Almeida Revista e Corrigida (2009) (ARC)
3

A tristeza de Jeremias. Ele convida o povo a reconhecer o seu pecado e a voltar para Deus, para obter misericórdia

Álefe.

31Eu sou o homem que viu a aflição pela vara do seu furor. 2Ele me levou e me fez andar em trevas e não na luz. 3Deveras se tornou contra mim; virou contra mim de contínuo, a mão todo o dia.

Bete.

4

3.4
Jó 16.8
Is 38.13
Jr 50.17
Fez envelhecer a minha carne e a minha pele, quebrantou os meus ossos. 5Edificou contra mim e me cercou de fel e trabalho. 6Assentou-me em lugares tenebrosos, como os que estavam mortos há muito.

Guímel.

7

3.7
Jó 3.23
19.8
Os 2.6
Circunvalou-me, e não posso sair; agravou os meus grilhões. 8Ainda
3.8
Jó 30.20
quando clamo e grito, ele exclui a minha oração. 9Circunvalou os meus caminhos com pedras lavradas, fez tortuosas as minhas veredas.

Dálete.

10Fez-me

3.10
Os 5.14
13.7-8
como urso de emboscada, um leão em esconderijos. 11Desviou os meus caminhos e fez-me em pedaços; deixou-me assolado. 12Armou o seu arco,
3.12
Jó 7.20
16.12
e me pôs como alvo à flecha.

Hê.

13Fez

3.13
Jó 6.4
entrar nos meus rins as flechas da sua aljava. 14Fui
3.14
Jr 20.7
Jó 30.9
Lm 3.63
feito um objeto de escárnio para todo o meu povo e a sua canção todo o dia. 15Fartou-me
3.15
Jr 9.15
de amarguras, saciou-me de absinto.

Vau.

16Quebrou com pedrinhas de areia os meus dentes;

3.16
Pv 20.17
cobriu-me de cinza. 17E afastaste da paz a minha alma; esqueci-me do bem. 18Então, disse eu: Já pereceu a minha força, como também a minha esperança no Senhor.

Zain.

19Lembra-te da minha aflição e do meu pranto,

3.19
Jr 9.15
do absinto e do fel. 20Minha alma, certamente, se lembra e se abate dentro de mim. 21Disso me recordarei no meu coração; por isso, tenho esperança.

Hete.

22As misericórdias

3.22
Ml 3.6
do Senhor são a causa de não sermos consumidos; porque as suas misericórdias não têm fim. 23Novas
3.23
Is 33.2
são cada manhã; grande é a tua fidelidade. 24A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto, esperarei nele.

Tete.

25Bom é o Senhor para os que se atêm a ele,

3.25
Is 30.18
Mq 7.7
para a alma que o busca. 26Bom é ter esperança e aguardar em silêncio a salvação do Senhor. 27Bom é para o homem suportar o jugo na sua mocidade;

Jode.

28assentar-se

3.28
Jr 15.17
Lm 2.10
solitário e ficar em silêncio; porquanto Deus o pôs sobre ele. 29Ponha
3.29
Jó 42.6
a boca no pó; talvez assim haja esperança. 30
3.30
Is 50.6
Mt 5.39
a face ao que o fere; farte-se de afronta.

Cafe.

31Porque o Senhor não rejeitará para sempre. 32Pois, ainda que entristeça a alguém, usará de compaixão segundo a grandeza das suas misericórdias. 33Porque não aflige nem entristece de bom grado os filhos dos homens.

Lâmede.

34Pisar debaixo dos pés todos os presos da terra, 35perverter o direito do homem perante a face do Altíssimo, 36subverter o homem no seu pleito,

3.36
Hc 1.13
não o veria o Senhor?

Mem.

37Quem é aquele que diz, e assim acontece, quando o Senhor o não mande? 38Porventura da boca do Altíssimo

3.38
Jó 2.10
Is 45.7
Am 3.6
não sai o mal e o bem? 39De
3.39
Pv 19.3
Mq 7.9
que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados.

Nun.

40Esquadrinhemos os nossos caminhos, experimentemo-los e voltemos para o Senhor. 41Levantemos o coração juntamente com as mãos para Deus nos céus, dizendo: 42Nós prevaricamos

3.42
Dn 9.5
e fomos rebeldes; por isso, tu não perdoaste.

Sâmeque.

43Cobriste-nos de ira e nos perseguiste;

3.43
Lm 2.2,17,21
mataste, não perdoaste. 44Cobriste-te
3.44
Lm 3.8
de nuvens, para que não passe a nossa oração. 45Como
3.45
1Co 4.13
cisco e rejeitamento, nos puseste no meio dos povos.

Pê.

46Todos

3.46
Lm 2.16
os nossos inimigos abriram contra nós a sua boca. 47Temor e cova
3.47
Is 24.17
51.19
Jr 48.43
vieram sobre nós, assolação e quebrantamento. 48Torrentes de águas derramaram os meus olhos,
3.48
Jr 4.19
9.1
14.17
Lm 2.11
por causa da destruição da filha do meu povo.

Ain.

49Os

3.49
Lm 1.16
meus olhos choram e não cessam, porque não há descanso, 50até
3.50
Is 63.15
que o Senhor atente e veja desde os céus. 51O meu olho move a minha alma, por causa de todas as filhas da minha cidade.

Tsadê.

52Como ave, me caçaram os que são meus inimigos sem causa. 53Arrancaram

3.53
Jr 38.6,9-10
Dn 6.17
a minha vida na cova e lançaram pedras sobre mim. 54Águas correram sobre a minha
3.54
Lm 3.18
Is 38.10-11
cabeça; eu disse: Estou cortado.

Cofe.

55Invoquei

3.55
Jn 2.2
o teu nome, Senhor, desde a mais profunda cova. 56Ouviste a minha voz; não escondas o teu ouvido ao meu suspiro, ao meu clamor. 57Tu te aproximaste no dia em que te invoquei;
3.57
Tg 4.8
disseste: Não temas.

Rexe.

58Pleiteaste,

3.58
Jr 51.36
Senhor, os pleitos da minha alma, remiste a minha vida. 59Viste, Senhor, a injustiça que me fizeram; julga a minha causa. 60Viste toda a sua vingança,
3.60
Jr 11.19
todos os seus pensamentos contra mim.

Chim.

61Ouviste as suas afrontas, Senhor, todos os seus pensamentos contra mim; 62os lábios dos que se levantam contra mim e as suas imaginações contra mim todo o dia. 63Observa-os ao se assentarem e ao se levantarem;

3.63
Lm 3.14
eu sou a sua canção.

Tau.

64Tu lhes darás a recompensa, Senhor,

3.64
Jr 11.20
2Tm 4.14
conforme a obra das suas mãos. 65Tu lhes darás ânsia de coração, maldição tua sobre eles. 66Na tua ira, os perseguirás, e
3.66
Dt 25.19
Jr 10.11
eles serão desfeitos debaixo dos céus do Senhor.

4

As grandes aflições de várias classes de pessoas

Álefe.

41Como se escureceu o ouro! Como se mudou

4.1
Lm 2.19
o ouro fino e bom! Como estão espalhadas as pedras do santuário ao canto de todas as ruas!

Bete.

2Os preciosos filhos de Sião, comparáveis a puro ouro,

4.2
Is 30.14
Jr 19.11
2Co 4.7
como são, agora, reputados por vasos de barro, obra das mãos do oleiro!

Guímel.

3Até os chacais abaixam o peito, dão de mamar aos seus filhos; mas

4.3
Jó 39.14,16
a filha do meu povo tornou-se cruel como os avestruzes no deserto.

Dálete.

4A língua do que mama fica pegada pela sede ao seu paladar;

4.4
Lm 2.11-12
os meninos pedem pão, e ninguém lho dá.

Hê.

5Os que comiam iguarias delicadas desfalecem nas ruas;

4.5
Jó 24.8
os que se criaram em carmesim abraçam o esterco.

Vau.

6Porque maior é a maldade da filha do meu povo do que o pecado de Sodoma,

4.6
Gn 19.25
a qual se subverteu como em um momento, sem que trabalhassem nela mãos algumas.

Zain.

7Os seus nazireus eram mais alvos do que a neve, eram mais brancos do que o leite, eram mais roxos de corpo do que os rubins, mais polidos do que a safira.

Hete.

8Mas,

4.8
Lm 5.10
Jl 2.6
Na 2.10
agora, escureceu-se o seu parecer mais do que o negrume, não se conhecem nas ruas; a sua pele se lhes pegou aos ossos, secou-se, tornou-se como um pedaço de pau.

Tete.

9Os mortos à espada mais ditosos são do que os mortos à fome; porque estes se esgotam como traspassados, por falta dos frutos dos campos.

Jode.

10As

4.10
Lm 2.20
Is 49.15
mãos das mulheres piedosas cozeram seus próprios filhos;
4.10
Dt 28.57
2Rs 6.29
serviram-lhes de alimento na destruição da filha do meu povo.

Cafe.

11Deu o Senhor cumprimento ao seu furor;

4.11
Jr 7.20
21.14
Dt 32.22
derramou o ardor da sua ira e acendeu fogo em Sião, que consumiu os seus fundamentos.

Lâmede.

12Não creram os reis da terra, nem todos os moradores do mundo, que entrasse o adversário e o inimigo pelas portas de Jerusalém.

Mem.

13Foi por causa dos

4.13
Jr 5.31
6.13
14.14
23.11,21
Ez 22.26,28
Sf 3.4
pecados dos profetas,
4.13
Mt 23.31,37
das maldades dos seus sacerdotes, que derramaram o sangue dos justos no meio dela.

Nun.

14Erram como cegos nas ruas,

4.14
Jr 2.34
andam contaminados de sangue; de tal sorte que ninguém pode tocar nas suas roupas.

Sâmeque.

15Desviai-vos,

4.15
Lv 13.45
bradavam eles. Imundo! Desviai-vos, desviai-vos, não toqueis; quando fugiram e erraram, disseram entre as nações: Nunca mais morarão aqui.

Pê.

16A ira do Senhor os dividiu; ele nunca mais tornará a olhar para eles;

4.16
Lm 5.12
não reverenciaram a face dos sacerdotes, nem se compadeceram dos velhos.

Ain.

17Os

4.17
Is 30.6-7
nossos olhos desfaleciam, esperando vão socorro; olhávamos atentamente para gente que não pode livrar.

Tsadê.

18Espiaram os nossos passos,

4.18
2Rs 25.4-5
de maneira que não podíamos andar pelas nossas ruas; está chegando o nosso fim, estão cumpridos os nossos dias,
4.18
Ez 7.2-3,6
Am 8.2
porque é vindo o nosso fim.

Cofe.

19Os nossos perseguidores foram

4.19
Jr 4.13
mais ligeiros do que as aves dos céus; sobre os montes nos perseguiram, no deserto nos armaram ciladas.

Rexe.

20O respiro

4.20
Gn 2.7
das nossas narinas, o ungido do Senhor,
4.20
Jr 52.9
Ez 12.13
19.4,8
foi preso nas suas covas; dele dizíamos: Debaixo da sua sombra viveremos entre as nações.

Chim.

21Regozija-te e

4.21
Ec 11.9
alegra-te, ó filha de Edom, que habitas na terra de Uz;
4.21
Jr 25.15-16
Ob 10
o cálice chegará também para ti; embebedar-te-ás e te descobrirás.

Tau.

22O castigo da tua maldade

4.22
Is 40.2
está consumado, ó filha de Sião; ele nunca mais te levará para o cativeiro; ele visitará a tua maldade, ó filha de Edom, descobrirá os teus pecados.

5

Males presentes e tristes recordações

51Lembra-te, Senhor, do que nos tem sucedido; considera e olha para o nosso opróbrio. 2A nossa herdade passou a estranhos, e as nossas casas, a forasteiros. 3Órfãos somos sem pai, nossas mães são como viúvas. 4A nossa água por dinheiro a bebemos, por preço vem a nossa lenha. 5Os nossos perseguidores estão sobre os nossos pescoços;

5.5
Dt 28.48
Jr 28.14
estamos cansados e não temos descanso. 6Aos egípcios estendemos
5.6
Gn 24.2
Jr 50.15
Os 12.1
as mãos, e aos assírios, para nos fartarem de pão. 7Nossos pais pecaram
5.7
Jr 31.29
Ez 18.2
e não existem;
5.7
Gn 42.13
Zc 1.5
nós levamos as suas maldades. 8Servos dominam sobre nós; ninguém que nos arranque da sua mão. 9Com perigo de nossas vidas, trazemos o nosso pão, por causa da espada do deserto. 10Nossa pele
5.10
Jó 30.30
se enegreceu como um forno, por causa do ardor da fome. 11Forçaram
5.11
Is 13.16
as mulheres em Sião; as virgens, nas cidades de Judá. 12Os príncipes foram enforcados pelas mãos deles;
5.12
Is 47.6
as faces dos velhos não foram reverenciadas. 13Aos
5.13
Jz 16.21
jovens obrigam a moer, e os moços tropeçaram debaixo da lenha. 14Os velhos já não têm assento à porta, os jovens já não cantam. 15Cessou o gozo de nosso coração, converteu-se em lamentação a nossa dança. 16Caiu
5.16
Jó 19.9
a coroa da nossa cabeça; ai de nós, porque pecamos. 17Por isso, desmaiou
5.17
Lm 1.22
2.11
o nosso coração; por isso, se escureceram os nossos olhos. 18Pelo monte de Sião, que está assolado, andam as raposas.

19Tu, Senhor,

5.19
Hc 1.12
permaneces eternamente, e o teu trono, de geração em geração. 20Por que te esquecerias de nós para sempre? Por que nos desampararias por tanto tempo? 21Converte-nos,
5.21
Jr 31.18
Senhor, a ti, e nós nos converteremos; renova os nossos dias como dantes. 22Por que nos rejeitarias totalmente? Por que te enfurecerias contra nós em tão grande maneira?

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