Almeida Revista e Corrigida (2009) (ARC)
16

A parábola do mordomo infiel

161E dizia também aos seus discípulos: Havia um certo homem rico, o qual tinha um mordomo; e este foi acusado perante ele de dissipar os seus bens. 2E ele, chamando-o, disse-lhe: Que é isso que ouço de ti? Presta contas da tua mordomia, porque já não poderás ser mais meu mordomo. 3E o mordomo disse consigo: Que farei, pois que o meu senhor me tira a mordomia? Cavar não posso; de mendigar tenho vergonha. 4Eu sei o que hei de fazer, para que, quando for desapossado da mordomia, me recebam em suas casas. 5E, chamando a si cada um dos devedores do seu senhor, disse ao primeiro: Quanto deves ao meu senhor? 6E ele respondeu: Cem medidas de azeite. E disse-lhe: Toma a tua conta e, assentando-te já, escreve cinquenta. 7Disse depois a outro: E tu quanto deves? E ele respondeu: Cem alqueires de trigo. E disse-lhe: Toma a tua conta e escreve oitenta. 8E louvou aquele senhor o injusto mordomo por haver procedido prudentemente, porque os filhos deste mundo são mais prudentes na sua geração

16.8
Jo 12.36
Ef 5.8
1Ts 5.5
do que os filhos da luz. 9E eu vos digo:
16.9
Dn 4.27
Mt 6.19
17.21
Lc 11.41
1Tm 6.17-19
granjeai amigos com as riquezas da injustiça, para que, quando estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos.

10Quem

16.10
Mt 25.21
Lc 19.17
é fiel no mínimo também é fiel no muito; quem é injusto no mínimo também é injusto no muito. 11Pois, se nas riquezas injustas não fostes fiéis, quem vos confiará as verdadeiras? 12E, se no alheio não fostes fiéis, quem vos dará o que é vosso? 13Nenhum
16.13
Mt 6.24
servo pode servir a dois senhores, porque ou há de aborrecer a um e amar ao outro ou se há de chegar a um e desprezar ao outro. Não podeis servir a Deus e a 16.13 ou riquezaMamom.

A autoridade da lei

14E os fariseus,

16.14
Mt 23.14
que eram avarentos, ouviam todas essas coisas e zombavam dele. 15E disse-lhes: Vós sois os que vos
16.15
Lc 10.29
justificais a vós mesmos diante dos homens,
16.15
Sl 7.10
mas Deus conhece o vosso coração, porque
16.15
1Sm 16.7
o que entre os homens é elevado perante Deus é abominação.

16A Lei

16.16
Mt 4.17
11.12-13
e os Profetas duraram até João; desde então, é anunciado o Reino de Deus, e todo homem emprega força para entrar nele. 17E
16.17
Sl 102.26-27
Is 40.8
51.6
Mt 5.18
1Pe 1.25
é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da Lei.

18Qualquer

16.18
Mt 5.32
19.9
Mc 10.11
1Co 7.10-11
que deixa sua mulher e casa com outra adultera; e aquele que casa com a repudiada pelo marido adultera também.

A parábola do rico e Lázaro

19Ora, havia um homem rico, e vestia-se de púrpura e de linho finíssimo, e vivia todos os dias regalada e esplendidamente. 20Havia também um certo mendigo, chamado Lázaro, que jazia cheio de chagas à porta daquele. 21E desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as chagas. 22E aconteceu que o mendigo morreu e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico e foi sepultado. 23E, no Hades, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão e Lázaro, no seu seio. 24E, clamando, disse: Abraão, meu pai, tem misericórdia de mim e manda a Lázaro que molhe na água a ponta do seu dedo e

16.24
Zc 14.12
me refresque a língua, porque estou
16.24
Is 66.24
Mc 9.43
atormentado nesta chama. 25Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te
16.25
Jó 21.13
Lc 6.24
de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro, somente males; e, agora, este é consolado, e tu, atormentado. 26E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá, passar para cá. 27E disse ele: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai, 28pois tenho cinco irmãos, para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham também para este lugar de tormento. 29Disse-lhe Abraão:
16.29
Is 8.20
34.16
Jo 5.39,45
At 15.21
17.11
Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos. 30E disse ele: Não, Abraão, meu pai; mas, se algum dos mortos fosse ter com eles, arrepender-se-iam. 31Porém Abraão lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos Profetas,
16.31
Jo 12.10-11
tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite.

17

Acerca dos escândalos, do perdão, do poder da fé e dos servos inúteis

(Mt 18.6,21-22; Mc 9.42)

171E disse aos discípulos:

17.1
Mt 18.6-7
Mc 9.42
1Co 11.19
É impossível que não venham escândalos, mas ai daquele por quem vierem! 2Melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma pedra de moinho, e fosse lançado ao mar, do que fazer tropeçar um destes pequenos.

3Olhai por vós mesmos.

17.3
Mt 18.15,21
E, se teu irmão pecar contra ti, repreende-o;
17.3
Lv 19.17
Pv 17.10
Tg 5.19
e, se ele se arrepender, perdoa-lhe; 4e, se pecar contra ti sete vezes no dia e sete vezes no dia vier ter contigo, dizendo: Arrependo-me, perdoa-lhe.

5Disseram, então, os apóstolos ao Senhor: Acrescenta-nos a fé. 6E disse o

17.6
Mt 17.20
21.21
Mc 9.23
11.23
Senhor: Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: Desarraiga-te daqui e planta-te no mar, e ela vos obedeceria.

7E qual de vós terá um servo a lavrar ou a apascentar gado, a quem, voltando ele do campo, diga: Chega-te e assenta-te à mesa? 8E não lhe diga antes: Prepara-me a ceia, e cinge-te,

17.8
Lc 12.37
e serve-me, até que tenha comido e bebido, e depois comerás e beberás tu? 9Porventura, dá graças ao tal servo, porque fez o que lhe foi mandado? Creio que não. 10Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos
17.10
Jó 22.3
35.7
Mt 25.30
Rm 3.12
11.35
1Co 9.16-17
Fm 11
servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer.

A cura de dez leprosos

11E aconteceu

17.11
Lc 9.51-52
Jo 4.4
que, indo ele a Jerusalém, passou pelo meio de Samaria e da Galileia; 12e, entrando numa certa aldeia, saíram-lhe ao encontro dez homens leprosos,
17.12
Lv 13.46
os quais pararam de longe. 13E levantaram a voz, dizendo: Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós! 14E ele, vendo-os, disse-lhes:
17.14
Lv 13.2
14.2
Mt 8.4
Lc 5.14
Ide e mostrai-vos aos sacerdotes. E aconteceu que, indo eles, ficaram limpos. 15E um deles, vendo que estava são, voltou glorificando a Deus em alta voz. 16E caiu aos seus pés, com o rosto em terra, dando-lhe graças; e este era samaritano. 17E, respondendo Jesus, disse: Não foram dez os limpos? E onde estão os nove? 18Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro? 19E disse-lhe:
17.19
Mt 9.22
Mc 5.34
10.52
Lc 7.50
8.48
18.42
Levanta-te e vai; a tua fé te salvou.

A vinda súbita do Reino de Deus

20E, interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o Reino de Deus, respondeu-lhes e disse: O Reino de Deus não vem com 17.20 ou observaçãoaparência exterior. 21Nem dirão:

17.21
Lc 17.23
Ei-lo aqui! Ou: Ei-lo ali! Porque eis que o Reino de Deus está
17.21
Rm 14.17
entre vós.

22E disse aos discípulos:

17.22
Mt 9.15
Jo 17.12
Dias virão em que desejareis ver um dos dias do Filho do Homem e não o vereis. 23E dir-vos-ão:
17.23
Mt 24.23
Mc 13.21
Lc 21.8
Ei-lo aqui! Ou: Ei-lo ali! Não vades, nem os sigais, 24porque,
17.24
Mt 24.27
como o relâmpago ilumina desde uma extremidade inferior do céu até à outra extremidade, assim será também o Filho do Homem no seu dia. 25Mas
17.25
Mc 8.31
9.34
10.33
Lc 9.22
primeiro convém que ele padeça muito e seja reprovado por esta geração. 26E,
17.26
Gn 7
Mt 24.37
como aconteceu nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do Homem. 27Comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio e consumiu a todos. 28Como
17.28
Gn 19
também da mesma maneira aconteceu nos dias de Ló: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam. 29Mas,
17.29
Gn 19.16,24
no dia em que Ló saiu de Sodoma, choveu do céu fogo e enxofre, consumindo a todos. 30Assim será no dia em que o Filho do Homem se há
17.30
2Ts 1.7
de manifestar. 31Naquele dia,
17.31
Mt 24.17
Mc 13.15
quem estiver no telhado, tendo os seus utensílios em casa, não desça a tomá-los; e, da mesma sorte, o que estiver no campo não volte para trás. 32Lembrai-vos
17.32
Gn 19.26
da mulher de Ló. 33Qualquer
17.33
Mt 10.39
16.25
Mc 8.35
Lc 9.34
Jo 12.25
que procurar salvar a sua vida perdê-la-á, e qualquer que a perder salvá-la-á. 34Digo-vos
17.34
Mt 24.40-41
1Ts 4.17
que, naquela noite, estarão dois numa cama; um será tomado, e outro será deixado. 35Duas estarão juntas, moendo; uma será tomada, e outra será deixada. 36Dois estarão no campo; um será tomado, e outro será deixado. 37E, respondendo,
17.37
Jó 39.30
Mt 24.28
disseram-lhe: Onde, Senhor? E ele lhes disse: Onde estiver o corpo, aí se ajuntarão as águias.

18

A parábola do juiz iníquo

181E contou-lhes também uma parábola sobre o dever

18.1
Lc 11.5
21.36
Rm 12.12
Ef 6.18
Cl 4.2
1Ts 5.17
de orar sempre e nunca desfalecer, 2dizendo: Havia numa cidade um certo juiz, que nem a Deus temia, nem respeitava homem algum. 3Havia também naquela mesma cidade uma certa viúva e ia ter com ele, dizendo: Faze-me justiça contra o meu adversário. 4E, por algum tempo, não quis; mas, depois, disse consigo: Ainda que não temo a Deus, nem respeito os homens, 5todavia,
18.5
Lc 11.8
como esta viúva me molesta, hei de fazer-lhe justiça, para que enfim não volte e me importune muito. 6E disse o Senhor: Ouvi o que diz o injusto juiz. 7E Deus
18.7
Ap 10.6
não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele de dia e de noite, ainda que 18.7 ou longânimotardio para com eles? 8Digo-vos
18.8
Hb 10.37
2Pe 3.8-9
que, depressa, lhes fará justiça. Quando, porém, vier o Filho do Homem, porventura, achará fé na terra?

A parábola do fariseu e do publicano

9E disse também esta parábola a uns

18.9
Lc 10.29
16.15
que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos, e desprezavam os outros: 10Dois homens subiram ao templo, a orar; um, fariseu, e o outro, publicano. 11O fariseu,
18.11
Sl 135.2
estando em pé, orava consigo desta maneira:
18.11
Is 1.15
58.2
Ap 3.17
Ó Deus, graças te dou, porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. 12Jejuo duas vezes na semana e dou os dízimos de tudo quanto possuo. 13O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador! 14Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele;
18.14
Jó 22.29
Mt 23.12
Lc 14.11
Tg 4.6
1Pe 5.5-6
porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado.

Jesus abençoa as crianças

(Mt 19.13-15; Mc 10.13-16)

15E traziam-lhe

18.15
Mc 10.13
também crianças, para que ele as tocasse; e os discípulos, vendo isso, repreendiam-nos. 16Mas Jesus, chamando-as para si, disse: Deixai vir a mim os pequeninos e não os impeçais,
18.16
1Co 14.20
1Pe 2.2
porque dos tais é o Reino de Deus. 17Em
18.17
Mc 10.15
verdade vos digo que qualquer que não receber o Reino de Deus como uma criança não entrará nele.

O jovem rico

(Mt 19.16-30; Mc 10.17-31)

18E

18.18
Mc 10.17
perguntou-lhe um certo príncipe, dizendo: Bom Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna? 19Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom, senão um, que é Deus. 20Sabes os mandamentos: Não adulterarás, não matarás,
18.20
Êx 20.12,16
Dt 5.16,20
Rm 13.9
não furtarás, não dirás falso testemunho,
18.20
Ef 6.2
Cl 3.20
honra a teu pai e a tua mãe. 21E disse ele: Todas essas coisas tenho observado desde a minha mocidade. 22E, quando Jesus ouviu isso, disse-lhe: Ainda te falta uma coisa:
18.22
Mt 6.19-20
19.21
1Tm 6.19
vende tudo quanto tens, reparte-o pelos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me. 23Mas, ouvindo ele isso, ficou muito triste, porque era muito rico.

24E, vendo Jesus que ele ficara muito triste, disse:

18.24
Pv 11.28
Mt 19.23
Quão dificilmente entrarão no Reino de Deus os que têm riquezas! 25Porque é mais fácil entrar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no Reino de Deus. 26E os que ouviram isso disseram: Logo, quem pode salvar-se? 27Mas ele respondeu:
18.27
Jr 32.17
Zc 8.6
Mt 19.26
Lc 1.37
As coisas que são impossíveis aos homens são possíveis a Deus. 28E disse Pedro:
18.28
Mt 19.27
Eis que nós deixamos tudo e te seguimos. 29E ele lhes disse: Na verdade vos digo
18.29
Dt 33.9
que ninguém há, que tenha deixado casa, ou pais, ou irmãos, ou mulher, ou filhos pelo Reino de Deus 30e
18.30
Jó 42.10
não haja de receber muito mais neste mundo e, na idade vindoura, a vida eterna.

Jesus anuncia a sua paixão

(Mt 20.17-19; Mc 10.32-34)

31E,

18.31
Mt 16.21
17.22
Mc 10.32
tomando consigo os doze, disse-lhes: Eis que subimos a Jerusalém, e se cumprirá no Filho do Homem tudo o
18.31
Sl 21
Is 53
que pelos profetas foi escrito. 32Pois
18.32
Mt 27.2
Lc 23.1
Jo 18.28
At 3.13
há de ser entregue aos gentios e escarnecido, injuriado e cuspido; 33e, havendo-o açoitado, o matarão; e, ao terceiro dia, ressuscitará. 34E
18.34
Mc 9.32
Lc 2.50
9.45
Jo 10.6
12.16
eles nada disso entendiam, e esta palavra lhes era encoberta, não percebendo o que se lhes dizia.

O cego de Jericó

(Mt 20.29-34; Mc 10.46-52)

35E aconteceu

18.35
Mc 10.46
que, chegando ele perto de Jericó, estava um cego assentado junto do caminho, mendigando. 36E, ouvindo passar a multidão, perguntou que era aquilo. 37E disseram-lhe que Jesus, o Nazareno, passava. 38Então, clamou, dizendo: Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim! 39E os que iam passando repreendiam-no para que se calasse; mas ele clamava ainda mais: Filho de Davi, tem misericórdia de mim! 40Então, Jesus, parando, mandou que lho trouxessem; e, chegando ele, perguntou-lhe, 41dizendo: Que queres que te faça? E ele disse: Senhor, que eu veja. 42E Jesus lhe disse:
18.42
Lc 17.19
Vê; a tua fé te salvou. 43E logo viu e seguia-o,
18.43
Lc 5.26
At 4.21
11.18
glorificando a Deus. E todo o povo, vendo isso, dava louvores a Deus.