Almeida Revista e Corrigida (2009) (ARC)
20

A parábola dos trabalhadores na vinha

201Porque o Reino dos céus é semelhante a um homem, pai de família, que saiu de madrugada a assalariar trabalhadores para a sua vinha. 2E, ajustando com os trabalhadores a um dinheiro por dia, mandou-os para a sua vinha. 3E, saindo perto da hora terceira, viu outros que estavam ociosos na praça. 4E disse-lhes: Ide vós também para a vinha, e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram. 5Saindo outra vez, perto da hora sexta e nona, fez o mesmo. 6E, saindo perto da hora undécima, encontrou outros que estavam ociosos e perguntou-lhes: Por que estais ociosos todo o dia? 7Disseram-lhe eles: Porque ninguém nos assalariou. Diz-lhes ele: Ide vós também para a vinha e recebereis o que for justo. 8E, aproximando-se a noite, diz o senhor da vinha ao seu mordomo: Chama os trabalhadores, e paga-lhes o salário, começando pelos derradeiros até aos primeiros. 9E, chegando os que tinham ido perto da hora undécima, receberam um dinheiro cada um; 10vindo, porém, os primeiros, cuidaram que haviam de receber mais; mas, do mesmo modo, receberam um dinheiro cada um. 11E, recebendo-o, murmuravam contra o pai de família, 12dizendo: Estes derradeiros trabalharam uma hora, e tu os igualaste conosco, que suportamos a fadiga e a calma do dia. 13Mas ele, respondendo, disse a um deles: Amigo, não te faço injustiça; não ajustaste tu comigo um dinheiro? 14Toma o que é teu e retira-te; eu quero dar a este derradeiro tanto como a ti. 15Ou não me é lícito fazer o que quiser do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom? 16Assim, os derradeiros serão primeiros, e os primeiros, derradeiros, porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos.

O pedido dos filhos de Zebedeu

(Mc 10.32-45; Lc 18.31-34)

17E, subindo Jesus a Jerusalém, chamou à parte os seus doze discípulos e, no caminho, disse-lhes: 18Eis que vamos para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes e aos escribas, e condená-lo-ão à morte. 19E o entregarão aos gentios para que dele escarneçam, e o açoitem, e crucifiquem, e ao terceiro dia ressuscitará.

20Então, se aproximou dele a mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, adorando-o e fazendo-lhe um pedido. 21E ele diz-lhe: Que queres? Ela respondeu: Dize que estes meus dois filhos se assentem um à tua direita e outro à tua esquerda, no teu Reino. 22Jesus, porém, respondendo, disse: Não sabeis o que pedis; podeis vós beber o cálice que eu hei de beber e ser batizados com o batismo com que eu sou batizado? Dizem-lhe eles: Podemos. 23E diz-lhes ele: Na verdade bebereis o meu cálice, mas o assentar-se à minha direita ou à minha esquerda não me pertence dá-lo, mas é para aqueles para quem meu Pai o tem preparado. 24E, quando os dez ouviram isso, indignaram-se contra os dois irmãos. 25Então, Jesus, chamando-os para junto de si, disse: Bem sabeis que pelos príncipes dos gentios são estes dominados e que os grandes exercem autoridade sobre eles. 26Não será assim entre vós; mas todo aquele que quiser, entre vós, fazer-se grande, que seja vosso serviçal; 27e qualquer que, entre vós, quiser ser o primeiro, que seja vosso servo, 28bem como o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e para dar a sua vida em resgate de muitos.

Os dois cegos de Jericó

(Mc 10.46-52; Lc 18.35-43)

29E, saindo eles de Jericó, seguiu-o grande multidão. 30E eis que dois cegos, assentados junto do caminho, ouvindo que Jesus passava, clamaram, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de nós. 31E a multidão os repreendia, para que se calassem; eles, porém, cada vez clamavam mais, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de nós. 32E Jesus, parando, chamou-os e disse: Que quereis que vos faça? 33Disseram-lhe eles: Senhor, que os nossos olhos sejam abertos. 34Então, Jesus, movido de íntima compaixão, tocou-lhes nos olhos, e logo viram; e eles o seguiram.

21

A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém

(Mc 11.1-11; Lc 19.29-38)

211E, quando se aproximaram de Jerusalém e chegaram a Betfagé, ao monte das Oliveiras, enviou, então, Jesus dois discípulos, dizendo-lhes: 2Ide à aldeia que está defronte de vós e logo encontrareis uma jumenta presa e um jumentinho com ela; desprendei-a e trazei-mos. 3E, se alguém vos disser alguma coisa, direis que o Senhor precisa deles; e logo os enviará. 4Ora, tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta, que diz: 5Dizei à filha de Sião: Eis que o teu Rei aí te vem, humilde e assentado sobre uma jumenta e sobre um jumentinho, filho de animal de carga. 6E, indo os discípulos e fazendo como Jesus lhes ordenara, 7trouxeram a jumenta e o jumentinho, e sobre eles puseram as suas vestes, e fizeram-no assentar em cima. 8E muitíssima gente estendia as suas vestes pelo caminho, e outros cortavam ramos de árvores e os espalhavam pelo caminho. 9E as multidões, tanto as que iam adiante como as que o seguiam, clamavam, dizendo: Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas! 10E, entrando ele em Jerusalém, toda a cidade se alvoroçou, dizendo: Quem é este? 11E a multidão dizia: Este é Jesus, o Profeta de Nazaré da Galileia.

A purificação do templo

(Mc 11.15-18; Lc 19.45-48)

12E entrou Jesus no templo de Deus, e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. 13E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração. Mas vós a tendes convertido em covil de ladrões.

14E foram ter com ele ao templo cegos e coxos, e curou-os. 15Vendo, então, os principais dos sacerdotes e os escribas as maravilhas que fazia e os meninos clamando no templo: Hosana ao Filho de Davi, indignaram-se 16e disseram-lhe: Ouves o que estes dizem? E Jesus lhes disse: Sim; nunca lestes: Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o perfeito louvor? 17E, deixando-os, saiu da cidade para Betânia e ali passou a noite.

A figueira seca

(Mc 11.12-14,19-24)

18E, de manhã, voltando para a cidade, teve fome. 19E, avistando uma figueira perto do caminho, dirigiu-se a ela e não achou nela senão folhas. E disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti. E a figueira secou imediatamente. 20E os discípulos, vendo isso, maravilharam-se, dizendo: Como secou imediatamente a figueira? 21Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Em verdade vos digo que, se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que foi feito à figueira, mas até, se a este monte disserdes: Ergue-te e precipita-te no mar, assim será feito. 22E tudo o que pedirdes na oração, crendo, o recebereis.

O batismo de João

(Mc 11.27-33; Lc 20.1-8)

23E, chegando ao templo, acercaram-se dele, estando ensinando, os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo, dizendo: Com que autoridade fazes isso? E quem te deu tal autoridade? 24E Jesus, respondendo, disse-lhes: Eu também vos perguntarei uma coisa; se ma disserdes, também eu vos direi com que autoridade faço isso. 25O batismo de João donde era? Do céu ou dos homens? E pensavam entre si, dizendo: Se dissermos: do céu, ele nos dirá: Então, por que não o crestes? 26E, se dissermos: dos homens, tememos o povo, porque todos consideram João como profeta. 27E, respondendo a Jesus, disseram: Não sabemos. Ele disse-lhes: Nem eu vos digo com que autoridade faço isso.

A parábola dos dois filhos

28Mas que vos parece? Um homem tinha dois filhos e, dirigindo-se ao primeiro, disse: Filho, vai trabalhar hoje na minha vinha. 29Ele, porém, respondendo, disse: Não quero. Mas, depois, arrependendo-se, foi. 30E, dirigindo-se ao segundo, falou-lhe de igual modo; e, respondendo ele, disse: Eu vou, senhor; e não foi. 31Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram-lhe eles: O primeiro. Disse-lhes Jesus: Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entram adiante de vós no Reino de Deus. 32Porque João veio a vós no caminho de justiça, e não o crestes, mas os publicanos e as meretrizes o creram; vós, porém, vendo isso, nem depois vos arrependestes para o crer.

A parábola dos lavradores maus

(Mc 12.1-12; Lc 20.9-18)

33Ouvi, ainda, outra parábola: Houve um homem, pai de família, que plantou uma vinha, e circundou-a de um valado, e construiu nela um lagar, e edificou uma torre, e arrendou-a a uns lavradores, e ausentou-se para longe. 34E, chegando o tempo dos frutos, enviou os seus servos aos lavradores, para receber os seus frutos. 35E os lavradores, apoderando-se dos servos, feriram um, mataram outro e apedrejaram outro. 36Depois, enviou outros servos, em maior número do que os primeiros; e eles fizeram-lhes o mesmo. 37E, por último, enviou-lhes seu filho, dizendo: Terão respeito a meu filho. 38Mas os lavradores, vendo o filho, disseram entre si: Este é o herdeiro; vinde, matemo-lo e apoderemo-nos da sua herança. 39E, lançando mão dele, o arrastaram para fora da vinha e o mataram. 40Quando, pois, vier o Senhor da vinha, que fará àqueles lavradores? 41Dizem-lhe eles: Dará afrontosa morte aos maus e arrendará a vinha a outros lavradores, que, a seu tempo, lhe deem os frutos.

42Diz-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os edificadores rejeitaram, essa foi posta por cabeça do ângulo; pelo Senhor foi feito isso e é maravilhoso aos nossos olhos? 43Portanto, eu vos digo que o Reino de Deus vos será tirado e será dado a uma nação que dê os seus frutos. 44E quem cair sobre esta pedra despedaçar-se-á; e aquele sobre quem ela cair ficará reduzido a pó.

45E os príncipes dos sacerdotes e os fariseus, ouvindo essas palavras, entenderam que falava deles; 46e, pretendendo prendê-lo, recearam o povo, porquanto o tinham por profeta.

22

A parábola das bodas

(Lc 14.15-24)

221Então, Jesus, tomando a palavra, tornou a falar-lhes em parábolas, dizendo: 2O Reino dos céus é semelhante a um certo rei que celebrou as bodas de seu filho. 3E enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas; e estes não quiseram vir. 4Depois, enviou outros servos, dizendo: Dizei aos convidados: Eis que tenho o meu jantar preparado, os meus bois e cevados mortos, e tudo pronto; vinde às bodas. 5Porém eles, não fazendo caso, foram, um para o seu campo, e outro para o seu negócio; 6e, os outros, apoderando-se dos servos, os ultrajaram e mataram. 7E o rei, tendo notícias disso, encolerizou-se, e, enviando os seus exércitos, destruiu aqueles homicidas, e incendiou a sua cidade. 8Então, disse aos servos: As bodas, na verdade, estão preparadas, mas os convidados não eram dignos. 9Ide, pois, às saídas dos caminhos e convidai para as bodas a todos os que encontrardes. 10E os servos, saindo pelos caminhos, ajuntaram todos quantos encontraram, tanto maus como bons; e a festa nupcial ficou cheia de convidados. 11E o rei, entrando para ver os convidados, viu ali um homem que não estava trajado com veste nupcial. 12E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo veste nupcial? E ele emudeceu. 13Disse, então, o rei aos servos: Amarrai-o de pés e mãos, levai-o e lançai-o nas trevas exteriores; ali, haverá pranto e ranger de dentes. 14Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos.

A questão do tributo

(Mc 12.13-17; Lc 20.20-26)

15Então, retirando-se os fariseus, consultaram entre si como o surpreenderiam em alguma palavra. 16E enviaram-lhe os seus discípulos, com os herodianos, dizendo: Mestre, bem sabemos que és verdadeiro e ensinas o caminho de Deus, segundo a verdade, sem te importares com quem quer que seja, porque não olhas à aparência dos homens. 17Dize-nos, pois, que te parece: é lícito pagar o tributo a César ou não? 18Jesus, porém, conhecendo a sua malícia, disse: Por que me experimentais, hipócritas? 19Mostrai-me a moeda do tributo. E eles lhe apresentaram um dinheiro. 20E ele disse-lhes: De quem é esta efígie e esta inscrição? 21Disseram-lhe eles: De César. Então, ele lhes disse: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus. 22E eles, ouvindo isso, maravilharam-se e, deixando-o, se retiraram.

23No mesmo dia, chegaram junto dele os saduceus, que dizem não haver ressurreição, e o interrogaram, 24dizendo: Mestre, Moisés disse: Se morrer alguém, não tendo filhos, casará o seu irmão com a mulher dele e suscitará descendência a seu irmão. 25Ora, houve entre nós sete irmãos; o primeiro, tendo casado, morreu e, não tendo descendência, deixou sua mulher a seu irmão. 26Da mesma sorte, o segundo, e o terceiro, até ao sétimo; 27por fim, depois de todos, morreu também a mulher. 28Portanto, na ressurreição, de qual dos sete será a mulher, visto que todos a possuíram? 29Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus. 30Porque, na ressurreição, nem casam, nem são dados em casamento; mas serão como os anjos no céu. 31E, acerca da ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou, dizendo: 32Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó? Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos. 33E, as turbas, ouvindo isso, ficaram maravilhadas da sua doutrina.

O grande mandamento

(Mc 12.28-34; Lc 10.25-27)

34E os fariseus, ouvindo que ele fizera emudecer os saduceus, reuniram-se no mesmo lugar. 35E um deles, doutor da lei, interrogou-o para o experimentar, dizendo: 36Mestre, qual é o grande mandamento da lei? 37E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. 38Este é o primeiro e grande mandamento. 39E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. 40Desses dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.

Cristo, o Filho de Davi

(Mc 12.35-37; Lc 20.41-44)

41E, estando reunidos os fariseus, interrogou-os Jesus, 42dizendo: Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Eles disseram-lhe: De Davi. 43Disse-lhes ele: Como é, então, que Davi, em espírito, lhe chama Senhor, dizendo: 44Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés. 45Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é seu filho? 46E ninguém podia responder-lhe uma palavra, nem, desde aquele dia, ousou mais alguém interrogá-lo.