espinhos, a sufocaram, e não deu fruto. 8E outra caiu em boa
4.8
Jo 15.5
Cl 1.6
terra e deu fruto, que vingou e cresceu; e um produziu trinta, outro, sessenta, e outro, cem. 9E disse-lhes: Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça.

10E, quando

4.10
Mt 13.10
Lc 8.9
se achou só, os que estavam junto dele com os doze interrogaram-no acerca da parábola. 11E ele disse-lhes: A vós vos é dado saber os mistérios do Reino de Deus, mas aos que estão de fora
4.11
1Co 5.12
Cl 4.5
1Ts 4.11
1Tm 3.7
todas essas coisas se dizem por parábolas, 12para que, vendo,
4.12
Is 6.9
Mt 13.14
Lc 8.10
Jo 12.40
At 28.26
Rm 11.8
vejam e não percebam; e, ouvindo, ouçam e não entendam, para que se não convertam, e lhes sejam perdoados os pecados. 13E disse-lhes: Não percebeis esta parábola? Como, pois, entendereis todas as parábolas? 14O que semeia
4.14
Mt 13.19
semeia a palavra; 15e os que estão junto ao caminho são aqueles em quem a palavra é semeada; mas, tendo eles a ouvido, vem logo Satanás e tira a palavra que foi semeada no coração deles. 16E da mesma sorte os que recebem a semente sobre pedregais, que, ouvindo a palavra, logo com prazer a recebem; 17mas não têm raiz em si mesmos; antes, são temporãos; depois, sobrevindo tribulação ou perseguição por causa da palavra, logo se escandalizam. 18E os outros são os que recebem a semente entre espinhos, os quais ouvem a palavra; 19mas os cuidados deste mundo, e os enganos das
4.19
1Tm 6.9,17
riquezas, e as ambições de outras coisas, entrando, sufocam a palavra, e fica infrutífera. 20E os que recebem a semente em boa terra são os que ouvem a palavra, e a recebem, e dão fruto, um, a trinta, outro, a sessenta, e outro, a cem, por um.

A parábola da candeia

(Lc 8.16-18)

21E disse-lhes:

4.21
Mt 5.15
Vem, porventura, a candeia para ser posta debaixo do cesto ou debaixo da cama? Não vem, antes, para se colocar no velador? 22Porque nada há
4.22
Mt 10.26
Lc 12.2
encoberto que não haja de ser manifesto; e nada se faz para ficar oculto, mas para ser descoberto. 23Se alguém tem ouvidos
4.23
Mt 11.15
4.9
para ouvir, que ouça. 24E disse-lhes: Atendei ao que ides ouvir.
4.24
Mt 7.2
Lc 6.38
Com a medida com que medirdes vos medirão a vós, e ser-vos-á ainda acrescentada. 25Porque ao que
4.25
Mt 13.12
25.29
Lc 8.18
19.26
tem, ser-lhe-á dado; e, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.

A parábola da semente

26E dizia:

4.26
Mt 13.24
O Reino de Deus é assim como se um homem lançasse semente à terra, 27e dormisse, e se levantasse de noite ou de dia, e a semente brotasse e crescesse, não sabendo ele como. 28Porque a terra por si mesma frutifica; primeiro, a erva, depois, a espiga, e, por último, o grão cheio na espiga. 29E, quando o fruto se mostra, mete-lhe logo a
4.29
Ap 14.15
foice, porque está chegada a ceifa.

A parábola do grão de mostarda

(Mt 13.31-32; Lc 13.18-19)

30E dizia:

4.30
Lc 13.18
At 2.41
4.4
5.14
19.20
A que assemelharemos o Reino de Deus? Ou com que parábola o representaremos? 31É como um grão de mostarda, que, quando se semeia na terra, é a menor de todas as sementes que há na terra; 32mas, tendo sido semeado, cresce, e faz-se a maior de todas as hortaliças, e cria grandes ramos, de tal maneira que as aves do céu podem aninhar-se debaixo da sua sombra.

33E com muitas parábolas tais lhes dirigia a palavra,

4.33
Mt 13.34
Jo 16.12
segundo o que podiam compreender. 34E sem parábolas nunca lhes falava, porém tudo declarava em particular aos seus discípulos.

Jesus apazigua a tempestade

(Mt 8.23-27; Lc 8.22-25)

35E, naquele dia,

4.35
Lc 8.22
sendo já tarde, disse-lhes: Passemos para a outra margem. 36E eles, deixando a multidão, o levaram consigo, assim como estava, no barco; e havia também com ele outros barquinhos. 37E levantou-se grande temporal de vento, e subiam as ondas por cima do barco, de maneira que já se enchia de água. 38E ele estava na popa dormindo sobre uma almofada; e despertaram-no, dizendo-lhe: Mestre, não te importa que pereçamos? 39E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Cala-te, aquieta-te. E o vento se aquietou, e houve grande bonança. 40E disse-lhes: Por que sois tão tímidos? Ainda não tendes fé? 41E sentiram um grande temor e diziam uns aos outros: Mas quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?