Almeida Revista e Corrigida (2009) (ARC)
7

O centurião de Cafarnaum

(Mt 8.5-13)

71E, depois de concluir todos esses discursos perante o povo, entrou em Cafarnaum. 2E o servo de um certo centurião, a quem este muito estimava, estava doente e moribundo. 3E, quando ouviu falar de Jesus, enviou-lhe uns anciãos dos judeus, rogando-lhe que viesse curar o seu servo. 4E, chegando eles junto de Jesus, rogaram-lhe muito, dizendo: É digno de que lhe concedas isso. 5Porque ama a nossa nação e ele mesmo nos edificou a sinagoga. 6E foi Jesus com eles; mas, quando já estava perto da casa, enviou-lhe o centurião uns amigos, dizendo-lhe: Senhor, não te incomodes, porque não sou digno de que entres debaixo do meu telhado; 7e, por isso, nem ainda me julguei digno de ir ter contigo; dize, porém, uma palavra, e o meu criado sarará. 8Porque também eu sou homem sujeito à autoridade, e tenho soldados sob o meu poder, e digo a este: vai; e ele vai; e a outro: vem; e ele vem; e ao meu servo: faze isto; e ele o faz. 9E, ouvindo isso, Jesus maravilhou-se dele e, voltando-se, disse à multidão que o seguia: Digo-vos que nem ainda em Israel tenho achado tanta fé. 10E, voltando para casa os que foram enviados, acharam são o servo enfermo.

O filho da viúva de Naim

11E aconteceu, pouco depois, ir ele à cidade chamada Naim, e com ele iam muitos dos seus discípulos e uma grande multidão. 12E, quando chegou perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho único de sua mãe, que era viúva; e com ela ia uma grande multidão da cidade. 13E, vendo-a, o Senhor moveu-se de íntima compaixão por ela e disse-lhe: Não chores. 14E, chegando-se, tocou o esquife (e os que o levavam pararam) e disse: Jovem, eu te digo:

7.14
Lc 8.54
Jo 11.43
At 9.40
Rm 4.17
Levanta-te. 15E o defunto assentou-se e começou a falar. E entregou-o à sua mãe. 16E de todos se apoderou
7.16
Lc 1.65,68
24.19
Jo 4.19
6.14
9.17
o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: Um grande profeta se levantou entre nós, e Deus visitou o seu povo. 17E correu dele esta fama por toda a Judeia e por toda a terra circunvizinha.

João envia dois discípulos seus a Jesus

(Mt 11.2-19)

18E os discípulos de João anunciaram-lhe todas essas coisas. 19E João, chamando dois dos seus discípulos, enviou-os a Jesus, dizendo: És tu aquele que havia de vir ou esperamos outro? 20E, quando aqueles homens chegaram junto dele, disseram: João Batista enviou-nos a perguntar-te: És tu aquele que havia de vir ou esperamos outro? 21E, na mesma hora, curou muitos de enfermidades, e males, e espíritos maus; e deu vista a muitos cegos. 22Respondendo, então, Jesus,

7.22
Mt 11.4
disse-lhes: Ide e anunciai a João o que tendes visto e ouvido:
7.22
Is 35.5
os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e
7.22
Lc 4.18
aos pobres anuncia-se o evangelho. 23E bem-aventurado aquele que em mim se não escandalizar.

24E, tendo-se retirado

7.24
Mt 11.7
os mensageiros de João, começou a dizer à multidão acerca de João: Que saístes a ver no deserto? Uma cana abalada pelo vento? 25Mas que saístes a ver? Um homem trajado de vestes delicadas? Eis que os que andam com vestes preciosas e em delícias estão nos paços reais. 26Mas que saístes a ver? Um profeta? Sim, vos digo, e muito mais do que profeta. 27Este é aquele de quem está escrito:
7.27
Ml 3.1
Eis que envio o meu anjo diante da tua face, o qual preparará diante de ti o teu caminho. 28E eu vos digo que, entre os nascidos de mulheres, não há maior profeta do que João Batista; mas o menor no Reino de Deus é maior do que ele. 29E todo o povo que o ouviu e os publicanos,
7.29
Mt 3.5
Lc 3.12
tendo sido batizados com o batismo de João, justificaram a Deus. 30Mas os fariseus e os doutores da lei rejeitaram
7.30
At 20.27
o conselho de Deus contra si mesmos, não tendo sido batizados por ele.

31E disse o Senhor:

7.31
Mt 11.16
A quem, pois, compararei os homens desta geração, e a quem são semelhantes? 32São semelhantes aos meninos que, assentados nas praças, clamam uns aos outros e dizem: Nós vos tocamos flauta, e não dançastes; cantamos lamentações, e não chorastes. 33Porque
7.33
Mt 3.4
Mc 1.6
Lc 1.15
veio João Batista, que não comia pão nem bebia vinho, e dizeis: Tem demônio. 34Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizeis: Eis aí
7.34
Mt 11.19
um homem comilão e bebedor de vinho, amigo dos publicanos e dos pecadores. 35Mas a sabedoria é justificada por todos os seus filhos.

A pecadora que ungiu os pés de Jesus

36E rogou-lhe

7.36
Mt 26.6
Mc 14.3
Jo 11.2
um dos fariseus que comesse com ele; e, entrando em casa do fariseu, assentou-se à mesa. 37E eis que uma mulher da cidade, uma pecadora, sabendo que ele estava à mesa em casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com unguento. 38E, estando por detrás, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas, e enxugava-lhos com os cabelos da sua cabeça e beijava-lhe os pés, e ungia-lhos com o unguento. 39Quando isso viu o fariseu que o tinha convidado, falava consigo, dizendo:
7.39
Lc 15.2
Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, pois é uma pecadora. 40E, respondendo, Jesus disse-lhe: Simão, uma coisa tenho a dizer-te. E ele disse: Dize-a, Mestre. 41Um certo credor tinha dois devedores; um devia-lhe quinhentos dinheiros, e outro, cinquenta. 42E, não tendo eles com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Dize, pois: qual deles o amará mais? 43E Simão, respondendo, disse: Tenho para mim que é aquele a quem mais perdoou. E ele lhe disse: Julgaste bem. 44E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês tu esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; mas esta regou-me os pés com lágrimas e mos enxugou com os seus cabelos. 45Não me deste ósculo, mas esta, desde que entrou, não tem cessado de me beijar os pés. 46Não me
7.46
Sl 23.5
ungiste a cabeça com óleo, mas esta ungiu-me os pés com unguento. 47Por isso, te digo
7.47
1Tm 1.14
que os seus muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco é perdoado pouco ama. 48E disse a ela:
7.48
Mt 9.2
Mc 2.5
Os teus pecados te são perdoados. 49E os que estavam à mesa começaram
7.49
Mt 9.3
Mc 2.7
a dizer entre si: Quem é este, que até perdoa pecados? 50E disse à mulher:
7.50
Mc 5.34
10.52
Lc 8.48
18.42
A tua fé te salvou; vai-te em paz.

8

As mulheres que serviam a Jesus com os seus bens

81E aconteceu, depois disso, que andava de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do Reino de Deus; e os doze iam com ele, 2e também

8.2
Mt 27.55-56
algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena,
8.2
Mc 16.9
da qual saíram sete demônios; 3e Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, e Suzana, e muitas outras que o serviam com suas fazendas.

A parábola do semeador

(Mt 13.1-23; Mc 4.1-20)

4E,

8.4
Mc 4.1
ajuntando-se uma grande multidão, e vindo ter com ele gente de todas as cidades, disse por parábolas: 5Um semeador saiu a semear a sua semente, e, quando semeava, caiu alguma junto do caminho e foi pisada, e as aves do céu a comeram. 6E outra caiu sobre pedra e, nascida, secou-se, pois que não tinha umidade. 7E outra caiu entre espinhos, e, crescendo com ela os espinhos, a sufocaram; 8E outra caiu em boa terra e, nascida, produziu fruto, cento por um. Dizendo ele estas coisas, clamava: Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça.

9E

8.9
Mt 13.10
Mc 4.10
os seus discípulos o interrogaram, dizendo: Que parábola é esta? 10E ele disse: A vós vos é dado conhecer os mistérios do Reino de Deus, mas aos outros, por parábolas,
8.10
Is 6.9
Mc 4.12
para que, vendo, não vejam e, ouvindo, não entendam. 11Esta
8.11
Mt 13.18
Mc 4.14
é, pois, a parábola: a semente é a palavra de Deus; 12e os que estão junto do caminho, estes são os que ouvem; depois, vem o diabo e tira-lhes do coração a palavra, para que se não salvem, crendo; 13e os que estão sobre pedra, estes são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria, mas, como não têm raiz, apenas creem por algum tempo e, no tempo da tentação, se desviam; 14e a que caiu entre espinhos, esses são os que ouviram, e, indo por diante, são sufocados com os cuidados, e riquezas, e deleites da vida, e não dão fruto com perfeição; 15e a que caiu em boa terra, esses são os que, ouvindo a palavra, a conservam num coração honesto e bom e dão fruto 8.15 Gr. com paciênciacom perseverança.

A parábola da candeia

(Mc 4.21-25)

16E ninguém,

8.16
Mt 5.15
Lc 11.33
acendendo uma candeia, a cobre com algum vaso ou a põe debaixo da cama; mas põe-na no velador, para que os que entram vejam a luz. 17Porque não há coisa
8.17
Mt 10.26
Lc 12.2
oculta que não haja de manifestar-se, nem escondida que não haja de saber-se e vir à luz. 18Vede, pois, como ouvis,
8.18
Mt 13.12
25.29
Lc 19.26
porque a qualquer que tiver lhe será dado, e a qualquer que não tiver até o que parece ter lhe será tirado.

A família de Jesus

(Mt 12.46-50; Mc 3.31-35)

19E foram ter

8.19
Mc 3.31
com ele sua mãe e seus irmãos e não podiam aproximar-se dele, por causa da multidão. 20E foi-lhe dito: Estão fora tua mãe e teus irmãos, que querem ver-te. 21Mas, respondendo ele, disse-lhes: Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a executam.

Jesus apazigua a tempestade

(Mt 8.23-27; Mc 4.35-41)

22E aconteceu

8.22
Mc 4.35
que, num daqueles dias, entrou num barco com seus discípulos e disse-lhes: Passemos para a outra banda do lago. E partiram. 23E, navegando eles, adormeceu; e sobreveio uma tempestade de vento no lago, e o barco enchia-se de água, estando eles em perigo. 24E, chegando-se a ele, o despertaram, dizendo: Mestre, Mestre, estamos perecendo. E ele, levantando-se, repreendeu o vento e a fúria da água; e cessaram, e fez-se bonança. 25E disse-lhes: Onde está a vossa fé? E eles, temendo, maravilharam-se, dizendo uns aos outros: Quem é este, que até aos ventos e à água manda, e lhe obedecem?

O endemoninhado gadareno

(Mt 8.28-34; Mc 5.1-20)

26E navegaram para

8.26
Mc 5.1
a terra dos gadarenos, que está defronte da Galileia. 27E, quando desceu para terra, saiu-lhe ao encontro, vindo da cidade, um homem que, desde muito tempo, estava possesso de demônios e não andava vestido nem habitava em qualquer casa, mas nos sepulcros. 28E, quando viu a Jesus, prostrou-se diante dele, exclamando e dizendo com alta voz: Que tenho eu contigo Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Peço-te que não me atormentes. 29Porque tinha ordenado ao espírito imundo que saísse daquele homem; pois já havia muito tempo que o arrebatava. E guardavam-no preso com grilhões e cadeias; mas, quebrando as prisões, era impelido pelo demônio para os desertos. 30E perguntou-lhe Jesus, dizendo: Qual é o teu nome? E ele disse: Legião; porque tinham entrado nele muitos demônios. 31E rogavam-lhe que os não mandasse para o
8.31
Ap 20.3
abismo. 32E andava pastando ali no monte uma manada de muitos porcos; e rogaram-lhe que lhes concedesse entrar neles; e concedeu-lho. 33E, tendo saído os demônios do homem, entraram nos porcos, e a manada precipitou-se de um despenhadeiro no lago e afogou-se. 34E aqueles que os guardavam, vendo o que acontecera, fugiram e foram anunciá-lo na cidade e nos campos.

35E saíram a ver o que tinha acontecido e vieram ter com Jesus. Acharam, então, o homem de quem haviam saído os demônios, vestido e em seu juízo, assentado aos pés de Jesus; e temeram. 36E os que tinham visto contaram-lhes também como fora salvo aquele endemoninhado. 37E

8.37
Mt 8.34
toda a multidão da terra dos gadarenos ao redor
8.37
At 16.39
lhe rogou que se retirasse deles, porque estavam possuídos de grande temor. E, entrando ele no barco, voltou. 38E aquele homem de quem haviam saído os demônios
8.38
Mc 5.18
rogou-lhe que o deixasse estar com ele; mas Jesus o despediu, dizendo: 39Torna para tua casa e conta quão grandes coisas te fez Deus. E ele foi apregoando por toda a cidade quão grandes coisas Jesus lhe tinha feito.

A filha de Jairo. A mulher que tinha um fluxo de sangue

(Mt 9.18-26; Mc 5.21-43)

40E aconteceu que, quando voltou Jesus, a multidão o recebeu, porque todos o estavam esperando. 41E eis que

8.41
Mt 9.1
chegou um varão de nome Jairo, que era príncipe da sinagoga; e, prostrando-se aos pés de Jesus, rogava-lhe que entrasse em sua casa; 42porque tinha uma filha única, quase de doze anos, que estava à morte.

E, indo ele, apertava-o a multidão. 43E

8.43
Mt 9.20
uma mulher, que tinha um fluxo de sangue, havia doze anos, e gastara com os médicos todos os seus haveres, e por nenhum pudera ser curada, 44chegando por detrás dele, tocou na orla da sua veste, e logo estancou o fluxo do seu sangue. 45E disse Jesus: Quem é que me tocou? E, negando todos, disse Pedro e os que estavam com ele: Mestre, a multidão te aperta e te oprime, e dizes: Quem é que me tocou? 46E disse Jesus: Alguém me tocou,
8.46
Mc 5.30
Lc 6.19
porque bem conheci que de mim saiu virtude. 47Então, vendo a mulher que não podia ocultar-se, aproximou-se tremendo e, prostrando-se ante ele, declarou-lhe diante de todo o povo a causa por que lhe havia tocado e como logo sarara. 48E ele lhe disse: Tem bom ânimo, filha, a tua fé te salvou; vai em paz.

49Estando

8.49
Mc 5.35
ele ainda falando, chegou um da casa do príncipe da sinagoga, dizendo: A tua filha está morta; não incomodes o Mestre. 50Jesus, porém, ouvindo-o, respondeu-lhe, dizendo: Não temas; crê somente, e será salva. 51E, entrando em casa, a ninguém deixou entrar, senão a Pedro, e a Tiago, e a João, e ao pai, e a mãe da menina. 52E todos choravam e a pranteavam; e ele disse: Não choreis; não está morta,
8.52
Jo 11.11,13
mas dorme. 53E riam-se dele, sabendo que estava morta. 54Mas ele, pegando-lhe na mão, clamou, dizendo:
8.54
Lc 7.14
Jo 11.43
Levanta-te, menina! 55E o seu espírito voltou, e ela logo se levantou; e Jesus mandou que lhe dessem de comer. 56E seus pais ficaram maravilhados,
8.56
Mt 8.4
9.30
Mc 5.43
e ele lhes mandou que a ninguém dissessem o que havia sucedido.

9

A missão dos doze

(Mt 10.1,5-15; Mc 6.7-13)

91E, convocando os seus doze discípulos,

9.1
Mc 3.3,6-7
deu-lhes virtude e poder sobre todos os demônios e para curarem enfermidades; 2e enviou-os a pregar o Reino de
9.2
Mt 10.7-8
Mc 6.12
Lc 10.1,9
Deus e a curar os enfermos. 3E disse-lhes:
9.3
Mt 10.9
Mc 6.8
Lc 10.4
22.35
Nada leveis convosco para o caminho, nem bordões, nem alforje, nem pão, nem dinheiro, nem tenhais duas vestes. 4E, em qualquer casa em que entrardes,
9.4
Mt 10.11
Mc 6.10
ficai ali e de lá saireis. 5E, se em qualquer cidade vos não receberem,
9.5
Mt 10.14
saindo vós dali, sacudi o pó dos vossos
9.5
At 13.5
pés, em testemunho contra eles. 6E, saindo eles,
9.6
Mc 6.12
percorreram todas as aldeias, anunciando o evangelho e fazendo curas por toda a parte.

Herodes, o tetrarca, e João Batista

(Mt 14.1-12; Mc 6.14-29)

7E o tetrarca Herodes

9.7
Mc 6.14
ouvia tudo o que se passava e estava em dúvida, porque diziam alguns que João ressuscitara dos mortos, 8e outros, que Elias tinha aparecido, e outros, que um profeta dos antigos havia ressuscitado. 9E disse Herodes: A João mandei eu degolar; quem é, pois, este de quem ouço dizer tais coisas? E procurava
9.9
Lc 23.8
vê-lo.

A primeira multiplicação dos pães e peixes

(Mt 14.13-21; Mc 6.30-44; Jo 6.1-14)

10E, regressando

9.10
Mc 6.30
os apóstolos, contaram-lhe tudo o que tinham feito. E, tomando-os consigo, retirou-se para um lugar deserto de uma cidade chamada Betsaida. 11E, sabendo-o a multidão, o seguiu; e ele os recebeu, e falava-lhes do Reino de Deus, e sarava os que necessitavam de cura. 12E o dia começava a declinar;
9.12
Mt 14.15
Mc 6.35
Jo 6.1,5
então, chegando-se a ele os doze, disseram-lhe: Despede a multidão, para que, indo aos campos e aldeias ao redor, se agasalhem e achem o que comer, porque aqui estamos em lugar deserto. 13Mas ele lhes disse: Dai-lhes vós de comer. E eles disseram: Não temos senão cinco pães e dois peixes, salvo se nós próprios formos comprar comida para todo este povo. 14Porquanto estavam ali quase cinco mil homens. Disse, então, aos seus discípulos: Fazei-os assentar, em grupos de cinquenta em cinquenta. 15E assim o fizeram, fazendo-os assentar a todos. 16E, tomando os cinco pães e os dois peixes e olhando para o céu, abençoou-os, e partiu-os, e deu-os aos seus discípulos para os porem diante da multidão. 17E comeram todos e saciaram-se; e levantaram, do que lhes sobejou, doze cestos de pedaços.

A confissão de Pedro. Jesus prediz a sua própria morte

(Mt 16.13-23; Mc 8.27-33; Jo 6.66-69)

18E aconteceu que,

9.18
Mc 8.27
estando ele orando em particular, estavam com ele os discípulos; e perguntou-lhes, dizendo: Quem diz a multidão que eu sou? 19E, respondendo eles, disseram:
9.19
Mt 14.2
Lc 9.7-8
João Batista; outros, Elias, e outros, que um dos antigos profetas ressuscitou. 20E disse-lhes: E vós quem dizeis que eu sou?
9.20
Mt 16.16
Jo 6.69
E, respondendo Pedro, disse: O Cristo de Deus. 21E, admoestando-os,
9.21
Mt 16.20
mandou que a ninguém referissem isso, 22dizendo:
9.22
Mt 16.21
17.22
É necessário que o Filho do Homem padeça muitas coisas, e seja rejeitado dos anciãos e dos escribas, e seja morto, e ressuscite ao terceiro dia.

Cada um deve levar a sua cruz

(Mt 16.24-28; Mc 8.34—9.1)

23E dizia a todos:

9.23
Mt 10.38
Mc 8.34
Lc 14.27
Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me. 24Porque qualquer que quiser salvar a sua 9.24 ou almavida perdê-la-á; mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida a salvará. 25Porque
9.25
Mt 16.26
Mc 8.36
que aproveita ao homem granjear o mundo todo, perdendo-se ou prejudicando-se a si mesmo? 26Porque
9.26
Mt 10.33
Mc 8.38
2Tm 2.12
qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do Homem, quando vier na sua glória e na do Pai e dos santos anjos. 27E em verdade
9.27
Mt 16.28
vos digo que, dos que aqui estão, alguns há que não provarão a morte até que vejam o Reino de Deus.

A transfiguração

(Mt 17.1-8; Mc 9.2-13)

28E aconteceu que,

9.28
Mc 9.1
quase oito dias depois dessas palavras, tomou consigo a Pedro, a João e a Tiago e subiu ao monte a orar. 29E, estando ele orando, transfigurou-se a aparência do seu rosto, e as suas vestes ficaram brancas e mui resplandecentes. 30E eis que estavam falando com ele dois varões, que eram Moisés e Elias, 31os quais apareceram com glória e falavam da sua morte, a qual havia de cumprir-se em Jerusalém. 32E Pedro e os que estavam com ele estavam
9.32
Dn 8.18
10.9
carregados de sono; e, quando despertaram, viram a sua glória e aqueles dois varões que estavam com ele. 33E aconteceu que, quando aqueles se apartaram dele, disse Pedro a Jesus: Mestre, bom é que nós estejamos aqui e façamos três tendas, uma para ti, uma para Moisés e uma para Elias, não sabendo o que dizia. 34E, dizendo ele isso, veio uma nuvem que os cobriu com a sua sombra; e, entrando eles na nuvem, temeram. 35E saiu da nuvem uma voz que dizia:
9.35
Mt 3.17
Este é o meu Filho amado;
9.35
At 3.22
a ele ouvi. 36E, tendo soado aquela voz, Jesus foi achado só;
9.36
Mt 17.9
e eles calaram-se e, por aqueles dias, não contaram a ninguém nada do que tinham visto.

A cura de um jovem lunático

(Mt 17.14-21; Mc 9.14-32)

37E aconteceu, no dia seguinte, que, descendo eles do monte, lhes saiu ao encontro uma grande multidão. 38E eis que um homem da multidão clamou, dizendo,

9.38
Mc 9.14,17
Mestre, peço-te que olhes para meu filho, porque é o único que eu tenho. 39Eis que um espírito o toma, e de repente clama, e o despedaça até espumar; e só o larga depois de o ter quebrantado. 40E roguei aos teus discípulos que o expulsassem, e não puderam. 41E Jesus, respondendo, disse: Ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei ainda convosco e vos sofrerei? Traze-me cá o teu filho. 42E, quando vinha chegando, o demônio o derribou e convulsionou; porém Jesus repreendeu o espírito imundo, e curou o menino, e o entregou a seu pai. 43E todos pasmavam da majestade de Deus.

E, maravilhando-se todos de todas as coisas que Jesus fazia, disse aos seus discípulos: 44Ponde vós

9.44
Mt 17.22
estas palavras em vossos ouvidos, porque o Filho do Homem será entregue nas mãos dos homens. 45Mas
9.45
Mc 9.32
Lc 2.50
18.34
eles não entendiam essa palavra, que lhes era encoberta, para que a não compreendessem; e temiam interrogá-lo acerca dessa palavra.

O maior no Reino dos céus

(Mt 18.1-5; Mc 9.33-37)

46E suscitou-se entre eles uma discussão

9.46
Mc 9.34
sobre qual deles seria o maior. 47Mas Jesus, vendo o pensamento do coração deles, tomou uma criança, pô-la junto a si 48e disse-lhes:
9.48
Mt 10.40
18.5
Mc 9.37
Jo 12.44
13.20
Qualquer que receber esta criança em meu nome recebe-me a mim; e qualquer que me recebe a mim recebe o que me enviou;
9.48
Mt 23.11-12
porque aquele que entre vós todos for o menor, esse mesmo é grande.

Quem não é contra nós é por nós

(Mc 9.38-41)

49E, respondendo João,

9.49
Nm 11.28
disse: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava os demônios, e lho proibimos, porque não te segue conosco. 50E Jesus lhes disse: Não o proibais,
9.50
Mt 12.30
Lc 11.23
porque quem não é contra nós é por nós.

Os samaritanos não recebem a Jesus

51E aconteceu que, completando-se os dias para a sua

9.51
Mc 16.19
At 1.2
assunção, manifestou o firme propósito de ir a Jerusalém. 52E mandou mensageiros diante da sua face; e, indo eles, entraram numa aldeia de samaritanos, para lhe prepararem pousada. 53Mas não o receberam,
9.53
Jo 4.4,9
porque o seu aspecto era como de quem ia a Jerusalém. 54E os discípulos Tiago e João, vendo isso, disseram: Senhor, queres que digamos que desça fogo do céu e os
9.54
2Rs 1.10,12
consuma, como Elias também fez? 55Voltando-se, porém, repreendeu-os e disse: Vós não sabeis de que espírito sois. 56Porque
9.56
Jo 3.17
12.47
o Filho do Homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las. E foram para outra aldeia.

Acerca dos que seguem a Jesus

(Mt 8.18-22)

57E aconteceu que, indo eles pelo caminho, lhe disse um: Senhor, seguir-te-ei para onde quer que fores. 58E disse-lhe Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça. 59E disse a outro: Segue-me. Mas ele respondeu: Senhor, deixa que primeiro eu vá enterrar meu pai. 60Mas Jesus lhe observou: Deixa aos mortos o enterrar os seus mortos; porém tu, vai e anuncia o Reino de Deus. 61Disse também outro:

9.61
1Rs 19.20
Senhor, eu te seguirei, mas deixa-me despedir primeiro dos que estão em minha casa. 62E Jesus lhe disse: Ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus.

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