Almeida Revista e Corrigida (2009) (ARC)
12

Jesus é Senhor do sábado

(Mc 2.23-28; Lc 6.1-5)

121Naquele tempo, passou Jesus pelas searas, em um sábado; e os seus discípulos, tendo fome, começaram a colher espigas e a comer. 2E os fariseus, vendo isso, disseram-lhe: Eis que os teus discípulos fazem o que não é lícito fazer num sábado. 3Ele, porém, lhes disse: Não tendes lido o que fez Davi,

12.3
1Sm 21.6
quando teve fome, ele e os que com ele estavam? 4Como entrou na Casa de Deus e comeu os pães da proposição,
12.4
Êx 25.30
29.32-33
Lv 24.5
8.31
24.9
que não lhe era lícito comer, nem aos que com ele estavam, mas só aos sacerdotes? 5Ou não tendes lido na lei
12.5
Nm 28.9
Jo 7.22
que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado e ficam sem culpa? 6Pois eu vos digo que está aqui
12.6
2Cr 6.18
Ml 3.1
quem é maior do que o templo. 7Mas, se vós soubésseis o que significa:
12.7
Os 6.6
Mq 6.6-8
Mt 9.13
Misericórdia quero e não sacrifício, não condenaríeis os inocentes. 8Porque o Filho do Homem até do sábado é Senhor.

A cura do homem que tinha uma das mãos mirrada

(Mc 3.1-6; Lc 6.6-11)

9E, partindo dali, chegou à sinagoga deles. 10E estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada; e eles,

12.10
Lc 13.14
14.3
Jo 9.16
para acusarem Jesus, o interrogaram, dizendo: É lícito curar nos sábados? 11E ele lhes disse: Qual dentre vós será o homem que, tendo uma ovelha,
12.11
Êx 23.4-5
Dt 22.4
se num sábado ela cair numa cova, não lançará mão dela e a levantará? 12Pois quanto mais vale um homem do que uma ovelha? É, por consequência, lícito fazer bem nos sábados. 13Então disse àquele homem: Estende a mão. E ele a estendeu, e ficou sã como a outra. 14E os fariseus,
12.14
Mt 27.1
Mc 3.6
Lc 6.11
Jo 5.18
10.39
tendo saído, formaram conselho contra ele, para o matarem.

15Jesus, sabendo isso,

12.15
Mt 10.23
Mc 3.7
retirou-se dali, e acompanhou-o uma grande multidão de gente, e ele curou a todos. 16E
12.16
Mt 9.30
recomendava-lhes rigorosamente que o não descobrissem, 17para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías, que diz: 18Eis aqui o meu servo
12.18
Is 42.1
Mt 3.17
17.5
que escolhi, o meu amado, em quem a minha alma se compraz; porei sobre ele o meu Espírito, e anunciará 12.18 ou às naçõesaos gentios o juízo. 19Não contenderá, nem clamará, nem alguém ouvirá pelas ruas a sua voz; 20não esmagará a cana quebrada e não apagará o morrão que fumega, até que faça triunfar o juízo. 21E, no seu nome, os gentios esperarão.

A blasfêmia dos fariseus

(Lc 11.14-23)

22Trouxeram-lhe, então, um endemoninhado cego e mudo;

12.22
Mt 9.32
Mc 3.11
e, de tal modo o curou, que o cego e mudo falava e via. 23E toda a multidão se admirava e dizia: Não é este o Filho de Davi? 24Mas
12.24
Mt 9.34
Mc 3.22
Lc 11.15
os fariseus, ouvindo isso, diziam: Este não expulsa os demônios senão por Belzebu, príncipe dos demônios. 25Jesus, porém, conhecendo os seus pensamentos,
12.25
Mt 9.4
Jo 2.25
Ap 2.23
disse-lhes: Todo reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá. 26E, se Satanás expulsa a Satanás, está dividido contra si mesmo; como subsistirá, pois, o seu reino? 27E, se eu expulso os demônios por Belzebu, por quem os expulsam, então, os vossos filhos? Portanto, eles mesmos serão os vossos juízes. 28Mas, se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus,
12.28
Dn 2.44
7.14
Lc 1.33
11.20
17.20-21
é conseguintemente chegado a vós o Reino de Deus. 29Ou como pode alguém entrar em casa do homem valente
12.29
Is 49.24
Lc 11.21-23
e furtar os seus bens, se primeiro não manietar o valente, saqueando, então, a sua casa? 30Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha. 31Portanto, eu vos digo:
12.31
Mc 3.28
Lc 12.10
Hb 6.4,10
1Jo 5.16
At 7.51
todo pecado e blasfêmia se perdoará aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada aos homens. 32E, se qualquer disser
12.32
Mt 11.19
Jo 7.12,52
1Tm 1.13
alguma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á perdoado, mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro.

Árvores e seus frutos

(Lc 6.43-44)

33Ou dizeis que a árvore é boa e o seu fruto, bom, ou dizeis que a árvore é má e o seu fruto, mau; porque pelo fruto se conhece a árvore. 34Raça de víboras,

12.34
Mt 3.7
23.33
Lc 6.45
como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca. 35O homem bom tira boas coisas do seu bom tesouro, e o homem mau do mau tesouro tira coisas más. 36Mas eu vos digo que de toda palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no Dia do Juízo. 37Porque por tuas palavras serás justificado e por tuas palavras serás condenado.

O milagre de Jonas

(Lc 11.16,19-32)

38Então,

12.38
Mc 8.11
Jo 2.18
1Co 1.22
alguns dos escribas e dos fariseus tomaram a palavra, dizendo: Mestre, quiséramos ver da tua parte algum sinal. 39Mas ele lhes respondeu e disse:
12.39
Is 57.3
Mt 16.4
Mc 8.38
Jo 4.8
Uma geração má e adúltera pede um sinal, porém não se lhe dará outro sinal, senão o do profeta Jonas, 40pois,
12.40
Jn 2.1
como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do Homem três dias e três noites no seio da terra. 41Os
12.41
Lc 11.32
ninivitas ressurgirão no Juízo com esta geração e a condenarão,
12.41
Jr 3.11
Ez 16.51
Rm 2.27
Jn 3.5
porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E eis que está aqui quem é mais do que Jonas. 42A Rainha do Sul
12.42
1Rs 10.1
2Cr 9.1
Lc 11.31
se levantará no Dia do Juízo com esta geração e a condenará, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis que está aqui quem é mais do que Salomão.

43E, quando

12.43
Lc 11.24
o espírito imundo tem saído do homem,
12.43
Jó 1.7
1Pe 5.8
anda por lugares áridos, buscando repouso, e não o encontra. 44Então, diz: Voltarei para a minha casa, donde saí. E, voltando, acha-a desocupada, varrida e adornada. 45Então, vai e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele, e, entrando, habitam ali;
12.45
Hb 6.4
10.26
2Pe 2.20-22
e são os últimos atos desse homem piores do que os primeiros. Assim acontecerá também a esta geração má.

A família de Jesus

(Mc 3.31-35; Lc 8.19-21)

46E, falando ele ainda à multidão, eis que

12.46
Mc 6.3
Jo 2.12
estavam fora sua mãe e seus irmãos, pretendendo falar-lhe. 47E disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, que querem falar-te. 48Porém ele, respondendo, disse ao que lhe falara: Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos? 49E, estendendo a mão para os seus discípulos, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos; 50porque
12.50
Jo 15.14
Gl 5.6
Cl 3.11
Hb 2.11
qualquer que fizer a vontade de meu Pai, que está nos céus, este é meu irmão, e irmã, e mãe.

13

A parábola do semeador

(Mc 4.1; Lc 8.4-15)

131Tendo Jesus saído de casa naquele dia, estava assentado junto ao mar. 2E ajuntou-se muita gente ao pé dele, de sorte que, entrando num barco, se assentou; e toda a multidão estava em pé na praia. 3E falou-lhe de muitas coisas por parábolas, dizendo:

13.3
Lc 8.5
Eis que o semeador saiu a semear. 4E, quando semeava, uma parte da semente caiu ao pé do caminho, e vieram as aves e comeram-na; 5e outra parte caiu em pedregais, onde não havia terra bastante, e logo nasceu, porque não tinha terra funda. 6Mas, vindo o sol, queimou-se e secou-se, porque não tinha raiz. 7E outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram e sufocaram-na. 8E outra caiu em boa terra e deu fruto:
13.8
Gn 26.12
um, a cem, outro, a sessenta, e outro, a trinta. 9Quem tem ouvidos para ouvir, que
13.9
Mt 11.15
Mc 4.9
ouça.

10E, acercando-se dele os discípulos, disseram-lhe: Por que lhes falas por parábolas? 11Ele, respondendo, disse-lhes: Porque

13.11
Mt 11.25
16.17
a vós é dado conhecer os mistérios do Reino dos céus, mas a eles não lhes é dado; 12porque àquele que tem
13.12
Mt 25.29
Mc 4.25
Lc 8.18
19.26
se dará, e terá em abundância; mas aquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado. 13Por isso, lhes falo por parábolas, porque eles, vendo, não veem; e, ouvindo, não ouvem, nem compreendem. 14E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz:
13.14
Is 6.9
Ez 12.2
Lc 8.10
Jo 12.40
At 28.26-27
Rm 11.8
2Co 3.10
Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis e, vendo, vereis, mas não percebereis. 15Porque o coração deste povo está endurecido,
13.15
Hb 5.11
e ouviu de mau grado com seus ouvidos e fechou os olhos, para que não veja com os olhos, e ouça com os ouvidos, e compreenda com o coração, e se converta, e eu o cure. 16Mas bem-aventurados os vossos olhos, porque veem,
13.16
Mt 16.17
Lc 10.23
Jo 20.29
e os vossos ouvidos, porque ouvem. 17Porque em verdade vos digo
13.17
Hb 11.13
1Pe 1.10
que muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes e não o viram, e ouvir o que vós ouvis, e não o ouviram.

18Escutai

13.18
Mc 4.14
Lc 8.11
vós, pois, a parábola do semeador. 19Ouvindo alguém a palavra do Reino
13.19
Mt 4.23
e não a entendendo, vem o maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado ao pé do caminho; 20porém o que foi semeado em pedregais é o que ouve a palavra
13.20
Is 58.2
Ez 33.31
Jo 5.35
e logo a recebe com alegria; 21mas não tem raiz em si mesmo; antes, é de pouca duração; e, chegada a angústia e a perseguição por causa da palavra,
13.21
Mt 11.6
2Tm 1.15
logo se ofende; 22e o que foi semeado entre espinhos
13.22
Mt 19.23
Mc 10.23
Lc 18.24
1Tm 6.9
Jr 4.3
é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera; 23mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve e compreende a palavra; e dá fruto, e um produz cem, outro, sessenta, e outro, trinta.

A parábola do trigo e do joio

24Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O Reino dos céus é semelhante ao homem que semeia boa semente no seu campo; 25mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou o joio no meio do trigo, e retirou-se. 26E, quando a erva cresceu e frutificou, apareceu também o joio. 27E os servos do pai de família, indo ter com ele, disseram-lhe: Senhor, não semeaste tu no teu campo boa semente? Por que tem, então, joio? 28E ele lhes disse: Um inimigo é quem fez isso. E os servos lhe disseram: Queres, pois, que vamos arrancá-lo? 29Porém ele lhes disse: Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele. 30Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: colhei primeiro o joio e atai-o em molhos para o queimar;

13.30
Mt 3.12
mas o trigo, ajuntai-o no meu celeiro.

As parábolas do grão de mostarda e do fermento

(Mc 4.30-34; Lc 13.18-21)

31Outra parábola lhes propôs, dizendo: O Reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda que um homem, pegando dele, semeou no seu campo; 32o qual é realmente a menor de todas as sementes; mas, crescendo, é a maior das plantas e faz-se uma árvore, de sorte que vêm as aves do céu e se aninham nos seus ramos.

33Outra parábola lhes disse:

13.33
Lc 13.20
O Reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher toma e introduz em três medidas de farinha, até que tudo esteja levedado.

34Tudo isso

13.34
Mc 4.33
disse Jesus por parábolas à multidão e nada lhes falava sem parábolas, 35para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta, que disse:
13.35
Sl 78.2
Abrirei em parábolas a boca;
13.35
Rm 16.25-26
1Co 2.7
Ef 3.9
Cl 1.6
publicarei coisas ocultas desde a criação do mundo.

Explicação da parábola do joio

36Então, tendo despedido a multidão, foi Jesus para casa. E chegaram ao pé dele os seus discípulos, dizendo: Explica-nos a parábola do joio do campo. 37E ele, respondendo, disse-lhes: O que semeia a boa semente é o Filho do Homem, 38o campo é o mundo,

13.38
Mt 24.14
Mc 16.15,20
Lc 24.47
Rm 10.18
Cl 1.6
a boa semente são os filhos do Reino,
13.38
Jo 8.44
At 13.10
1Jo 3.8
e o joio são os filhos do Maligno. 39O inimigo que o semeou
13.39
Jl 3.13
Ap 14.15
é o diabo; e a ceifa é o fim do mundo; e os ceifeiros são os anjos. 40Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consumação deste mundo. 41Mandará o Filho do Homem os seus anjos, e eles colherão do seu Reino tudo o que causa escândalo
13.41
Mt 18.7
2Pe 2.1-2
e os que cometem iniquidade. 42E lançá-los-ão na fornalha de fogo;
13.42
Mt 3.12
8.12
Ap 19.20
ali, haverá pranto e ranger de dentes. 43Então, os justos resplandecerão como o sol,
13.43
Dn 12.13
1Co 15.42
Mt 13.9
no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça.

As parábolas do tesouro escondido, da pérola e da rede

44Também o Reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo

13.44
Fp 3.7-8
Is 55.1
Ap 3.18
dele, vai, vende tudo quanto tem e compra aquele campo.

45Outrossim, o Reino dos céus é semelhante ao homem negociante que busca boas pérolas; 46e, encontrando uma pérola de grande valor,

13.46
Pv 2.4
3.14-15
8.10,19
foi, vendeu tudo quanto tinha e comprou-a.

47Igualmente, o Reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar

13.47
Mt 22.10
e que apanha toda qualidade de peixes. 48E, estando cheia, a puxam para a praia e, assentando-se, apanham para os cestos os bons; os ruins, porém, lançam fora. 49Assim será na consumação dos séculos:
13.49
Mt 25.32
virão os anjos e separarão os maus dentre os justos. 50E lançá-los-ão na fornalha de fogo;
13.50
Mt 13.42
ali, haverá pranto e ranger de dentes.

51E disse-lhes Jesus: Entendestes todas estas coisas? Disseram-lhe eles: Sim, Senhor. 52E ele disse-lhes: Por isso, todo escriba instruído acerca do Reino dos céus é semelhante a um pai de família

13.52
Ct 7.13
que tira do seu tesouro coisas novas e velhas.

53E aconteceu que Jesus, concluindo essas parábolas, se retirou dali. 54E, chegando à

13.54
Mt 2.23
Mc 6.1
Lc 4.16,23
sua pátria, ensinava-os na sinagoga deles, de sorte que se maravilhavam e diziam: Donde veio a este a sabedoria e estas maravilhas? 55Não é este
13.55
Is 49.7
Mc 6.3
Lc 3.23
Jo 6.42
o filho do carpinteiro? E não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos, Tiago, e José, e Simão, e Judas? 56E não estão entre nós todas as suas irmãs? Donde lhe veio, pois, tudo isso? 57E escandalizavam-se nele.
13.57
Mt 11.6
Mc 6.3-4
Lc 4.24
Jo 4.44
Jesus, porém, lhes disse: Não há profeta sem honra, a não ser na sua pátria e na sua casa. 58E não fez ali muitas maravilhas,
13.58
Mc 6.5-6
por causa da incredulidade deles.

14

A morte de João Batista

(Mc 6.14-29; Lc 3.19-20; 9.7-9)

141Naquele tempo, ouviu Herodes, o tetrarca, a fama de Jesus. 2E disse aos seus criados: Este é João Batista; ressuscitou dos mortos, e, por isso, estas maravilhas operam nele. 3Porque Herodes tinha prendido João

14.3
Mc 6.17
Lc 3.19-20
e tinha-o manietado e encerrado no cárcere por causa de Herodias, mulher de seu irmão Filipe; 4porque João lhe dissera:
14.4
Lv 18.16
20.21
Não te é lícito possuí-la. 5E, querendo matá-lo, temia o povo,
14.5
Mt 21.26
Lc 20.6
porque o tinham como profeta. 6Festejando-se, porém, o dia natalício de Herodes, dançou a filha de Herodias diante dele e agradou a Herodes, 7pelo que prometeu, com juramento, dar-lhe tudo o que pedisse. 8E ela, instruída previamente por sua mãe, disse: Dá-me aqui num prato a cabeça de João Batista. 9E o rei afligiu-se, mas, por causa do juramento e dos que estavam à mesa com ele, ordenou que se lhe desse. 10E mandou degolar João no cárcere, 11e a sua cabeça foi trazida num prato e dada à jovem, e ela a levou a sua mãe. 12E chegaram os seus discípulos, e levaram o corpo, e o sepultaram, e foram anunciá-lo a Jesus.

A primeira multiplicação dos pães e peixes

(Mc 6.30-44; Lc 9.10-17; Jo 6.1-14)

13E Jesus, ouvindo isso, retirou-se dali num barco, para um lugar deserto, apartado; e, sabendo-o o povo, seguiu-o a pé desde as cidades. 14E Jesus, saindo, viu uma grande multidão

14.14
Mt 9.36
e, possuído de íntima compaixão para com ela, curou os seus enfermos. 15E, sendo chegada a tarde, os seus discípulos aproximaram-se dele, dizendo: O lugar é deserto, e a hora é já avançada; despede a multidão, para que vão pelas aldeias e comprem comida para si. 16Jesus, porém, lhes disse: Não é mister que vão; dai-lhes vós de comer. 17Então, eles lhe disseram: Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes. 18E ele disse: Trazei-mos aqui. 19Tendo mandado que a multidão se assentasse sobre a erva, tomou os cinco pães e os dois peixes, e, erguendo os olhos ao céu, os abençoou, e,
14.19
Mt 15.36
partindo os pães, deu-os aos discípulos, e os discípulos, à multidão. 20E comeram todos e saciaram-se, e levantaram dos pedaços que sobejaram doze cestos cheios. 21E os que comeram foram quase cinco mil homens, além das mulheres e crianças.

Jesus anda por cima do mar

(Mc 6.45-56; Jo 6.15-21)

22E logo ordenou Jesus que os seus discípulos entrassem no barco e fossem adiante, para a outra banda, enquanto despedia a multidão. 23E, despedida a multidão, subiu ao monte para orar à parte. E, chegada a tarde, estava ali só. 24E o barco estava já no meio do mar, açoitado pelas ondas, porque o vento era contrário. 25Mas, à quarta vigília da noite, dirigiu-se Jesus para eles, caminhando por cima do mar. 26E os discípulos, vendo-o caminhar sobre o mar,

14.26
Jó 9.8
assustaram-se, dizendo: É um fantasma.
14.26
Sl 2.7
Mt 16.16
Mc 1.1
Lc 4.41
Jo 1.49
6.70
At 8.37
Rm 1.4
E gritaram, com medo.

27Jesus, porém, lhes falou logo, dizendo: Tende bom ânimo, sou eu; não temais. 28E respondeu-lhe Pedro e disse: Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo por cima das águas. 29E ele disse: Vem. E Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas para ir ter com Jesus. 30Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a ir para o fundo, clamou, dizendo: Senhor, salva-me. 31E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o e disse-lhe: Homem de pequena fé, por que duvidaste? 32E, quando subiram para o barco, acalmou o vento. 33Então, aproximaram-se os que estavam no barco e adoraram-no, dizendo: És verdadeiramente o Filho de Deus.

34E, tendo passado para a outra banda,

14.34
Mc 6.53
chegaram à terra de Genesaré. 35E, quando os homens daquele lugar o conheceram, mandaram por todas aquelas terras em redor e trouxeram-lhe todos os que estavam enfermos. 36E rogavam-lhe que, ao menos, eles pudessem tocar a orla da sua veste;
14.36
Mt 9.20
Mc 3.10
Lc 6.19
At 19.12
e todos os que a tocavam ficavam sãos.